@s_serrano - O Mistério da Rosa
Olá meu nome é Isabela, provavelmente me conhecem como Bela, daquele conto que suas mães contam quando vocês vão dormir. A Bela e a Fera.
Muitos devem estar pensando "Puxa! Eu amo esse conto". Sinto lhes dizer, mas minha história não é nenhum conto de fadas.
Tudo começou quando meu pai, que era caixeiro viajante, viajava por terras distantes para entregar mais uma de suas encomendas, uma dúzia de rosas. Chegando no endereço correto ele chamou e de lá saiu um criatura horrenda.
— Quem ousa me incomodar — a fera grunhiu.
Meu pai muito assustado foi logo dizendo:
— Vim trazer suas rosas.
A fera se aproximou e ele o buquê logo lhe entregou. Olhando para as flores a criatura se enfureceu.
— Você pegou uma de minhas rosas. Onde está a número doze?
Meu pai não soube o que dizer, não entendia como uma das rosas poderia ter sumido.
— Eu não a peguei, havia doze, eu mesmo as contei.
— Por querer ficar com algo que me pertencia meu servo agora você será.
Meu pai apavorado deu meia volta com seu cavalo e dali fugiu em disparada. Chegando em casa nos contou todo o ocorrido, eu e minhas irmãs ficamos muito preocupadas.
A noite então chegou e pesadelos assustadores começaram a atormentar meu pai. Noite após noite era a mesma coisa, aquela fera o visitava em seus sonhos.
Alguma coisa precisava ser feita. Onde estava aquela rosa? Eu precisava descobrir, para então essa ligação entre a fera e meu pai poder destruir.
Mesmo diante de protestos de meus irmãos e irmãs decide que a fera iria enfrentar, se era uma vida para escravidão que ele queria que ele deixasse meu pai em paz, que a minha ele teria.
Em frente ao casarão, pelo meu pai, ultrapassei os portões. A fera então apareceu. Nem de longe ela se parecia com essa que vocês conhecem, aquela até que tem seu charme, a que estava a minha frente não passava de um bruxo horroroso. Com a pele de tom roxo, um longo nariz pontudo e verrugas pelo corpo todo.
— Vim pedir para que deixe meu pai em paz.
— Algo que de mim for roubado, algo do culpado será tomado.
— Ele não roubou nada, o liberte desse seu feitiço.
— Se nada ele pegou. Onde minha rosa está então?
— É isso que irei descobrir, para isso estou aqui.
— Pois muito bem, minha hospede você será, mas não pense que boa estadia terá.
Dito isso ele me deixou e assim comecei minha investigação. Um dia se passou e nem uma pista sobre a rosa eu encontrei.
A fome, a sede e o cansaço já tomavam conta de mim. A fera pegando isso como vantagem me preparou um grande banquete aquilo era muita tentação porque se algo dalí eu pegasse, livre eu nunca mais seria. Os objetos começaram a se mover sozinhos, mas não se enganem inocentes criancinhas, nos desenhos aquelas xícaras e talheres bem fofinhas, são uma doce mentirinha. Tudo o que eu via era muito assustador, os alimentos pulavam em minha boca se forçando goela a baixo, eu cuspia e minha boca eu fechava.
Corri, fugi de tudo aquilo e para casa eu voltei, mas a fera não desistiu e ao meu pai de novo começou a atormentar. No terceiro dia em meus sonhos o bruxo me visitou e disse que se eu não voltasse meu pai enlouqueceria e então a morte encontraria. Não tive escolha, mesmo meu pai dizendo que preferia a morte a me ver escravizada, eu fui e aceitei o meu destino.
Uma escrava da fera eu me tornei, mas antes um acordo com ela eu fechei, se a rosa eu encontrar minha liberdade de volta eu ganharei. Meus dias eu passava a limpar e a cozinhar, mas nunca desisti da rosa encontrar.
Em uma de minhas faxinas diárias a porta de seu quarto de feitiços aberta eu encontrei e sem pensar duas vezes lá entrei. Imaginem minha surpresa quando com doze rosas me deparei.
— Aaaah seu bruxo mentiroso isso não vai ficar assim!
Procurei em seus livros o feitiço que eu queria. Naquela mesma noite em seu jantar uma surpresa ele teria. Quando tudo estava pronto para jantar ele se sentou e ao tomar do vinho a magia começou, o feitiço que eu lancei era de transformação e aquele bruxo feio em uma bela rosa se tornou.
A rosa em uma redoma de vidro eu coloquei para assim sua beleza eternizar e dali o bruxo não conseguir escapar.
Vocês devem estar se perguntando "Cadê o príncipe?", ele foi mais uma invenção para a história ficar bonitinha, mas a verdade é que as mocinhas são bem capazes de se salvar sozinhas.
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