O Botão
Após o julgamento, Sasuke me trouxe de volta até o meu quarto. Ele não ficou nem por cinco minutos, dizendo que ainda precisava terminar de resolver a questão dos Kajiwara - no qual imaginei ser a expulsão de Mei do reino -, então acabei dormindo na companhia de Shizune. Não que eu imaginasse que Sasuke iria dormir aqui, mas não posso negar que tive um pouco de esperanças. Também não tive uma das melhores noites, já que acabei ficando intrigada com aquele olhar estranho que recebi e isso não saía da minha cabeça. Talvez isso significasse alguma coisa? Não sei, mas teria que descobrir de alguma forma. Naquela manhã, eu anotei um nome a mais na minha lista.
Era o turno de Saori na minha "vigilância", e assim como eu havia pedido no dia anterior, ela deu o meu recado para o médico real e trouxe o livro que eu pedi. Apesar de estar passando um dia completamente entediada, agora eu teria realmente um livro interessante para ler e, quem sabe assim, eu também não acabe descobrindo alguma coisa sobre meus sonhos.
Estava um pouco nublado lá fora e, de vez em quando, algumas gotas de chuva caíam. Eu me encontrava sentada em uma das cadeiras da varanda, lendo sem pressa o livro que eu segurava em mãos. Saori estava bordando um novo avental para ela, sentada em outra cadeira ao meu lado.
A chuva começou a engrossar.
- Senhorita, melhor irmos para dentro. - Saori sugeriu, já se levantando da cadeira.
Eu fechei o livro e me levantei também, voltando para a cama logo em seguida. Minha perna hoje já havia amanhecido melhor que ontem, o que já me ajudava a ter um pouco de independência. Acho que em dois dias já vou estar conseguindo andar normalmente.
Voltei minha atenção para o livro, eu queria chegar logo na parte que eu estava lendo quando fui impedida da última vez. Folheei as folhas, já com a curiosidade falando mais alto. Foi quando eu vi a imagem daquela deusa. Sim, aquela mulher. Parei por alguns segundos e fiquei apenas olhando aquela figura. Olhei para onde estava escrito em letras grandes "Deusa Eshina, a protetora" e para o seu rosto novamente. E ela era idêntica à que havia aparecido em meus sonhos.
Eu fiquei algum tempo tentando entender aquilo na minha cabeça. Simplesmente não compreendia por qual motivo eu havia sonhado com ela, e nem por qual razão ela me disse aquelas coisas, mas eu sentia que era algo importante na qual eu não deveria ignorar.
Li toda a história sobre a deusa Eshina escrita naquele livro. O que eu entendi foi que, basicamente, Eshina deu parte de seus poderes para um humano, o qual baniu um deus-demônio que queria controlar e governar os homens de acordo com suas leis. Muita gente morreu e, para evitar mais mortes, a deusa sacrificou boa parte de seus poderes, deixando-a fraca por milhares de anos. Mas assim que ele foi derrotado, a paz voltou a reinar, e os homens se esqueceram da época da guerra.
Virei a página, e notei que havia um quadro com a palavra "curiosidade" no qual havia a seguinte frase: "Diz a lenda, que o herói escolhido por Eshina foi o primeiro membro do clã Senju, a família imperial do reino de Asmad."
Então é por isso que dizem que eles são tão arrogantes? Eu pensei. Nunca soube mais do que o básico sobre a família Senju, apenas que eles eram a família mais poderosa do continente, mas será que isso tem algo a ver com essa lenda? Ou eles simplesmente inventaram isso anos atrás para serem respeitados como são agora? Eu realmente havia ficado curiosa, mas seria difícil descobrir mais sobre eles só com os livros. Talvez Sasuke saiba de alguma coisa, já que ele foi mais bem educado do que eu. Quem sabe eu pergunte para ele em outra oportunidade.
Eu fechei o livro em minhas mãos.
- Saori, eu não aguento mais ficar presa aqui! - Eu reclamei, rolando na cama.
