Capítulo 2 ♡

O medo é um estigma dos covardes, audaciosos aqueles que correm o risco.

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Hoje é sábado e acordei umas nove horas, não consegui dormir à noite e por isso acordei um pouco tarde. Pensei várias vezes antes de dormir na proposta de Rebeka e cheguei à uma conclusão: eu precisava me dar essa oportunidade, quero sair da bolha em que vivo, conhecer lugares, aproveitar a vida, afinal, não somos donos de nosso destino, mas podemos trabalhar o presente para que no futuro ele não pese nas nossas costas.

Como não tenho celular, tive que esperar o momento certo para tentar falar com Rebeka, quando meus pais não estivessem por perto. Não sou mais uma criança, sou uma mulher que está cansada de não viver a própria vida. Mas por respeito à eles, vou ter que arranjar um jeito de sair sem que eles vejam, não seria tão difícil porque eles dormem muito cedo e eu sairia na surdina.

Tomei um bom banho, me vesti com um vestido simples só para ficar em casa. Ao descer, percebi que meu pai havia saído para trabalhar, aliás, ele sempre sai cedo porque trabalha numa indústria de petróleo. Em Nova Orleans é o petróleo que movimenta a economia da cidade. Minha mãe, dona Kaylie está na cozinha preparando o almoço.

Entro fingindo desinteresse e vou até o fogão.

"Hum...que cheirinho bom mãe!", eu adoro a comida da mamãe.

"Estou fazendo uma sopa de legumes você vai gostar, acordou tarde hoje filha, dormiu bem?"- ela me conhece tão bem. Não, eu não dormir porque alguém me fez um convite irrecusável, mas é claro que não vou falar isso.

"Não, não dormi muito bem..."

"As vezes isso acontece, talvez você tenha andando demais ontem." - em parte ela tem razão, mas não foi só por isso.

"É, talvez tenha sido mesmo."

Tomo meu café enquanto mamãe termina de fazer o almoço. Não preciso mexer os pauzinhos para ela sair e assim eu poder usar o telefone, porque ela foi a um mercadinho próximo a nossa casa comprar algumas coisas que estavam faltando.
Alguns minutos após sair, estou com o endereço de Rebeka em mãos tentando ligar antes que ela volte. Rebeka só atendeu na segunda tentativa.

"Alô?"

"Oi...é a Katy!"

"Katy?"

"Sim, você disse que eu podia ligar lembra?"

"Own claro, claro que lembro, eaí Katy tudo bem? Pelo visto você aceitou a proposta."

"Sim, eu aceito o seu convite."

"Hum...que bom você não vai se arrepender!"

"A que horas eu passo aí hoje?"

"Pode vir umas 12:00 hrs, as coisas boas só começam a partir desse horário em nova Orleans."

"Tudo bem, me espera que eu vou na sua casa nesse horário."

"Vou esperar sim.",afirma Rebeka. "Ah! E Katy?"

"Oi?"

"Amanhã sua vida vai mudar!"

"Hum...! Tchau Rebeka!"

"Até logo!"

Desligo o telefone e subo para o meu quarto. Nunca tentei sair da minha zona de conforto, mesmo sabendo que eu não me encaixava nessa realidade. Vivi uma vida inteira seguindo o que meus pais queriam, e por muito tempo me conformei com isso. Nem mesmo achava ruim toda essa privação deles. Mas eu tenho um mundo inteiro para conhecer, tantas coisas para experimentar e eu quero viver o meu livre arbítrio, vou me dar essa oportunidade.

E essa era a chance perfeita, meus pais nunca descobririam, pelo menos acho que não, e se descobrirem espero estar forte suficiente para enfrentar tudo. Afinal, nós não temos muitos vizinhos e o que acontece à noite em Nola, ninguém sai por aí falando. Vou aproveitar essa chance, que seja uma única vez mas que eu devo isso a mim mesma.

Fico ansiosa o resto do dia. Meu quarto está um caos, sou muito organizada, porém, hoje revirei todo meu guarda roupas com à intenção de encontrar uma roupa decente para sair à noite. A única coisa que encontrei foi minha calça jeans surrada, no entanto, terei que usá-la novamente.

