Capítulo 15
- Pare de chorar Becca. - Izan pede.
- Idiota! - Grito.
Depois da atitude nada normal de Izan, me deu uma crise de choro, e por mais que eu tente me controlar não consigo.
- Por que está chorando?
- Por sua culpa! - Grito em meio ao choro.
- Minha culpa? - Ele retruca.
- Sim!
Me sento no chão da sacada, tapo meu rosto com as mãos, e tento não pensar no passado, mas infelizmente é impossível.
- Eu gostaria de saber porque a culpa é minha.
O ignoro e continuo de cabeça baixa, enquanto vou me acalmando aos poucos.
- O que está acontecendo?! - Alvin grita.
- Está tudo bem, não se preocupe! - Izan grita de volta.
Passo as mãos por meu rosto para limpar as lágrimas, em seguida me levanto com calma e digo:
- Volte para a cama, vou lhe dar seus medicamentos.
Começo a caminhar em direção onde estão seus medicamentos, mas sou interrompida de continuar a andar quando Izan segura minha mão.
- O que está fazendo? - Pergunto curiosa.
- Por que começou chorar de repente?
- Não foi nada. - Minto.
- Está mentindo. - Ele me olha desconfiado.
- Provavelmente entrei em pânico depois que subi na varanda. - Dou de ombros.
Tento soltar minha mão do seu toque, mas ele não me libera e me puxa em direção a cama.
- Eu preciso...
- Cale a boca Becca. - Ele me corta.
- O velho Izan decidiu aparecer novamente? - Reviro os olhos.
Ele me ignora, solta minha mão e aponta para a cama.
- Quer que eu a arrume? - Pergunto.
- Sente-se. - Ele ordena.
- Precisa tomar seu...
- Eu já bebi, então não se preocupe.
Me sento na beirada da cama enquanto o encaro desconfiada, não entendendo sua atitude nesse momento.
Izan não estava conversando comigo, e muito menos se importa se vou chorar ou não, mas por quê está me tratando tão bem de repente?
- Esqueci de abrir a porta. - Tento me levantar mas ele não deixa.
- Eu vou abrir.
- Ok. - Digo apenas.
Izan caminha em direção a porta, e a abre em seguida, e Susan e Alvin entram no quarto rapidamente.
- Por que fez isso? - Susan pergunta. - Quer me matar de susto?
- Não vá chorar também. - Ele fala. - Já é difícil lidar com uma, duas é ainda mais complicado.
- Vou ficar com as duas chaves. - Alvin as pegam na tranca da porta.
Susan vem em minha direção, me olha com preocupação e pergunta:
- Você está bem querida?
- Agora estou. - Forço um sorriso.
- Vou preparar um chá para você.
- Não precisa Susan, eu realmente estou bem.
- Qualquer coisa me chame. - Ela cochicha.
Aceno com a cabeça enquanto ela sai do quarto com Alvin logo atrás dela, e em seguida a porta é fechada.
- Agora me fale o porque começou a chorar. - Izan se senta ao meu lado.
- Desde quando se importa comigo Izan? - Pergunto. - Achei que ficaria feliz por me ver chorar...
- Eu também achei, mas isso não aconteceu. - Ele murmura baixo.
Ficamos em silêncio por um tempo, apenas escutando a respiração de ambos. Ainda sinto meu corpo trêmulo, mas graças a Deus estou me acalmando aos poucos.
- Vai me contar Becca? - Izan interrompe o silêncio.
- Realmente quer saber? Ou está tentando descobrir mais uma das minhas fraquezas?
- Eu sei que não confia em mim, mas pode ter certeza que não estou planejando algo nesse momento.
- Como posso ter tanta certeza? - Pergunto. - Você me ignorou a semana toda, e do nada quer conversar comigo?
Acho muito suspeito essa repentina mudança de Izan, mas ao mesmo tempo torço para que ele tenha decidido ser um homem melhor.
Talvez ele tenha usado essa semana que passou para repensar suas atitudes, então ainda tenho um pouco de esperanças mesmo que esteja desconfiada.
- Se você quer saber então irei te contar. - Falo.
Talvez o que irei falar para ele nesse momento, possa ajudar Izan a abrir os olhos de alguma forma.
- Há alguns anos quase perdi uma paciente para a depressão. - Começo o relato. - A levaram quase morta para ao hospital depois que Jasmim havia ingerido remédios com bebida alcoólica, mas felizmente o médico conseguiu salvá-la naquele momento. Havia pouco tempo que seu pai havia me contratado, e naquele tempo eu ainda não tinha muita experiência com o trabalho, mas mesmo assim me escolheram para ser sua enfermeira. Eu deveria ter percebido os sinais, mas fui tão cega que não percebi seu sofrimento. Achei que ela só havia misturado os remédios com a bebida por acidente, mas na verdade ela estava tentando tirar sua própria vida.
