Capítulo 9

Abro os olhos lentamente, mas quando me deparo com meu rosto próximo do Izan, me levanto rapidamente.

Ele ainda está segurando minha mão enquanto está adormecido, então tento me soltar do seu aperto, mas ele me segura ainda mais firme e não me libera.

- Merda. - Praguejo.

Coloco minha mão que está livre na sua testa, e percebo que sua febre já passou, então respiro aliviada.

Depois que Izan chamou por uma mulher e segurou minha mão, acabei adormecendo um pouco.

Olho para o relógio no meu pulso e percebo que ainda falta muitas horas para o dia amanhecer. Estou morrendo de fome e de sono, mas Izan não quer largar minha mão.

Tento puxá-la novamente mas é em vão, quando mais tempo me soltar, mais ele aperta minha mão contra seu peito.

- Não me deixe Jenie. - Ele pede baixinho. - Por favor não me deixe.

Apesar de odiá-lo, ver ele tão triste chamando por essa mulher enquanto dorme faz meu coração doer.

Alguma coisa muito triste deve ter acontecido com ele, e provavelmente esse deve ser o segredo que quero descobrir.

Se Izan era um homem tão bom quanto Susan e Alvin falam, essa mulher deve ser a provável causa da sua mudança repentina.

- Não vá embora Jenie. - Ele começa a chorar.

- Shii. - Cochicho baixinho. - Não vou a lugar algum.

Izan sorri levemente, então levo minha mão ao seu rosto e enxugo suas lágrimas.

- O que está fazendo Becca? - Pergunto a mim mesma. - Está louca?

Por alguma razão eu sinto pena dele, e ao mesmo tempo quero consolá-lo, e apesar de estar vulnerável nesse momento, tenho certeza que o Izan desprezível estará de volta assim que acordar.

Mais uma vez tento soltar minha mão, mas como ele não me libera acabo me deitando ao seu lado.

Izan não quer me soltar, então terei que dormir ao seu lado, porque não vou passar o resto da noite sentada esperando ele liberar minha mão.

Fico o encarando por algum tempo, e percebo que de perto ele é ainda mais bonito.

Enquanto o observo de perto, começo a ficar sonolenta, e por mais que eu tente manter meus olhos abertos, acabo adormecendo com o tempo.

🌻

- Becca. - Escuto alguém chamar por mim.

- Hum. - Me espreguiço com os olhos ainda fechados.

- Becca...

- O que foi?! - Me irrito.

Quando abro meus olhos e me deparo com Izan me encarando, me levanto tão rapidamente que acabo caindo da cama.

- Ai. - Faço uma careta de dor.

Agora que estou completamente acordada, me levanto lentamente com o restante de dignidade que me sobra, enquanto Izan olha para mim.

- Por que estava na minha cama? - Ele pergunta sério.

- Estou ótima. - Reviro os olhos. - Não precisa demonstrar tanta preocupação, não me machuquei.

- Responda minha pergunta. - Ele ignora meu desdém.

- Você estava febril ontem, então tive que cuidar de você. - Falo.

- Quem lhe deu o direito de dormir na minha cama? - Izan pergunta.

- Você segurou minha mão e não soltou. - Explico.

- Que loucura é essa que está falando?

- Além de segurar minha mão, me pediu para não ir embora. - Minto.

Izan segurou minha mão, mas quem ele pediu para não ir embora não fui eu, e sim a tal de Jenie.

- Só pode estar louca. - Ele ri. - Eu jamais pediria isso para você.

- Você pode acreditar ou não, mas isso não vai mudar o fato de que realmente aconteceu. - Dou de ombros.

- Deve achar que sou fácil de ser enganado. - Izan fica emburrado novamente. - Mas eu não...

- Eu só quis ajudar ok? - Me irrito. - Deveria me agradecer por permanecer ao seu lado.

- Eu não pedi para que ficasse ao meu lado. - Ele retruca.

- Tem toda razão. - Falo. - Eu que sou um idiota por ter tido pena de você por...

- Saia do meu quarto! - Ele aponta para a porta. - Eu não quero nada vindo de você, muito menos sua pena.

