32. Nick

Olhando para as mãos, ela as viu sujas de sangue, e olhando ao redor uma trilha de corpos seguia pela rua, como se indicassem um caminho que ela deveria seguir.

Seguindo os corpos dispostos no chão, observou que todos tinham o mesmo padrão de feridas. Eram grandes queimaduras e alguns ainda queimavam com uma chama parecida com a que viu cobrir o corpo de Mikael no ferro-velho, porém eram de uma cor diferente. Eram alaranjadas enquanto as de Mikael eram violeta.

_ Será que essas chamas são minhas? _ Ela pensou, olhando para o sangue nas palmas das mãos. _ Será que a adaga mudou minha essência e eu matei essas pessoas.

Caminhou mais alguns metros seguindo aquela trilha de morte até virar uma esquina e avistar algo terrível que a fez cair de joelhos. Os corpos de seus amigos estavam espalhados pela rua, todos crepitando com aquela chama alaranjada.

_ Você pensou que tinha vencido, não é mesmo? _ Uma voz familiar a fez olhar para o lado, para a fachada espelhada de uma loja, e ver seu reflexo lhe dirigindo a palavra. _ Mas eu te peguei não foi?

_ Ukobach? _ Ela reconheceu a voz e a gargalhada infernal que ele soltou em seguida. _ Você matou todas essas pessoas?

_ Não, sua tolinha. _ Ele respondeu com tom zombeteiro. _ Você devia saber que isso é um sonho. Basta saber se vai acontecer ou não!

Aliás, é ótimo estar em sua mente, você tem uma mente poderosa!

_ Você está recarregando seu espírito a partir do meu. _ Ela constatou, agora conseguindo ver que estava em um sonho. _ Essa era a intenção da adaga á todo momento!

_ Agora sim é a Nick esperta que eu conheço! _ Ele disse sarcasticamente. _ Quando acordar envie lembranças minhas ao pastor.

Mesmo sendo um sonho, ver Mikael e os outros mortos a fez estremecer e sentir um profundo desespero. Se aquele sonho fosse mais uma previsão, ela não queria viver aquele futuro, e não fazia idéia de que chamas alaranjadas eram aquelas.

_ Eu também não sei. _ Disse Ukobach, intrometendo-se em seus pensamentos. _ Mas se parece com o poder dos moleques que estavam com o pastor no cemitério, e com aquela luz que te protegeu durante a nossa luta.

Ele tinha razão, e as chamas que a protegeram durante a batalha na mente do pastor eram amarelas, agora sabia que Raguel e Gabriel também tinham aquele poder, mas não havia visto suas cores ainda. Só restava esperar até ter mais detalhes, porém, ao que parecia, o dono das chamas alaranjadas não era um dos mocinhos, dado o teor do seu sonho.

_ Você está pensando que o namorado do Mikael pode te salvar né? _ O demônio provocou com seu tom sarcástico.

_ Eu tenho certeza que vai! _ Ela respondeu confiante. _ Eu vi o que ele pode fazer.

_ Mas depende de ele querer, não acha? _ Ele continuou. _ Por que ele ajudaria alguém que quer roubar o seu homem?

_ Eu não quero roubar ninguém! _ Nick disse irritada e sem jeito. _ De onde você tirou isso?

_ Ora Nick, você não pode mentir pra mim. _ Ele respondeu. _ Eu estou fraco e não posso te controlar, mas compartilho os seus pensamentos. Sei que você está afim do Mick, e tem esperança que ele esteja afim de você também!

_ Você não sabe nada sobre mim, demônio! _ Ela disse, agora tranquila e confiante. _ Você não vai usar o carinho que eu sinto pelo Mikael contra mim. Eu sei que ele ama o Raphael, e estou bem com isso.

_ Mas antes de você precisar dele, aposto que estava torcendo para ele não voltar! _ Ukobach continuou a provocação, com sua risada sarcástica. _ Que ironia do cão!

_ Você é ridículo Ukobach! _ Ela disse, tentando reverter a situação. _ Você não me venceu nem quando tinha a vantagem no corpo do pastor, porque acha que me venceria agora?