- Foi a senhorita quem teve a ideia de se trancar no quarto, fingindo estar doente. - Ela disse, como se fosse minha culpa estar assim. - E se passou apenas um dia.
- Eu não tive culpa! Eu não poderia sair assim, mancando desse jeito! Eu já sou um tópico recorrente nas rodas de fofocas por causa do noivado, se as pessoas me vissem assim, não iriam parar de me perturbar. - Eu cobri meu rosto com um travesseiro.
- Tudo bem, eu entendo... mas não posso fazer muita coisa para ajudar.
Eu bufei.
- Como está indo o bordado? - Ela perguntou.
- Ah, estou com um pouco de dificuldade em algumas partes, mas não está indo mal... devo terminar logo.
Ouvi o som da caixa de materiais sendo colocada sobre a cama. Eu tirei o travesseiro do meu rosto para olhá-la.
- Que tal terminar hoje? - Ela me deu um sorriso.
- Ah, não! Se eu terminar hoje, não vou ter nada para fazer amanhã!
- Você pode bordar outro lenço, que tal fazer um para o lorde Sasori também? Ele não é seu amigo?
Um lenço para Sasori? Hm, se Sasuke souber disso, tenho certeza de que ele não vai gostar... mas Sasori é meu amigo, também acho justo dar um lenço à ele como forma de agradecimento, afinal, foi o ruivo quem me ajudou na noite do escorpião, Sasuke gostando ou não.
- Você sempre consegue me convencer de alguma forma. - Eu respondi, me sentando na cama. - Vou fazer um ele para ele também.
Saori sorriu, outra vez vitoriosa. Em vez de terminar o lenço de Sasuke, decidi começar logo o novo lenço que iria fazer para o ruivo, assim eu poderia terminar os dois juntos e entregá-los quando saísse daqui. Parei por um momento para pensar o que eu poderia bordar no lenço de Sasori, quando me dei conta de algo.
- Saori, você sabe qual é o brasão da família Akasuna? - Eu realmente não me recordava de ter visto o brasão da família dele.
- Temo que não, senhorita. - Ela respondeu.
Fiquei tentando pensar em algum jeito de descobrir, e uma ideia surgiu na minha mente.
- Já sei, vá até o quarto do príncipe e pegue o livro que tem a história de todas as casas do reino e as imagens dos brasões. Sei que Sasuke tem um livro assim, pois já vi ele guardado na estante. - Eu pedi, com os olhos brilhando para Saori.
- Mas... se ele me pegar fazendo isso, vou ser punida. - Ela hesitou.
- Não se preocupe, se ele disser algo, eu me responsabilizarei. - Eu gesticulei com as mãos - E ele nem deve estar por lá, agora vá, por favor.
Saori saiu do quarto, enquanto eu continuava sentada esperando seu retorno. Não demorou muito tempo para que ela voltasse com um livro enorme em mãos.
- E aí, deu certo? - Eu perguntei, ansiosa.
- Sim, aqui está. - Ela entregou o livro para mim. - Mas estranhamente, não estava na estante, e sim sobre a mesa do príncipe.
- Talvez ele só queria ver alguma coisa. - Eu disse, despreocupada. Comecei a folhear pelas variadas páginas, a sorte é que os nomes estavam em ordem alfabética, então seria difícil achar a família Akasuna. Assim que passei pelas páginas com a letra "A", alguns papéis que estavam dentro do livro caíram em meu colo.
O que é isso?
Eu deixei o livro e peguei os papéis em mãos para lê-los. Isso é um obituário? Eu li um e, em seguida, o outro. Quando reparei que o obituário era da mesma pessoa: lorde Akasuna. Por que alguém teria dois atestados de morte para a mesma pessoa? Isso não faz sentido! Ele morreu doente ou envenenado? Então é por isso que Sasori se tornou o novo lorde tão jovem?
