Capítulo 17
- Eu estava certa ao pensar que você faria parte da mudança de Izan. - Susan sorri feliz. - Foi graças a você que isso aconteceu.
- Não exagere. - Também sorrio. - Izan mudou, porque foi capaz de enxergar a realidade.
- Mas isso aconteceu porque você mostrou a ele.
- Talvez eu tenha dado uma pequena ajuda, mas ele decidiu sozinho. - Digo.
Izan mudou porque viu que o caminho que estava tomando era ruim, então percebeu que o melhor a se fazer era trazer o antigo Izan de volta antes que fosse tarde demais.
Talvez ele tenha enxergado porque eu praticamente o obriguei, mas se ele mudou foi porque viu que estava se tornando um homem desprezível, então todo o crédito deve ser dado a ele.
Izan poderia ignorar meus conselhos e continuar sendo grosso, mas ele foi capaz de me ouvir, e foi capaz de mudar graças a sua própria vontade.
- Apenas saiba que serei eternamente grata por tudo. - Os olhos de Susan se enchem de lágrimas.
- Não seja boba Susan. - Pego sua mão e aperta de leve. - Não precisa me agradecer por isso.
- Claro que preciso. Se você não tivesse vindo para a ilha, Izan provavelmente ainda estaria destilando seu veneno em mim e Alvin.
Alvin e Susan choraram igual uma criança quando Izan pediu perdão aos dois. Talvez eu também tenha derramado algumas lágrimas vendo um momento tão emocionante entre eles, mas é só talvez.
- Jamily fez um grande favor ao te mandar para a ilha.
- Ela só fez isso para se vingar de mim, mas acho que não passou por sua cabeça que Izan poderia mudar suas atitudes.
Óbvio que meus primeiros dias na ilha não foi nem um pouco agradável, então de alguma forma Jamily conseguiu o que queria.
- Por que Jamily gostaria de se vingar de você?
Olho para trás e vejo Izan parado na entrada da cozinha, enquanto espera por minha resposta.
- Por que está fora da cama Izan? - Me levanto rápidamente.
- Preciso andar um pouco.
- Faça isso no seu quarto, ainda não pode se esforçar muito. - Pego sua mão e puxo em direção a uma das cadeiras.
- Minha enfermeira é bem mandona não é Susan? - Ele sorri.
- Sim, mas isso é porque seu paciente é bem teimoso.
Ele faz uma careta, quando se senta lentamente na cadeira.
- Sua sorte é que está machucado, caso contrário iria levar umas palmadas nesse traseiro. - Digo enquanto me sento ao seu lado.
- Melhor não fazer isso, ou acabaria me apaixonando por você. - Izan pisca para mim.
- O... o quê? - Arregalo os olhos.
- Estou falando sério. - Ele sorri de canto.
- Não seja bobo.
Sinto minhas bochechas quentes, então já posso imaginar que estou toda corada.
- Está com vergonha Becca? - Susan pergunta.
- Eu? Claro que não.
- Não é o que parece. - Ela exibe um sorriso largo.
Os dois ficam me encarando, e isso só me deixa ainda mais nervosa e desconfortável.
- Parem de me olhar desse jeito. - Peço.
- Que jeito? - Izan aproxima seu rosto do meu.
Me levanto tão rápido que a cadeira quase cai para trás, mas consigo segurá-la antes que caia.
- Essa é a primeira vez que vejo Becca sendo tímida. - Susan continua sorrindo.
- Está imaginando coisas. - Passo a mão por minhas bochechas.
- Está bem então. - Ela dá de ombros. - Vou deixá-los sozinhos.
- Por quê?! - Praticamente grito.
- Por que o quê? - Susan pergunta.
- Porque vai nos deixar sozinhos?
- Esqueceu que preciso ajudar Alvin com as compras?
- Verdade. - Murmuro baixinho.
Me sento novamente, e dessa vez deixo a minha cadeira afastada de Izan enquanto Susan caminha para fora da cozinha.
- Não precisa se distanciar Becca. - Izan fala. - Eu não mordo.
- Eu.. eu não...
- Estou apenas brincando com você. - Ele sorri.
Por que de repente meu coração se acelera quando ele sorri? Por quê o acho extremamente atraente quando isso acontece? Por quê quero congelar esse sorriso no seu rosto?
- Se controle Becca. - Dou um tapinha no meu rosto.
- O que você está fazendo? - Izan me olha confuso.
- Não é nada. - Forço um sorriso. - Acho que tinha um inseto no meu rosto.
Ele me olha meio confuso por algum tempo, em seguida pega um copo com água e a bebe.
Fico observando cada detalhe atentamente, e quando Izan lambe os lábios no mesmo instante me lembro do beijo que ele me deu. Naquele dia odiei o que ele fez, mas por algum motivo eu gostaria que Izan me beijasse novamente.
- No que está pensando sua idiota? - Murmuro baixinho.
- Becca? - Izan me olha confuso. - O que está acontecendo com você?