- O que aconteceu depois? - Izan pergunta.
- Jasmim se trancou no quarto, e tentou pular pela janela, mas por sorte um dos enfermeiros arrombou a porta antes que ela tivesse a chance de pular do prédio.
Eu era a pessoa responsável por Jasmim, e em nenhum momento desconfiei ou percebi o que realmente estava acontecendo com ela. Me senti tão culpada que pedi demissão do hospital, mas Heitor não permitiu minha saída.
Todos os sinais estavam bem estampados em seu rosto, e mesmo assim não percebi naquele momento, então me senti inútil como enfermeira.
O pior de tudo foi ver a família de Jasmim dizendo que ela queria apenas chamar atenção, mas na verdade ninguém pode imaginar o quão sofrido é estar tão preso em um mundo de dor, que a morte parece ser a única saída.
Muitas pessoas ainda tratam depressão como algo banal, mas na verdade deveria ser tratado com mais seriedade. As pessoas que deveriam ficar ao lado de Jasmim em um momento tão difícil para ela, foram aquelas que apontaram-lhe o dedo e a julgaram.
Por isso muitas pessoas desistem de viver, porque não tem o apoio da família. Se as pessoas que deveriam ajudar não fazem nada, quem mais faria? E é nesse momento que muitos acabam escolhendo a morte.
Tantas pessoas tiram a própria vida porque pensam ser a única alternativa para se livrar da dor e do sofrimento, e por acharem que não terão ajuda ou apoio.
A família ou os amigos podem até te abandonarem em um momento assim, mas Deus jamais fará isso. E mesmo que esteja sofrendo e não aguentando mais, ainda assim deveriam pensar em como a vida é tão preciosa, deveria acreditar em uma segunda chance.
Na minha opinião o melhor remédio para a alma se chama Deus, e mesmo que tenham pessoas que possam discordar de mim, continuarei pensando dessa forma.
- Quando eu me tranquei no quarto pensou que eu iria tirar minha vida? - Izan pergunta.
- Exatamente. - Balanço a cabeça em concordância. - Me lembrei de Jasmim no mesmo instante.
- Por que pensou isso?
- Você não quer receber tratamento, então achei que queria morrer. - Digo. - Durante essa semana estava com um olhar triste, por isso acabei pensando no pior.
- Não precisa se preocupar, jamais irei tirar minha própria vida. - Izan me tranquiliza.
- Então me prometa.
- Eu prometo. - Ele diz com convicção.
Izan parece estar sendo sincero, então lhe darei o benefício da dúvida, mas isso não quer dizer que não irei observá-lo de perto.
Izan já melhorou muito, mas quem vê seu atual estado pode até pensar que ele teria todos os motivos para se tornar um homem depressivo, e eu ainda tenho as minhas dúvidas em relação a isso, mas de uma coisa tenho total certeza, farei o possível para que ele perceba que não é um monstro como pensa ser, e o farei se amar novamente do jeitinho que ele é.
- Você teve a oportunidade de estar vivo, então não desperdice a segunda chance que Deus lhe deu. - Falo. - Você pode até pensar que era melhor estar morto do que ficar cheio de cicatrizes, mas se você ainda está vivo, é porque Deus quis assim.
- Não vou negar que isso já passou pela minha cabeça. - Ele sorri fraco. - Mas como você mesmo falou, decidi agradecer ao invés de reclamar.
- Onde está o Izan? - Brinco com ele.
- Durante essa semana pensei muito sobre minhas atitudes e percebi que você estava certa. - Ele dá um leve suspiro. - Eu estava me tornando um homem desprezível e não estava percebendo, mas você decidiu me mostrar isso.
- Espero que realmente esteja sendo sincero. - O olho desconfiada.
- Eu sei que vai demorar um pouquinho para que possa confiar em mim, mas pode ter certeza que eu decidi mudar minhas atitudes.
Não posso dizer que confio plenamente em Izan, mas torço para que ele esteja sendo sincero. Eu realmente gostaria de ter a chance de conhecer o antigo Izan, e talvez essa seja minha oportunidade.
- O primeiro passo para minha mudança é lhe pedir perdão. - Izan pega minha mão.
Ele faz uma careta enquanto se levanta lentamente, então também me levanto e ficamos frente a frente um com o outro.
- Me desculpe por todas as palavras e atitudes cruéis. - Izan me olha no olho. - Talvez eu nunca tenha o seu perdão, mas mesmo assim irei pedir por ele, então me perdoe Becca.
- Está perdoado. - Sorrio abertamente. - Se realmente está sendo sincero, pode ter certeza que lhe perdoarei.
Sou pega de surpresa quando Izan se aproxima de mim e beija minha bochecha, em seguida se distância com um largo sorriso nos lábios e fala:
- Muito prazer, me chamo Izan.
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