Eu senti um pouco de pena do ruivo, afinal, assumir tanta responsabilidade tão jovem não era fácil. Deve ser por isso que ele anda tão ocupado ultimamente. Mas esses papéis realmente eram estranhos, será que o médico errou a causa da morte e precisou fazer um novo? E por que diabos Sasuke tem isso com ele? Ah, era coisa demais para minha cabeça em tão pouco tempo, eu sentia que meus neurônios iriam derreter! Talvez na próxima vez que me encontrar com Sasori, eu pergunte a ele o que aconteceu com seu pai.
- Algo errado, senhorita? - Saori me tirou dos meus pensamentos.
Eu peguei os dois papéis e coloquei-os dentro do livro novamente.
- Não, tudo certo. - Eu folheei outra vez as páginas, finalmente achando o brasão da família Akasuna e a breve história do clã escrita abaixo. Os Akasuna não era uma das famílias mais ricas e prestigiadas, seus antepassados ganharam uma pequena porção de terra que era consideravelmente longe daqui, na qual cuidam até hoje, eles eram vassalos do condado Hyuuga. Olhei para o brasão deles, e então um calafrio me atingiu e eu arregalei os olhos.
Era o desenho de um escorpião.
Isso só pode ser coincidência, certo? Sasori não seria o responsável por aquilo, não é? Que motivos ele teria para me querer morta?
- Sakura? Você está pálida! Está se sentindo bem? - Saori perguntou preocupada, enquanto se sentava na beira da cama em minha frente.
Eu olhei para ela, e então virei o livro em sua direção e apontei para o brasão com o nome Akasuna que eu havia acabado de ver. Ela cobriu a boca, espantada.
- Pelos deuses! Será que... foi ele?
- Não sei, Saori. Lorde Sasori sempre foi tão bom comigo... eu não teria motivos para suspeitar dele e também nem imagino o porquê ele faria isso...
- Bom... pode ser só uma grande coincidência, senhorita.
- É, talvez. Espero que sim. - Eu sussurrei, mas foi o suficiente para que ela escutasse.
- Você ainda vai bordar isso? - Ela apontou com a cabeça para a imagem do escorpião.
Eu olhei fixamente para a imagem. Por um lado, eu tinha perdido boa parte da minha vontade de bordar. Por outro lado, eu poderia usar isso como um pretexto para perguntar sobre aquela noite ou, ao menos, tentar descobrir se ele pode ter alguma relação com isso. Então reuni toda a vontade que eu ainda tinha e acenei positivamente.
- Vou sim e, além disso, marque um chá com o lorde Sasori assim que eu melhorar. - Eu respondi, já pegando os materiais em mãos.
Saori não disse nada, apenas deve ter pensando que eu sou doida. Como eu iria questionar um amigo sobre a coincidência do brasão de sua família ser do mesmo animal que quase me matou? Era realmente estranho e até não fazia sentido. Nós somos amigos, certo? Eu sempre achei que ele se importasse comigo. Mas não posso me esquecer de que Sasori é uma variável, afinal, eu não o havia conhecido antes de morrer. Então eu não tenho nenhum tipo de informação sobre ele, além das poucas que eu sei agora. Talvez eu realmente devesse ficar com um pé atrás: ele é um amigo ou um inimigo? Independente disso, não posso deixar que ele desconfie das minhas suspeitas sobre ele.
Depois de um longo tempo concentrada no bordado, Shizune chegou para passar a noite comigo. Entreguei o livro com os papéis para Saori e pedi que ela devolvesse para o quarto do príncipe pois eu já tinha o molde do desenho e não iria precisar dele mais. Sem contar que Sasuke poderia sentir falta desses papéis e iria me questionar se soubesse que eu estava com eles. Novamente nos despedimos de Saori e, após uma breve refeição, Shizune me ajudou com o banho e a troca de roupas. Eu já não precisava mais usar as bandagens nos braços e em uma das pernas, o único local onde ela ainda enfaixava era minha panturrilha machucada. Ainda era visível alguns hematomas em minha pele, mas já estava bem melhor do que antes.
