capítulo 1 - Temporary Hopes

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|| ᴛᴇᴍᴘᴏʀᴀʀʏ ʜᴏᴘᴇs ||


Dor, muita dor.

Naquele quarto escuro, o silêncio era testemunha de suas lágrimas.

Parecia que a origem daquela queimação não tinha um ponto específico, mas Baekhyun sentia que se alastrava pelo seu corpo todo, a garganta fechava sufocando alguns soluços e piorando sua respiração desregulada, sua boca se abria e um grito mudo toda vez que o seu tormento atingia o pico. Vozes em diversos tons oscilavam em sua cabeça o julgando de diversas formas, tudo parecia vir de fora, porém Baekhyun sabia que a maioria fazia parte do inferno que sua dor criou dentro de si, ele se sentia cansado, sua consciência perguntava incansáveis vezes o porquê desta dor toda estar o corroendo como ácido de dentro para fora, ele não merecia isso, Baekhyun não merecia isso. Dentro daquele quarto escuro, encolhido no chão frio do mini corredor que a cama fazia com a parede, tudo parecia estar se encolhendo em meio a sua visão embaçada pelas lágrimas, Baekhyun tentava sair daquele abismo, contudo parecia se afogar mais ainda, milhares de pensamentos andejavam pela sua mente formando um emaranhado de balbúrdias, as unhas parcialmente curtas raspavam por cima do fino tecido do pijama cinza em agonia, o corpo frágil e domado pelo tormento tremia desesperado para expulsar toda a dor, porém nada parecia querer parar.

Baekhyun cogitava em pedir ajuda, em gritar talvez, porém tinha medo, ele não sabia do que exatamente, apenas não queria que ninguém o visse assim, temia machucar alguém. Sua canhota tentava inutilmente se segurar na parede lisa enquanto sua destra se apoiou em uma pequena cômoda que estava ao seu lado, em cima deste havia um abajur de vidro e um copo já vazio de água, o garoto se impulsionou para tentar levantar, contudo na realização deste ato seu braço fraquejou fazendo-o cair em cima do armário logo estatelando-se no chão ao mesmo tempo que o móvel pendeu para o lado derrubando o abajur e o copo de vidro que foram estilhaçados no chão, o barulho fez Baekhyun se encolher amedrontado o que acarretou em algumas lascas de vidro arranhando fundo seus braços e ombros, o garoto gritou de dor, ele sentia com precisão as feridas sendo acutiladas. Passos longes começaram a ser ouvidos e facilmente substituídos pelas fortes dores que Baekhyun sentia, não demorou muito para as mesmas fortes andadas passarem a estrondear mais altas, seus ouvidos não captavam direito os sons ao redor pela confusão mental. A porta do quarto foi aberta em um sonido alto que assustou Baekhyun de primeira, o garoto sentiu mãos o segurando e uma voz grossa urrando palavras irreconhecíveis por si, e então ele teve medo, medo de que sua dor tenha ido além ao ponto de se materializar fisicamente.

— ME SOLTA! ME SOLTA! POR FAVOR! – bradou choroso Baekhyun que se debatia nas mãos de quem tentava o segurar, os olhos cheios de lágrimas tornaram tudo um grande borrão, ele continuava sobre pequenos vidros afiados espalhados pelo chão que o cortavam mais a cada vez que se mexia em desespero.

— BAEK! BAEKHYUN CALMA! SOU EU! – a voz passou a ser familiar, uma confusão duvidosa se estendeu em sua cabeça fazendo-o parar por um segundo, tempo suficiente para o dono da voz o agarrar e o segurar entre os braços. – Sou eu... Chany, Chanyeol... Se acalme, sim? – ele agora sussurrava estas últimas palavras repetidas vezes vendo Baekhyun se acalmar aos poucos e cair em lamúrias baixas se encolhendo cada vez mais nos braços de Chanyeol como se ele expulsasse toda a agonia, e por um momento ele realmente dispersava seus tremores.

— E-Eles vão voltar? As vozes? V-Vão continuar vindo e m-me machucando? – perguntou choroso olhando Chanyeol em busca de respostas que se concretizassem fielmente. – Eles vão?

