@s_serrano-Relato de uma assassina.



Você deve estar se perguntando o que assassinato tem a ver com vício, pois eu vou te contar,eu tinha uma vida boa, tinha pais amorosos, eu era feliz até que tudo isso me foi tirado, eu perdi minha família perdi meu porto seguro; eu me perdi, e sabe onde me encontrei? Na bebida.

Ela se tornou minha melhor amiga, se tornou minha companheira eu tinha nela uma nova família, ela me ajudava a superar os momentos em que chegava em casa e ainda sentia o cheiro da comida da minha mãe, que eu via a poltrona onde meu pai sempre se sentava e lia seu jornal. Momentos felizes que eu não queria relembrar. Com ela eu conseguia esquecer dos dois sempre brigando pelo controle da tv, minha mãe querendo assistir sua novela e meu pai seu futebol. Com ela tudo era mais fácil. Começou com um copo, depois foram dois, três, seis, dez... Até que uma garrafa já não era suficiente eu sempre precisava de mais.

Algumas vezes tentei parar, mas a lembrança da perda e a realidade do que eu não poderia mais ter, os cálidos abraços, os beijos roubados, as risadas compartilhadas e até das broncas eu sentia falta, tudo isso voltava e como uma avalanche de sentimentos me derrubava, me fazendo afundar em mais um copo. Só um.... Apenas mais um...

Chegou um momento em que mesmo após secar várias garrafas os sons já não se calavam, eu podia ouvir a risada alegre da minha mãe, o arrastar dos chinelos do meu pai, os beijos trocados, as palavras de amor... A saudade invadia meu peito e me fazia rasgar de dor meu coração sangrava em prantos, batendo em busca de algo para preencher esse vazio que a perda deixou e mais uma vez ter paz. Eu queria fugir, eu queria esquecer, eu queria me libertar desses sons, eu queria apagar essa dor.

Eu estava bem, não estava bêbada ou assim eu pensava, então peguei o meu carro e fugi queria ir pra longe onde não existisse lembranças, saudade ou dor. Eu seguia pelas ruas vazias tentando encontrar um rumo, tentando me encontrar mais uma vez, tentava encontrar aquela que um dia eu fui, que estava perdida em algum lugar em meu ser, gritando, implorando por ajuda, pedindo pra que eu parasse de me destruir. Que eu vivesse e fosse feliz. Tarde demais... Em uma curva mal feita perdi o controle atingi outro carro.

E foi assim que me tornei uma assassina.

Naquele carro havia uma família, uma família assim como a que eu tinha. Dessa vez fui eu quem tirou uma família de alguém, uma família cheia de sonhos e muito amor a compartilhar. Hoje realmente já não tenho mais nada, nem família, nem vida, nem liberdade, até a bebida não tenho mais. Estou presa cumprindo pena por homicídio.

Minhas companheiras são as grades, a solidão e a culpa, sabe qual a ironia disso tudo? Eu me tornei aquilo que um dia me tirou meus pais, um bêbado que se achava bem para dirigir.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top

Tags: