Capítulo 16 - Beijo Roubado
O frio e a chuva de domingo contribuíram para passarem o dia todo nos braços um do outro. Foram para a varanda da suíte, o Uchiha deitou em uma das espreguiçadeiras, a puxou para seu colo e os cobriu com um cobertor macio. Aconchegada contra o peito dele, Hinata deslizava os dedos por seu braço forte, sentindo sua própria pele arrepiada pelas carícias suaves em sua cintura.
Os braços protetores ao seu redor, as carícias e beijos suaves enchiam Hinata de segurança e paz. Se pudesse passaria a eternidade alinhada junto ao corpo masculino, envolvida por seu aroma, seu calor, seu gosto. Sasuke parecia pensar o mesmo, pois, fora algumas saídas por necessidades básicas, ele não saia do seu lado.
E não parecia ser pelo sexo. Depois da degustação que lhe fizera ver estrelas e algumas carícias mais ousadas, Sasuke não demonstrava pressa em repetir a noite anterior. Hinata teria se preocupado, caso ele não sustentasse uma ereção evidenciando seu desejo por ela. E os beijos... Cada vez que ele a beijava sentia-se nas nuvens, mergulhada no paraíso Uchiha.
Com a cabeça apoiada entre no ombro e o pescoço do Uchiha, Hinata ergueu o rosto, o nariz roçando a pele do queixo e sorvendo a colônia do homem que dominava seu coração. A vontade de distribuir beijos carinhosos ali crescia em seu ser, mas o medo e insegurança a reprimiam. Temia a reação dele se percebesse seus sentimentos antes de estar apaixonado por ela.
Era péssima em ocultar o que sentia além de ser inexperiente, enquanto ele tinha uma vida sexual ativa há anos. Não que o tivesse visto com alguém antes de trabalhar para ele, porém, ouvira por anos Mikoto reclamar quando ele era clicado em alguma balada, queixas que aumentaram quando ele se mudou. Sasuke jamais levara algum de seus casos para a mansão.
Essa discrição era antiga. Quando estudaram na mesma escola ele vivia sendo o foco de interesse das garotas – e de alguns garotos também –, mas ele nunca demonstrara corresponder e ela jamais o tinha visto aos beijos com ninguém. Hinata se perguntava quando ele começara. A vida sentimental e sexual dela era um livro aberto – com exceção dos seus sentimentos por ele –, porém sabia muito pouco sobre a dele.
Esse abismo de experiências devia ser a resposta para Sasuke ser tão bom em controlar suas reações e sentimentos, enquanto ela era um mar descontrolado. Talvez criar essa conexão os aproximasse e o fizesse olha-la como mais que um caso, como alguém para compartilhar todos os momentos de sua vida.
— Sasuke... Quando foi sua primeira vez?
— Qual o motivo da pergunta? — Sasuke parou os carinhos em sua cintura e moveu a cabeça, olhando-a curioso.
— É só... Ah, não precisa dizer... besteira minha... — gaguejou comprimindo a face ardente pela ousadia no peitoral desnudo.
— Não foi o meu melhor momento — ele disse com pouco caso.
— Foi ruim?
— Na hora foi frustrante, o depois é que foi ruim — explicou deslizando o polegar pela lateral do rosto feminino.
— Mesmo? — Ajeitou-se no colo dele, enchendo-a de coragem para encara-lo e questionar curiosa. — Por quê?
— Porque dona Mikoto descobriu e, após uma bronca homérica, me colocou de castigo — respondeu, recordando claramente ressentido. — Um mês sem televisão e videogame.
— Só porque você perdeu a virgindade?
Hinata esperava isso de seus pais. Se sua mãe estivesse viva na certa a faria rezar o rosário cem vezes para purificar sua alma pecadora e seu pai... Nem queria pensar nisso.
— Não por isso. — Ele pareceu pesar as palavras antes de confessar: — Minha primeira vez foi com uma prostituta.
— O quê?! — No susto, Hinata ergueu o tronco, as mãos pressionando o tórax e causando um arquejou com a pressão. Sasuke Uchiha pagando por sexo? Não imaginaria isso nem em um bilhão de anos. — Desculpe-me! É que... não precisaria... você é lindo, atraente...
— Gosto do seu raciocínio — disse abrindo um sorriso malicioso, puxando-a pela nuca para mordiscar seu lábio inferior.
— É sério! Você nunca precisaria pagar — ela insistiu afastando-se, chocada demais com essa revelação. — Desde a escola todas as meninas idolatravam o chão que você pisava.
— Nem todas — ele pontuou acariciando seu pescoço. — E quem pagou foi o pai do Gaara.
— Espera! — Hianta se ajeitou colocando uma perna de cada lado dos quadris de Sasuke. — Como assim o pai do Gaara pagou para você transar? Não faz o menor sentido.
— Não mesmo — disse segurando as coxas roliças da Hyuuga.
Estivera ha horas aguentando a tentação de tê-la contra si somente com a camisa que ele usara na noite anterior, agora a tinha em uma posição que inspirava pensamentos mais agradáveis que sua primeira vez. Deslizou as mãos pela carne tenra, apalpando-a rumo ao traseiro nu, mas Hinata segurou seus braços. A expressão dela era uma mescla de desejo e curiosidade, aparentemente a segunda sendo a mais forte e exigindo respostas. Respirando fundo, Sasuke recordou:
— Eu e Naruto estávamos jogando na casa do Gaara, quando o pai dele apareceu furioso segurando Kankuro pelo pescoço. Ele mandou Gaara acompanha-los dizendo que "transformaria os dois em homens de verdade". Gaara ficou com medo e não levantou do chão — Sasuke suspirou o olhar perdido no passado. — Na verdade, nós três estávamos com medo. Era evidente que Kankuro apanhara e, pelo ódio no olhar de Rasa e tudo que escutamos sobre ele, sabíamos quem batera.