- Nada, estou ótima.
- Você está estranha hoje. - Ele semisserra os olhos.
Meu coração está acelerado, e minha garganta está extremamente seca, então sirvo um copo com água e o bebo rapidamente, mas acabo engasgando.
Estou imaginado Izan me beijando, estão com toda certeza estou estranha e completamente louca.
Trabalho há anos, e isso nunca se passou em minha mente com paciente algum, mas por quê de repente comecei a enxergar Izan como um homem?
É tão antiprofissional da minha parte, mas ainda assim uma parte de mim não se importaria com meu profissionalismo.
- Você não me falou porque Jamily quer se vingar de você. - Izan diz de repente.
- Jamily não gosta de mim, então me enviou para a ilha, então acho que foi por vingança.
- Por que ela faria isso? - Ele pergunta.
- Estou acostumada com o movimento constante de Nova York, então vir para a ilha seria tedioso para mim, e como ela sabe dos meus gostos, decidiu que eu seria sua enfermeira. - Explico.
Na verdade ela me mandou cuidar de Izan porque sabia que ele iria me maltratar, mas é óbvio que não direi a ele que a sua própria irmã praticamente o usou sem ele saber para me prejudicar.
- Está sendo tedioso para você? - Ele pergunta.
- Por incrível que pareça não. - Sorrio abertamente. - Sinto falta das minhas amigas, mas quase não sinto falta da correria que estava acostumada.
Com toda certeza sinto falta das garotas, mas em tão pouco tempo estou me acostumando com a tranquilidade que é morar em uma ilha, então não sinto falta de Nova York.
Minha estadia agora é prazerosa, já que Izan está me tratando bem.
Jamily com toda certeza queria me prejudicar, mas na verdade o que ela fez foi um grande favor para seu irmão. Susan fala que Izan foi capaz de mudar por minha causa, então se isso for verdade, valeu a pena ter suportado tanta coisa, para no final das contas trazer o antigo Izan de volta.
- Por que não volta para Nova York? - Ele pergunta.
- Está me expulsando Izan? Já se cansou de mim?
- Não é isso. - Ele nega com a cabeça. - Se você sente tanta falta das suas amigas...
- Não irei embora enquanto você não estiver completamente curado, então terá que me suportar por mais algum tempo. - O corto.
Por que parece que Izan está aliviado com o que eu disse? Seu sorriso indica que ele ficou feliz quando eu disse que não iria embora por algum tempo.
- Vamos voltar para o quarto. - Me levanto.
- Mas...
- Nada de mas. - O corto.
Pego sua mão e o ajudo a se levantar, em seguida começamos a caminhar para fora da cozinha lentamente.
A cada dia que passa Izan melhora ainda mais, mas ele é muito teimoso, acaba se esforçando demais e sozinho.
Seu rosto e seu braço e seus glúteos já estão praticamente curados. Suas costas é o local onde mais ficou ferido, e apesar de estar bem melhor, ainda precisa de muito cuidado.
Não gosto de nem de imaginar a dor que Izan sentiu e ainda sente por causa dos seus ferimentos. Vê-lo tão forte só me faz ter orgulho dele, por ter suportado tanta dor.
- Quando quiser sair me avise. - Falo. - Ou vou te trancar no quarto.
- Sim senhora. - Ele ri baixinho.
- Do que está rindo? - Pergunto. - Estou falando sério.
- Está bem, eu prometo que que irei avisar sempre que quiser sair do quarto.
Izan arregala os olhos quando lhe dou um tapinha no traseiro, e quando percebo o que fiz fico toda sem graça.
- Me desculpe. - Peço.
- Não precisa se desculpar. - Ele sorri de canto.
Abro a porta do quarto, em seguida o adentramos e caminhamos em direção a cama. Izan se senta, e me pega quando me viro para sair do quarto.
- Deseja algo? - Pergunto quando ele continua segurando a minha mão.
- Sim. - Ele diz baixinho.
- O que você quer? - Me sento ao seu lado.
- Que me faça compainha.
Minha vontade é de exibir um largo sorriso nesse momento para demonstrar minha repentina alegria, mas me controlo para que ele não perceba nada.
Ajudo Izan se deitar, em seguida caminho até as janelas e as abro e me volto para a cama novamente após abri-las.
Me sento na beirada da cama, e fico o observando enquanto Izan continua com os olhos fechados.
Não sei por quanto tempo fiquei o olhando, mas quando me dei conta estava deitada ao seu lado, e passando a mão em seus cabelos.
- Eu... eu acho que gosto de você. - Cochicho baixinho para não acordá-lo.
Sou surpreendida quando Izan segura minha mão e abre os olhos de repente.
- Por favor me diga que estava dormindo...
- Não estava. - Ele me corta.
Tento me levantar para enfiar minha cara em qualquer lugar que não seja perto dele, mas Izan me segura e não me deixa fugir.
- Eu acho que também gosto de você Becca.
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