— Está tudo bem... Não há mais nada... Não há mais dor... – o outro não quis lhe responder diretamente, pois sabia que as dores e as tais vozes ainda viriam.

Baekhyun queria acreditar nisso, acreditar que estava tudo verdadeiramente bem, porém antes que qualquer pensamento lhe atingisse, ele desmaiou em sono profundo.

[...]

Uma claridade minuciosa iluminava suas pálpebras fechadas despertando-o aos poucos de um sono pesado, os sentidos iam voltando ao seus lugares enquanto os pequenos olhos lutavam para se abrir em meio a claridade que vinha da janela com as cortinas afastadas, seu corpo estava demasiadamente quente e confortável, Baekhyun logo constatou que estava em uma cama, seus olhos se acostumaram com a lucidez podendo ver o que estava ao seu redor: era seu quarto, o mesmo da noite passada.

— Bom dia... – uma voz rouca lhe chamou atenção, era Chanyeol, este estava com uma roupa casual segurando em suas mãos uma bandeja com algumas bolachas e uma xícara de café. – Dormiu bem? – perguntou calmo se aproximando e sentando na cama com a bandeja.

— Sim... A quanto tempo estou dormindo? – indagou Baekhyun ainda sonolento se pondo sentado na cama e pegando a bandeja posicionando-a em seu colo.

— Não faz muito tempo, porém já é a manhã do outro dia, eu tinha acabado de chegar do trabalho na hora que aconteceu, isso não importa tanto... – respondeu pegando um bolacha enquanto observava Baekhyun apanhando a xícara com a mão um pouco trêmula pela falta de energia.

Um pequeno silêncio se instalou, Chanyeol comia, ora ou outra, uma bolacha, olhava de soslaio para Baekhyun este que percebeu sua pequena preocupação.

— Por que estou com um pijama diferente? Eu lembro de estar com outro na noite passada... – indagou curioso puxando um assunto.

Meio acuado, Chanyeol responde:

— Bom... Depois que você... Adormeceu, eu lhe banhei, limpei seus machucado, pus-lhe na cama e fiquei cuidando de ti. – sua cabeça se abaixou fitando suas mãos sujas de farelos, ele estava com medo de que Baekhyun se sentisse culpado por tê-lo causado toda essa preocupação. No entanto, para Chanyeol aquilo era normal, era normal namorados cuidarem um do outro, o garoto sabia dos problemas que Baekhyun tinha: depressão e ansiedade em estados avançados.

— Me desculpe... – sussurrou Baekhyun chamando a atenção de Chanyeol que o olhou com as orbes arregaladas.

— Baek... Você não tem culpa, está bem? – afirmou o outro manso, ele tirou a bandeja do colo de Baekhyun - esta que ainda continha algumas bolachas, porém a xícara estava vazia - e se aproximou do garoto, que fitava o nada com o olhos brilhantes pelas lágrimas acumuladas, logo segurando seu rosto entre as mãos trazendo seu olhar para si, Chanyeol observou pequenos cortes em sua bochecha feitos pelos vidros que rasparam ali, já estavam se curando. – Não se culpe, está tudo bem... Eu não prometi cuidar de ti quando lhe pedi em namoro?

— Sim... – sussurrou baixinho Baekhyun que permitiu algumas lágrimas caírem.

— Eu estarei sempre aqui com você e por você... – abraçou o garoto ao que mais lágrimas pesadas caíram. – Sempre... E vamos superar isso juntos... – o abraço foi retribuído e se tornou mais forte, Baekhyun fechou os olhos e fungava desabando seus medos na camisa macia de seu namorado.

A pouca visão que tinha com as lágrimas embargando seus olhos, Baekhyun pôde ver suas mãos: estavam com pequenos curativos na parte traseira, todos tampados com tanto cuidado... Isso fez Baekhyun se sentir não merecedor de toda aquela atenção, de se sentir um peso na vida de seu namorado por sempre ter que se preocupar consigo. Baekhyun chorou mais, apertou Chanyeol em seus braços, seus lábios se moviam sem emitir som repetindo "Desculpa" milhares de vezes. Do outro lado, Chanyeol segurava lágrimas pesarosas, ele queria poder ter a capacidade de pegar toda a dor de Baekhyun para si apenas para ver seu amado sorrir sem temer mal algum, sentia-se insuficiente por não conseguir ajudá-lo mais afundo.

