Capítulo 1

- Preciso falar com você Becca. - Angel fala.

- Aconteceu algo? - Pergunto preocupada.

- Venha até minha sala.

- Ok. - Digo apenas.

Angel começa a caminhar em direção a sua sala, e eu a sigo de perto.

Ela parece preocupada, o que automaticamente também me deixa. Enquanto a sigo torço para que não tenha acontecido nada, ou que eu seja demitida.

- Entre. - Ela fala depois de abrir a porta para eu.

- Obrigada. - Agradeço.

- Pode se sentar. - Angel aponta para uma das cadeiras em frente sua mesa.

Alguns segundos depois ela se senta de frente para mim, coloca os braços sobre a mesa e me encara como se me pedisse ajuda.

- O quê está acontecendo Angel? - Pergunto. - Está me deixando preocupada.

- Você já deve ter ouvido falar do irmão da diretora do hospital.

- O bombeiro?

- Exatamente. - Ela confirma com a cabeça.

- Já ouvi, mas ainda não estou entendendo o porque de estar falando isso para mim.

- Você também já deve ter ouvido que sua personalidade não é das melhores, e que ele já mandou cinco dos nossos enfermeiros embora em menos de quinze dias.

- Ainda não estou... - Arregalo os olhos quando surge algo em minha mente.

- É exatamente sobre o que você está pensando.

- Não. - Me levanto rápidamente. - Eu não vou.

Depois que todos os enfermeiros foram expulsos da sua casa, todos no hospital estão falando que esse homem é impossível de lidar.

Por sempre ter paciência com esse tipo de paciente Angel deve ter pensado em mim, mas eu realmente não quero cuidar desse paciente, e não farei isso se puder escolher entre ir ou ficar no hospital.

Não sou o tipo de enfermeira que escolhe um paciente para cuidar, aceito qualquer um e em qualquer estado, mas eu não quero deixar toda minha vida aqui para morar em algum lugar desconhecido, e ainda por cima ter que aguentar um homem infantil.

O que eu ouvi foi que ele sofreu algumas queimaduras graves enquanto tentava salvar uma vítima de incêndio, mas isso não lhe da o direito de brincar com os meus amigos enfermeiros fazendo da vida deles um inferno antes de serem mandados embora.

Com toda certeza ele fará o mesmo comigo, então para evitar dor de cabeça é melhor eu não ir.

- Poderia me ajudar por favor? - Angel pergunta.

- Você sabe que eu te respeito muito, mas eu não quero fazer isso.

- Você é a única que pode me ajudar nesse momento. - Ela passa as mãos pelo rosto. - Jamily está me pressionando todos os dias, e eu não tenho outra pessoa a recorrer.

Se Angel está implorando por minha ajuda, então quer dizer que Jamily realmente não está lhe deixando em paz.

A família da Jamily está no comando do hospital há muito anos, então depois que ela tomou o lugar do pai na diretoria, ela acabou se tornando uma pessoa completamente diferente da que eu conheci um dia.

Angel, Jamily e eu éramos inseparáveis no passado, e agora só me restam Angel e Julie que conheci no hospital depois que comecei a trabalhar.

Comecei a estudar muito cedo, então quando terminei o meu curso de enfermagem já consegui o emprego, e alguns anos depois me tornei a enfermeira chefe.

Apesar de ter esse posto não fico mandando em tudo e em todos. Escolhi ajudar os pacientes ao ficar dentro de uma sala praticante o dia todo dando ordens.

É claro que todos são supervisionados por mim, mas enquanto trabalhamos lado a lado.

Angel recebeu uma proposta para participar da diretoria do hospital, mas ela também escolheu os pacientes.

- Quem vai cuidar dos meus pacientes? - Pergunto.

- Julia volta de férias essa semana, então ela poderá ficar responsável.

- Tem certeza que eu realmente preciso ir? - Suspiro alto.

- Quando ele estiver curado você volta. - Ela sorri fraco. - Seu lugar estará te esperando.

- Jamily que pediu para você me mandar não foi?

Angel não fala nada, então já tenho a resposta para minha pergunta.

- Ela provavelmente está tentando se vingar de mim. - Digo. - Continua tão infantil como sempre.

- Cale a boca.

- Por que eu deveria? - Cruzo os braços. - Você sabe que estou certa.

- Se não tivesse a enfrentado na frente de todos isso não teria acontecido.

- O que eu deveria ter feito? - Pergunto. - Deixado ela humilhar meus enfermeiros?

- Claro que não, mas...

- Se ela se acha tão superior a todos nós que venha cuidar dos pacientes. - Bufo frustrada.

Jamily humilhou umas das enfermeiras na frente de todos porque achou que ela havia feito um procedimento errada em um paciente, mas ela estava certa em tudo que fez.