— Oh, céus! — Hinata cobriu a boca com a mão, chocada. Por mais que seus pais tivessem sido severos, jamais encostaram um dedo nela e em sua irmã.
— O pai dele gritou, repetindo a ordem e ele se ergueu tremendo. Foi quando Naruto pediu para ir junto e eu pedi o mesmo, não queríamos deixa-lo sozinho com o pai louco. Rasa concordou sem sequer titubear e nos levou para o carro dele. Ficamos os três no banco de trás e Kankuro na frente, todos em silêncio. — Mesmo com o passar dos anos, aquela ainda era uma lembrança amarga para Sasuke. — Sequer tínhamos coragem de olhar uns para os outros ou perguntar exatamente para onde estávamos indo, apesar do medo crescer conforme as casas se tornaram esporádicas e entravamos em uma área no meio do nada.
— Onde ele os levou?
— Juro, pensei que ele iria nos espancar como fizera com Kankuro. Desejei ser maior, mais forte, desejei até que meus pais se materializassem na nossa frente. — Afetado pelas lembranças inconscientemente os dedos de Sasuke se apertaram nos quadris de Hinata. — Por fim, Rasa parou em um bordel e chamou uma mulher para cada um de nós. — Sasuke soltou um riso sem entusiasmo. — Tínhamos treze anos e só queríamos passar algumas horas jogando Nintendo. Estava tão tenso e assustado que não durei nem um minuto. No caminho de volta Naruto parecia tão desgostoso quando eu, mas foi Gaara que ficou pior. O olhar dele mudou depois disso.
— Como alguém...? — calou mortificada com o que escutara e sem saber como expressar todo o seu desgosto com o patriarca Sabaku. O tinha visto uma vez, no casamento de Temari, insuficiente para lembrar seu rosto ou determinar o tipo de pessoa que era. Pelo jeito desprezível.
— Minha mãe deve ter feito essa cara quando descobriu — disse acariciando a bochecha da Hyuuga, julgando que o desgosto na face dela era endereçado a ele. — Quando me confrontou a expressão dela era de decepção a principio e medo quando eu soube que não usei camisinha. Ouvi tanto sobre doenças e passei por uma bateria de exames por meses que desde então não ando sem uma, até faço exames a cada seis meses só para descarrego de consciência, a minha e a dela, quando se mete a perguntar.
— Como ela descobriu?
— Naruto. Ele não era tão idiota na época — respondeu apático. — Fingiu que transou e depois contou tudo para seus pais, que contaram para os meus. Fomos proibidos de entrar na casa dos Sabaku depois disso, tanto pelos nossos pais quanto pelo pai do Gaara, que ouviu reprimendas e ameaças dos nossos.
— Vocês eram crianças... — Penalizada, o abraçou protetora. — Que tipo de pai faz isso?
— O tipo que não se importa com os outros — Sasuke deslizou as mãos pelas costas dela. — Mas não quero pensar nisso. — Afastou os longos fios para beija-la no ombro, desejando afastar os pensamentos da recordação e foca-los em algo melhor. — Não quero pensar em nada e ninguém além de nós — disse procurando os lábios polpudos em um beijo profundo, escorregando as mãos até as nádegas macias.
— Sasuke...! — Hinata tentou sair, mas Sasuke a manteve no lugar. — Alguém pode ver... — argumentou envergonhada.
— O apartamento ocupa todo o andar, que é um dos últimos, precisariam de binóculo e mirar exatamente para nós — ele argumentou beijando sua garganta. — Mas prometo não tirar o cobertor e a camisa que usa — disse puxando-a contra si, movendo os quadris para que notasse sua tesa ereção. — Vê-la usando minhas roupas me excita.
Encantada pela declaração do Uchiha, Hinata se abandonou aos beijos dele, inclinando o rosto para aprofundar o domínio dos lábios exigentes. Entregue às carícias cada vez mais ousadas e devolvendo com a boca e as mãos a paixão que ele transmitia, soltou um ruído insatisfeito quando Sasuke a ergueu o suficiente para afastar o short que usava, retirar uma camisinha do bolso e coloca-la. Arfou quando ele se posicionou e a abaixou aos poucos sobre o membro cálido e rijo.
— Nos conduza, querida — ele pediu com a respiração pesada quando estavam totalmente conectados.
Hinata ergueu os quadris devagar, descendo-os suavemente em seguida, arrancando um gemido deliciado de ambos. Sem tirar os olhos turvados de prazer dos dele repetiu os movimentos lentamente, sentindo-se poderosa por ter o controle, por ver a luxúria e o gozo estampados no rosto de Sasuke cada vez que o levava profundamente.
Com uma mão espalmada nas costas da Hyuuga e outra apertando sua nádega, Sasuke a puxou, juntando seu tronco ao peito dela e arrancando um ofegou surpreso dos lábios femininos com a fricção de seus sexos.
— Rebole — ele comandou sendo imediatamente atendido, levando ambos à outra onda de gemidos extasiados. — Você me enlouquece... — murmurou tomando sua boca em um beijo faminto, apertando-a em seus braços e movendo os quadris de encontro aos dela.
Suada, arfante e com os membros perto de um colapso, Hinata agarrou a parte de cima da espreguiçadeira, jogando todo o corpo para frente, os quadris comandando a penetração. Não resistindo aos seios ao alcance de sua boca, Sasuke abocanhou um deles por cima da camisa, enquanto uma mão introduzia-se por baixo da vestimenta para acariciar um mamilo endurecido.
Ofegantes, presos na intensidade das sensações e precisando sentir cada pedacinho do corpo do outro, abraçavam-se com força, acariciando, beijando, mordiscando e aumentando gradativamente os movimentos.
