Capítulo 10
No outro dia Lianne me contou na Lojinha como foi a primeira conversa com Samael. Com detalhes:
"O celular precisou despertar cinco vezes para Lianne abrir os olhos. Ela leu o lembrete do alarme e correu para arrumar o cabelo e escovar os dentes. Saiu de casa esperançosa e não foi difícil achá-lo, ele estava na trilha. Ajeitou a blusa e fingiu não tê-lo visto quando passou ao lado dele. Parou para admirar uma flor de hibisco.
Passou cerca de dois minutos olhando a flor, esperando que ele iniciasse uma conversa – o que não aconteceu.
– Sabia que essa flor é comestível? As pessoas também usam pra fazer chá. – disse depois de alguns minutos; e Samael só pareceu tê-la notado quando falou. Ele estava distraído, olhando para a lua, quando se assustou com a voz dela.
– Eu não sabia, mas ela é muito bela para ser morta por um propósito tão fútil.
– A natureza se dá pros bichos. Somos animais e também fazemos parte dela, não é fútil.
– A natureza dá comida pra viver, o ser humano vive pra comer e destrói a natureza assim como atrapalha sua sobrevivência.
– Ah, pare com essa filosofia! O problema do ser humano é que ele exagera em pegar recursos, mas nem todos precisam ser assim. – Lianne arrancou a flor – Tu pode desidratar pra fazer o chá, faz bem pra saúde.
– Você matou a flor sem motivos.
– Eu tirei apenas uma das flores. Ela vai ajudar o seu organismo e ainda tem outras aqui. Só pegue o necessário, como os bichos fazem!
Samael continuou observando sem dizer nada.
– Relaxe, eu vi abelhas nessa planta essa tarde. Essa flor vai renascer em vários lugares diferentes e ajudar vários bichinhos.
Ele pegou a flor. – Renascer? Só se vive uma vez.
– Rapaz, não duvide da capacidade de viver das pessoas.
– A vida é tão frágil.
– A vida consegue superar tudo menos a morte. É um ponto positivo, não é? Só tem uma fraqueza.
– Com um puxão uma flor morre, com a fome um animal morre, com ódio uma pessoa morre. Fácil como piscar os olhos. É uma fraqueza muito absurda. – ele ainda encarava a flor.
– É... por isso que precisamos viver sem pensar demais. Se tudo vai acabar logo, temos que aproveitar ao máximo, não acha? – deu um grande sorriso, exibindo seus dentes – Não esconder o que pensa, encher o saco dos amigos e sempre seguir em frente.
– Acho que isso não tem lógica. – e assim ele voltou para a própria casa, mas levou a flor."
Lianne bufou. – Ele é profundo demais, Cíntia. Mais do que uma pessoa deve ser. Eu sou uma pessoa muito simples, complexidade não é comigo.
– Foi só uma conversa, vocês ainda não se conheceram. Amanhã vai ter uma festa no condomínio, vocês podem conversar melhor lá.
Imaginei que o fato de eles serem tão diferentes poderia dar um casal incrível. Eles se completavam. Lianne sempre brincalhona demais, Samael sempre sério demais; quem sabe juntos eles poderiam aprender um com o outro a como se comportar como uma pessoa normal!
Na festa eu esperei Don se afastar de Samael. Avisei a Lianne e ela praticamente arrastou Samael para longe do salão de festas.
– Por que você me trouxe aqui?
– Eu quero te conhecer melhor. Tu quer sair comigo amanhã? Podemos assistir qualquer coisa no cinema, o shopping não é longe.
– Desculpe, eu não gosto de ir ao shopping.
– Praia?
– Eu não gosto na mesma proporção.
– Ta... Se não quer sair comigo é só dizer logo, não vou ficar irritada.
– Eu realmente não gosto de lugares aglomerados. Não me sinto à vontade.
– Tu quer fazer um piquenique? Tu escolhe o lugar, conheço poucos lugares calmos.
– Eu estou com vontade de visitar a floresta aqui ao lado desde que nos mudamos, mas Don insiste que não é uma boa ideia.
– Então tu quer ter um primeiro encontro em um lugar onde ninguém vai e é escondido o suficiente pra esconder um corpo lá?
– Minha próxima folga é na terça. Podemos nos encontrar às quinze horas porque Don vai ao supermercado.
– Perfeito. – ela foi irônica, mas ele não percebeu.
Samael voltou para a festa e Lianne se aproximou de mim.
– Esse cara é louco. – ela sussurrou – Mas eu adoro loucuras!
Eu ri de verdade. Eles combinavamde um jeito estranho.
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