13. Gabriel
Gabriel sentiu um terror congelar-lhe os órgãos internos ao ouvir o que o detetive Simpson lhe disse.
Quem será aquela garota então?_ Ele se perguntou_ E será que foi ela...
Tratou de afastar esse pensamento da cabeça. Era absurdo pensar que uma garotinha de dez anos conseguiria fazer uma brutalidade daquelas com dois adultos, ainda mais um deles sendo um delegado treinado.
Percebeu que Raguel não estava mais na sala, e voltando a sala de espera da delegacia a encontrou estática olhando para o local onde haviam deixado a garotinha sentada, ao entrarem na delegacia.
_ Você viu para onde ela foi Raguel? _ Ele perguntou tirando ela de seu transe.
_ Não _ Ela respondeu, ainda olhando fixamente na mesma direção._ Quando voltei aqui ela já tinha sumido.
_ Não se preocupe_ Ele disse, colocando a mão no ombro dela _ Vamos encontra-la e...
_ Não!_ Ela disse, e virando-se na direção dele, ele pode ver o terror em seus olhos, antes de ela o abraçar e enterrar a cabeça em seu peito_ Foi ela!
_ Eu sei que o que nós passamos foi traumático _ Ele disse, enquanto a abraçava, tentando acalmá-la _ Mas ela é só uma garotinha.
_ Não, ela não é! Ela disse, afastando a cabeça do peito dele para olhá-lo nos olhos_ Eu senti quando a toquei. Não sei exatamente o que era, mas era ruim, mau. A princípio pensei que era parte do terror do momento, mas agora eu sei. Ela não é só uma garotinha, ela é...
Um grito misto de dor e terror veio da interior da delegacia, interrompendo o diálogo, e colocando-os em alerta. Era a voz do detetive Simpson, e num impulso protetor, Gabriel posicionou-se à frente dela, e caminhou lentamente na direção de onde veio o som.
Voltando à sala onde deixaram o detetive, eles viram a cadeira vazia, e a arma dele abandonada em cima da mesa. No chão apenas um rastro de sangue, como se um corpo ensanguentado tivesse sido arrastado ali.
Precipitando-se Num gesto rápido, ele pegou a arma em cima da mesa, conferiu se ela estava carregada, e a segurou em posição defensiva. Havia feito aulas de tiro esportivo, aprendendo técnicas de empunhadura e mira, mas nunca imaginou que precisaria usá-las, e agora agradecia a seu pai por ter insistido que fizesse.
Seguiram o rastro de sangue até a próxima sala, e passando pela porta, chegaram a um corredor cheio de celas e pelo chão, o rastro continuava até a outra extremidade, passando por uma grande porta dupla que estava aberta, e dava para o exterior.
Caminhando devagar, eles observavam atônitos aos corpos estraçalhados que jaziam nas celas ainda trancadas, como se tivessem tido uma explosão espontânea, tingindo do chão ao teto com um sangue vermelho e viscoso, que pingava e escorria pelas paredes. Nem o mestre do terror Stephen King teria imaginado uma cena aterrorizante como essa que estavam vendo.
Mais um grito, agora vindo lá de fora, os fez querer fugir, mas era a voz do detetive cada vez mais desesperada e agonizante e se ele ainda estava vivo, precisavam ajudá-lo.
Atravessando todo corredor, eles viram que o rastro de sangue os levava para um grande estacionamento nos fundos da delegacia. A porta dupla havia sido destruída, e uma das partes dela estava em cima de uma viatura a uns quinze metros de distância. E não era uma porta qualquer, se tratava de uma porta blindada de aço com mais ou menos uns sete centimetros de espessura.
_Que criatura consegue causar esse estrago_ Pensou ele, sentindo a tensão e o terror querendo dominar-lhe. Mas ele sentiu em seu braço, o toque de Raguel, e através desse toque ela transmitiu-lhe o quanto precisava dele e de sua proteção, e isso lhe deu uma dose extra de adrenalina, e decidiu ser forte mais uma vez. Por ela!