Sasuke sentiu o orgasmo de Hinata vindo. O corpo trêmulo, o seio eriçado, as contrações e ondulações envolvendo e pressionando seu membro, levando ele próprio para o limiar da satisfação. Quando ela desabou sendo seguida instantes depois por ele, permaneceu com os braços envoltos dela, a respiração apressada movendo os fios bagunçados da amante.
— Se alguém nos observava, teve um belo espetáculo — comentou ajeitando a camisa para cobrir a bunda dela, o cobertor estava no chão.
— Bobo!
Bateu de leve no peito dele, plantando em seguida um beijo suave no lugar. Hinata tinha muitas incertezas sobre o futuro deles, principalmente se conseguiria conquistar o amor dele. No entanto, todos os seus receios sumiam quando estava ali, protegida pelos braços fortes, sendo conduzida pelos desejos e beijos do Uchiha.
~*S2*~
Ao descerem para a academia na segunda, Hinata se apressou para a aula de Kiba, um sorriso de agradecimento que não saia de seus lábios. Nem precisou agradecer, assim que a viu transbordando alegria e satisfação, o Inuzuka riu e acenou com compreensão.
Quando a pratica acabou, correu para os braços de Sasuke, sendo estreitada contra o peito másculo e erguida do chão para receber um beijo. O melhor lugar para se estar.
— Se inveja for mesmo pecado, tenho ingresso Vip para o inferno.
Hinata se afastou o suficiente para olhar para trás, encontrando uma sorridente Amaru à observa-los.
— Oi, sou Amaru. — Ela estendeu a mão para o Uchiha, que a encarou com uma sobrancelha erguida, sem demonstrar a menor intenção de cumprimenta-la. — E você é o cara que deve uma aliança a minha amiga.
— Não sei do que está falando — Sasuke a respondeu seco.
— Estou falando da mulher maravilhosa que você está abraçando, óbvio. — Ignorando a grosseria e o tom irritado do Uchiha, ela cravou as mãos nos quadris. — Não seja mesquinho, ela merece uma aliança nova, não acha?
Hinata corou violentamente com o mal entendido que causara. Antes de colocar as luvas para o treino, Amaru perguntara da aliança e ela repetira que perdera. E quando a amiga perguntou quando Sasuke lhe daria uma nova respondeu que não sabia.
— Amaru...
— Você está certa — Sasuke disse surpreendendo Hinata que o encarou boquiaberta, principalmente quando ele levou sua mão aos lábios e beijou o dedo em que a aliança de noivado deveria ficar. — Minha noiva merece uma aliança que represente o meu amor por ela.
Apesar de Sasuke permanecer com a expressão séria, Hinata percebia o brilho de humor nos olhos negros. Mas nem a certeza de que se tratava de uma brincadeira, diminuía o calor que se alastrava por seu corpo do ponto que os lábios masculinos tocavam até seu sexo pulsando por ele.
— Ai, vocês são tão lindinhos! — continuou Amaru eufórica. — Queria ter uma máquina aqui para registra-los. Quando vai ser o casamento? Quero convite.
— Não tem data... — disse Hinata se surpreendendo novamente ao ouvir a resposta tranquila do Uchiha.
— Novembro.
— Vocês não entraram em acordo ainda? — Amaru olhou confusa de um para o outro.
— Será em novembro — Sasuke repetiu apertando o abraço em volta da cintura da Hyuuga. — No jardim da casa dos meus pais.
— Bem especifico — disse Amaru sorrindo. — Sou uma curiosa compulsiva: algum motivo especial para a escolha?
— Foi quando nos beijamos pela primeira vez — ele respondeu olhando Hinata com um sorriso de canto. — Não foi bem no jardim, mas creio que a varanda tem pouco espaço para os convidados que a minha mãe exigirá.
— Que romântico casar no local do primeiro beijo! — maravilhou-se a jovem.
— Nem tanto. Foi um beijo roubado e ela desmaiou em seguida.
— Oh, nossa! Foi tão intenso assim? — Amaru deu um soquinho no braço de Hinata, os olhos brilhando. — Que inveja!
Hinata forçou um sorriso, olhando para Sasuke, suplicando mentalmente para ele parar de inventar.
— Éramos crianças demais para entender e ficamos anos separados por causa disso — ele disse beijando a testa de Hinata. — Mas agora eu a tenho novamente.
— Ah! — suspirou Amaru deliciada com a demonstração de afeto do Uchiha. — Vocês são tão fofos. Se precisar de ajuda, podem me chamar. Adoro planejar festas e casamento é uma ocasião...
Empolgada Amaru continuava a falar, mas Hinata mal a escutava, o pensamento longe.
~*S2*~
Sasuke tomava banho enquanto Hinata terminava de fazer seu café da manhã, ainda pensando na história que ele contara para Amaru.
A princípio por tê-la considerado uma mentira elaborada demais, depois por ter certa semelhança com algo que sempre achou se tratar de um sonho. Encaixava-se tão bem na história dele que começava a se questionar. Ela realmente beijara Sasuke no passado?
Ele entrou na cozinha usando só a calça social, absurdamente sexy de pés descalços, cabelo úmido e o peito ostentando seus músculos definidos, caminhou até ela e a abraçou por trás, os braços envolvendo a cintura feminina e o queixo apoiando-se no topo de sua cabeça.
— Qual é o problema?
— Não tem problema algum — respondeu aprontando uma taça de salada de frutas.
— Não minta — ele pediu.
— Porque acha que estou mentindo? — perguntou erguendo o rosto para olha-lo.
— Você rejeitou tomar banho comigo.
— Queria caprichar no seu café e você me seguraria para outras coisas além do banho.
— Hmm... Verdade — ele confirmou deslizando as palmas pela barriga dela, o calor conseguindo ultrapassar a lã grossa do vestido de manga longa que ela usava. — Mas também não está cantarolando, e você não canta somente quando está triste. — Hinata sentiu o peito dele se expandir e retrair em uma longa respiração. — Está arrependida de ter transado comigo?