_ Por que seu espírito será meu! _ Ele falou com convicção. _ Você sabe que o Lorde Abigor, o grande general dos exércitos do inferno, está indo atrás do Raphael, não sabe?

_ E você sabe que Gabriel e Raguel também estão indo para lá. _ Ela rebateu. _ Eu sei que eles deram uma surra em você.

_ Eu não sou nada perto de um demônios de elite. _ Ele respondeu desconcertado com o fato de ela lhe lembrar de sua derrota no cemitério. _ Eles não terão chances.

_ Você não sabe nada sobre eles também. _ Ela continuou. _ Aliás não sabe nada sobre nenhum de nós!

_ Aguardemos cenas dos próximos capítulos então! _ Ukobach respondeu. _ Agora eu acho que você irá acordar...

Antes que ele pudesse terminar de falar, Nick abriu os olhos e estava novamente no hospital. Mikael estava sentado na cadeira de acompanhante ao lado do seu leito e se levantou assim que percebeu que ela havia acordado.

_ Como você está? _ Ele perguntou aproximando-se dela e pegando sua mão. _ Você estava inquieta enquanto dormia.

_ Eu tive um pesadelo. _ Ela respondeu retirando a sua mão da dele delicadamente. _ Sonhei que todos vocês estavam mortos, e eu de alguma forma os matava com um poder alaranjado.

_ Mas você acha que é uma premonição? _ Ele perguntou assustado. _ O que você acha que significa.

_ Eu não tenho certeza. _ Ela respondeu levando as mãos ao rosto, como se tentasse racionalizar a situação. _ As suas chamas são violeta, e eu também manifestei um poder parecido enquanto lutava para libertar o seu pai, mas o poder que me envolvia era amarelo.

_ Raguel, tem chamas cor de esmeralda e as do Gabriel são azuis! _ Ele disse. _ Eu não vi se Raphael possui também essas chamas.

_ Você o conhece bem. _ Ela disse, referindo-se a Raphael. _ Ele não estava no sonho, mas acha que ele seria capaz de fazer algo assim?

_ Ele é a pessoa mais gentil e altruísta que eu já conheci. _ Mikael respondeu com um sorriso. _ Ele jamais machucaria ninguém.

_ Então talvez ainda encontraremos o dono desse poder. _ Ela continuou. _ Porém, não podemos esperar que ele seja amistoso conosco. Devemos nos preparar para enfrentá-lo.

_ Nós temos um problema Mick! _ Will chegou da porta desesperado. _ Neil está com seus homens lá fora. Eles fizeram um cerco ao hospital.

_ Como eles nos encontraram? _ Mikael perguntou, sentindo o sangue congelar de medo.

_ Eles são soldados do esquadrão especial. _ Will respondeu. _ Rastrear é o que fazem de melhor!

Olhando na tela do notebook, eles viram que Neil estava no centro do estacionamento do hospital, e outros dez soldados o flanqueavam à sua esquerda e à sua direita, sendo cinco de cada lado, enquanto outros seis homens estavam cercando a saída dos fundos do hospital, para evitar que fugissem.

Mikael foi até a sacada da entrada do hospital e Nick, amparada por Will o seguiu. Segundo Will o pastor estava no terraço do hospital, cuidando de uma horta que improvisaram, e eles preferiram não alertá-lo.

_ Você não devia ter mentido pra mim Mick! _ Neil disse com a ajuda de um megafone. _ Mas ainda estou disposto a poupar seus outros amigos se me entregar o pastor e esse covarde desertor que está do seu lado.

_ Will fez a escolha certa Neil. _ Mikael respondeu tentando parecer confiante. _ Você viu o que fizemos com seus homens no ferro velho, o que nos impediria de fazer o mesmo com vocês aqui?

_ Eu não sei como fizeram aquilo. _ Neil respondeu. _ Mas Miles e Davis eram idiotas, esses caras aqui comigo são especialistas. Vocês não têm como escapar daqui.

_ Então porque não invadiu o hospital ainda? _ Mikael provocou, tentando passar confiança. _ Já que confia tanto nos seus homens.

