Capítulo 01
~Mel~
O início de tudo
Chorava igualmente ao belo dia chuvoso que me acompanhava, me sentia muito mal pelo simples fato de me mudar de casa e estudar em outro lugar. Sou uma garota com muitos medos e cicatrizes que talvez nunca se curem. Ir para outra escola realmente me assustava muito, saber que lá terá muitas pessoas que vão querer se aproximar, será difícil para mim lidar com isso assim como é todos os anos.
Talvez minha mãe (adotiva) que considero muito, pudesse mudar de idéia, mas não adiantava, foram muitas tentativas vãs para fazê-la considerar sequer a hipótese de ficar. Realmente ela precisa de um emprego novo, mas por que tão longe!? Logo agora que as pessoas já entendem que não gosto que me toquem e que não sou boa com amigos; "A garota que só afasta as pessoas e não merece o amor de ninguém !"
___Melanie filha você já está pronta?___ Grita minha mãe do andar de baixo. Me encontro vermelha como um tomate! Tento me recompor para responde-la educadamente.
___Talvez eu demore um pouco.___Digo tentando segurar toda a vontade de derramar mais seis litros de lágrimas.
___Eu sei que é difícil, mas já conversamos sobre isso minha filha___ Diz mamãe já na porta do meu quarto, será que ela não presa a palavra: privacidade?
___Tudo bem mãe acho que consigo.
___Pode descer Mel, eu termino de arrumar suas malas.
___Não se preocupe mãe, acho que consigo.
___Melanie___Diz com ar de ironia estampado na testa ___ Você quer mesmo que eu acredite !?
___Tudo bem, eu não sei o que seria de mim sem você mãe.
Então dou um abraço falso nela, tenho tanta raiva por ter que ir embora que não tenho tempo para abraços sinceros. Corro, entro no carro e me forço a dormir pois a viagem será longa. . .
___Melanie acorda ! Anda filha estou atrasada!
___Ai só mais cinco minutos eu juro___ Me viro mais um pouco pro lado, me aconchegado mais.
___Filha você sabe quanto tempo dormiu?
___ Mãe que história e essa de " dormiu " ? Eu ainda estou dormindo !___Digo com minha voz mais profunda de zumbi.
___ Cinco dias! Então acorda que o médico quer conversar com você ___Diz séria.
___ E o que!!! ___Digo acordando do meu tranze sonolento e então ela começa a rir___ Nossa não acredito! Eu quase morri de susto!___ Olho pro lado, e como o carro está parado suponho que chegamos. Lugar interessante...
___ Filha estas são as chaves da casa, entre e explore. Já pus tudo la dentro___ Diz ela com muita pressa em sua voz meiga e doce.
___ Mas eu não quero ficar sozinha.
___ Filha minha entrevista e daqui a exatos...___Diz conferindo o horário em seu relógio de bolso. Que coisa antiga, penso...___Dez minutos. Entre e escolha o quarto que quiser, são quatro, porém o maior é meu___Ela beija minha testa como de costume, passa a mão em seu cabelo ruivo e me olha com aqueles olhos esbugalhados e sorri, tão meiga.
Saio ainda cambaleando do carro em direção a uma casa que me deu muitos calafrios na espinha. Depois de pegar as malas percebo que não me recordo o número da casa. Qual é? Fico parada pensando enquanto tento lembrar. De repente sinto a presença de mais alguém no ambiente.
___Até que em fim terei com quem conversar___ Diz uma voz masculina atrás de mim, gelo de pavor.
___Quem é você? !Digo gritando porém minha voz sai mais com um tom confuso. "Péssima tentativa de gritar florzinha ". Fica quieta voz da consciência, digo a mim mesma.
___ Heitor Fildman, mas pode me chamar de Thor.
___ Não pretendo te chamar de nada! E posso saber o que você está fazendo invadindo o meu quintal?!?!___ Ele da um passo em minha direção, então digo:___ Não se aproxime, por favor _ Essa última frase saiu mais como se eu estivesse implorando, mas talvez eu esteja em minha mente conturbada. " Está mesmo ".
