O Acordo
Despertei sentindo o toque suave dos dedos de Sasuke em meu rosto. Abri os olhos lentamente, até focar em seu rosto que me devolvia um olhar carinhoso.
– Acordou cedo – murmurei.
Sasuke abriu um leve sorriso.
– Eu sempre acordo cedo para admirar a sua beleza enquanto dorme.
Eu ri.
– E se eu babar enquanto durmo? Ai você não vai me querer mais – brinquei.
– Nesse caso, você seria a babona mais linda do mundo.
Dei um sorriso bobo, depositando um breve selinho em seus lábios. Ele agarrou minha cintura, me puxando para mais perto de si. Por baixo das cobertas, nossos corpos nus se encontraram. Com o passar dos dias, acordar pela manhã sem a nossas roupas acabou se tornando algo natural.
Um pouco mais de duas semanas se passaram desde o incidente no baile. O culpado por drogar as bebidas havia sido capturado e preso; mesmo passando por um intenso interrogatório ele ainda afirmava não saber quem o havia contratado, permanecendo na prisão desde então. Sasori se desculpou comigo no dia seguinte ao baile, dizendo que só queria ajudar e não conseguiria me deixar largada no meio do corredor. Tenten e Hinata ficaram comigo por mais alguns dias antes de retornar para suas casas; Tatsuo e Tsunade fizeram uma breve visita para conferir meu estado, voltando para Asmad logo em seguida, me fazendo garantir que eu fosse visitá-los no palácio em breve.
Eu acabei contando para Sasuke o que meu pai havia me dito, deixando-o tão surpreendido quanto eu, pelo visto nem mesmo Sasuke sabia da história verdadeira. No fim, por conta do episódio no baile, o aniversário de Ino teve que ser adiado por alguns dias, e hoje era justamente o dia da comemoração.
– Você não vai comer? – Sasuke perguntou, sentado na mesa logo após o banho que havíamos acabado de tomar juntos.
Olhei para aquela mesa cheia de pães, bolos, frutas e queijos, mas nada parecia me agradar. Além disso, estava me sentindo nauseada desde o primeiro momento em que abri os olhos pela manhã. Acho que não foi uma boa ideia ter exagerado na janta da noite anterior.
– Estou sem fome – respondi, pegando apenas um copo com suco de laranja.
– Sakura, você precisa comer... – insistiu.
Não era incomum que eu pulasse refeições e exagerasse em outras, deixando Sasuke preocupado com o meu péssimo hábito alimentar.
– Não se preocupe, hoje é o aniversário da Ino. Eu posso comer por lá.
Ele me lançou um olhar duvidoso, mas no fundo sabia que eu não iria conseguir resistir aos doces e os petiscos da festa.
– Você vai mesmo nesse aniversário? – perguntou enquanto comia uma fatia de pão.
– Claro, é a minha chance de tentar descobrir algo sobre o passado dela – respondi, contando-o sobre minhas intenções. – E se eu não for, as damas podem estranhar.
– Quem vai com você?
– Shizune. – Olhei para Sasuke, que não conseguia esconder sua preocupação. – Fique tranquilo, vai ser no salão das mulheres, e eu não acho que ela faria algo no próprio aniversário.
Eu não sabia se estava tentando tranquilizá-lo ou a mim mesma, pois apesar de acreditar que ela realmente não faria nada, me preocupava o fato de que tanto Ino quanto Madara permanecerem quietos desde então. Sasuke soltou um suspiro.
– Vou ter uma reunião esse horário, mas vou mandar Gaara ficar a sua espera. Se algo acontecer, chame-o.
Eu assenti. Embora eu não goste muito da ideia de ter um guarda particular pelo fato de me sentir um estorvo, não iria adiantar argumentar com Sasuke sobre isso. Ficamos mais meia hora conversando enquanto ele tentava inutilmente me empurrar todas as comidas da mesa. Logo depois, ele se arrumou para realizar seus deveres diários e eu fui para meu quarto a fim de escolher o que iria vestir para o aniversário. E após revirar meu closet inteiro, Shizune e eu optamos por um vestido azul escuro, de mangas caídas e enfeitadas com um babado. Um laço azul com uma pedra preciosa foi colocado em meu pescoço e os cabelos foram parcialmente amarrados, presos com outro laço que combinava com o vestido.