_ Você realmente acha que somos idiotas não é? _ Neil respondeu tranquilamente. _ Eu não sei quantas pessoas você tem aí dentro, e uma batalha interna pode ser desfavorável em menor quantidade. Porém se cercarmos o hospital vocês ficaram sem suprimentos. E nós não temos pressa.

_ Fui eu quem matou seu pai e seu irmão? _ Mikael disse, pegando todos de surpresa. _ Isso mesmo, eu adorei esmagar a cabeça do Ian com aquele bastão e o Scott foi alvo fácil, eu matei ele com minhas próprias mãos!

Nick não sabia o que Mikael estava tramando, mas decidiu deixá-lo continuar. De onde estava, viu a ira se acender nos olhos de Neil, que andava de um lado para o outro parecendo pensar no próximo passo.

_ E meu pai nem está aqui. _ Mikael continuou _ Nos separamos depois do que houve na igreja. Sei lá, eu gostei de matá-los e acho que faria mesmo se não estivessem ameaçando o meu pai.

_ Cale-se seu desgraçado! _ Neil explodiu em ira gritando tão alto que se fazia ouvir mesmo sem o megafone. _ Você quer que eu acredite que alguém insignificante como você fez aquilo com eles?

_ Se eu sou tão insignificante assim, por que você não me encara só nós dois? _ Mikael desafiou, e Nick pode entender que a sua intenção era resolver sem mais ninguém se ferir. _ Se eu vencer, vocês vão embora e deixam meus amigos e o hospital em paz, e se eu perder, você me mata e consegue sua vingança.

_ Eu não teria porque aceitar seu desafio rapaz, mas eu vou, então desça aqui e vamos resolver como homens! _ Neil disse, ainda gritando.

Nick permaneceu onde estava, junto com Will na sacada do hospital, enquanto Mikael desceu e foi encarar Neil. De onde ela estava, dificilmente poderia fazer algo para ajudar, uma vez que não podia arriscar usar a projeção astral, já que a adaga estava drenando seu espírito, e se expor fora de seu corpo podia acelerar esse processo.

No fundo de sua mente Ukobach a incitava a lutar, mas ela o ignorava já que ele era o parasita que queria tomar o seu corpo.

_ Sem armas então, garoto! _ Neil disse, entregando as facas e armas de fogo para o homem ao seu lado, e colocando uma soqueira em cada mão, jogou outras duas perto de Mikael, para que ele também usasse. _ Vamos ver do que é capaz.

_ Eu não preciso disso Neil! _ Mikael disse, recusando a oferta do adversário. _ Eu só preciso das minhas mãos para acabar com você.

_ Você e mais insolente do que eu imaginava Mick. _ Neil disse ainda mantendo a calma. _ E mesmo não acreditando que você fez o que disse ter feito, eu vou adorar te ensinar uma lição.

Nick pôde ouvir todo o diálogo claramente, como se estivesse ao lado dos dois, e por mais que não acreditasse que Neil iria deixá-los ir só com aquela luta, o blefe de Mikael deu a eles mais algum tempo, sendo que enquanto pensassem que tinha mais pessoas com eles, não invadiriam o hospital, e como não podia arriscar usar seus poderes ainda, só lhe restava assistir.
Olhando para Will ao seu lado, ela pode ver o quanto ele estava apreensivo, e mesmo tendo visto os poderes de Mikael ele ainda acreditava que o soldado era uma ameaça para ele.

Os dois começaram estudando os movimentos um do outro, até que Neil se precipitou a frente e desferiu o primeiro golpe, com bastante força, mas foi bloqueado pela mão de Mikael, que pareceu não sentir o impacto que foi potencializado pela soqueira que o soldado usava.

Imediatamente Mikael revidou com uma sequência de socos rápidos que foram evitados com destreza pelo adversário, que se esquivava como um pugilista profissional, encurtando a distância a cada movimento.

Antes que o jovem percebesse, Neil já estava próximo demais, e desferiu-lhe um golpe com o joelho na boca do estômago, desarmando-lhe a postura e em seguida continuou o ataque com um forte soco vindo de cima e lançando Mikael contra o solo, forçando-o a cair de joelhos, e abrindo um corte em seu supercílio, que fez com que o chão ficasse manchado com seu sangue.

