48 - Preparações Pt 3
Gabriel acordou sozinho na cama, as imagens e sensações da noite maravilhosa que teve com Raguel voltaram à sua mente, lhe fazendo sorrir. Há muito tempo não dormia tão bem assim e era como se ele tivesse dormido por mais de dez horas. Pensar em quanto tempo dormiu, o fez levantar-se de sobressalto e olhar no relógio, para ver que já passava da dez e meia.
_ Droga, eu não podia ter dormido tanto! _ Ele disse para si mesmo, sabendo que ainda faltavam algumas questões para acertarem antes de partir para a batalha.
_ Não só podia, amor, como também precisava! _ Raguel disse, entrando no quarto. _ E antes que você comece a falar sobre repassar a estratégia, saiba que Uriel já fez isso. E todos concordamos que você precisava dormir.
_ Você podia ter me acordado, amor. _ Ele disse, enquanto ela se aproximava.
_ Podia, mas não quis! _ Ela disse, passando os braços em torno do pescoço dele. _ Eu acho que eu te cansei demais ontem a noite, você precisava se recuperar.
_ Pois eu digo que não valeu. _ Ele se defendeu. _ Você sabe que tinha muito tempo que eu não dormia.
_ Vamos fazer o seguinte então. _ Ela disse sorrindo. _ Vamos vencer essa batalha. Depois nós podemos fazer aquilo mais vezes para tirar a prova. O que acha?
_ Eu acho ótimo. _ Ele respondeu e a beijou nos lábios.
_ Mas agora, amor. _ Ela interrompeu o beijo se afastando. _ Tome um banho e vá comer alguma coisa! Eu vou juntar todos no refeitório para conversarmos.
_ Sim, senhora! _ Ele disse, batendo continência ironicamente, e depois correu para o banheiro para ela não lhe acertar com os tapas.
_ Vou te esperar lá no refeitório. _ Ela gritou enquanto saia do quarto.
Ela sabia que esse clima descontraído não duraria muito tempo mais. Agora, faltando menos de oito horas para o ataque, eles só precisavam aguardar o momento de iniciar a preparação da proteção do hospital, e depois esperar pela batalha. O discurso de Gabriel no terraço na noite anterior havia gerado uma onda de confiança que poderia arrastá-los para a vitória, e eles acreditavam nisso.
_ Me desculpe por atrapalhar, meninos. _ Raguel disse, batendo na porta do quarto que estava entreaberta, após ver Rapha e Mick se beijando no interior. _ Mas o Gabriel acordou e pediu para nos reunirmos no refeitório, não demorem, por favor.
Rindo da cara de constrangimento dos dois, ela seguiu pelo corredor dos quartos em direção ao refeitório. Uriel aguardava sentado no balcão e Nick preparava alguns sanduíches. Como teriam de lutar em breve era melhor que fizessem apenas um lanche leve ao invés de almoçar, pois uma refeição mais pesada poderia não cair bem durante os vôos.
_ Ele acordou e já está vindo! _ Raguel disse antecipando a pergunta de Uriel, que olhou para ela assim que ela entrou no ambiente. _ Chamei o Mick e o Rapha também, eles estavam namorando no quarto.
_ Nós vamos vencer essa batalha. _ Disse Uriel confiante. _ E todoa poderão namorar á vontade!
_ Isso será ótimo, Uri. _ Nick disse, se aproximando e o abraçando por trás.
_ Então vocês também se acertaram? _ Raphael perguntou, entrando no refeitório de mãos dadas com Mikael.
_ Ela me acertou em cheio, Rapha! _ Uriel respondeu. _ Eu entrei na mente dela pra ajudá-la e ela me acertou um chute no peito que me jogou longe.
_ Eu achei que você era o Ukobach, viu! _ Nick se defendeu, deu um tapa no ombro dele e todos riram.
_ Vejo que estão todos animados! _ Gabriel disse ao chegar e vê-los rindo. _ Bom dia à todos!
