A Casa Hyuuga
Fomos bem recebidas na casa dos Hyuuga. O pai de Hinata era extremamente educado, mas também carrancudo. Hinata contou que sua mãe havia falecido há alguns anos atrás. Era só ela, o pai e a irmã mais nova, Hanabi Hyuuga. Que inclusive era uma menina adorável. Perguntei sobre Neji. Ela me disse que ele não morava ali, mas estava sempre presente para ajudar seu pai a lidar com os assuntos do reino. A família Hyuuga era conselheira dos Uchihas há gerações e também lidavam com alguns problemas no reino.
Tenten se jogou na cama do quarto de Hinata.
– Uau Hina, seu quarto é lindo! E sua cama é realmente enorme!
– Realmente é muito bonito! – Eu disse, admirando o local. O quarto de Hinata era decorado em um tom de branco, mas as paredes eram todas vermelhas cor de sangue. Um lustre de cristal iluminava o local e a cama que facilmente caberia umas sete pessoas ali, tinha detalhes em dourado. Havia também um banheiro e uma varanda. Na varanda do quarto tinha um pequeno sofá e uma mesa. A vista era para o jardim da mansão, o que dava um charme a mais para o local. Uma criada entra no quarto com algumas peças de roupa em mãos.
– Eu pedi para trazerem roupas de dormir para vocês se trocarem. – Hinata disse. – Podem escolher o que quiserem.
Todas as peças eram de seda extremamente bem feitas, todas na cor branca com alguns detalhes em renda. Tenten e eu pegamos algumas peças e nos trocamos uma de cada vez no banheiro. Escolhi um conjunto com uma blusa de alça e um short que eu considerei talvez um pouco curto demais. Tenten ficou com uma blusa parecida com a minha, junto com uma calça. Hinata usava uma camisola que era longa o suficiente para esconder a maior parte das suas pernas. Talvez eu devesse ter escolhido algo maior. Pensei, mas já era tarde. A criada já havia levado o restante das roupas disponíveis e eu não queria incomodar. Sentamos a três na cama gigante de Hinata.
– Solte os cabelos, Tenten. Vou fazer um penteado em você. – Eu disse, animada.
– E desde quando você faz penteado?
Dei de ombros
– Shizune me ensinou a fazer uma trança. Você vai ser minha cobaia. – Ela soltou os longos cabelos que viviam presos em um coque e sentou na minha frente. – Deveria soltar mais os cabelos, ele é lindo.
– Você acha? – Tenten ficou um pouco envergonhada.
– Claro! – Eu sorri. – Vou deixar o meu cabelo crescer também.
Ela abaixou os olhos, cabisbaixa.
– Me desculpe novamente. Por ter sabe... Cortado o seu cabelo. – Sua voz era um pouco baixa.
– Ah, tudo bem. Isso é passado agora. – Eu disse, tentando tranquilizá-la. – E você cortou uma mecha pequena por dentro do cabelo, nem dá pra perceber.
– Mesmo? Então você me perdoa?
– Sim! Pode ficar tranquila, não guardo nenhum rancor de você. Agora fica parada que vou começar.
Comecei a trançar o cabelo de Tenten. Era um pouco complicado. Eu nunca havia de fato trançado um cabelo. Fui seguindo os passos que Shizune me ensinou, e estava até ficando bonito. Enquanto isso, Tenten escovava os cabelos de Hinata.
– Então... Hinata. Você gosta de alguém? – Tenten perguntou, pegando Hinata de surpresa.
– Eu... Sim. – Ela corou.
– Oh! E quem é o lorde que roubou seu coração?
– Guarda, na verdade. – Eu corrigi.
– O que? Guarda? Quem? – Tenten ficou mais curiosa.
– Não se mexa, estou quase terminando aqui! – Eu reclamei da agitação repentina de Tenten. – Conte para ela, Hina.
– ... No dia que Sakura e eu fomos... Assaltadas, três homens da guarda real vieram nos ajudar. Um deles era Neji. E também tinha um moreno e... Um loiro de olhos azuis.
– N-Neji? – Tenten gaguejou. Me inclinei para tentar ver seu rosto e reparei que ela estava levemente corada. Aí tem coisa.
– Você conhece o Neji, Tenten? – Eu perguntei, queria descobrir mais.