- Shizune... - Eu a chamei, enquanto ela penteava meus cabelos na cama. - Tem alguma notícia do Sasuke? Ele não veio me visitar desde ontem à noite...
- Eu fiquei sabendo que ele está ocupado com os preparativos do baile e as tarefas regulares. - Ela respondeu. - Parece que a mãe dele quer que ele ajude nas preparações.
- Ah, entendo. - Minha voz saiu em um tom de desânimo. Eu tinha que admitir que já estava sentindo a falta dele e o baile ainda iria demorar alguns dias para acontecer. Será que é algo mais grandioso do que eu estava imaginando? E ele não consegue arranjar um minuto do seu tempo para ver como estou? Ou será que ele está tão envergonhado em me ver depois de ter me beijado na frente da família?
Isso me fez suspirar.
- Não se preocupe, Sakura. Sei que quando ele puder, ele virá. Ele só está bastante atarefado.
- Então agora você o defende? - Eu ri.
Shizune riu também, terminando de amarrar meu cabelo em seguida.
- Bom, tenho que admitir que ele é um bom homem e que te protege. Gosto dele, vai ser um ótimo marido para você! - Ela se levantou. - Está pronta.
Eu fiquei um pouco sem graça com as palavras dela. A minha ficha ainda não havia caído de que Sasuke um dia se tornaria meu marido e que, de fato, ele queria isso.
- Obrigada... - Eu a agradeci, com um sorriso bobo nos lábios.
- Só quero que seja feliz, e se é com ele que você se sente bem... eu apoio.
Eu me levantei da cama e corri para abraçá-la por trás.
- Ahh Shizune, eu te amo!
- Sakura, a sua perna! - Ela se assustou com o abraço inesperado.
- Não se preocupe, já consigo andar um pouco sozinha. - Eu sorri.
- Tudo bem, tudo bem. - Ela se virou de frente, me devolvendo o abraço. - Você é uma boa garota, Sakura, mas agora temos que dormir!
- Mas antes, preciso te contar uma coisa.
Nós nos deitamos na cama, no completo escuro. Contei para Shizune sobre o que havia descoberto sobre Sasori, e ela ficou tão surpresa quanto Saori. Eu disse que tinha a intenção de investigá-lo, e ela me aconselhou a tomar cuidado, já que não temos certeza de que tipo de pessoa ele poderia ser. E ela tinha razão.
Logo, Shizune já estava dormindo. Ela deve realmente dormir cedo por causa da rotina cansativa dela. Isso fazia com que eu me sentisse culpada por ela ter que passar parte do seu descanso aqui comigo, e eu provavelmente acabaria reclamando com Sasuke por essa ideia idiota que ele teve.
A insônia estava começando a me atacar. Eu sentia um leve desconforto no estômago e imaginei que alguma coisa que eu comi não me caiu bem. Eu me levantei e caminhei o mais silenciosamente possível, me encostando no batente da varanda. Diferente de mais cedo, a chuva estava mais forte, e alguns relâmpagos e trovoadas podiam ser vistos e ouvidos no céu. Fiquei alguns minutos parada ali, assistindo a chuva caindo na floresta adiante, quando uma ideia me surgiu na cabeça.
E se eu der uma caminhada pelo corredor? Já estou cansada de ficar parada, preciso esticar as pernas!
Parecia uma ótima ideia! Todo mundo estava dormindo, não tinha ninguém para me impedir e pelo horário, seria improvável alguém me ver andando por aí. Era agora ou nunca. Por cima da minha roupa, eu vesti um manto longo e preto, cobrindo minha cabeça com o capuz só para caso eu encontre alguma pessoa, pelo menos assim daria para esconder meu rosto.