— Não! — Girou nos braços dele para ficarem de frente. — Jamais me arrependerei. Só estou pensativa.
Em vez da expressão dele suavizar ficou ainda mais carregada.
— Pensando no imbecil que te abandonou?
— Não. Nada disso. — Apressou-se a explicar gaguejante: — O que disse para a Amaru... Sobre... nosso primeiro beijo... É que parece com um sonho... com o que acho ser um sonho... O que você disse é verdade?
— Pelo menos não achou que era um pesadelo — ele disse traçando seu lábio inferior com o polegar. — Sim, fui seu primeiro beijo. — Acariciou a face da Hyuuga. — Fui seu primeiro de várias formas — complementou esfregando sua excitação contra a barriga dela.
Corada, Hinata assentiu com um suave sorriso. Suas mãos formigaram de vontade de acaricia-lo, de senti-lo, e foi o que fez, agarrando-o pela cintura, deslizando as mãos por suas costas para puxa-lo, exigindo maior aproximação, ficando nas pontas dos pés para beija-lo. Sasuke segurou seu rosto com ambas às mãos e aprofundou o beijo como ela desejava. Mas era pouco.
Ele queria mais e sabia como obter. Deslizou as mãos para as nádegas firmes acariciando-as, soltando um gemido gutural contra seus lábios antes de aperta-la contra o seu corpo e iça-la no ar. Hinata envolveu os braços em volta do pescoço dele e as pernas em sua cintura, suspirando ao ser colocada na bancada, a pele em brasa encontrando o granito frio.
— Se continuarmos não poderei leva-la para a casa do seu primo — alertou entre beijos.
O calor dos lábios masculinos emanava como uma corrente de fogo pelo corpo todo de Hinata. Não tinha a menor vontade de afasta-lo e, levando em consideração a mão em suas costas e a que mantinha sua perna junto à cintura dele, fazendo-a notar o quanto estava excitado, Sasuke tampouco.
— Posso chamar o táxi mais tarde — decidiu inclinando o pescoço para receber mais dos deliciosos beijos do Uchiha e mergulhando os dedos nos fios macios e úmidos do cabelo negro.
Sasuke agarrou a barra de seu agasalho rosado e o puxou para cima, deixando-a só de calcinha e sutiã.
— Preciso recompensa-la por me dar esse tempo a mais com seu corpo tentador — declarou se abaixando, os dedos encaixados nas laterais da calcinha de algodão lilás.
E ele soube muito bem como recompensá-la.
~*S2*~
No dia seguinte Sasuke conseguiu leva-la para a casa de Neji e, embora Hinata preferisse que tivessem novamente mais tempo para eles, não falou nada, temendo expor como se sentia sobre ele.
Porém, em sua opinião: ele só não percebia por não querer. Ela sentia que ficava diferente quando estava ao lado dele, tanto por dentro – com a barriga remexendo como se tivesse pequenas e travessas borboletas em revoada –, quanto por fora – com o sorriso que não abandonava seus lábios e o desejo crescente de toca-lo o tempo todo.
Por outro lado, também reparou como o Uchiha estava diferente a cerca dela, demonstrando quere-la por perto e toca-la à todo instante em que estavam juntos. A quantidade de mensagens com duplo sentido e até mesmo as ligações despretensiosas entre eles também tinham aumentando. Se aquilo não era um sinal, não sabia o que mais poderia ser.
Por isso tinha esperanças de que em breve ele declararia que a amava. Ele estacionou e Hinata saiu ainda sonhando com o dia em que ouviria um "eu te amo" sincero, vindo do coração.
— Hinata, espere! Venha aqui! — Sasuke exigiu tirando-a de seus devaneios.
Retornou curiosa, colocando as mãos na janela e se inclinando para escuta-lo, porém Sasuke a puxou pela nuca e a beijou. Hinata se largou aquele momento, os dedos ansiosos tocando a face masculina, a boca sedenta pela dele. Foi com um gemido queixoso que sua boca foi afastada da dele.
— Contarei os minutos para encontra-la em casa — ele disse ao encerrar o beijo com um sorriso de canto.
Hinata se afastou do carro e o observou partir com uma expressão que mesclava confusão e alegria. Quando perdeu o automóvel de vista se virou para seguir até a casa do primo. Seu sorriso apagou-se ao vê-lo em pé no vão da porta, os braços cruzados em frente ao corpo e a expressão denunciando que virá o beijo.
— Pode me explicar o que diabos foi isso? — Embora a voz do Hyuuga fosse moderada, Hinata podia sentir a ira emanando do primo.
— Olá, Neji... — ela murmurou, aproximando-se como um cachorro repreendido por roer o chinelo do dono. — Por favor, vamos conversar com calma dentro de casa.
Ainda com um olhar flamejante, Neji a deixou entrar em sua casa. Não passaram nem bem três minutos quando ele começou a condenar o relacionamento da prima, o considerando uma aberração e pontuando todas as razões para dar um fim às investidas do Uchiha.
A Hyuuga sabiamente preferiu omitir que tinham ido além dos beijos. Embora pela cara desgostosa do primo e dos comentários ferinos, sobre Sasuke usar as mulheres por um tempo e larga-las sem remorso e que Hinata era um desafio que logo perderia a graça, imaginava que ele soubesse disso.
A razão finalmente retornou, espetando-a cruelmente, despertando-a de suas fantasias românticas. Era bem isso que representava para Sasuke: um desafio. Um experimento. Como era burra em esperar algo mais de alguém como Sasuke.
Tenten disse uma coisa ou outra para tentar abrandar o coração de Neji, mas não teve efeito algum. Por fim, Hinata conseguiu acalmar o primo, alegando que conversaria com Sasuke e imporia limites na relação que tinham, que deveria ser estritamente profissional. E assim, ele finalmente foi para o trabalho.
— Ele está certo... — murmurou desolada ao ficar sozinha com Tenten.
