Capítulo 21
- Becca?
Abro os olhos lentamente quando escuto alguém chamar por mim.
- Hum. - Resmungo.
- Como está se sentindo? - Izan pergunta.
Olho para o lado e vejo Izan sentado na beirada da minha cama, enquanto me olha preocupado.
- Estou com um pouco de dor de cabeça.
Levo a mão a testa e percebo que tem um curativo, então me levanto com calma e me sento na cama.
- O quê aconteceu? - Pergunto.
- Entrei no quarto e te encontrei desmaiada. - Izan explica.
- Me lembro de sentir muita dor, e então tudo ficou escuro.
- Você bateu a cabeça no criado mudo quando desmaiou. - Ele fala.
- Você não fez nenhum esforço não é Izan? - Pergunto preocupada.
- Não. - Ele nega com a cabeça. - Alvin e Susan te colocaram na cama.
Izan é tão teimoso, que não duvido nada que ele também não tenha feito algo que não deveria.
- Como está se sentindo agora? - Ele pergunta. - Ainda sente dor? Quer ir ao hospital?
- Estou bem. - Sorrio fraco. - Já não sinto mais dor.
- Tem certeza? - Ele me olha desconfiado.
- Tenho sim. - Pego sua mão e aperto de leve.
Izan leva minha mão aos lábios e a beija demoradamente, e fica de cabeça baixa, então passo a mão por seus cabelos bagunçados.
- Olhe para mim.
Ele não faz o que eu peço, então coloco a mão no seu queixo e levanto sua cabeça.
- Eu estou bem, não se preocupe. - Sorrio para tentar confortá-lo. - Passo por isso todos os meses, e mesmo que eu sinta muita dor acabei me acostumando.
- Me senti tão impotente, por não poder fazer nada para ajudá-la. - Ele assume. - Ver você caída no chão me deixou desesperado, mas eu não tinha forças para te levantar, então chamei Alvin e Susan.
- Você tentou me levantar Izan? - Pergunto incrédula.
- Sim. - Ele abaixa a cabeça novamente.
- Não deveria ter feito isso. - O repreendo. - Você não pode se esforçar.
- Eu sei, mas o que queria que eu fizesse? - Ele pergunta. - Naquele momento eu só queria saber o que estava acontecendo e te ajudar.
- Agradeço por se preocupar comigo, mas deveria colocar sua saúde em primeiro lugar. - Digo. - Como acha que eu iria me sentir se você se machucasse ainda mais por minha causa?
Izan abaixa a cabeça novamente, então me aproximo dele e o abraço com cuidado para não acertar suas feridas.
- Me desculpe por ficar brava. - Peço.
- Fiquei com tanto medo de te perder. - Ele diz baixinho.
- Você não vai se livrar de mim tão facilmente. - Pego seu rosto entre as mãos e lhe dou um beijo no rosto.
Seus olhos estão brilhantes enquanto me encara por um tempo, então ele fala:
- Tem certeza que não precisa ir ao hospital?
- Tenho sim. - Aperto a ponta do seu nariz.
Izan ainda me olha desconfiado e parece não acreditar em mim.
- Pare de me encarar dessa forma. - Peço. - Não estou morrendo, eu estou bem.
Ele coloca a testa no meu ombro enquanto o escuto suspirar alto, e eu começo a passar a mão por seus cabelos.
- Vamos voltar para o seu quarto. - Digo.
- Por quê?
- Por quanto tempo ficou me olhando desacordada? - Pergunto.
- Não sei. - Ele diz. - Mas para mim pareceu uma eternidade.
Olho para o relógio sobre o criado mudo e vejo que já está quase na hora do Izan tomar alguns medicamentos.
- Deveria ter voltado para seu quarto. - O repreendo.
- Não tive coragem de deixá-la só.
- Obrigada por se importar comigo. - Sorrio abertamente. - Apesar de não puder ter feito o que fez, fico feliz por ser tão importante na sua vida, ao ponto de acabar se ferindo por mim.