Calcei minhas pantufas e abri a porta do quarto sorrateiramente para não acordar Shizune. Assim que sai para fora, deixei a porta encostada, afinal eu só ia andar um pouco, não iria demorar, certo? Meu objetivo era chegar pelo menos no terraço daquele andar, só para ter o prazer de ver uma vista diferente da minha varanda. As luzes das tochas acesas pelo corredor afastavam o frio do castelo à noite. Andei aos poucos, devagar. A minha mancada estava ficando cada vez mais sutil e menos dolorosa, e isso era bom, significa que eu estava me recuperando rapidamente.
Andei até o final do corredor, e assim que eu virei a esquina, um barulho de uma porta abrindo me fez parar ali mesmo. Eu recuei e me escondi atrás da parede, dando uma pequena espiada de longe. Uma pessoa encapuzada, que eu julguei ser um homem pelo seu físico, estava saindo de um dos quartos. Aquele corredor em especifico estava com menos tochas acesas que o normal, e isso dificultava que eu enxergasse bem. Antes de deixar o local, o homem segurou uma mão que saía de dentro do quarto e a beijou. Só poderia então ser uma mão feminina, mas quem era?
O homem se curvou, e eu rezei para que ele não viesse na minha direção, pois eu não iria conseguir fugir a tempo para que ele não me visse. Felizmente, ele seguiu para o lado oposto, caminhando apressadamente, parecia com receio de ser flagrado ali. Antes que a porta fosse fechada novamente, a moça deu um passo para fora, a fim de confirmar que o homem já não estava mais por ali, foi então que eu vi os seus longos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo característico. Não tinha dúvidas, era o quarto de Ino Yamanaka.
Eu parei de olhar antes que ela virasse em minha direção e me visse. Sentia meu coração acelerado pela adrenalina e o medo de ser pega. Quem diabos era esse homem que estava saindo do quarto dela? Eu não sabia que ela tinha um amante!
Ouvi o barulho da porta se fechando, e então resolvi espiar novamente. Não havia ninguém mais ali, e bem em frente à porta do quarto, eu vi algo brilhante no chão. Eu pensei mil vezes se deveria ir ou não, mas, no final, a minha curiosidade falou mais alto. Andei com a agilidade de uma lesma, torcendo para que nada desse errado e eu fosse pega no flagra. Assim que parei em frente ao quarto de Ino, me abaixei para pegar aquele objeto brilhoso no chão: era um botão feito de ouro. Eu dei uma olhada rápida nele, porém naquele ambiente pouco iluminado seria difícil enxergar todos os detalhes. Coloquei o botão no bolso da minha manta e dei meia-volta, queria voltar para o meu quarto o mais depressa que eu conseguisse.
Apesar da chuva e dos relâmpagos que me assustavam a cada clarão, eu mantive o foco e voltei inteira para o quarto, fechando a porta com cautela. Ninguém me viu, certo? Espero que não. Peguei o botão do bolso e o coloquei dentro da gaveta na minha mesa de cabeceira, em seguida, retirei o manto e o deixei pendurado dentro do closet, tomando cuidado com possíveis barulhos. Por fim, voltei para cama novamente, com mais insônia do que eu estava quando decidi sair.
Eu sei que Ino não tem um noivo, será que é algum amante secreto? Eu estava morrendo de vontade de pegar o botão novamente em mãos, mas eu sabia que não adiantaria muita coisa, já que ainda era noite e eu não iria conseguir enxergar nada. Fechei os olhos, virando para o lado. Que merda, Sakura, durma logo! Eu odiava estar com muita coisa na minha cabeça: era a história da deusa Eshina que me visitava em sonhos, o brasão do clã Akasuna, o visitante misterioso no quarto de Ino, sem contar aquele olhar estranho que recebi ontem à noite. Mas tudo isso eram coisas que, de fato, eu precisava averiguar, ou nunca iria conseguir dormir tranquilamente outra vez.