— Não, ele não está! — Tenten afirmou categórica. — Neji está sendo superprotetor. O que é fofo, mas desnecessário e exagerado nesse caso. Pelo menos na forma de lidar com a situação.
— Sasuke nunca teve algo sério e... o que temos sequer é um relacionamento normal. — Sentiu um bolor na garganta, dificultando as palavras a seguir. — Supor que durará é um erro.
— Dá para perceber a quilômetros que ele só tem olhos para você. — Tenten segurou sua mão, mas Hinata negou com a cabeça.
— Acho que ele ainda é apaixonado pela Konan. — Hinata suspirou sentindo-se derrotada.
— Quem?!
— A esposa do irmão dele. — Diante da confusão estampada no rosto da amiga, recordou: — Você disse que era evidente o interesse dele por ela.
Tenten a encarou com o cenho franzido, claramente confusa com o que escutava, procurando lembrar quando e onde dissera algo assim, sequer lembrava-se da esposa do irmão de Sasuke.
— Eu disse?!
— Sim. Na festa da Hanabi.
A expressão de Tenten desanuviou e, para descrença da Hyuuga, ela gargalhou.
— Oh, Hina! Você entendeu errado. — Ainda rindo, afastou uma lágrima no canto do olho. — Me referia a você. Sasuke não parava de olhar para você.
— Você falava de mim?!
— Sim, bobinha! — confirmou sorrindo. — Desde a primeira vez que os vi juntos percebi que havia algo entre vocês, quando ele a trouxe aqui e disse que a veria em casa, te olhando como se a marcasse como dele. Até pensei que ele era seu noivo lembra?
Assentiu, embora duvidasse que Tenten estivesse certa. Sasuke a odiava quando a contratou, quando a mãe dele forçou sua contratação, e agora... Talvez sobre isso estivesse certa. Talvez Sasuke a amasse ou estivesse em processo de amar... Seu coração esperançoso bateu com força renovada.
~*S2*~
A espera teve fim. Sasuke colocou o fone no gancho, se ergueu e contornou sua mesa, aguardando com posse determinada seu visitante.
O outro entrou com passos e expressão pesados. Sasuke observou os punhos fechados e imaginou que o polido advogado segurava com muito custo a vontade de soca-lo.
— A que devo a visita, Hyuuga? — Era impossível conter o sarcasmo na voz, quase tanto quanto no sorriso.
— O que pensa que está fazendo com a minha prima? — Neji questionou, segurando-se para não arrancar aquele sorrisinho do Uchiha no tapa.
— Nada que seja da sua conta — respondeu com a mesma rispidez presente na pergunta.
— Nem da conta do meu tio?
— Hinata é adulta e sabe cuidar de si. — Sasuke sorriu de canto, jocoso.
O desdém com que Sasuke tratava o assunto, aumentou a raiva de Neji, fazendo-o avançar até o Uchiha e agarra-lo pelo colarinho.
— Hinata não é como as mulheres que costuma enganar — rosnou entredentes. — Exijo que se afaste dela.
— Ou o que? Vai me bater? — Sasuke sorriu desdenhoso, mas não se desvencilhou. — Sou tão bom ou melhor que você com os punhos. Porém creio que, como homens civilizados, podemos resolver a situação sem violência.
— Nesse aspecto, sou obrigado a concordar — Neji o soltou com brusquidão. — Vai demitir a Hinata e se afastar dela?
— Não. — Sasuke o respondeu de pronto, arrumando a camisa como se não fosse nada demais. — Isso está fora de cogitação.
O Hyuuga franziu o cenho e comprimiu os lábios, a raiva borbulhando.
— Farei de tudo para ela perceber que você é um aproveitador, para convencê-la a se demitir — disse furioso, alertando ameaçador. — Quando se trata da minha família, das pessoas que amo, deixo o homem civilizado de lado.
— Penso da mesma forma e pretendo...
Sakura entrou na sala naquele momento e, ao reparar no clima tenso que cercava os dois homens, parou receosa, apertando contra o peito a correspondência que carregava. Depois de lançar um olhar para o ventre avantajado da secretária, Neji decidiu que era melhor partir.
— Está avisado, Uchiha.
O Hyuuga saiu batendo a porta e Sasuke permaneceu no mesmo lugar, sob e o olhar especulador da Haruno, até ele perguntar irritado:
— O que ainda faz aqui?
— Desculpe-me! Trouxe sua correspondência — ela se aproximou da mesa dele e estendeu um maço de envelopes, apontando para o que estava por cima. — Este foi entregue por um motoboy junto com outros dois, para a Temari e para o Gaara. Pediram para confirmar presença até amanhã.
Acenou em afirmação e sinalizou para que saísse. Sakura se apressou porta a fora, fechando-a com mais delicadeza que o Hyuuga. Sasuke retornou para sua poltrona, pensativo, apoiou os cotovelos na mesa, juntando suas mãos em frente ao rosto.
Não estava preocupado com as ameaças vazias do Hyuuga, já imaginava que as faria no momento em que o viu observando-os quando deixara Hinata em frente à casa dele. Era ela que tomava seus pensamentos. O que Hinata faria agora que Neji sabia sobre eles?
~*S2*~
Suas mãos suavam e uma leve dor no baixo-ventre se fazia presente quando passou pelas portas automáticas do supermercado. Deu um leve pulo quando o segurança, para quem normalmente dava bom dia, a cumprimentou. Com um sorriso e aceno tenso em resposta, relanceou o olhar para o longo balcão em frente aos caixas e seguiu apressada para a primeira fileira de produtos. Retornou em seguida com as bochechas em chamas ao lembrar que precisaria de um carrinho, certa de que agora atrairia atenção.
Era costume fazer compras na metade do mês, mas naquele dia havia algo diferente que a deixava tensa. Quando pegara a lista ao retornar ao apartamento pensara que teria um tempo despreocupado, sem oportunidade para lembrar as palavras duras do primo, mas ao repassa-la foi acometida por outra preocupação.