___Você é uma arrogante sabia? E afinal de contas se você não percebeu você está no meu quintal! E sua casa é a do outro lado baixinha!_ então eu coro de vergonha. Que raiva desse garoto e de mim mesma_ Olhando bem ele é tão. . . Diferente, sei lá. Tem olhos azuis claros como águas sem fim, um olhar marcante como se me perfurace, porte eclético e um cabelo escuro encantador! É a boca... " Eu estou mesmo o encarando como uma tonta? "
___Oh perdoe-me então senhor poste, só não se aproxime. Obrigada___ Então ele cora, seria arrependimento pela forma como me tratou? Porque sinceramente eu acho que exagerei... Minha respiração começa a acelerar, me deixando confusa. " Não deixa ele notar seu medo! "
___Realmente você é bem ignorante, porém gostei da sua voz. Se quer um conselho, entre pra sua casa e a tranque, as ruas aqui não são muito seguras___ Diz gesticulando com as mãos. Ele está em uma blusa preta, a calça jeans na mesma cor e uma blusa de frio vermelha.
___ Me deixa em paz e nunca mais me ameace esta ouvindo!_ Digo mais morrendo de medo do que de raiva. " Corre Melanie, ou logo será tarde de mais ".
___ Não falo por mim baixinha e só um conselho se não quiser ouvir problema é todo seu___ Ele fala calmo, tão calmo e temperamental. Ele me faz querer descobrir algo a mais, e ao mesmo tempo querer fugir.
___Então eu não sou a única arrogante aqui pelo visto___Digo com um tom de cinismo e provocação olhando fortemente para os olhos azuis quase transparentes daquele garoto. Saindo do meu devaneio de pensamentos percebo que ele já está bem na minha frente, então gelo e deixo uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Quando vejo ja estou gritando a palavra: " Não ", bem alto e abaixada no chão com grama verde e fria." Perdeu o controle? Saia daí tolinha ", diz a voz da consciência.
Sinto ser abraçada pela primeira vez em três anos por outros braços que não são de Melinda, minha mãe. Então me assusto, naturalmente eu ficaria mais apavorada com esse ato porém eu aproveito aqueles braços aconchegantes me envolvendo e dizendo que ficará tudo bem. A sensação de medo se vai aos poucos, eu paro de me esconder e finalmente me viro para Heitor, que me olha profundamente, mas não com pena ou medo da reação que tive igual a todos os outros, ele me olha como se quisesse realmente me ajudar. Depois de anos, eu encaro uma pessoa do sexo oposto, e aqueles olhos outra vez quebrou meu sistema, senti tantas sensações que perdi a noção do tempo enquanto o encarava com o rosto cheio de lágrimas quentes e frescas.
Ele se aproxima com uma das mãos indo em direção ao meu rosto, por um momento penso em correr, porém antes disso ele seca as lágrimas já com a mão em meu rosto passando seu polegar delicadamente até a minha boca e diz :
___ Desculpe-me por ter sido grosseiro, não quis te deixar assim. Se você precisar e só tacar uma pedrinha naquela janela ali. ___ Diz mostrando uma janela de um tom azul suave e velho___Pra qualquer coisa mesmo___ Ele me ajuda a levantar e antes que ele tentasse me abraçar novamente eu saiu em disparada. Corro muito me arrependendo por não ter feito isso na hora que ouvi a voz dele. Não sei ao certo se estou na casa certa, mas não importa agora. Quando coloco as chaves e a porta destranca sei que é a casa certa...dessa vez.
Entro na casa e assusto com a quantidade de poeira e a aparência. A casa era velha e parecia que ninguém ocupava aquele lugar a séculos, então fui procurar um quarto. Já de primeira gostei de um dos quartos pelo simples fato de ser pequeno e ter um banheiro todinho pra mim. Desço e pego as malas ainda muito pensativa sobre o ocorrido com o Heitor, " ele nunca te fará mal sua idiota " diz a voz da minha consciência, logo após: " Não deixe nenhum homem se aproximar de você sua tola! Só irão te machucar de novo!
Sentei nos degraus da escada empoeirada e novamente choro, mas dessa vez olhando para as latas de tinta que infelizmente lamento por não serem o teto do meu velho quarto. Aquele olhar, nunca esquecerei, mas não sei dizer o porquê.
Eri: Bom gente, minha primeira estória! Espero que gostem 💚🌼🌼 Deixem uma estrelinha se gostarem, ficarei muito feliz... Respondo os comentários também ✒✏📝
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