_ Bom dia! _ todos responderam. Estavam realmente mais leves após a noite que tiveram.
_ Você também está radiante, Gabe! _ Raphael disse. _ Parece que teve uma noite excelente!
_ É, eu realmente dormi bem! _ Ele enrubesceu e respondeu meio sem graça.
_ Eu sei o que te fez dormir bem. _ Raphael disse, deixando Gabriel ainda mais constrangido. Ele não se sentia bem falando de assuntos íntimos, e parecia que eles estavam fazendo de propósito.
_ Sabe? _ Ele perguntou, completamente desconcertado enquanto os outros o olhavam parecendo se divertir com a situação.
_ Claro, e é até normal. _ Raphael respondeu, passando por ele e pegando um sanduíche que Nick havia preparado. _ Afinal a cerveja e a descontração da festa deixou todos nós mais relaxados. É comum você ter relaxado também.
_ Ah é! _ Gabriel disse aliviado. _ Deve ter sido isso mesmo!
_ Agora chega de conversa, amor! _ Raguel disse, pegando-o pelo braço e o levando até o balcão onde lhe serviu alguns sanduíches e uma xícara de café. _ Você precisa comer!
_ E você fica uma graça com vergonha! _ Ela completou telepaticamente, fazendo-o sorrir sem graça novamente.
Enquanto ele comia, eles conversaram sobre como as pessoas deveriam estar lá embaixo. Já faziam dois dias que eles não tinham contato, e tinham decidido que seria melhor assim. O que os tranquilizava era que eles tinham tudo o que precisavam lá. Além de comida, água e remédios suficientes para algumas semanas, eles ainda tinham pessoas capacitadas para liderar, enfermeiros habilidosos, e ainda contavam com Balthazard, que era poderoso e os protegeria de qualquer ameaça, já que estava sob influência do contrato de familiaridade, e essa havia sido a ordem de Uriel.
Algumas horas se passaram e com toda estratégia pronta, eles agora só precisavam preparar o campo de força do hospital e esperar pela batalha, enquanto recuperavam a energia gasta no processo. Com exceção de Nick que levou uma caixa térmica com sanduíches e bebidas para o estacionamento, eles subiram e se reuniram no centro do terraço, pois, dadas as dimensões do hospital, seria impossível usar a mesma estratégia que usaram no monumento à bandeira.
Após Nick se juntar a eles, todos ativaram seus espíritos, abriram as asas e alçaram vôo seguindo para posições diferentes nas extremidades da imponente construção de formato hexagonal. Pairando no ar alguns centímetros para fora do terraço de modo que podiam ver o chão e postados cada um em uma ponta do hexágono formado pelo prédio do hospital, eles aguardaram o sinal de Gabriel e após recebê-lo começaram a sincronizar os espíritos para começar o processo.
Com mais facilidade que da outra vez devido a conexão cada vez mais forte que tinham uns com os outros, eles encontraram o equilíbrio perfeito e apontando as mãos espalmadas para os companheiros que os ladeavam, lançaram os feixes das chamas que seguiram em uma linha reta até se encontrar com a chama de outra cor que vinha na direção oposta, formando uma esfera com as duas respectivas cores.
Como fizeram no monumento, eles se posicionaram um pouco atrás da linha das chamas e juntando as duas mãos na altura do próprio diafragma, uniram as chama em uma esfera da cor de seus espíritos. Agora eles tinham doze esferas posicionadas na extensão do hexágono que se formou, sendo seis esferas uni-colores nas pontas, e outras seis bi-colores na mediana das retas formadas entre as primeiras.
Concentrando-se nas esferas eles lançaram a partir delas um feixe vertical que seguiu até o solo, penetrando no mesmo e formando doze estruturas semelhantes a pilares. Continuando, eles focalizaram um ponto no espaço acima do terraço, exatamente no centro, e a partir das esferas lançaram mais feixes, que se juntaram formando uma esfera maior e multicolorida no ponto em questão.