Antes que pudesse assimilar os golpes, Mikael foi alvejado por mais uma sequência de golpes, primeiro Neil golpeou com os pés, em um chute lateral no rosto, que o lançou de lado, rolando no asfalto do estacionamento. Depois se aproximou e deu alguns chutes nas costelas do garoto, finalizando com mais um chute no rosto que o fez cair desacordado com o rosto no asfalto.

_ Você foi patético! _ Neil disse, e se voltou para onde estava Will e Nick. _ Agora é sua vez Will, desça daí e eu deixo sua amiga e as outras pessoas do hospital em paz. Você é um desertor, mas é um soldado, então venha morrer como um.

_ Ninguém precisa morrer Neil! _ Mikael disse levantando-se, seu rosto estava bem machucado, mas apesar dos golpes que levou, parecia estar bem. _ Mas não posso garantir nada se vocês não forem embora agora.

Nick viu o espírito de Mikael elevar-se, mas as chamas não o envolveram, era como se ele de alguma forma as estivesse suprimindo e ainda assim conseguisse usar seus poderes. Ela não fazia idéia de como ele conseguia fazer aquilo, e nem se podia se manter assim por muito tempo.

_ Fique no chão garoto! _ Neil disse _ Eu já cansei de brincar com você.

_ Pois eu posso fazer isso o dia inteiro! _ Mikael disse sorrindo!

Com um gesto, Neil ordenou que um de seus homens atacasse Mikael e todos ficaram sem entender quando, com movimentos rápidos e uma força incomum, o jovem evitou os golpes do soldado e o nocauteou com um único soco.

Nick viu a perplexidade no rosto de Neil, que ordenou que os demais soldados atacassem todos ao mesmo tempo, e alguns usavam facas militares. Fazendo uma roda em volta de Mikael, eles começaram a atacar, mas como se os homens de Neil estivessem em câmera lenta, nenhum deles pôde acertar um golpe sequer no jovem.

Após se esquivar de dezenas de golpes, Mikael resolveu começar a atacar, e com golpes potentes, ia neutralizando os soldados um por um, enquanto se ouvia o barulho de ossos se partindo e gritos de dor.

Perplexo enquanto via seus melhores homens sendo vencidos um a um, Neil pegou a pistola semi-automática e a apontou na direção de Mikael, porém antes que pudesse atirar, o jovem, como se teletransportasse, apareceu menos de um metro à sua frente, e num movimento rápido, o desarmou.

Antes que o adversário pudesse assimilar, Mikael começou a castigá-lo com uma sequência de golpes, mas interrompeu o ataque ao ouvir a voz de seu pai.

_ Mick! _ O pastor gritou, e olhando para a direção de onde veio o som, eles o viram, escoltado por um soldado que Nick reconheceu como sendo o atirador de elite de Neil, que apontava uma arma engatilhada para a sua cabeça.

_ Bem na hora Luke! _ Neil disse bastante ofegante, ao se ver livre dos golpes de Mikael. _ Mande o restante dos homens virem pra cá.

Imediatamente os homens que cercavam a parte de trás do hospital começaram a aparecer no estacionamento, e mesmo assustados e sem entender quando viram que os companheiros estavam feridos desacordados e que Neil também estava bem machucado, não fizeram nenhuma pergunta.

_ Agora desça aqui Will! _ Ordenou Neil, depois de posicionar Mikael e Ben de joelhos e algemados sob a mira das metralhadoras. _ Ou quando terminarmos com eles, mataremos todos aí no hospital.

Sem opções Nick acompanhou o amigo até a portaria do hospital, mas ficou por lá observando ele caminhar até onde eles estavam e ser posto de joelhos também.

Enquanto Neil preparava as armas, ela ficou observando desesperada sem saber o que fazer, até que a voz de Ukobach em sua mente a obrigou a escutar.

_ Você sabe o que tem que fazer Nick. _ Ele sussurrou. _ Você não precisa deixá-los morrer.

_ O que é isso? _ Ele continuou, vendo que ela o escutava. _ Auto-preservação? Você sabe que seu poder é para ajudar as pessoas. E seus amigos estão precisando de você.