Shizune, como agora era minha dama de companhia, vestia-se com um vestido mais simples, porém bonito, ao invés da costumeira roupa de criada. Ela passou uma maquiagem leve em meu rosto e eu calcei um par de sapatilhas, pronta para enfrentar o desafio do dia.
Fui até meu armário pegar o presente que eu havia encomendado para a loira semana passada. Eu fiz questão de encomendar um colar com um pingente em formato de uma flor – a camélia – só para ver que tipo de reação ela teria ao recebê-lo. Porém, a cereja do bolo seria algo que eu havia pensado há apenas algumas horas atrás: eu iria usar o anel de Ino em um dos meus dedos. Dei um sorriso enquanto colocava o anel em meu dedo anelar. O que será que ela iria pensar ao vê-lo em minha mão? Será que ela iria perguntar algo? Ou apenas sorrir e fingir que não reconhece o anel? Pensar nessas possibilidades me deixava mais intrigada ainda. Ao menos Ino vai saber que eu não sou tão idiota quanto ela pensa.
Estava quase no horário do início da festa. Olhei no relógio e esperei mais alguns minutos antes de finalmente sair do quarto, odiava ser a primeira a chegar. Shizune e eu caminhamos a passos lentos até a festa, e Gaara nos acompanhava a uma certa distância. Eu senti pena de Gaara, mal havia voltado da fronteira e já logo começou a servir como meu segurança, me acompanhando por todos os lados. Sasuke poderia ao menos tê-lo deixado descansar por alguns dias.
Gaara ficou parado na porta do salão das mulheres, já que ele não era permitido entrar. Assim que Shizune e eu entramos, fomos recebidas por uma das criadas que estava recepcionando as damas convidadas. O salão estava enfeitado com cortinas roxas e flores que variaram do tom azul até o roxo mais escuro. As mesas estavam com um pano branco por cima e um jarro com uma tulipa de cor púrpura enfeitava-as. Eu tinha que admitir que o ambiente do salão estava bem bonito e Ino recebia todo o crédito por isso, já que eu tenho certeza que ela fez questão de decidir sobre a decoração sozinha.
O salão ainda não estava cheio, mas uma boa parte das convidadas já estavam ali. Eu cumprimentei-as logo que entrei e segui até uma mesa que estava vazia ao lado da janela. Shizune sentou-se ao meu lado. Observei o ambiente, procurando pela loira até encontrá-la conversando com algumas mulheres do outro lado do salão. Após alguns minutos, ela cruzou os olhos com o meu e abriu um sorriso, vindo em minha direção. Eu me levantei da cadeira para recebê-la.
– Sakura! Você veio! – Ela parecia surpresa.
Eu devolvi o sorriso.
– Claro que eu vim, não podia deixar de te dar os parabéns!
Eu peguei a caixa com o seu presente em minhas mãos, e entreguei a ela. Ino pareceu não ter reparado no anel, pois pegou a caixinha e me agradeceu, com uma animação estampada em seu rosto. Ela abriu a caixa e pegou o colar em mãos.
– Que lindo! Muito obrigada! – ela disse, olhando para mim em seguida.
– Não precisa agradecer, eu encomendei especialmente para você! – Então eu dei uma leve risada, cobrindo minha boca com a mão onde o anel estava, chamando a atenção para meus dedos.
Ino pousou os olhos sobre o anel, e por um momento ela empalideceu. Sua expressão animada sumiu, dando lugar para o choque que agora tomava conta do seu rosto. A loira travou, sem conseguir esboçar uma reação. Ah, eu havia me esquecido de como isso era divertido.
– Está tudo bem, Ino? O que houve? – perguntei, fingindo estar preocupada.
Ino piscou algumas vezes antes de responder.
– Nada, não é nada... – disse, com um sorriso fraco. – Adorei o presente, vou ali guardá-lo junto com os outros.