Respirou fundo e leu o primeiro item. A lista era feita de modo que passasse por cada fileira e não esquecesse nada e nem se distraísse com outros produtos. Um método eficaz, aprendido com sua mãe, que impedia gastos desnecessários, tanto de dinheiro quanto de tempo.
Mas quando lançou o olhar da lista para a prateleira era como se não enxergasse nada, a mente fixada no momento que chegasse ao caixa, no sorriso que duplicava de tamanho todo mês, não importando quem era o atendente. Costumava ignora-lo por não se sentir atingida, mas agora...
Balançou a cabeça e focou na tarefa que tinha, deixaria a preocupação para depois, decidiu relendo a lista e caçando os produtos nas prateleiras. Seguiu para os próximos itens até chegar a um bem no alto: o bendito pote de conservas. Procurou com os olhos um atendente ou um banquinho sem sucesso.
Sem alternativa, esticou-se o mais que pode na esperança de alcança-lo, mesmo sabendo que o salto da bota que usava não era dos mais altos. Seus dedos ficaram a uns bons centímetros de distancia do alvo.
— Deixe-me ajuda-la. — Ouviu uma voz masculina dizer atrás de si, vendo uma mão agarrando o pote e o descendo na altura de seu rosto. — Pronto!
Hinata pegou o item e se virou para agradecer, dando de cara com um tórax largo próximo demais dela. Subiu o olhar e teve uma leve sensação de reconhecimento, embora nome e lugar não se conectassem em sua memória. Cabelos brancos platinados, olhos azuis, sorriso estranho... Onde foi mesmo que já vira aquele rosto?
— Obrigada! — Colocou o produto no carrinho e começou a se afastar quando o homem disse atraindo sua atenção:
— É bom revê-la, Hinata!
A Hyuuga o olhou atentamente, buscando um nome que explicasse ele saber o seu. Cumprimentava estranhos o tempo todo, mas não costumava prolongar a conversação a ponto de dar seu nome. E o estranho riu ao perceber seu embaraço em não conseguir identificá-lo.
— Nos conhecemos no parque alguns dias atrás.
— Ah! O homem com a cachorra branca. — A memória do dia fez retornar o momento em que o conhecera.
— Exato! Toneri Ootsutsuki ao seu dispor.
— Desculpe-me, não sou boa fisionomista e nem com nomes. — Ela explicou, com um sorriso amarelo.
— Eu compenso por nós dois — ele disse com um sorriso amplo.
— Sim... — Colocou uma mecha atrás da orelha, desviando o olhar, totalmente sem graça.
— O seu noivo também está aqui? — ele questionou olhando displicente ao redor. — Para te ajudar.
— Não. Está no trabalho. — Olhou para a lista. — Eu sou encarregada das compras.
Voltou a empurrar o carrinho, voltando a se concentrar nos itens e desejando que ele voltasse ao que estivesse fazendo, mas Toneri seguiu ao seu lado.
— Estão juntos há muito tempo?
— Sim. Muito tempo. — Conhece-lo desde a infância contava, não é?
— E marcaram a data do casório?
Hinata olhou desconfiada para o homem que mal conhecia. Toneri era gentil, mas era um pouco estranho fazer perguntas íntimas a alguém que mal conhecia, além de parecer segui-la. Seria possível que ele ainda achava ter alguma chance com ela?
— Em poucos meses — mentiu para afastar qualquer esperança dele. Ergueu a lista para seus olhos e disse apressada. — Tenho que pegar os frios, com licença!
Respirou aliviada ao ficar sozinha, bem longe do estranho. Não era uma pessoa expansiva e, de certo modo, Toneri a deixava insegura com sua presença e interrogatório. Mas seu respiro não foi profundo: embora não se aproximasse, Hinata o via em todas as seções que entrava.
Por mais que no supermercado sempre trombasse diversas vezes com as mesmas pessoas, mas, no caso dele, a impressão que ele a seguia só aumentava, motivada em parte por encontrar os olhos azuis fixos em seus movimentos. Mesmo quando ele examinava algum produto das prateleiras, ela percebia que a atenção dele não estava no item.
Quando foi para o caixa, ele ficou logo atrás dela e puxou assunto sobre banalidades, que ela respondia em monossílabas, o que duplicou sua tensão quando chegou à atendente.
— Mas alguma coisa senhora? — a jovem caixa perguntou parecendo entediada.
— Sim. É entrega e... — Com a face em chamas estendeu a lista apontando os últimos itens. — Duas caixas de cada.
— Claro, senhora!
Ah, ali estava o sorriso de ponta a ponta transbordando malícia. O calor em seu rosto e pescoço parecia sufoca-la. Logo a luz no alto do caixa se acendeu e Hinata aguardou o restante da tortura.
Logo a atendente do balcão apareceu, a caixa disse discretamente o que precisava e... outro sorriso malicioso. Quando finalmente os pacotes de camisinhas chegaram e a caixa os passou – um a um –, mesmo sendo impossível, Hinata sentia todos os olhares sobre si.
— Somente senhora?
— Sim obrigada!
A jovem falou o valor e Hinata pagou no cartão que Sasuke lhe dera, antes de acompanhar a arrumação das compras para entregá-la, seguindo o carregador até o carro em que ele acomodaria os engradados com as compras.
No meio tempo, a Hyuuga admitiu para si mesma que transformara uma tarefa rotineira em tortura a toa, com o tempo se acostumaria e quando fosse à esposa de Sasuke talvez a vergonha acabasse totalmente.
— Até mais Hinata! — disse Toneri reaparecendo a sua frente com uma pequena sacola de compras.
— Até... — respondeu com um sorriso sem graça, esforçando-se em ser agradável apesar da sensação ruim que atravessou seu corpo.