_ É só me deixar te ajudar. _ A voz de Ukobach estava cada vez mais sedutora. _ com meu poder na adaga e seu espírito, podemos acabar com todos eles.

Ela olhou para onde estavam os seus amigos e os sete soldados, sob o comando de Neil, engatilharam suas armas coreográficamente e Apontaram para os três, que agora estavam de pé e encaravam seus executores em silêncio.Vendo que não tinha mais solução, ela disse um "Ok Ukobach, você venceu!", e gritou para que Neil parasse. Enquanto seu espírito se elevava, ela se lembrou de Mikael que usava os poderes sem abrir suas asas ou mostrar sua luz, e então concentrou-se em fazer o mesmo.

_ Por que você acha que eu vou te escutar? _ Neil perguntou olhando para ela, que se aproximava decididamente. _ Por acaso quer se juntar a eles e morrer também.

_ Solte-os agora, ou eu atiro em você! _ Ela disse, ainda caminhando com uma expressão decidida no olhar.

_ Você por acaso enlouqueceu! _ Neil perguntou, sem entender o que ela estava falando. _ Você nem tem uma arma.

_ Eu não, mas eles têm! _ Ela respondeu, apontando o dedo para onde estavam os homens dele, e ao se virar ele deparou-se com os sete soldados voltando as armas na sua direção.

_ Vocês estão malucos? _ Ele perguntou atônito, vendo seis de seus melhores soldados se voltando contra o seu comando, e apontando-lhe metralhadoras carregadas. _ Matem-nos agora. Isso é uma ordem, soldados!

Sem pensar duas vezes, Mikael quebrou as algemas e arrancou a dos seus amigos também, e Neil viu tudo sem poder evitar uma vez que estava sob a mira dos outros soldados.

_ Agora você sabe do que somos capazes, Neil! _ Mikael disse, olhando nos olhos dele. _ Mas o que aconteceu com seu pai e seu irmão foi legítima defesa. Eu poderia matar todos vocês aqui, mas não o farei porque não sou um assassino. Porém, se você voltar a tentar algo contra nós, não terei a mesma misericórdia. Então pegue seus homens, e fique longe desse hospital, porque se voltar a cruzar o meu caminho, não cruzará mais caminho nenhum!

Sem dizer nada, apenas remoendo sua derrota, Neil com a ajuda de seus homens que Nick controlava, pegou os feridos e ligando os carros, saiu cantando pneu, pelas ruas de Miraculous Clearing.

_ Você é incrível Nick! _ Mikael disse, já dentro do hospital e em segurança. _ Você controlou aqueles sete soldados sem deixar o seu corpo.

_ Eu não podia deixar vocês morrerem. Ela disse com um sorriso, mas sentindo se fraca, precisou apoiar se na parede próxima de onde estava.

_ Você está bem? _ Ele gritou ao vê-la cambalear, e correu na sua direção. _ Você está pálida e gelada!

_ Eu precisei mesclar meu espírito ao da adaga para liberar o meu poder. _ Nick disse com a voz fraca, enquanto se deixava cair nos braços dele. _ Acho que tenho pouco tempo agora.

_ Eu vou levá-la até o leito! _ Ele disse pegando-a no colo. A voz dele estava cada vez mais distante, e sua imagem desfocada. Desfalecida nos braços dele, ela via as luzes do hospital passarem rapidamente enquanto ele corria com ela para o leito.

Na sua mente, a gargalhada triunfal de Ukobach ressoava, e ele cantava uma canção de ninar que falava algo sobre o Bicho-papão que esperava nas sombras, mas elas não conseguia odiá-lo, sabendo que aquele poder só foi possível graças a ele.

Antes de apagar, ela sentiu Mikael colocá-la no leito, e a expressão desesperada do jovem ao vê-la desfalecida, mostrava que ela era importante para ele e a deixou feliz.

_ Eu estou feliz por tê-lo conhecido Mick, _ Ela pensou, mas sua voz não saiu. _ É um prazer sacrificar minha vida por você. Seja feliz com Raphael, você merece!

E não viu mais nada.

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