Ela deu meia-volta, saindo rapidamente. Pude notar que ela manteve a expressão séria enquanto mordia uma de suas unhas durante o caminho. Ino deve estar se remoendo agora, ao mesmo tempo em que tenta imaginar como o precioso anel dela havia parado em minha posse. Eu me sentei novamente, com um sorriso satisfeito em meus lábios.
– O que aconteceu com a senhorita Ino? Ela ficou tão estranha... – Shizune comentou. Eu continuei fingindo não saber de nada, já que Shizune não sabia sobre o anel.
– Não sei, talvez ela não tenha gostado do presente – respondi.
– Ah, será? É uma peça tão bonita... – lamentou a mais velha.
A festa continuou, e eu confesso que estava sendo até divertido. Havia show de mágica, um espaço para dançar e até um cantor famoso foi contratado para tocar no local. Shizune e eu dançamos juntas e participamos de truques de mágica, como também passamos horas conversando com outras damas. A comida foi se acumulando em minha mesa, pois eu ainda não estava me sentindo muito bem. Nem mesmo os doces chamavam a minha atenção, mas me forcei a comer alguns. Pedi que uma criada me trouxesse um pouco de chá branco – o meu preferido –, mas confesso que mesmo o cheiro daquele chá estava me incomodando. Eu definitivamente devo ter comido algo ontem que não me caiu bem no estômago. A única coisa que eu conseguia ingerir era água.
De longe, vi Karin me encarando, desviando os olhos em seguida. Após o incidente do baile ela sequer olhou em meu rosto e se manteve fora de problemas desde então. Descobri que algumas damas estavam extremamente decepcionadas com as atitudes da princesa, e eu imaginei que a reputação de Karin na Corte estava à beira da ruína. Isso era ótimo, ao menos em relação a Karin eu posso me tranquilizar um pouco, ela não voltará a agir tão cedo.
Ino passou rapidamente pela minha mesa, observando que apenas Shizune comia enquanto eu enrolava para tomar o chá. Seus olhos azuis focaram em minha mão outra vez, antes de me encarar novamente.
– Ora, Sakura, não vai comer? – Ela ergueu uma sobrancelha.
– Não estou muito bem hoje, Ino, mas obrigada pela preocupação – respondi com um sorriso amigável.
Ela assumiu uma expressão curiosa, e isso me deu certo receio.
– E o seu chá? Eu sei que você também gosta de chá branco.
Peguei a xícara em minhas mãos, tentando leva-la até minha boca, mas o cheiro forte daquele chá logo me deixou enjoada.
– Tem alguma coisa estranha com esse chá – eu disse. – O cheiro não está agradável.
A loira franziu o cenho e pediu permissão para cheirar a minha xícara. Eu entreguei o meu chá para que ela avaliasse.
– Sakura, está com o cheiro normal – contestou.
Dessa vez, eu fiquei confusa.
– Claro que não! Está diferente, mais enjoativo, não sei.
Shizune pediu para que também sentisse o cheiro do chá, mas logo ela também confirmou que o cheiro estava normal. O será que tinha de errado comigo?
Uma faísca surgiu nos olhos da loira.
– Sakura... talvez você esteja grávida? – ela disse, sem se preocupar com o tom de voz.
Eu arregalei os olhos no mesmo instante.
– Está maluca? Isso é impossível! – declarei, mesmo sabendo que isso era perfeitamente possível.
– Será mesmo? Vai dizer que você divide a cama com o príncipe todas as noites e ainda é virgem?
– É claro! Decidimos esperar até o casamento oficial. – Menti, com a voz mais firme que consegui encontrar.
Algumas damas que estavam ao nosso redor ouviram a conversa e logo começaram a cochichar. Eu me levantei, ficando de frente para ela.
– Ino, você vai realmente contrariar as palavras da futura rainha? E, ainda por cima, questionar a índole do príncipe?
Sua postura vacilou por alguns instantes, enquanto ouvíamos as pessoas sussurrar ao meu favor. Eu sabia que ninguém questionaria o príncipe, muito menos ficar contra ele. Ino deu uma rápida olhada ao redor, se dando conta de que ninguém que estava ali do lado a apoiaria em uma acusação sem provas. Ela pigarreou antes de responder.