Por fim, todos se concentraram na esfera multicolorida e em uma ordem mental sincronizada, projetaram a partir dela uma parede semelhante a um arco-íris ligando as retas formadas pelas chamas e preenchendo o espaço entre elas até as esferas das extremidades e depois até o solo, cobrindo todo hospital com um prisma colossal de poder.
Desta vez o custo de poder foi bem alto e sentindo-se fracos e cansados, eles desceram até o estacionamento. Precisavam se alimentar e descansar para estarem recuperados para a batalha que aconteceria dali à algumas horas. Os sanduíches e isotônicos que Nick havia preparado seriam mais do que suficientes e após comerem e beberem, eles apenas descansaram e aguardaram em silêncio, cada um com seus próprios pensamentos.
Gabriel, com o peso da liderança, pensava em como seus pais agiriam nessa situação. Eles eram referências em suas respectivas áreas e sempre eram chamados pelo governo para resolverem grandes conflitos, sempre se saindo muito bem. Ele temia que tivesse tomado a decisão errada ao decidir lutar e talvez se pegassem as pessoas que protegiam e fugissem, teriam mais chances de sobreviver. Mas mesmo com essas incertezas, ele sabia que agora não dava para mudar de ideia e teria que enfrentar a batalha e guiá-los para a vitória.
O pensamento de Raguel voou até o seu pai, e em como ele era otimista e sempre tinha uma palavra de incentivo dentro de suas frases de efeito. O grande escritor Gareth P. Willams com certeza lhe diria para seguir em frente e lutar, pois, por mais que sejamos personagens de uma história que um ser superior criou, ainda temos controle sobre como ela se desenvolve. Não devemos deixar o protagonismo de nossas histórias vago, e ao assumirmos esse papel podemos alcançar feitos incríveis, alheios a qualquer força exterior.
_ Eu tenho poder para controlar essa história pai. _ Ela disse em pensamento, como se conversasse com ele. _ Juntos temos poder para reescrever a história da humanidade, e vamos lutar para isso!
Nick estava deitada no colo de Uriel, e o mesmo acariciava seus cabelos. O toque dele a acalmava e a fazia se sentir segura. Após a morte de sua mãe, ela iniciou uma jornada solitária seguindo as instruções de sua mente para fazer o que precisava ser feito e todas as suas ações a levaram até este momento, onde estava rodeada de amigos e tendo o amor desse belo jovem que a acariciava. Eles precisavam vencer essa batalha para que esses momentos bons se repetissem mais vezes.
Enquanto acariciava os cabelos de Nick, Uriel se mantinha concentrado na batalha. Ele era o mais treinado de todos e o seu desempenho na linha de frente ia determinar o resultado do confronto. Após destruir Abigor ele teria que enfrentar Siegfried e os outros demônios de elite, mas isso era assunto para outra hora e sabia que quando o momento chegasse, teria apoio dos Arcanjos, que eram sua verdadeira família.
Raphael estava sentado com as costas apoiadas no peito de Mikael enquanto o mesmo o abraçava. Telepaticamente eles conversavam sobre como seria se tivessem se conhecido em outra situação. Talvez nem teriam se apaixonado, por isso tinham certeza de que tudo aconteceu exatamente como deveria acontecer. E agora iriam lutar com todas as forças para se assegurar de que teriam mais tempo juntos para viver esse amor.
Olhando no relógio de seu pai, Nick viu que faltavam trinta minutos para as dezoito horas, apenas meia hora os separava do ataque e era hora de partirem para o local onde antecipariam o exército de Abigor. Avisando aos outros ela se levantou e seguida por eles começou a caminhar pelo estacionamento, até que subitamente caiu de joelhos surpreendendo à todos, e olhando para o alto seus olhos foram tomados pelas chamas do seu espírito, mostrando que possivelmente estaria tendo outra visão.
