Chapter 06
Capítulo 06
18/Março/2020
[Chapter 06]
23:28
A queimação de algo, uma bala, atravessando você é algo que nunca se esquece.
No chão, penso comigo, lembrando do primeiro tiro que levei.
Eu estava fugindo de algo, talvez tivesse sido como agora a pouco, e esse "algo", ou melhor, alguém, simplesmente atirou.
Agora, para combinar com a cicatriz da perna, levei um tiro de raspão em minha outra coxa.
Sento-me, mesmo com tamanha dor explodindo por todo meu corpo à partir da perna. Olhando de perto, é nojento, agonizante. O tiro fez bastante estrago, apesar de a bala não ter ficado alojada. Sangue dourado sai de minha perna como uma cachoeira jorando água.
Blue late na direção do homem.
Levanto meu olhar para o cara. Seus cabelos vermelhos e rosto angelical quase me fazem acreditar que ele não iria me matar.
-Eu estava planejando dormir de tarde!- exclamo com raiva, apesar de as palavras terem saído quebradas pela dor.
Ele joga sua cabeça para trás, ri alto e dobra minimamente os joelhos, enquanto solta sua risada rouca e um tanto quanto alterada.
Franzo minha testa.
-Você é engraçada. Tinham me avisado que seu senso de humor era realmente impactante. Gostei de você, Sophia.
Reviro os olhos.
-É Sophie.
Enquanto o distraio, com uma mão tento estancar o sangue e com a outra passo por de trás de meu corpo, alcançando a Glock que havia caído.
Ao mesmo tempo que levanto minha arma, ele aponta a sua para mim novamente. Antes que ele tenha tempo de atirar, rolo no chão, sentindo uma dor imensa e insuportável, fazendo algumas lágrimas caírem. Ao rolar, evitei de que a bala que acabou por acertar o asfalto atingisse meu abdômen.
-É assim que você trata as pessoas que você gosta?!- grito em um fio de voz, a dor agora me tomando por completo -Blue!
Com o comando, meu pastor alemão avança em direção ao homem, que sem tempo para reagir acaba tendo sua canela perfurada.
Respiro com dificuldade e não consigo mais sentir todas as partes do meu corpo, a visão fica um tanto quanto escura, mas ainda consigo ver.
Rastejo pelo asfalto, puxando meu corpo com os braços, empurrando-o para frente.
Minha arma havia caído ao rolar, mas eu não tenho certeza de onde ela foi parar.
Meus sentidos começam a ficar confusos.
Blue chora em algum canto. Aquele maldito machucou meu cachorro!
Lembro-me da faca de arremesso em minha manga após a ponta afiada da mesma tocar meu pulso, machucando-o.
Deito-me de barriga para cima, vendo o avermelhado me olhando, sorrindo como se estivesse orgulhoso.
Coloco minhas mãos dentro das mangas de meu moletom, puxando, o mais rápido que pude, as duas facas, logo as arremessando na direção do homem à minha frente.
Uma faca atinge sua mão, a que carregava a arma, tendo a pistola logo caindo no chão. A outra faca atinge seu ombro.
Sangue azul cai de seu ombro, apenas alguns pingos. Sua mão direita, a que foi atingida, permanece intacta por conta de apenas a lateral da faca ter acertado-o.
Durante a pequena fração de tempo que o meu notório assassino levou para se recuperar do espanto, vasculhei o asfalto em busca de minha Glock. A arma tinha deslisado para fora da estrada de asfalto, parando em uma parte do mato que cresce ao redor da estrada. Reconheci a arma apenas pelo pequeno fio dourado que invadia minha visão com o reflexo do sol; o restante da arma se escondia no verde.
Levanto-me, a adrenalina começando a correr novamente em meu sangue, livrando-me momentaneamente da dor.
Jogo-me do asfalto, deslizando pela grama, ao mesmo tempo em que uma faca das que eu joguei no meu perseguidor crava na terra logo acima de onde se encontrava meu ombro, jogada pelo meu assassino. Durante meu deslize, puxo a arma para mim, enquanto cravo meu pé na terra, girando meu corpo ficando de frente para o Avermelhado que já apontava sua arma, agora recuperada, para mim. Minha arma apontada para o homem desconhecido, já com o dedo no gatilho, dispara o primeiro de três tiros.