– Bom, se você está dizendo... tem razão, me desculpe.
– Só para que você saiba, o motivo do meu desconforto é uma simples dor de estômago, nada demais – aleguei, com a intenção de que as pessoas em volta também pudessem ouvir.
Eu me sentei novamente, pegando a xícara de chá em mãos. Aquele seria um grande sacrifício, mas eu tinha que mostrar que estava tudo bem. Prendi a respiração e dei um belo gole naquela bebida, na esperança de que sem o cheiro eu conseguisse engoli-lo facilmente. Engano meu, o gosto daquilo me fazia querer vomitar ali mesmo, mas usei toda a minha força de vontade para que isso não acontecesse.
Lancei um sorriso para Ino em seguida.
– Vê? Está criando caso atoa – eu disse.
Ino saiu bufando dali, claramente frustrada, e eu tive que me conter para não rir da sua reação, já que acabei saindo vitoriosa. Eu olhei para trás, e assim que ela saiu do meu campo de visão avisei a Shizune que iria rapidamente ao banheiro, no qual ficava nos fundos do salão. Andei apressadamente até o banheiro, torcendo para que eu chegasse a tempo.
Assim que abri a porta, fiquei aliviada por estar vazio. Corri até o sanitário e segurei meus cabelos para trás, vomitando logo em seguida. No fundo, eu sentia que provavelmente Ino tinha razão e eu realmente estava grávida, mas não deixei de torcer e pedir aos deuses para que fosse apenas um mal-estar passageiro. Fiquei ali por alguns minutos colocando tudo para fora – o suco de laranja e os doces que havia comido –, quando ouvi o som da porta se abrindo e fechando logo em seguida.
– Parece que eu tinha razão. – A voz da loira invadiu o ambiente. Merda, esqueci de trancar a porta!
– Não sei, quem sabe. Talvez seja uma simples virose – respondi, enquanto limpava minha boca com um pedaço de papel.
– Pare de tentar me enganar, Sakura. Até parece que vocês não ficam juntos, isso são sintomas de gravidez – disse. – Já pensou que ótimo seria se as pessoas descobrissem? O que seria de você e seu pai sem o apoio dos nobres conservadores, ein? O quão chocante esse simples fato seria?
Eu apoiei minhas costas na parede, ao lado do sanitário. Ela tinha razão, seria um escândalo sem tamanho. Porém, eu sabia de algo muito mais escandaloso do que isso. Mostrei-lhe o anel em meus dedos, retirando-o em seguida. Ino alargou os olhos, sem dizer uma palavra.
– Isso é seu, não adianta tentar negar – eu disse. – O que as pessoas pensariam se soubesse que você é uma nofradiana? Ou melhor, o que será que o rei pensaria disso? Fico me perguntando, ele te mataria no mesmo instante ou te manteria presa pelo resto da vida?
Ino estremeceu diante a minha constatação.
– E por que não me denunciou?
– Apesar de ser seu, eu não teria como provar esse fato. – Eu brinquei com o anel em minhas mãos. – Mas eu tenho certeza de que esse anel possui um grande valor sentimental para você, não é?
Ela não respondeu minha pergunta, o que me fez imaginar que era justamente o que eu havia pensado. O anel era importante para ela.
– Como o encontrou? – a loira questionou.
– Eu não preciso te dizer isso.
– Me devolva o anel, Sakura. – Ela deu um passo em minha direção, mas eu ergui meu braço, impedindo-a de continuar.
– Se você der mais um passo eu jogo o anel no sanitário. – Ino recuou no mesmo instante, me xingando logo em seguida. – Quero que responda minhas perguntas, então posso considerar devolvê-lo.
– Quais? – Cruzou os braços.
– Quem é o garoto loiro na foto que você guarda?
Ela me olhou confusa, como se perguntasse como eu sabia disso.
– Meu irmão. – respondeu, sem hesitar.
– Por que está trabalhando com Madara?
– Não posso dizer. – Eu ameacei a jogar o anel. – Sakura, eu realmente não posso dizer. Ele vai saber se eu contar.
– E qual o problema?