- Não precisa agradecer por isso, você teria feito o mesmo por mim.
Em tão pouco tempo de namoro Izan fez por mim o que Julius jamais fez em anos de namoro. Uma traição é algo que marca a vida de qualquer pessoa, mas no meu caso eu acabei agradecendo a ele por me mostrar que não era o homem certo para mim antes que acabasse nos casando.
Se eu tivesse me casado com Julius teria sido bem mais doloroso do que a dor da traição, então no final das contas ele acabou me fazendo um favor.
Comecei a me amar e me valorizar depois que terminamos, me tornei uma mulher mais forte, e para completar minha vida encontrei Izan.
Sei que ainda temos um longo caminho a percorrer, mas sinto que ao seu lado irei encontrar a felicidade que estava procurando por um longo tempo.
Tenho em mente que para ser feliz não precisa ter a compainha de um homem, algumas pessoas escolheram viver sozinhas e vivem bem com suas escolhas, mas eu sempre tive vontade de me casar, e ter filhos.
Talvez eu possa realizar esse sonho ao lado do Izan, e quando enfim eu tiver uma família unida, serei ainda mais feliz do que já sou no momento.
- Vamos? - Pergunto.
Me levanto da cama, pego sua mão e o ajudo a se levantar também.
- No que estava pensando? - Izan pergunta. - Estava tão quieta.
- É segredo. - Cochicho.
- Eu quero saber.
- Não seja curioso Izan.
Ele para, solta sua mão da minha e cruza os braços.
- O que está fazendo? - Pergunto.
- Enquanto não me falar sobre o que estava pensando, não irei sair daqui.
- Tão infantil. - Reviro os olhos.
- Vai me contar?
- Assim que você estiver no seu quarto. - Aponto em direção a porta.
- E se você me enganar? - Ele semicerra os olhos.
- Não confia em mim?
- Confio. - Ele diz apenas.
- Então vamos.
Pego sua mão novamente e começamos a andar em direção a porta, e a fecho assim que saímos do meu quarto.
- Becca?
Olho para o lado quando Susan chama por mim.
- Sim?
- Como está se sentindo querida?
- Estou muito bem. - Sorrio abertamente.
- Tem certeza?
- Tenho sim. - A tranquilizo.
Ela abre a porta do quarto do Izan, então o adentramos. Enquanto o ajudo a se sentar na cama, Susan abre as cortinas e as janelas em seguida.
- Vou trazer o café da manhã de vocês.
- Não precisa Susan. - Digo. - Traga somente o do Izan, eu tomo meu café na cozinha mesmo.
- Tem certeza queria?
- Sim, não precisa se esforçar muito.
- Tudo bem então.
Na verdade estou faminta. Quando fui jantar na noite passada com Alvin, não demorou muito tempo para Izan aparecer na cozinha desesperado, então acabei nem jantando.
Assim que Susan sai do quarto caminho até a mesinha onde estão os medicamentos do Izan e pego os remédios que ele vai tomar e me volto para ele novamente.
- Depois que você tomar seu café irei lhe dar seu banho, então vou deixar para fazer os curativos depois.
- Antes de fazer isso precisa ir se alimentar também.
- Mas...
- Nada de mas. - Ele me corta. - Quando você terminar de tomar seu café volta e faz meus curativos.
- Ok senhor mandão. - Lhe monstro a língua.
Lhe entrego os remédios, em seguida caminho até o criado mudo e lhe sirvo um copo com água e dou para ele.
Assim que Izan toma seus medicamentos ele me entrega o copo, então o coloco sobre o criado mudo novamente.
- Agora me diga no que você estava pensando. - Ele pede.
- Já até havia esquecido disso. - Começo a rir.
- Mas eu não. - Ele retruca.
- Tem certeza que quer saber? - Pergunto.
- Sim. - Ele confirma com a cabeça.
Me calo por alguns segundos enquanto o encaro séria, então digo para interrompermos o silêncio:
- Estava pensando no meu ex-noivo.
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