– Bom... Sim... Eu... Eu gosto dele! – Ela disse, por fim. Cobrindo seu rosto envergonhado com suas mãos.
– Não creio! – Hinata e eu estávamos surpresas com a revelação. – Espera um momento, então o rapaz que você estava beijando aquela noite... Era ele?
Ela balançou a cabeça para cima e para baixo, confirmando.
Hinata arregalou os olhos. Eu soltei um gritinho e me joguei na cama.
– Tenten, isso é tão romântico!
– Mas não estamos noivos. Não podemos fazer essas coisas. – Ela disse, sua voz transmitia um pouco de tristeza.
– Realmente, isso é perigoso.
– Nunca imaginei que meu primo faria uma coisa dessas. – Hinata se pronunciou. Ela segurou as mãos de Tenten. – Ele deve gostar muito de você pra se arriscar desse jeito, Tenten.
Tenten deu um sorriso tímido. Ela estava tentando evitar contato visual.
– Eu também gosto dele... Mas ele me disse que estavam tentando arranjar um casamento para ele com outra garota. – Ela estava realmente deprimida.
– O QUE? – Berrei. – Quem é essa? Você é uma das melhores garotas do reino!
– Ele me disse que era uma tal de Shion. Parece que ela é uma princesa de um pequeno reino vizinho. – Seus olhos estavam marejados. – E... Não dá pra eu competir com uma princesa, né?
– Poxa, não fique assim Tenten. – Eu sentei ao seu lado e apoiei sua cabeça no meu ombro. Hinata ainda segurava suas mãos, mas agora de um jeito mais apertado, como se estivesse consolando-a. – Quando eu me casar com Sasuke, vou dar um jeito de fazer Neji se casar com você.
Ela deu um sorriso e segurou o choro. Sua expressão agora estava melhor.
– E me diz como você vai fazer isso se você nem conquistou o coração do príncipe ainda? – Ela mudou de tom totalmente, não aparentava mais estar chateada. Ela levantou a cabeça e olhou para mim. – Temos que garantir que você se case com ele.
– Mas como? Eu mal o vejo. – Suspirei.
– Tive uma ideia. – Hinata disse sorrindo. – E se você cozinhar algo para ele?
– Ohh, Boa ideia Hinata! Vamos conquistá-lo pela barriga! – Tenten exclamou.
– C-Cozinhar? Eu não sei fazer nada na cozinha! – Eu disse, aflita. Esse plano com certeza não daria certo.
– Você sabe do que ele gosta, Sakura? – Hinata perguntou.
– Na verdade... não. – Eu respondi. Sasuke nunca me deixou conhecê-lo de verdade. As únicas coisas que me lembro são que ele gosta de andar a cavalo e treinar com espadas.
– Então vamos ter que arriscar. Que tal uma torta de maçã? – Hinata sugeriu. – Você pode pedir para Shizune te ensinar.
Eu estava um pouco insegura com a ideia. Nunca na minha vida imaginei que iria preparar alguma coisa na cozinha. Mas pensando por outro lado, pode ser uma boa desculpa para eu ir até o castelo visitá-lo.
– Certo, vou tentar. Pedirei ajuda à Shizune. – Eu concordei com a ideia. Hinata e Tenten ficaram animadas.
– Vou aguardar ansiosamente pelo resultado disso. Vê se não mata o garoto, viu? – Tenten riu, eu joguei um travesseiro em direção a ela.
Quando me dei conta, já estava acontecendo uma grande guerra de travesseiros no quarto de Hinata. Penas voavam para todos os lados. Eu tinha certeza que nossas risadas poderiam ser escutadas pelos corredores. Não sei quanto tempo se passou, mas ficamos na brincadeira até ficarmos exaustas. Depois da luta de travesseiros – na qual Tenten saiu vitoriosa – Fizemos um lanche noturno na varada. Onde ficamos batendo papo sobre os garotos de quem gostávamos. Era muito bom ter alguém com quem pudéssemos conversar à vontade e expor nossos sentimentos. A lua cheia brilhava no céu noturno, fazendo com que sua luz natural iluminasse quase tudo que tocasse. As horas passaram voando e a lua já estava quase no meio do céu quando nos deitamos para dormir. Cansaço era visível em todas nós. Tenten dormiu no meio pois alegou que estava com medo do escuro. Hinata dormiu do lado direito da cama e eu fiquei no lado esquerdo, mais próximo da porta. As duas pegaram no sono imediatamente. Eu por outro lado, estava tendo dificuldades para pregar os olhos, apesar de também estar cansada.