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Quando acordei no dia seguinte, a primeira coisa que eu fiz foi abrir a gaveta e pegar aquele maldito botão em mãos. Eu me levantei, sem me importar com a minha perna, e fui diretamente para a varanda, buscando o máximo de claridade possível. Coloquei o objeto bem próximo ao meu rosto, virando-o para todos os lados, como se quisesse reconhecê-lo de alguma forma. Era um botão de pressão, feito em ouro legítimo, e nele havia o desenho de uma flor. Uma camélia? Onde foi que eu já vi isso antes?
- Senhorita? O que houve? - A voz de Saori me chamou a atenção.
- Saori, você sabe de quem pode ser isso? - Eu me virei para ela, mostrando o botão logo em seguida.
Ela pegou o botão em mãos, deu uma boa olhada e o devolveu em seguida.
- Infelizmente, não. Nenhuma das suas roupas tem um botão igual a esse. - Ela respondeu. - Mas como é de ouro, deve ser de alguém importante.
- É, eu sei. - Eu concordei, afinal isso foi a primeira coisa que me chamou a atenção: o fato dele ser feito em ouro. Não são todos os nobres que possuem riquezas o suficiente para adornar suas roupas com vários botões de ouro. Com certeza era um homem importante. Um marquês? Um conde? Talvez até um barão podre de rico?
- Por que a pergunta, senhorita? - Saori perguntou, curiosa.
- Nada demais, eu achei esse botão por aí e o peguei. Gostaria de devolvê-lo para o dono legítimo, ele deve estar sentindo falta. - Eu dei de ombros, tentando parecer indiferente.
- Bom, se eu souber de algo das outras criadas, eu aviso a senhorita.
- Muito obrigada, Saori. Seria de grande ajuda. - Eu sorri.
Guardei novamente o botão e estava indo em direção ao banheiro, quando Saori disse algo que me fez parar no caminho.
- Então quer dizer que a senhorita estava andando escondido por aí?
Ai, droga! Esqueci desse detalhe!
- Er... bom... - Eu me virei para ela, mantendo o sorriso do rosto. - Foi só uma voltinha pelo corredor à noite, nada demais.
- Sakura, você perdeu o juízo? E se o príncipe descobre?! - Ela veio andando em passos pesados até mim.
- Shhhhh, Saori! Fale baixo! - Eu gesticulei para ela, apontando para a porta. Nunca se sabe quando Sasuke poderia aparecer. - Não conte para ele, por favor! Nem para Shizune!
- Mas pelos deuses! O que você foi fazer lá fora sozinha à noite? - Seu tom de voz estava baixo, mas pude perceber que ela estava aborrecida.
- Ah, eu estava com insônia! Só resolvi mexer as pernas um pouco, já estava cansada de ficar na cama!
- Por que não chamou Shizune para ir com você?
- Saori, Shizune estava muito cansada, ela está se esforçando bastante nas aulas e ainda trabalha para mim a noite. Eu não iria acordá-la só para andar até o fim do corredor e voltar!
- Tudo bem, certo. Mas se fizer isso outra vez, terei que contar para o príncipe. - Ela estava ameaçando me dedurar para ele?
- Não farei isso novamente, prometo. Mas você deveria ser leal a mim, Saori. Não a ele. - Eu cruzei os braços.
- É exatamente por esse motivo que estou dizendo isso. Sou leal a você, senhorita, isso significa que prezo pela sua segurança.
Admiro o cuidado que Saori tem por mim, mas isso não era bom. Não posso culpá-la, já que ela não sabe metade da minha história e ela é completamente fiel à família real, mas eu teria que tomar cuidado com algumas coisas, já que Saori parece ser do tipo que me entregaria para Sasuke se eu fizesse algo que ele desaprovasse, como sair escondida do quarto durante à noite.
- Já entendi, não farei isso de novo. - Eu fui novamente em direção ao banheiro. - Mas por favor, não fale nada sobre isso.
- Certamente, fico mais tranquila.
Tomei um banho e troquei minhas roupas, como não iria sair, pedi o vestido mais confortável que tinha no meu closet, logo, já estava pronta para mais um dia tedioso dentro do meu quarto. Sentei-me na cadeira da varanda, apreciando o dia limpo e ensolarado que fazia hoje.