_ Merda! _ Ela exclamou, olhando para eles com o olhar assustado, saindo do transe após alguns minutos. _ Abigor descobriu nossa estratégia e dividiu seus exércitos para atacar por duas frentes!
Fora dos limites da cidade Abigor moldava o seu exército. Ele não esperava precisar de tantos sacrifícios para invocar os reis do inferno para a aglutinação. Como Neil e os demais soldados aceitaram o pacto, a intenção dele era invocar ao menos dez reis, porém seus planos foram frustrados pelos jovens que agora se denominavam arcanjos, que começaram a buscar sobreviventes e a caçar demônios.
Com as investidas dos arcanjos, após Uriel se juntar aos outros jovens, suas tropas foram drasticamente reduzidas e ele foi forçado a levar os humanos que havia capturado, e procurar outros humanos para os sacrifícios em uma cidade vizinha. Agora ele tinha pouco mais de trinta demônios e era orgulhoso demais para pedir reforços para os Cavaleiros da Nova Terra. A busca pela placa acabou se tornando uma questão pessoal após a derrota que sofreu, e ele encarava essa batalha mais como uma forma de recuperar seu orgulho, do que pelo objeto em si. Além do mais, a placa tinha poder suficiente para torná-lo talvez o senhor da nova terra, e ele não poderia perder essa oportunidade.
Para não demorar-se muito mais na preparação para o ataque, ele decidiu que faria apenas cinco aglutinações e sabia exatamente os demônios que iria invocar. Bael, o demônio das pestes, também conhecido como senhor das moscas, por representar a podridão e a decomposição; Purson, o demônio das adivinhações, um dos espíritos impuros usados por Balaão para fazer as previsões, sendo conhecedor do passado e do futuro; Zagam, demônio dos metais, que forjava as armas celestiais, e é conhecedor de todas elas; Amdusias, o demônio dos ventos, que se move tão rápido como as rajadas em um tornado; e Belial, que era o arcanjo líder, mas foi expulso junto com Lúcifer e era conhecido por sua força e resistência.
A ideia principal de Abigor era invocar demônios com características parecidas com as dos arcanjos, na tentativa de anulá-los nas Batalhas, mantendo-os ocupados desta forma poderia ter a sua batalha individual contra Gabriel, o maldito jovem que lhe venceu em estratégia de combate.
Abigor e seus demônios transportavam os humanos capturados em uma espécie de carroça puxada por animais demoníacos. E esses humanos eram usados para alimentar seus demônios e fazer rituais, mas também poderiam ser usados como escudo humano na hora do combate. E após escolher as vítimas dos rituais, eles decidiram que era a hora de invocar os reis do inferno.
Após vários sacrifícios e rituais feitos, os cinco reis demônios estavam encarnados e mais poderosos do que nunca, após mesclarem seus espíritos impuros aos dos soldados. Neil foi o único a manter a consciência humana, mesmo tendo sido incorporado por Belial, o mais poderoso dos cinco.
Talvez o próprio demônio tenha optado por deixá-lo completar sua vingança contra Mikael, que foi o motivo pelo qual ele aceitou o pacto. Os demais demônios tomaram completamente a consciência de seus hospedeiros, e alguns até modificaram suas formas físicas.
Abigor apresentou-lhes a estratégia que montou, com base nas informações que o seu espião lhe passou. A maior jogada dele foi ter infiltrado alguém naquele hospital, de modo que ele ficava sabendo de cada passo que eles davam. No desenho que fez, ele concentrava os primeiros ataques nos alojamentos, matando todos humanos que os arcanjos abrigavam ali, dessa forma eles já entrariam na batalha com a moral abalada. Em seguida, seguiria para o hospital pela área dos galpões, atacando o hospital pelas costas onde as câmeras estariam desligadas.