Estava quase pegando no sono, quando minha boca começou a ficar seca e uma vontade enorme de beber água surgiu. Eu me conhecia o suficiente para saber que não iria conseguir dormir sem antes tomar um belo copo d'agua. Infelizmente não tínhamos mais água no quarto, então a minha única opção seria ir até a cozinha pegar um copo.
Levantei-me da cama e calcei um par de pantufas. Peguei uma vela que estava acesa em minhas mãos e abri lentamente a porta do quarto, saindo para o corredor. Estava quase tudo escuro, exceto por algumas lamparinas na parede e a luz do luar que ainda deixava o caminho claro o suficiente para que eu conseguisse seguir adiante. Foi então que me dei conta de que não sabia onde era a cozinha daquela mansão e provavelmente não saberia como voltar. Ai Sakura, você é uma idiota! O que vai fazer agora? Eu já estava longe o bastante do quarto, voltar não seria uma opção agora. Eu iria achar aquela cozinha e retornar para o quarto de qualquer jeito. Lembrei-me da minha própria casa. Se a estrutura for parecida, então provavelmente a cozinha ficaria no andar de baixo. Desci as escadas e me deparei com o salão da entrada principal. Direita ou esquerda? Peguei a direita. Segui por mais um longo corredor até chegar ao salão de jantar, agora era só encontrar a cozinha. Segui o caminho e vi uma porta no fim do corredor. Quando adentrei, bingo! Meu palpite estava certo. Estava bem mais escuro na cozinha do que no restante da mansão. Decidi não acender as luzes e apenas colocar a vela em cima da bancada central. Abri o armário a fim de procurar um copo. Mas assim que o abri, uma caneca de madeira que havia sido guardada de mal jeito caiu com tudo no chão. O barulho foi alto. Eu me desesperei e imediatamente peguei a caneca do chão.
Ai, droga. Espero que não tenha acordado ninguém.
Guardei a caneca novamente e peguei um copo menor. Avistei a garrafa d'água que estava sobre a pia e enchi meu copo. Enquanto tomava a água, aproveitei o momento para admirar a vista da enorme janela da cozinha. Onde era possível ver as folhagens e as flores balançando com a força do vento. Foi então que de repente ouvi uma voz masculina.
– Quem está aí? – A voz era num tom firme.
O susto que levei foi tão grande que derramei um pouco de água na minha blusa. Virei imediatamente para a porta, mas a distância e a luz da vela não me deixavam enxergar direito o rosto de quem estava falando. Foi então que ele acendeu a luz. E eu só não me engasguei pois já havia engolido a bebida.
– S-S-S-Sasuke!? – Eu gaguejei. Foi então que reparei que Sasuke estava com a espada empunhada nas mãos. Ao seu lado, Neji fazia o mesmo.
– Sakura? O que faz aqui? – Ele me perguntou franzindo o cenho, enquanto guardava sua espada na bainha novamente. Percebi que Neji não olhava diretamente para mim, ele estava virado de costas. Foi então que eu reparei um detalhe: Eu estava com uma roupa de dormir menor do que eu estava acostumada a usar. Meus cabelos estavam presos com alguns fios e a franja caindo sobre o meu rosto. Isso deixava uma grande parte do meu corpo totalmente exposto. Eu fiquei mais vermelha que um tomate. Um dos meus braços estava cobrindo a mancha de água que havia caindo no meu busto. A outra tentava desesperadamente puxar o short um pouco mais para baixo, como se isso fosse de alguma forma cobrir mais a minha pele. Não consegui olhar nos olhos de Sasuke, mas ele não me pareceu tão abalado com a cena igual Neji.
– E-Eu... Bem... H-Hinata me convidou. – Foi tudo o que eu consegui dizer enquanto tentava controlar meu nervosismo.
– Então vocês são amigas?
Eu concordei com a cabeça.
– E... O que você faz aqui? – Perguntei para ele.
– Fiquei resolvendo algumas coisas até tarde com Neji. E então ouvimos um barulho e viemos ver o que poderia ser. Não esperava encontrar minha noiva vestida desse jeito na casa de outra pessoa. – Ele disse, parecia um pouco irritado. Ao mesmo tempo, vi que Neji fez um leve aceno para mim e foi embora do local.