Com sorte o veria muito pouco, talvez nunca mais visto que fazia compras uma vez por mês e nem ia tanto ao parque.
~*S2*~
Na portaria do prédio, quando solicitou o elevador de serviço, Hinata teve outra surpresa.
— Sua sogra está te esperando a um bom tempo — comunicou o porteiro sorrindo.
— Ah... é mesmo...?
O choque a dominou. Ele falava de Mikoto, não havia dúvida, mas, sua preocupação era se o porteiro dissera algo a Uchiha, como mencionar que logo a "nora dela" chegaria. Esperava que não.
Embora serem descobertos por Mikoto talvez fizesse Sasuke nominar o que tinham, não queria pressiona-lo e correr o risco de perde-lo. Precisava que ele se apaixonasse cegamente por ela antes de Mikoto imaginar algo entre eles. Fora que, talvez, a matriarca Uchiha não a aprovasse e a julgasse uma aproveitadora. Odiaria perder o carinho dela.
Seguiu o entregador no elevador de serviço, a ansiedade gotejando em suas costas, as mãos escorregadias, a dor no baixo-ventre aumentando. Abriu o apartamento, deixando o entregador passar primeiro, preparando-se para à reação da Uchiha quando a visse. Com alivio recebeu o costumeiro abraço apertado.
— Oh, querida! Está tão linda! — elogiou a Uchiha, mantendo-a a distancia de um braço sem soltar seus ombros. — Seus olhos... Tem um brilho diferente. — A Uchiha sorriu maliciosa. — Algum jovem de sorte o colocou ai?
Com as bochechas quentes, Hinata balançou a cabeça, queria evitar verbalizar, o que a levaria a deslizar gaguejante na mentira, mas precisava despistar a Uchiha. Lembrar que sua relação com Sasuke era um segredo inominado ajudava.
— Está um... lindo dia... isso me anima...
Forçou um sorriso para convencer a Uchiha que o céu nublado anunciando uma tempestade a encantava.
A Uchiha a encarou fixamente por um tempo a mais, depois a soltou, voltando-se para o rapaz da entrega que retornava da cozinha e se despedia da Hyuuga. Hinata suspirou aliviada ao fechar a porta e seguir para a cozinha dizendo que precisava arrumara as compras.
— Eu a acompanho. Temos tanto que conversar. — Mikoto ficou em silêncio até entrarem na cozinha. Então soltou com riso na voz: — Acredita que o porteiro acha que você e Sasuke estão noivos?
— Ah... é mesmo...? — Hinata engoliu em seco, tentando se manter firme e o olhar fixos nos produtos na bancada. — Que loucura... — Começou a arrumar as compras, ficando propositalmente de costas para a Uchiha. — Melhorou da queda?
— Estou ótima, e não foi uma queda. Fugaku é exagerado.
Nunca sentira inveja da relação dos patrões de seus pais, mas pensar que, diferente do filho, Fugaku era aberto ao amor e o demonstrava sempre apertou o coração da Hyuuga.
— Ele te ama muito — murmurou.
— E eu o amo, só por isso não me zango. Quando o conheci não podia imaginar que ele seria tão intenso e protetor — Mikoto disse, comentando com felicidade indisfarçável. — Sabe querida, o que descobri nesses trinta e quatro anos desde que conheci Fugaku é que um Uchiha pode ser difícil de conquistar, mas quando ama se entrega de cabeça.
Impactada pela declaração da Uchiha, Hinata virou para olha-la, ficando vermelha ao ver Mikoto retirar as camisinhas de uma sacola. A Uchiha a encarou com curiosidade e atenção.
— É estranho que o porteiro acredite que você e Sasuke estejam juntos quando, aparentemente, ele continua com suas "visitas".
Hinata voltou a colocar produtos no armário, sem prestar atenção ao que fazia, enquanto se obrigava a ter mãos firmes, a dor no pé da barriga aumentando. Mikoto era tão boa e ela a estava enganando.
— Bem, mas não foi pra falar da vida sexual do meu filho que estou aqui. — Por isso Hinata era imensamente agradecida. — Sábado é o aniversário do Sasuke e, dessa vez, optei por uma reunião intimista. Mas quero um bolo que o agrade. Como você é uma das convidadas, estou aqui para pedir a receita. Darei para uma confeiteira fazê-lo.
— Claro... — murmurou. — Escreverei agora mesmo...
— Filha, você está bem?
— Sim, estou...
— Desde que cheguei você está evitando me olhar — comentou a Uchiha. Hinata a encarou, mas logo abaixou os olhos.
— É só... Um incômodo na barriga... — Não era uma mentira de todo. — Eu vou... Hum, ao toalete... Já volto.
Fugiu, sem vergonha de ser óbvia. Entrou no banheiro e encostou-se à porta. O que estava fazendo? Levou as mãos a barriga, a dor aumentara. Mas esse era o menor dos seus problemas.
Como conseguiria enganar Mikoto sentindo-se tão mal em esconder o que acontecia há dias? Era péssima em mentir e os questionamentos da Uchiha a enchia de receio e vergonha. Respirou fundo, tinha que ser firme e torcer para que Sasuke em breve a visse como mais que um caso.
~*S2*~
Estava assistindo um seriado na sala quando o Uchiha retornou do trabalho, levantou apressada e caminhou até ele. Sasuke fechou a porta antes de vir em sua direção e abraça-la com forca, os lábios exigentes dominando os seus, os braços apertavam sua cintura, puxando-a contra si.
Hinata envolveu os braços em volta do pescoço dele, inclinando a cabeça para dar total acesso ao beijo exigente do Uchiha. Ele a ergueu nos braços e a Hyuuga lançou suas pernas em volta dele, enfeitiçada pelo beijo forte, intenso e misturado com mordidinhas e selinhos por todo seu rosto e pescoço enquanto caminhava com ela.