Quando eu ouvi ela gritando não aguentei e comecei a gritar com ela também, sem se importar com quem estava perto ou se ela era a diretora do hospital ou não.

Isso já havia acontecido antes e eu fiquei calada, mas naquele momento eu não suportei suas grosserias com a pobre coitada que era inocente.

Mesmo se tivesse feito algo errado que não era o caso, não precisava humilhar ninguém em público. Jamily se tornou o que mais odeio, usa o poder que tem para pisar nas pessoas sem se importar com as consequências.

- Você sempre tenta defendê-la. - Digo.

- Claro que não. - Angel revira os olhos. - Se tem algo para discutir façam isso em participar, e não na frente dos pacientes.

- Nisso você está certa.

- Claro que estou. - Ela diz. - As duas erraram, então não estou defendendo nem uma nem a outra.

Fiquei com tanta raiva que quando eu me dei conta já estava apontando o dedo para seu rosto e gritando com ela. Depois que nos acalmamos achei que seria demitida, mas pelo jeito Jamily estava pensando que demissão seria algo muito bom para mim, então está me obrigando ir cuidar do seu irmão tão mesquinho quanto ela.

- Aquela cobra peçonhenta. - Cemicerro os olhos. - Deveria ter lhe dado uma boa lição.

- De quem está falando Becca? - Jamily pergunta ao invadir a sala.

- Deixou sua educação no escritório? - Pergunto. - Seria educado bater na porta antes de abri-la.

- Não sei se você já sabe, mas esse hospital é meu então...

- Vamos ver por quanto tempo. - A corto.

Parece que Jamily irá arrancar minha cabeça quando dá um passo em minha direção e para cara a cara comigo. Não me movo um centímetro sequer e também a encaro com seriedade, porque mesmo sendo diretora eu não irei abaixar minha cabeça para ela.

Sua fama de ser mimada e grosseira corre pelos corredores do hospital, e para falar a verdade não sei se tem alguém que a suporte.

Os que estão ao seu lado são apenas pessoas interesseiras, mas Jamily é cega demais para perceber.

- Vocês duas se comportem. - Angel se levanta da cadeira e entra no meio de nos duas.

- Meu pai deveria ter...

- A minha sorte é que ele me ama não é? - A corto novamente.

Depois que comecei a trabalhar encontrei com o Heitor pelos corredores do hospital, e quando ele me viu se lembrou de mim.

Desde o tempo que era amiga da Jamily sempre me dei bem com ele e sua esposa, mas nos ditanciamos quando eu fui estudar, e quando eu voltei Mariah havia falecido e Jamily era outra pessoa.

Com toda certeza eu já teria sido demitida se não fosse por ele, porquê se for depender da Jamily seria expulsa o mais rápido possível. Mesmo ele não estando no comando do hospital ainda nos encontramos de vez em quando e ele cuida de mim.

- Aproveite enquanto pode. - Jamily sorri de uma forma desagradável. - Tenho certeza que essa superioridade...

- Superioridade? - Pergunto. - É sério mesmo Jamily? Você falando sobre isso logo para mim? A única que se acha melhor que todo mundo aqui é você, então pare de tentar me tornar uma pessoa tão mesquinha quanto você.

Nunca tentei ser superior a ninguém, e ouvir isso me deixa muito irritada.

- Fico comovida com sua atitude. - Ela leva a mão ao peito. - Mas não acho que toda essa máscara de boa moça irá durar por muito tempo.

- Pense no que quiser. - Dou de ombros. - Mas pode ter certeza que jamais irei me rebaixar ao ponto de me tornar uma pessoa parecida com você.

Jamily me oferece um olhar mortal, em seguida caminha até a porta da sala e a abre.

- Boa sorte com meu querido irmão Becca. - Ela fala ao se voltar para nós. - Tenho certeza que vai precisar.

Ela bate a porta com tanta força, que por alguns segundos fico a olhando para ter certeza que ela não vai cair.

- Você se lembra do irmão da Jamily? - Ela pergunta.

- Não. - Nego com a cabeça. - Ele estudava fora quando éramos amigas, então nunca o vi.

- Eu também não. - Ela diz.

Jamily está usando o fato do irmão estar ferido para se vingar de mim, e isso ao meu ver é extremamente baixo da sua parte, mas vindo dela eu já deveria estar acostumada com suas atitudes cruéis e infantis.

- Só vou porque você me pediu Angel, mas se esse homem é tão ruim quanto estão falando, eu volto embora no mesmo dia.

- Ok. - Ela fala. - O importante é que você vai, então Jamily não terá motivo para ficar me enchendo.

Quase nunca fujo de uma luta, e espero que dessa vez não seja diferente.

Tenho que assumir que estou um pouco nervosa sobre ser a enfermeira desse homem, e é a primeira vez que isso me acontece.

- Ele não poderia ser tão ruim quanto estão falando não é? - Tento ter um pouco de esperança.

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