Mordi meu lábio inferior, estava sem reação e não sabia muito o que dizer para amenizar a situação.
– M-Me desculpe, eu estava com sede e... Desci para beber água. – Eu expliquei, por fim. Estava me sentindo uma idiota. E se outro homem desconhecido me visse desse jeito? O que você tem na cabeça, Sakura? – Não imaginei que...
Não terminei a frase, pois na mesma hora Sasuke estava colocando a sua capa sobre meus ombros. Fechando-a na parte da frente, de modo que meu corpo inteiro estivesse coberto por aquele manto macio. Fiquei sem palavras.
– Você sabe voltar? – Ele perguntou, olhando para mim. Estávamos bem próximos agora, mas seus olhos nunca demonstravam nenhuma emoção.
– Não...
– Eu te levo. – Ele pegou a vela que eu havia trazido e saiu andando na frente. Eu o segui.
Caminhei ao seu lado. Ainda estava me sentindo sem graça por ele me ver naquela situação. Ele aparentava irritado por algum motivo. Provavelmente deve estar me achando um estorvo nesse momento. Por esse motivo, não me atrevi a puxar assunto. Seguimos o caminho todo de volta em silêncio. Até que paramos em frente a uma porta. Era o quarto de Hinata.
– Bom, obrigada. – Eu quebrei o silêncio.
Ele se aproximou lentamente de mim e minhas costas deram de encontro à parede. Seus olhos estavam fixos nos meus e eu não consegui evitar de corar. Foi então que eu vi uma pequena cicatriz no seu supercílio.
– Você se machucou. – Tentei disfarçar ao máximo meu nervosismo pela nossa proximidade. Uma das minhas mãos se ergueu involuntariamente, estava tentando tocar a cicatriz. Ele impediu que meu movimento se concluísse, segurando meu pulso. E então, Sasuke diminuiu mais ainda a distância entre nós. Ele permaneceu em silêncio.
O que? Que isso? O que ele está fazendo? Ai meu Deus, será que ele vai me beijar?
Minha mente estava a milhões. Fechei os olhos instintivamente, esperando.
Seu cheiro era inebriante. Sua pele exalava um calor fora do normal. Estávamos tão próximos que eu conseguia sentir sua respiração. Meu coração acelerou freneticamente e meus joelhos tremiam tanto que eu tive medo de não conseguir continuar em pé. Eu era capaz de morrer de falta de ar só por ter Sasuke Uchiha perto de mim desse jeito. Senti a outra mão de Sasuke mexer em meus cabelos.
E mais nada.
A intensidade do seu cheiro diminuiu e eu não sentia mais o calor vindo de sua pele. Ele soltou meu pulso. Fiquei confusa e abri os olhos lentamente. Vi Sasuke segurando em sua mão uma pequena pena de ganso. Ele estava com uma expressão de dúvida em seu rosto.
– Estava no seu cabelo. – Ele disse.
Eu comecei a rir que nem uma idiota.
– Ahhh! Sim. Bem... Isso daí é porque eu estav-
– Não preciso de detalhes. Boa noite. – Ele me cortou no meio da frase. Me deixando boquiaberta. Sasuke simplesmente me deu as costas e sumiu pelo corredor.
Levei alguns segundos para entender o que tinha acabado de acontecer.
Ele realmente me largou aqui e foi embora? Mas que diabos? Argh! Que ódio! Como ele pode agir de um jeito todo gentil e de repente me tratar desse jeito? Sakura, você é uma imbecil mesmo. E pensar que imaginei que ele fosse me beijar! Aaaah, se as coisas continuarem assim eu vou surtar!
Entrei silenciosamente no quarto de Hinata. Retirei indelicadamente aquela capa idiota dos meus ombros e joguei em algum canto do quarto. Minha vontade era de socar algum travesseiro imaginando ser a cara do Sasuke. Eu estava muito irritada, mas não podia fazer nenhum barulho e correr o risco de acordar minhas amigas. Dei vários socos no ar para descontar um pouco da minha indignação.
Por fim, consegui me acalmar. Deitei na cama e fechei os olhos. Agora uma nova luta estava prestes a começar: espantar Sasuke Uchiha dos meus pensamentos e dormir em paz.
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