Foi deitada no sofá, suas pernas ainda em torno dele. Suspirou quando os lábios úmidos deslizaram por sua garganta até o vale entre seus seios. Uma mão pesada massageava seu seio, enquanto outra deslizava por sua barriga, alcançando o cós de sua legging.
Hinata abriu os olhos e aflita segurou o pulso de Sasuke antes que se insinuasse em sua calça, movendo-se para sentar.
— O que houve? — questionou Sasuke preocupado ao perceber que ela o fitava apavorada. — Te machuquei?
— Não... Eu... eu... — desviou o olhar com constrangimento. — Não podemos fazer isso...
Sasuke segurou seu queixo e a fez encara-lo, o polegar deslizando pelos lábios inchados pelos beijos.
— Fiz algo que a lembrou do passado? — perguntou sombrio.
Percebendo do que Sasuke falava, Hinata se apressou a se explicar, ainda segurando-o.
— Não... É que... — Abaixou a cabeça. — Estou...
O que falou a seguir foi tão baixo que Sasuke se aproximou mais e ergueu seu rosto acariciando-o.
— Não precisa ter medo de mim.
Hinata engoliu em seco.
— É só aquela fase do mês... — ele a encarou em dúvida e Hinata sentiu a face pegar fogo. — A que só mulheres têm.
O entendimento veio aos olhos do Uchiha, que sorriu de canto e a puxou para sentar em seu colo.
— Isso não é um impedimento.
Ela arregalou os olhos quando Sasuke voltou a beijar seu pescoço, as mãos movendo-se para sua bunda.
— Espera! — O afastou. — Não me sentiria... Confortável... — explicou suplicante.
— Tudo bem. — Lhe deu um selinho, uma mão afastando o cabelo dela para o lado e segurando sua nuca. — Não farei nada que não queira. — Com a outra mão massageou seu seio. — Só não prometo manter minhas mãos longe do seu corpo maravilhoso.
— Cinco dias no máximo. E eu posso... — Deslizou as mãos para a excitação abaixo de si.
— Minha noiva pode fazer o que quiser comigo. O que me lembra... — Ele mexeu no bolso da calça, tirando uma caixinha de veludo preto. — É seu.
Hinata pegou a caixa e a abriu.
— Sasuke...? — o encarou sem saber o que dizer. Depois olhou para o pequeno anel pousado na almofada, uma pedra branca circulada por pequenos diamantes.
Sasuke acariciou sua bochecha e depois retirou o anel da caixinha, colocando-a ao seu lado, para pegar a mão da Hyuuga e deslizar o anel por seu dedo. Um encaixe perfeito que mexeu com as emoções da Hyuuga.
— Não é bem uma aliança, mas a pedra da lua me faz lembrar os seus olhos. — Mordiscou o lóbulo de sua orelha, apertando-a contra si. — Agora sua amiga não vai cobrar que te trate bem.
Hinata sentiu um bolor na garganta e os olhos formigarem. Como desejava que ele lhe desse uma aliança por ama-la, por querer um futuro com ela, não para manter uma farsa.
— Não precisava... Desperdiçar dinheiro comigo... — lágrimas quentes exigiam passagem por seus olhos.
— Preciso manter minha fama de ótimo noivo — disse erguendo o rosto com um sorriso que sumiu ao ver seu rosto molhado. — Porque está chorando? Não gostou?
— É lindo... só... — Engoliu em seco, contendo a vontade de chorar, mas sentindo o fracasso no rastro quente que escorria por seu rosto. Limpou o rosto e tentou manter alguma dignidade forçando um sorriso. — Isso é ir um pouco longe, não acha?
— O que quer dizer com isso?
Tentou sair do colo dele, mas mãos firmes em seus quadris a impediu.
— O porteiro disse para a sua mãe que somos noivos... ela pode desconfiar se ver essa aliança... — Sasuke a encarou taciturno e Hinata continuou nervosa. — E Neji nos viu hoje e não reagiu bem... Quem sabe como os outros reagiram...
— Que importância tem o que os outros pensaram? — ele perguntou com irritação. — Seu medo é pela minha mãe ou por Naruto?
Dessa vez, as palavras simplesmente não saiam. O medo de dizer qualquer coisa era tanto que Hinata preferiu dar o silêncio como resposta. O olhar de Sasuke endureceu por um instante antes de se separar dela. Suspirando, ele a tirou do colo e a colocou no sofá, para então levantar-se.
— É só dizer que é um simples anel, ou não use — disse andando em direção ao quarto. — É seu para fazer o que quiser com ele.
Ele marchou para longe e Hinata o observou, abaixando o olhar para o anel em seu dedo. Era tão lindo! Como queria que o tivesse dado por sentir-se como ela, por amor.
~*S2*~
Jantaram em silêncio mergulhados nos próprios pensamentos. Sasuke a ajudou a tirar a mesa e ficou por perto enquanto colocava tudo na lava louças, seguindo-a para o quarto mantendo certa distância.
Hinata aprontou-se para dormir e se deitou de costas para ele, ainda desconfortável com tudo que acontecera naquele dia. Nem mesmo tivera oportunidade de contar sobre o estranho reencontro com Toneri no supermercado e agora não parecia relevante.
A tensão dissipou com o toque brando em seu braço, deslizando até cobrir sua mão com a palma, o polegar acariciando seus dedos e se detendo por um tempo sobre o anelar adornado pelo anel.
Estremeceu com o roçar leve em sua nuca e girou o corpo, aconchegando-se contra o peito másculo. Sasuke levou as mãos ao rosto dela, os polegares massageando seu queixo de leve, tocando seus lábios nos dela em um beijo terno, diferente dos cheios de paixão que trocaram antes, lançando uma sensação incomum pelo corpo de Hinata.
A percepção de que, embora o anel em seu dedo não representasse o que desejava, eles se pertenciam e se esperasse com calma ele também perceberia isso.
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