– Se ele souber... meu irmão vai... – Ela não completou a frase, olhando para o chão logo em seguida. Eu entendi perfeitamente o que ela queria dizer.
– E suponho que se você não fizer o que ele manda, seu irmão sofrerá as consequências? – deduzi.
Ino assentiu com a cabeça.
– Me desculpe, Sakura. Mas entre você e o meu irmão, não preciso dizer de que lado estou, certo? – ela disse.
Eu concordei; afinal, se eu estivesse em seu lugar faria o mesmo.
– Nós podemos salvar o seu irmão, diga onde ele está.
Ela passou a mão pelo rosto.
– Você não entende, eu não posso dizer nada. Ele está me vigiando – disse, num sussurro, como se ele pudesse nos observar. E eu não duvido que provavelmente esteja.
– Então você pretende continuar do lado dele?
– É a minha única opção.
Olhei para o anel em minhas mãos, logo percebendo o valor que ele tinha para a garota à minha frente, visto que era algo que a fazia se lembrar de sua família. Mesmo que eu a denunciasse, ela poderia contar a todos sobre minha possível gravidez e isso certamente seria averiguado. Nós duas sairíamos perdendo.
– Quero fazer um acordo – anunciei.
Ino ficou em silêncio, esperando que eu continuasse a minha fala.
– Assim que o casamento acontecer, eu te devolvo o anel. Em troca você não deve contar a ninguém sobre a minha suspeita de gravidez.
– Como tem tanta certeza de que vai sobreviver até lá? – Ela me lançou um sorrisinho.
– Eu vou, nem que eu tenha que matá-lo primeiro – respondi, com seriedade em minha voz. Não queria que chegasse a esse ponto, mas com certeza o faria para garantir a minha sobrevivência e, também agora, do meu possível filho.
– Te desejo boa sorte – respondeu. – Temos um acordo, vamos ver se conseguirá cumpri-lo. – Apesar do seu tom sarcástico, eu conseguia ver em seus olhos que ela realmente esperava que eu conseguisse retornar o anel a ela. Entretanto, eu sabia que ainda corria o risco de ela não cumprir com o acordo, mas decidi apostar minhas fichas e dar um voto de confiança nela. De qualquer forma, se conseguíssemos pegar Madara antes, seria muito mais vantajoso para ela, pois assim teria o anel e o irmão de volta.
– Não se preocupe, vou manter seu anel cuidadosamente seguro. – Coloquei novamente o anel em meu dedo. – Nem pense em tentar nada.
– Sasuke sabe? – perguntou, subitamente.
Eu parei por alguns segundos antes de responder, talvez seja melhor esconder o fato de que Sasuke sabia de tudo, pois ela certamente vai contar à Madara sobre isso e eles vão se manter em alerta. Eu sabia que Sasuke não teve a oportunidade de abrir o jogo com ela, então vai ser melhor se acharem que estou por conta própria, por enquanto.
– Não, mas ele suspeita que alguém quer interferir no casamento – respondi da forma mais natural possível.
Ino pareceu acreditar na minha resposta. E então o silêncio dominou o ambiente.
– Ino, se você puder apenas... – eu ia dizer algo, mas outra onde nauseante me atingiu, fazendo com que eu me virasse de joelhos para o sanitário novamente. Senti meus cabelos sendo segurados por ela, para que não me atrapalhassem.
– O que ia dizer? – perguntou, logo atrás de mim.
Eu respirei fundo.
– Bem... se você puder... se você puder apenas atrasá-lo um pouco... – consegui dizer, com dificuldade.
Ino não me respondeu, apenas ouvi a garota suspirar.
– Vamos, você precisa de um remédio para enjoo, e o cheiro desse lugar é realmente repulsivo.
Eu fiquei de pé novamente, limpando a boca mais uma vez com um pedaço de papel. Me olhei no espelho, e eu parecia mais branca que um fantasma. Talvez seja bom ver o médico hoje. Fechei os olhos, abrindo-os um tempo depois. Ino me olhava com certa preocupação que eu considerei genuína, e eu disse a ela que já estava me sentindo melhor. O engraçado é que, se ela não estivesse conspirando para me matar, poderíamos realmente ter nos tornado amigas.