Os demônios menores deveriam concentrar os ataques em Raphael e Muriel, para acabar com o poder de cura e antecipação deles, e em seguida partir para as pessoas que estiverem no hospital, dessa forma os arcanjos restantes teriam que dividir a atenção em lutar contra os seus capitães e salvar as pessoas, assim seriam alvo fácil.
_ Purson, enquanto seguimos para Miraculous Clearing, eu preciso que use seus poderes para encontrar outros demônios pelo caminho. _ Abigor disse ao demônio das adivinhações, no momento em que a hordas se preparavam para marchar. _ Se pudermos aumentar nossos números será melhor, afinal vamos travar uma batalha contra seis poderosos arcanjos.
_ Farei isso, Lorde Abigor! _ Purson respondeu com uma reverência.
_ O seu plano é brilhante como sempre Abigor. _ Bael, o senhor das moscas, disse se aproximando. _ Mas se quer aumentar seus números, não seria melhor pedir reforços para a seita?
_ Na verdade não! _ Quem respondeu foi Neil, antecipando a resposta de Abigor. _ Abigor tem a intenção de esmagar os arcanjos e pegar a placa, mas não tem intenção de entregá-la para os Cavaleiros da Nova Terra, não é mesmo senhor?
_ Não, não tenho. _ Abigor respondeu. _ Com a placa na mão e os arcanjos fora do caminho, nós seremos o grupo mais forte da face da terra. Ou eles me aceitam como a cara do novo salvador, ou destruiremos eles também.
Haviam caminhado por várias horas, e com a ajuda dos poderes de Purson, juntaram vários outros demônios menores para fortalecer seu exército, além de deixarem um rastro de destruição e morte. Depois que voltaram para a cidade, seguiram na direção do hospital, passando pelos locais onde segundo o espião, não haveriam câmeras, ou estariam desligadas.
_ Lorde Abigor! _ Purson, chamou, após uma de suas paradas para localizar demônios. _ Tem algo que preciso lhe mostrar.
Tocando na testa de Abigor, o demônio das previsões começou a transmitir-lhe imagens que lhe mostravam que os arcanjos tinham se antecipado ao seu plano, esvaziado os alojamentos e iriam aguardá-los na área dos galpões. Na visão ele viu que a estratégia dos arcanjos venceria a batalha.
_ Droga! _ Abigor bradou, indignado. _ A desgraçada da Muriel previu nossos planos!
_ O que iremos fazer então? _ Neil perguntou. _ Imagino que tenha um plano B.
_ Tenho sim, mas pensei que não precisaria usá-lo! _ Abigor disse, irritado com o fato de que seria derrotado pela estratégia de Gabriel mais uma vez. _ Nós vamos nos dividir e atacar em duas frentes. Assim quando a Muriel prever a nossa divisão eles também irão se dividir, e não terão estratégia definida para isso!
Prontamente, ele agrupou seus capitães e começou a explicar o novo plano. Bael, Purson e Amdusias seguiriam para o centro da cidade levando os humanos reféns e uns poucos demônios, e atacariam o hospital pela frente. Zagam e Neil, que estava aglutinado ao demônio Belial, permaneceriam com ele e avançariam por trás e enquanto os Arcanjos estivessem ocupados com as batalhas, os demônios menores avançariam até o hospital, matariam todas as pessoas e pegariam a placa.
Dentre os reféns que eles mantinham, estava o esposo do jovem que abigor incumbiu de se infiltrar no hospital e ser seu espião. Através de um medalhão profano envolto em magia negra, ele lhe passava informações e recebia notícias sobre seu marido. Abigor havia prometido ao jovem que pouparia os dois e assim que pegasse a placa os libertaria, mas nunca teve essa intenção e agora nesse novo plano, mataria a todos no hospital e usaria todos os reféns como escudo na batalha.
_ Vamos iniciar o plano imediatamente e vamos acabar com eles sem piedade! _ Abigor ordenou confiante e então começaram as movimentações seguindo o plano traçado.
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