_ O rastro termina aqui_ Disse ele, sem entender, parando no centro do estacionamento, longe de qualquer parede. _ Não faz sentido! Não tem para onde ir.
_ Veja! _ Raguel disse, apontando para uma viatura estacionada a dez metros de onde estavam _ É o detetive!
Ele estava encostado no veículo, todo ensanguentado e respirando imóvel. Mas eles não entendiam como tinha chegado lá, se o rastro de sangue acabava onde estavam, e não tinha nenhuma gota no caminho entre eles e o detetive.
_ É uma armadilha!_ Disse Gabriel, por fim entendendo a situação. _ Fique aqui, que eu vou lá ajudá-lo!
_Não..._ Ela começou a dizer, mas ele a interrompeu beijando-lhe os lábios com tanta vontade, que ela retribuiu, e era um beijo de despedida e antes que ela pudesse protestar novamente ele seguiu, com a arma em punho, se protegendo e esperando um ataque repentino.
Aproximando-se do detetive, Gabriel viu que era tarde demais, o pescoço dele estava cortado, e daquela distância parecia que já não havia mais sangue em seu corpo. Um barulho o fez virar-se e a centímetros do seu rosto a criatura surgiu, por cima da viatura.
Ainda era a garotinha que encontraram na lanchonete, só que sua boca abria-se até perto da orelha como num sorriso macabro, e seus olhos agora eram completamente negros. Ela estava como um animal com os quatro membros tocando a superfície do carro, porém de uma forma contorcida e grotesca.
_ Vocês parecem mais apetitosos que os demais_ Sibilou a monstruosidade, tão perto que ele sentiu o fedor pútrido de seus dentes pontudos e apodrecidos, com uma voz que tinha quatro tons diferentes_ Acho que vamos guardá-los para o jantar.
Rapidamente Gabriel descarregou a pistola na direção da criatura acertando-a em cheio e fazendo-a cair imóvel atrás da viatura. Levantando-se, ele caminhou lentamente contornando o carro, querendo certificar-se de que havia matado a criatura, mas quando chegou ao outro lado, não havia nada lá, e sem entender, ele virou-se para Raguel e foi atingido com força pelas costas, e arremessado tão longe que se arrastou até alguns metros de onde ela estava.
Meio grogue da pancada, ele viu quando ela veio correndo em seu auxilio, e o abraçou. Sentiu dor em cada um de seus ossos que pareciam ter se partido com a pancada, e o gosto de sangue na boca, mas o toque dela o acalmava.
Olhando na direção da criatura, viu ela se aproximando, e erguendo-se sobre as pernas como uma aranha armadeira quando vai atacar, e pensou que era o fim, mas para sua surpresa, Raguel também se levantou, e abriu os braços, colocando-se entre ele e o monstro. Aos olhos dele, ela emanava uma luz verde quase ofuscante, mas imaginou estar delirando.
_ Não vou deixar que o machuque mais, demônio! _ Ouviu Raguel dizer à criatura, enquanto observava a luz aumentar em torno dela_ Aliás, não machucará mais ninguém!
A voz dela agora era como se fosse um trovão e ecoava em todo estacionamento.
Antes de perder os sentidos, Gabriel ainda viu a criatura saltar na direção deles, mas das costas da amiga, brotaram grandes asas, semelhantes às das figuras que arrebataram seus pais, porém de uma luz verde e ofuscante, ao invés de branca, que se projetaram na direção do ataque da criatura e como se fossem chamas consumiram-na completa e instantaneamente.
Enquanto tudo escurecia ao redor, ainda viu o belo rosto de Raguel se aproximando do seu, a ouviu dizer o seu nome, e sentiu os lábios dela tocarem os seus uma última vez.
Nota do autor: Espero que estejam gostando do livro! É o meu primeiro romance e eu conto com vocês para votarem e comentarem.
Obs: Esse capítulo é um dos que inscrevi no #ConcursoFDL .
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top