Nós saímos do banheiro, e encontrei Shizune do lado de fora a minha espera. Ela me lançou um olhar preocupado, querendo saber por que eu demorei tanto e o que Ino fazia comigo lá dentro. Respondi que estávamos apenas conversando um assunto importante. Shizune percebeu minha palidez, mas insisti para que ficássemos mais um pouco na festa. Consegui comer apenas dois biscoitos enquanto estávamos ali.
Quando deu por volta das seis da tarde, decidi que já havia feito presença o suficiente. Ino e eu não conversamos mais durante a festa e eu estava me sentindo cansada. Avisei Shizune que iríamos voltar, e tão logo eu me levantei da cadeira, senti minha cabeça girar. Shizune me segurou pelos ombros para evitar que eu tombasse para trás.
– Vou chamar o médico assim que chegarmos – avisou. Eu concordei, queria tirar logo essa dúvida que estava me corroendo por dentro.
Me despedi das damas e saímos do salão. Encontramos Gaara parado na porta a nossa espera. Seguimos caminho até meu quarto, e eu fiquei me perguntando se Sasuke estava livre ou não. Tão logo chegamos, o ruivo se posicionou do lado de fora. Eu me joguei na cama e Shizune partiu em busca do médico, me deixando sozinha por alguns momentos. A ansiedade começou a tomar conta, e mil coisas se passaram pela minha cabeça. Se eu estiver realmente grávida? Devo contar a ele ou não? Eu não queria ter de esconder algo tão importante, mas o fato de Sasuke ser super protetor me dizia que isso ficaria dez vezes pior se ele soubesse da gravidez agora.
A porta fez um barulho, logo revelando Shizune e o médico real. Pelo visto, Sasuke ainda não havia retornado. Eu me endireitei na cama, sentando-a na mesma enquanto o médico me examinava. Me fez milhares de perguntas sobre os meus sintomas e como eu passei os últimos dias. Respondi a tudo tranquilamente, mas não deixei de evitar sentir um nervosismo quando ele me perguntou há quanto tempo eu mantinha relações sexuais com o príncipe. Eu olhei para Shizune antes de responder, mas ele me garantiu manter a confidencialidade da nossa consulta, se assim eu desejasse. Por fim, acabei contando tudo a ele, apesar de ser vergonhoso ter de dizer tais coisas com Shizune bem ao meu lado.
O médico examinou meu pulso e minha temperatura corporal com alguns apetrechos que eu não tinha ideia de como funcionava; mas assim que ele terminou e começou a guardar seus aparelhos, seu rosto parecia já ter um veredito para o meu mal-estar.
Shizune e eu olhávamos para ele com uma certa inquietação.
– E então? – ela perguntou.
O médico olhou brevemente para a porta, e em seguida para a minha dama, que logo entendeu o recado e foi checar se não havia ninguém do lado de fora. Ela voltou logo depois, confirmando que apenas Gaara permanecia ali, há uma distância considerável.
– Meus parabéns, a senhorita está grávida – o homem anunciou, com um sorriso no rosto.
Entrei em choque, junto com Shizune.
– O quê? Tem certeza? – perguntei.
– Sim, senhorita. Nunca errei em toda a minha vida – disse.
Ele me passou alguns chás e proibiu outros, tirou de sua mala remédios para enjoo e também um monte de vitaminas, já que eu estava me alimentando mal nos últimos dias e ele disse algo sobre eu ser o tipo de mulher que tem enjoo com facilidade. Shizune guiou o médico até a porta, nos deixando sozinhas no quarto.
Foi quando eu vi aquele monte de comprimidos na minha frente que a minha ficha finalmente havia caído, bem como a minha pressão.
Eu estava carregando um herdeiro Uchiha em segredo.
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E aí, acham que ela vai contar logo ou manter o segredo? 👀
Agora é oficial, veeem Sarada fazer companhia pro Boruto!
Não se esqueçam de votar/comentar, me ajuda demais 💖 Muito obrigada pela leitura! Boa semana pra vcs 💖
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