- Sim, eu vou sair, mas você querendo ou não eu tenho a liberdade e o direito de pensar o que eu quiser. - Digo.

Começo a caminhar em direção a porta do quarto, mas antes que eu saia do quarto falo:

- Daqui a pouco volto para fazer sua higiene pessoal.

- Não quero você no meu quarto.

- Mas vai ter que me engolir por bem ou por mal, porque enquanto você estiver debilitado serei sua enfermeira. - Sorrio de canto. - Então se quer que eu vá embora, sugiro que comece aceitar os meus cuidados, só assim irá se curar mais rápido.

Saio do quarto e fecho a porta antes que ele fale mais alguma coisa, e logo me deparo com Alvin fora do quarto.

- Escutei os gritos do Izan e vim ver o que estava acontecendo. - Ele fala.

- Provavelmente irá escutar ele gritar por um bom tempo. - Digo.

- Ele está muito irritado hoje? - Alvin pergunta.

- Sim. - Respondo.

Parece que Izan não tem intenção alguma de me aceitar como sua enfermeira, e eu não tenho intenção alguma de ir embora antes que ele esteja curado, então com toda certeza teremos muitas brigas tanto agora como futuramente.

Se ele quiser me odiar eu não me importo, o que me deixa brava é sua infantilidade sobre ser tratado. Ele é um homem inteligente, e sabe que se não for tratado pode acabar morrendo, mas Izan não coloca isso na cabeça e continua agindo como um idiota.

Ele rejeitou tanto os outros enfermeiros como eu, então não agiu dessa forma apenas comigo, por isso eu acho que ele está tentando se punir de alguma forma.

Tenho certeza que Jamily não me suporta, mas estou começando a achar que ela me mandou para a ilha não apenas porque não gosta de mim, mas porque sabia que eu era a única que iria enfrentar seu irmão.

Os enfermeiros sobre o meu comando são excelentes, mas não estão acostumados com pacientes como Izan.

Para falar a verdade nem eu estou, e apesar de ter enfrentado alguns pacientementes quase impossíveis de lidar ao longo dos anos, nenhum foi tão terrível quando Izan.

Conheço meus enfermeiros bem o suficiente para saber que eles jamais gritariam ou responderiam Izan como eu faço, então acho que Jamily tentou ajudar o irmão de alguma forma.

Ela sabe que gosto de um desafio, por isso deve ter me enviado para a ilha, mas também sei que ela deve ter aproveitado a oportunidade para eu ser maltratada enquanto cuido do seu irmão, mas no final das contas ele será tratado por uma profissional.

- Vou tomar um banho. - Falo. - Depois conversamos mais.

- Tudo bem querida. - Ele sorri abertamente. - Susan está preparando o café.

- Estou morrendo de fome. - Assumo.

- Vá se banhar logo para pode comer algo. - Alvin aponta para a porta do meu quarto.

- Sim senhor. - Sorrio abertamente.

Começo a caminhar em direção a porta do quarto e a abro assim que me aproximo dela, e adentro o ambiente.

Como ainda não tive oportunidade de guardar meus pertences, pego o que preciso na mala, e logo em seguida caminho em direção ao banheiro.

Apesar de ter dormido muito bem à noite, me sinto esgotada. Sei que de agora em diante ficará tudo ainda pior, porque Izan já decidiu que terá uma guerra entre nós dois.

Apesar de querer tranquilidade nesse momento, e torcer para que ele mude de ideia, não tenho intenção alguma de ficar parada enquanto ele me maltrata.

🌻

- Dormiu bem querida? - Susan pergunta.

- Sim. - Lhe respondo.

- Parece tão abatida.

- Ainda estou cansada da viagem. - Falo. - Logo logo irei me recuperar.

Minto para mim mesma, porque tenho quase certeza que ficarei ainda mais exausta por causa do meu paciente que não colabora, e insiste em complicar minha vida.

- Posso te perguntar algo Susan?

- Claro. - Ela acena com a cabeça em concordância.

Levo a xícara a boca, bebo um gole do meu café, e a coloco sobre a mesa novamente.

- Quem é Jenie? - Pergunto na esperança de ter repostas.

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