Capítulo IV

Sofia narrando:

Me perdi naquele olhar tão expressivo e que aparenta carregar tanta dor, por um segundo quis abraçar aquele estranho só para que ele entendesse que nem tudo é preciso carregar sozinho,mas foi só um segundo mesmo, pois no seguinte o encantamento já tinham passado.

- VOCÊ É CEGA GAROTA!
PUTA MERDA! EU ACABEI DE COMPRAR ESSE CAFÉ SABIA? OLHA POR ONDE ANDA SUA DOIDA.

Ele começou a gritar feito louco no meio do corredor.Eu contei de um até dez, respirei profundamente, peguei os meus livros e passei batendo em seu ombro já que ele estava na minha frente.
Quando dei dois passos sinto uma mão puxando meu braço.

- Você é surda? Eu estava falando com você.

Ele fala entre dentes. Respiro fundo mais uma vez e com a maior calma do mundo respondi:

- Só respondo as pessoas que agem feito seres humanos e não animais. E é justamente por não ter problema auditivo que não preciso que ninguém grite comigo para entender. E foi você que esbarrou em mim.

Levanto o meu nariz como forma de encara-ló, ele aperta o meu braço e eu olho pro mesmo.

- É impressão minha ou você acabou de me chamar de animal, princesinha?

Ele fala estampando um sorriso cínico no rosto.

- Agindo assim está parecendo um, e eu acho bom você soltar meu braço se ainda quiser ter filhos no futuro.

Digo já perdendo a paciência, ele solta uma risada e pega uma mecha do meu cabelo com a mão livre. Ele chega bem próximo ao meu ouvido e fala:

- Olha como você fala comigo garota. Não tente me desafiar, nunca entro em um jogo pra perder.

Que garoto louco. Minha paciência está por um triz.
Olho no fundo dos olhos dele e vejo a mesma coisa que via nos olhos das pessoas do meu passado, por um segundo senti medo, mas não deixei me abalar, afinal eu prometi a mim mesma que nunca mais iria deixar pessoas assim me destruir.

- Quem você pensa que é?
Ou melhor quem você pensa que eu sou, pra falar desse jeito comigo?

Pergunto ainda o encarando, ele sorri de lado e chega mais perto, nossas testas estão quase se tocando e minha respiração está descompassada.

- Eu sou a pessoa que pode transformar a sua vida em um inferno com um simples estalar de dedos. E você, quem sabe não se torna minha próxima presa.

Ele fala com aquele sorrisinho no rosto, me solta e saí como se nada tivesse acontecido.
Enquanto eu fiquei lá parada tentando me acalmar, essa "conversa" me trouxe lembranças que quero apagar a muito tempo.
Balanço a cabeça e sigo para o banheiro, afinal minha blusa está toda melada de café. Felizmente encontrei um banheiro, entrei no mesmo e tirei um moletom da bolsa, hoje está frio então acabei o colocando alí, caso as temperaturas caíssem.
Saiu do banheiro e viro mais um corredor, tomando cuidado para não esbarrar em mais ninguém. Olho para frente e vejo uma placa indicando a sala do diretor, Aleluia!
Vou até lá bato na porta e escuto uma voz grave, mandando eu entrar.
Depois de falar com o diretor e pegar meus horários sigo para minha sala. Chego lá e pela pequena janela de vidro que tem na porta consigo vê que o professor já havia entrado. Ótimo! Eu odeio chegar atrasada na sala, e nesse momento aqui estou eu batendo na porta, o professor permite minha entrada e todos os olhares se voltaram para mim.

- Está atrasada Senhorita. É novata?

Asinto em concordância.

- Como a senhorita se chama?

Ele fala com uma cara séria e fica esperando eu me apresentar e justificar o atraso.

- Perdão pelo atraso senhor, estava na sala do direto, me chamo Sofia Maldonado.

- Ok Sofia, não se atrase mais, pode se sentar atrás da senhorita Luana e Seja bem vinda.

Sorrio e me viro para turma, até que encontro o idiota de mais cedo me encarando, ele está com um sorriso torto nos lábios e me olha como se estivesse me desafiando. Rapidamente desvio o olhar e vou em busca da minha cadeira, como só tinha um assento vago não foi difícil de encontrar.
Me sentei e prestei atenção na aula. Trinta minutos depois o sinal tocou e o professor saiu.

- Oi, sou a Luana, mas pode me chamar de Lua.

Uma menina morena de olhos castanhos, que estava sentada na minha frente fala de repente me assustando.

- Oi sou a Sofia.

- O que está achando da escola Sofia?

Olho ao redor e vejo, algumas meninas de micro saias que parecem não está sentindo o frio desgraçado que está fazendo hoje, meninos dando em cima dessas meninas, nerds lendo livros, e os outros estão dormindo.
Sorrio e olho pra ela.

- Normal. Oferecidas, bad boys, idiotas e nerds. Nada que não tenha em outras escolas.

Ela solta uma risada e eu acabo rindo junto.

- Já gostei de você Sofia, felizmente eu não me encaixo em nenhum desses grupos, na verdade só tenho um amigo aqui, o Rafael, infelizmente ele acabou ficando na outra turma, no intervalo apresento vocês.

Fico meia desconfortável, como disse antes nunca fui boa no que diz respeito a amizade, mas decido responder.

- Vou adorar.

Nesse momento o professor entra na sala e da início a aula.
Logo chegou a hora do intervalo, eu e a Luana saímos da sala e fomos direto para o refeitório, a Luana vê um garoto e saí correndo abraça-lo e eu fico lá com cara de paisagem, até ela me chamar.

- Rafa essa é minha mais nova amiga Sofia, Sofi esse é o Rafael.

Ele sorri pra mim, e percebo o quanto ele é bonito. Sorriu de volta e falo.

- Prazer!

Ele me olha e responde.

- O prazer é todo meu!

- Agora que estão todos devidamente apresentados, vamos alimentar o mostro que vive em mim.

A Luana fala e sua barriga ronca. Tanto eu quanto Rafael começamos a rir. E Ela saí nos puxando até a fila.

Comemos e conversamos sobre tudo o que gostávamos de fazer. Descobri que temos muita coisa em comum e pela primeira vez me senti a vontade para ser quem eu sou na frente de alguém que não fosse a minha mãe.
Não é como se eu nunca tentasse me apegar a alguém, é que todas as vezes que tentei fazer isso, essas pessoas quebraram meu coração na primeira oportunidade,e mesmo assim estou aqui para tentar mais uma vez, mesmo que isso destrua todos os muros que construí a minha volta, pois eu aprendi que a vida é curta demais pra se esconder. A humanidade deveria parar de formar opiniões baseadas na sua experiência com uma única pessoa, não é porque o seu namorado te traiu que significa que todos os homens não prestam, não é porque a sua melhor amiga te virou as costas que todo mundo é falso, não é porque alguém importante te abandonou que todos vão.
Não estou dizendo que é fácil, eu sei o quanto é difícil se levantar quando alguém te joga no fundo do poço. Eu mesma luto todos os dias para derrubar os muros que eu mesma construí, porque só depois de presa entendi que o meu maior inimigo não era o mundo ou a sociedade. O meu maior inimigo sempre fui EU.

Ninguém disse que séria fácil recomeçar.

Oi pessoal espero que estejam gostando.
Não se esqueçam de votar, comentar e compartilhar o livro.

Até o próximo capítulo!

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