09
Como eu tinha me metido em uma situação dessas?!
Não podia ser verdade o que meus olhos estavam vendo. Meu corpo estava estirado no chão e a única coisa que eu conseguia ver era Kim Seungmin por cima de mim.
Ele tinha que tropeçar igual a um estúpido e cair desse jeito com o rosto tão colado ao meu?!
Senti meu coração praticamente parar por um segundo.
— Yá! Ficou maluco?! — o empurrei, fazendo o garoto cair para o lado e bater as costas na mesa de centro.
— Acha que eu queria cair em você?! — ele resmungou com a dor da batida — Era melhor cair em um vulcão cheio de lava!
Me afastei depressa, levantando do chão quando o refrigerante começou a escorrer para perto de mim depois de cair da mesa com o impacto. Seungmin acabou se molhando e levantou com dificuldade em seguida, analisando o quanto suas roupas ficaram molhadas.
— Você pode ter destruído o instrumento de trabalho de um atleta — levou a mão à coluna, tentando se erguer e não ficar corcunda. — Você pode não saber, mas meu corpo é precioso, Kang Haerin!
— Engraçado que eu nunca te vi indo em um único torneio. Tem certeza que é nadador, Kim Seungmin?
— Próximo sábado. Se eu chegar em primeiro, tenho direito a um desejo. Vou te mandar o endereço e horário, é bom você não se atrasar, ou não vai me ver ganhando.
— Como se eu não tivesse nada melhor pra fazer — retruquei a sua presunção e revirei os olhos. — E o que eu ganho se você não chegar em primeiro?
— Então você pode me pedir o que quiser.
— Fechado — estava curiosa para saber se Seungmin era tão bom quanto dizia ser. — Agora vai trocar de roupa que eu vou limpar essa bagunça antes da sua vó chegar! Nem consegui terminar de ver o filme por causa da sua estupidez. Aish…
— Aigoo, eu volto o filme da onde você parou, não precisa criar confusão por causa disso. Bem que o Jungwon disse que você é encrenqueira…
Ele entrou para o seu quarto rindo depois de ter dito aquilo. Não fazia ideia de quando nos tornamos próximos o suficiente para conversarmos dessa forma sem filtros, mas, por algum motivo, eu estava feliz. Feliz por ter visto Seungmin sorrir depois do que aconteceu hoje mais cedo. Na verdade, eu também precisava disso; foi como se meus problemas tivessem desaparecido enquanto passamos esse tempo juntos.
— Deixa isso aí que eu limpo, Dona Encrenca — ele voltou do quarto já vestindo outra camiseta. — Melhor ir olhar seu gato, ele não parece muito feliz.
Há. Pensei.
Eu aqui me compadecendo dele e ele me provocando a cada milésimo de segundo.
Queria revidar, mas escutei os arranhões de Olaf na tela da bolsa de transporte; olhando-o pela parte transparente, ele realmente não parecia satisfeito de estar preso. O tirei de lá e fiquei acariciando o bichinho, percebi que Seungmin nos lançava alguns olhares enquanto secava a mesa e tirava o tapete da sala. Podia jurar até que vi um sorriso seu em nossa direção; vai entender.
— Bom, eu vou indo então — falei, já pegando minhas coisas para ir embora. Ele me interrompeu.
— Já?! Mas você nem terminou de ver o filme!
— Eu termino em casa. Tenho algumas coisas pra fazer também antes que minha mãe chegue.
— Ah, sim… entendi.
— Bom, nos vemos no colégio, então. Tchau, tchau, Kim Seungmin.
Sua mão esbarrou na minha quando segurei a maçaneta para abrir a porta e sair. Ele se colocou em minha frente, me impedindo de passar.
— Haerin, espera! — ergui as sobrancelhas com o seu ato. Fiquei esperando que ele dissesse algo, mas uma grande pausa tomou o lugar. Quando o garoto finalmente abriu a boca, apenas uma palavra saiu dela: — Obrigado.
Assenti com a cabeça, sabendo exatamente o motivo daquele agradecimento, afinal, eu me sentia grata pela mesma coisa. Sorri fechado antes de sair pela porta.
— Obrigada também, Seungmin.
[...]
Eu estava concentrada e dando o meu máximo para aprender o assunto de física que o professor explicava na lousa quando um batida na porta da sala parou a aula. Continuei com meus olhos bem fixos no livro didático em minha frente, se eu parasse por um segundo, sabia que a fórmula inteira que estava resolvendo iria por água abaixo. Qualquer troca de sinais ou letra colocada no lugar errado faria o resultado sair divergente do correto.
— Haerin! — a colega da mesa da frente se virou e acenou na frente do meu rosto, tirando a minha atenção da atividade — O professor tá te chamando!
— Ah… — respondi desconcertada — Desculpe, senhor.
— Haerin, tem alguém querendo falar com você. Vou te liberar, já que a aula está acabando.
— Obrigada.
Caminhei até a porta e saí por ela, dando de cara com Jang Minju e Park Gunwook. A garota segurava um papel nas mãos.
— Oi, Haerinie! — ela acenou, balançando a folha — Tudo bem? Tivemos que vir atrás de você, você nunca mais veio comer com a gente no intervalo!
— Ah, não, é que…
— Tudo bem, não liga pros dramas da Minju, você pode se juntar a nós quando quiser, não se sinta pressionada — Gunwook sorriu, mas parou imediatamente com o olhar ameaçador lançado pela amiga.
— A gente não tem nem a sorte de fazer as aulas de artes juntas — Minju fez uma cara exasperada —, eu fiquei esperando uma oportunidade pra falar com você, mas nunca consigo te encontrar…
— Sim… é um saco que nossas aulas extras não sejam juntas. O segundo C não chega nem aos pés da turma de vocês — divaguei, lembrando das aulas que tivemos em conjunto com aquela classe; em seguida, balancei a cabeça, tentando voltar ao assunto: — Mas o que você queria falar comigo?
— Sabe, é que Gunwook e eu estamos procurando uma vocalista pra cantar com a gente no show de talentos e-
Abri a boca para interrompê-la ali mesmo, mas o garoto impediu que eu fizesse isso.
— A gente precisa de você, Haerin. Sem você, a nossa banda não vai estar completa.
— Vocês têm uma banda? — levantei uma das sobrancelhas, nunca poderia imaginar isso.
— Estamos começando uma — ele sorriu —, só que sem você a gente não vai conseguir nem se apresentar no show de talentos. Olha, eu toco guitarra e a Minju bateria, meu amigo do levantamento de peso sabe um pouco de teclado, então vou tentar convencer ele também e…
Nesse momento, o sinal indicando o fim da aula tocou. O barulho do movimento dentro da classe de alunos guardando os materiais ficou alto no mesmo instante. Não demorou muito para os meus colegas começarem a sair pela porta.
— Gente, me desculpa… mas eu realmente não vou entrar na banda de vocês.
Vi quando Seungmin passou do nosso lado com sua mochila nas costas; estava acompanhado por Jungwon, provavelmente iriam juntos para casa.
— Nos vemos a noite, Haerinie — meu irmão deu um tapinha em meu ombro ao passar. Balancei a cabeça concordando e ele logo sumiu de minha vista com o outro garoto.
— Pelo menos pensa um pouco, a gente não vai mais te incomodar se disser não depois disso — Minju me entregou o papel de propaganda do show de talentos. — Acho que a banda seria uma ótima forma da gente se aproximar mais!
Enquanto os dois me olhavam esperançosos, pensei por um momento na possibilidade de cantar de novo. Meu coração acelerou e senti um arrepio longo tomar o meu corpo inteiro. Eu empurrei meu amor pela música o mais fundo que consegui dentro de mim, pra não correr risco dele surgir na minha mente outra vez, mas apenas ouvir sobre um show de talentos na escola fez com que ele voltasse como uma avalanche em cima de mim. Engraçado que, ao mesmo tempo, eu não conseguia sequer me imaginar cantando outra vez. O medo me consumia.
Nem uma única nota musical saiu de minha boca desde que tudo aquilo aconteceu. Cantar e dançar costumava ser a minha vida, e agora faz mais de um ano que não faço mais o que tanto amava.
— Por favorzinho, Haerin! — Gunwook fez uma voz fina e juntou as mãos em sinal de pedido — Se apresenta com a gente! Prometo que vamos ser bons o suficiente pra você, não vamos te deixar passar vergonha por estar com amadores quando você é praticamente uma cantora profissional!
Nesse momento, duas coisas passaram em minha cabeça. Primeiro, como um garoto enorme como o Park conseguia fazer aegyo tão perfeitamente e, segundo, por que eles achavam que tinham que ser bons para mim. Eu não sou nada aqui além de uma aluna como os dois. Meu talento e as habilidades que adquiri em anos suando no treino não valem mais nada agora. É isso que eu sinto.
— Desculpa gente, mas minha resposta é não.
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