----------------------------Um ano depois-----------------------------
25/Agosto/2020
04:27
Estamos deitados nesse colchão velho a um bom tempo.
Will, Blue e eu.
Existe algo de maravilhoso, especial, ao estar assim: juntinhos um do outro. Sem discussão, sem tempo para pensar nas coisas que nos separam ou nos nossos erros e nas coisas inacabadas.
Apesar de estarmos bem, estarmos aqui juntos de conchinha, abraçados e sem brigarmos, sabemos que o tempo que temos assim será curto, se é que não se acabou. Não é escolha nossa, mas quando se vive da forma que vivemos não temos tempo para isso. Esse momento é uma exceção que não deveria existir.
Só o fato de eu estar aqui, é errado.
-Você acha que vale mesmo a pena estarmos aqui, juntos agora, sendo que mais tarde teremos de estar completamente separados e isso que estamos fazendo agora só irá nos trazer mais dor?- pergunto, minha voz soando em um sussurro apenas.
Se levantando ligeiramente, Willian apóia seu rosto em sua mão, para conseguir ter uma visão melhor do meu.
-Não importa quanta dor venha a nos atingir depois.- ele balança a cabeça para enfatizar -A verdade é que, independente de quanta dor venha a nos alcançar, esse momento de amor que estamos nos permitindo ter irá nos dar forças para continuar.
- E o que houve com os policiais? Como me deixaram ir embora? E o que vai acontecer com Jake? - ele franze levemente a testa quando toco no nome de seu irmão.
-Consegui convencê-los e ameaçá-los. Eles vão fazer uma reunião e uma votação. Prometi também que faria vocês aparecerem caso eles decidam que irão prendê-los. - ele nota meu olhar magoado e acrescenta -Já disse que não vou deixar isso acontecer com você, meu amor.
Odeio a forma como suas últimas duas palavras me fizeram sentir. Fecho meus olhos e finjo estar dormindo.
Logo adormeço de verdade.
///////////////////////Um tempo depois\\\\\\\\\\\\\\\\
Temos de nos levantar quando aviso que tenho que ir para casa de qualquer jeito.
Apesar das insistências para que eu fique, nego até que ele se dê por vencido.
Já de pé, tento não demonstrar o quanto estou sentindo dor, tendo ciência de que caso Will venha a saber, irá ele me obrigar a ficar.
Blue se nega a levantar. Um raro momento de desobediência, a qual prefiro levar como cansaço.
Então, Will se aproxima e toda a dor parece sumir em um piscar de olhos.
Encarando seus lábios, permito-me ter mais esse momento, chegando mais perto.
Nossos lábios estão quase encostando, nossos corações batem de forma rápida e descompassada. Assim como consigo ouvir o coração dele, tenho certeza de que o meu está gritando da mesma forma, ou até mais, e que ele também o está ouvindo.
Eis que se está apaixonada e não se pode contar para o mundo todo, porque se é pequena de mais para que o mundo te ouça num grito apenas. Mas, então você percebe que seu mundo todo já ouviu sua paixão e suas confissões de amor em um único sussurro, porque seu mundo é ele e apenas ele, e ele já sabe do seu amor...
Nessa hora, antes de eu tentar entender ao certo o sentido de meu pensamento anterior, sinto seus lábios tocarem os meus e nada mais importa. 'Taco o maior foda-se para o mundo todo. Permaneço apenas nos lábios dele, porque ele é meu mundo, e seus lábios são o céu desse mundo.
Sua mão direita percorre minha nuca, enquanto a esquerda permanece em minha cintura, puxando-me para mais perto, com o devido cuidado para não me machucar mais. Minhas mãos vagam por suas costas, agarrando freneticamente sua camisa, arranhando levemente suas costas por de cima do tecido.
Um som diferente se faz presente no local, fazendo-nos separar.
Sorrio para Blue, que late querendo atenção.
Volto meu olhar para Collins, que me devolve um olhar sério e sombrio. Sei que ele está pensando o mesmo que eu.
Essa talvez será nossa última noite calma. A última em que sentimentos poderão ser expressados.
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