- Não vai terminar os bordados, senhorita? - Saori sentou-se ao meu lado, com o kit de bordado em mãos, deixando-o sobre a mesa.
- Daqui a pouco, já estou quase terminando mesmo. - Eu fiz uma pausa breve. - Me diga, Saori, como estão as coisas lá fora? Alguém perguntou por mim?
- Oh, sim. A maioria das damas, e inclusive a rainha, perguntaram sobre você, principalmente a senhorita Ino e a Vossa Alteza Karin.
- Que interessante! Não imaginava que elas sentiriam tanto assim a minha falta. - Eu sorri de canto, sabia que essa preocupação toda era falsa.
- A senhorita Ino eu não sei, mas parecia genuinamente preocupada... a Alteza não me passa muita confiança. - Saori disse, inesperadamente. Era raro ela dar uma opinião aberta.
- Claro, afinal, ela me odeia e isso não é segredo.
- Mas por quê? A senhorita nunca fez nada contra ela.
- De acordo com ela, eu roubei seu futuro marido. - Eu peguei o lenço de que estava bordando para Sasori em mãos, decidida a terminá-lo logo. - Agora a Ino... se ela realmente me odeia, ela esconde muito bem.
Saori fez uma cara estranha.
- O que foi? - Eu perguntei.
- Bem... é que está circulando um rumor sobre a senhorita Ino e o príncipe. - Ela disse, sem olhar para mim.
- Que rumor, Saori? - Na mesma hora, eu parei meu bordado e fixei meus olhos nela.
- A senhorita Ino e o príncipe têm sido vistos juntos com frequência... estão comentando que talvez o príncipe não queira mais uma esposa doente.
Isso só pode ser piada, e eu não estava gostando nada disso!
- E por que eles estão juntos? Tem algum motivo para isso? - Eu estava claramente irritada.
- Parece que a senhorita Ino ofereceu ajuda para organizar o baile e a rainha aceitou. Ela deve pensar que vocês são muito amigas.
Ah, Mikoto! Não!
Eu pensei por alguns minutos.
- Diga ao Sasuke para passar as obrigações que ele tem com o baile para mim.
- Mas a senhorita ainda não está boa!
- Saori, amanhã eu vou sair desse quarto, boa ou não. Ino está claramente se aproveitando da situação para se aproximar dele pelas minhas costas, não vou permitir isso.
- Certo, devo marcar o chá com o lorde Sasori para amanhã então? - Ela perguntou.
- Sim, por favor, também quero resolver isso logo. - Eu respondi, dando o último ponto que indicava que o lenço do ruivo estava pronto. Agora só precisava fazer com que ele me dissesse algo de útil.
A noite caiu, e nenhum sinal de Sasuke novamente. O que diabos ele estava fazendo que não vinha me visitar? Isso estava, de certa forma, me chateando. Como ele pode me dar um beijo em frente a todos e sumir? Vários pensamentos passaram pela minha cabeça, me fazendo até duvidar da genuinidade do seu pedido em antecipar o casamento. Ele realmente gostava de mim, ou era tudo uma atuação? Cheguei até a pensar que ele poderia ser o homem misterioso que eu vi saindo do quarto de Ino, tudo por causa desses benditos boatos que Saori me contou durante a tarde. Afinal, ele era um homem rico e foi apaixonado por ela na minha primeira vida. Poderia ele se apaixonar novamente? Não... calma, Sakura, você está se deixando levar pelos seus pensamentos idiotas! Sasuke me salvou, me protegeu, me beijou. Eu escolhi confiar nele e eu me recuso a acreditar que tudo isso tenha sido uma mentira! O homem que eu vi saindo daquele quarto não poderia ser Sasuke Uchiha.
Mas ele está por aqui, e eu vou descobrir quem é.
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Tenho um aviso importante para vocês no próximo capítulo que também sai hoje
Obrigada pela leituraaa 🥰
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