Eles se separaram do abraço, Baekhyun soluçava levemente e seus finos olhos estavam inchados pelo choro, Chanyeol secou com sua destra as poucas lágrimas que insistiam em cair para logo deixar um selar preciso nos lábios de Baekhyun fazendo-o sorrir breve sendo retribuído pelo seu namorado. Chanyeol mudou um pouco sua face e se preparou para o que irá dizer:

— Baek... Eu acho que você precisa se abrir com alguém além de mim... – Chanyeol ditou olhando-o nos olhos podendo notar uma feição de pavor adotada por Baekhyun. – Talvez um psicólogo possa te ajudar melh-

— NÃO! Não... Eu já tentei isso antes e... – Baekhyun tentava organizar as palavras em sua cabeça. – Eu não conseguia falar, acabava desistindo e perdia as consultas, além de que eles me passavam de médico em médico e eu tinha que repetir tudo de novo... Era exaustante e piorava mais minha situação... – confessou triste, ele queria realmente que aquilo o tivesse ajudado, porém nada parecia surtir efeito.

— Então algum familiar? Hm, tem a sua tia... Haerim... Jeon Haerim? – indagou duvidoso.

— Eu sou bem próximo dela... Mas não sei se ela iria reagir bem, nós apenas tivemos alguns momentos bons no passado... Não sei agora. – Baekhyun falava receoso, o garoto queria melhorar, ele sabia que precisava enfrentar seus medos, sabia todos os passos que deveria fazer para que houvesse um equilíbrio em sua mente, porém isso se torna difícil quando seu inimigo era ele mesmo.

— Vamos falar com ela... Por favor Baek, isso pode te ajudar. – Chanyeol pedia com certa manha fazendo Baekhyun sorrir negando com a cabeça. – Sim, sim, por favor. – implorou fazendo um bico exagerado o que acarretou em um Baekhyun rindo alto de sua face.

— Tudo bem. – respondeu cessando o riso aos poucos. Chanyeol pulou em cima de seu namorado o enchendo de beijos em seu rosto.

No fundo, Baekhyun tinha medo de incomodar as pessoas ao seu redor, e pior, de ferí-las com algumas de suas crises. O garoto sempre guardava tudo para si e explodia quando não aguentava, suas tentativas de um psicólogo eram sempre falhas já que uma das principais causas por esta desistência eram seus pensamentos ruins lhe dizendo que ele merecia toda aquela dor, de que ele merecia toda aquele inferno em sua cabeça, isso o fazia desistir das sessões ou simplesmente mentir falando que estava tudo bem. Era difícil para si ter forças até mesmo para levantar da cama, porém Chanyeol sempre o incentivava a fazer as coisas mesmo que sejam bem bobas para outros.

Os dois garotos cessaram os beijos brincalhões e se olharam com sorrisos estampados em suas faces enquanto davam selares mais intensos, eles se amavam e isso era fato, um amor incondicional que crescia a todo momento. No entanto, as vezes a mente de Baekhyun o fazia odiar o amor que Chanyeol lhe dava, não por não gostar do mesmo, mas sim por ser o único que o fazia continuar ali, vivo, quando as vozes o pediam para ir embora.

Duas almas jovens com sentimentos tão opostos e ao mesmo tempo semelhantes, duas pessoas almejando por uma cura, mas esta que parecia nunca vir...

Baekhyun não tinha esperanças sobre si...

Já Chanyeol acreditava que seu amado pudesse sim se livrar de toda a dor... Contudo, nenhum ser humano é de ferro.

Eu te amo, Chany...

Também te amo... Amo muito.

Chanyeol e Baekhyun seguiram a rotina normalmente o resto do dia, os dois aproveitaram cada segundo até a noite vir e o sono os dominarem por completo.

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