Peguei também uma blusa bem básica, nela eu não pareço como uma moça recatada, fico no meio termo. Almocei com meus pais, papai falando sobre o trabalho com minha mãe, ela lhe ouvindo atentamente, de vez em quando concordava com alguma coisa, mas só isso. O restante da tarde a tensão aumentou, andava de um lado para outro no meu quarto ansiosa pelo que ia encontrar à noite. Para passar um pouco a ansiedade, aproveitei para arrumar meu quarto.

Agora estou aqui, deitada na minha pequena cama. Pego meu livro que estava em cima da escrivaninha e começo a ler de onde eu havia parado.

Me situo na parte em que estoura um pneu do carro de Andrew, ele e Camryn param no acostamento. Adoro essa parte. Andrew coloca a Cam para concertar o pneu com macaco e tudo, quando ela está toda cheia de graxa começa a chover, e ela sai correndo pra entrar no carro. Eu, assim como Andrew, acho Cam hilária. Andrew não deixa a Cam entrar molhada em seu carro, um Chevylle 1979, um clássico para os fãs de carros. Eu curto o estilo de Andrew, todo convencido e claro tem um bom gosto musical, e ainda por cima é lindo. Mas a melhor parte é quanto Andrew convida Cam para deitar no capô do carro, Cam nunca havia feito isso, e sentir as gotas de chuva tocando seu rosto vendo o sorriso de Andrew olhando para ela todo contente, com cara de quem sabia que estava fazendo a coisa certa, era incrível. Eu adoraria ser a Cam, não por viver uma experiência amorosa, mas por viver coisas que só pessoas livres podem viver.

Talvez seja por isso que aceitei a proposta de Rebeka, quem sabe eu possa me aventurar, ter minha primeira experiência sexual, não quero morrer virgem, só de pensar já sinto calafrios. Eu, como todas as mulheres virgens, anseio pelo dia em que essa tormenta irá acabar e não precisa ser com um cara "especial", até porque estão em falta no mercado. Mas um cara que me respeite como mulher, que seja educado e entenda a complexidade dessa minha primeira experiência e não me veja só como um objeto de satisfação própria.

Sou uma mulher e preciso suprir minhas necessidades carnais. Acho extremamente importante e essencial a relação que tenho com meu vibrador, mas preciso de mais. Não sou leiga no assunto, nunca transei, no entanto, aprendi desde cedo a conhecer meu próprio corpo antes de me envolver com alguém. Sei do que gosto, é claro que também busquei informações em outras fontes, conhecimento é poder. Acho que quando a gente consegue entender o nosso "eu" e conhecer nossos pontos de prazer, o sexo se torna muito mais fácil e prazeroso para os dois.

Leio pelo resto da tarde. No início da noite meu pai chega do trabalho e jantamos. Já são nove horas e eles ainda estão acordados. Estou começando à me preocupar. Por que justamente hoje eles ainda não foram dormir? Parece até que eles adivinharam que eu estou querendo fugir.

Por volta de 23:00 hrs eles foram dormir, pedi a bênção e eles foram para o quarto. Espero mais um pouco na sala e depois vou ouvir atrás da porta do quarto deles, para ver se já dormiram, como não ouvi barulho algum, nem conversa, suponho que estão dormindo.

Vou direto para meu quarto me vestir, coloco um suéter de cor caramelo, passo um pouco de perfume, pois não gosto de usar perfume em excesso, basta uma pitada e está ótimo. Calço uma sapatilha pequena na cor bege, pego a carteira e desço as escadas na surdina.

Saio pelo jardim. As ruas não são perigosas no Frencher, prefiro ir andando para casa da Rebeka, não fica longe. Sigo direto na N Rampart St, depois basta dobrar na Orleans St e procurar a casa da Rebeka.

Aproveito a caminhada pra refletir um pouco sobre minha vida. Sempre fiz tudo que meus pais querem, eu sou uma filha prendada, nunca dei motivos para meus pais acharem que sou uma má pessoa. Porém, também, sempre quis conhecer o mundo, tenho sonhos, vontades, e já está na hora de eu lutar por isso. Mesmo seguindo afinco os dogmas da minha religião, sinto que não faço parte desse universo, sinto que sou diferente, eu mesma sei que não sou nenhuma santinha, também gosto do "pecado", só nunca pude esperimentá-lo, agora seria uma ótima oportunidade, não posso desperdiçar.

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