Chapter 04
Capítulo 04
18/Março/2019
[Chapter 04]
12:00 Am
A escola nova conseguia ser mais tediosa do que o normal em uma segunda-feira.
Com aparência de zumbis deformados com anos de sono atrasado, os alunos se arrastam por todos os corredores e salas, não prestando a mínima atenção no que fazem ou se quer em onde estão.
Nessas duas últimas semanas, havia feito amizades. Nada sólido.
Na verdade, parecia que essas amizades poderiam facilmente evaporar.
É como se eu fizesse parte da panelinha, mas ao mesmo tempo não fizesse.
Todos ali parecem não se importar com minha presença.
Isso é bom ou ruim, afinal?
Estou saindo da escola quando meus sentidos se aguçam e algo parece estar errado.
Meus olhos buscam discretamente por qualquer coisa que pareça estar fora do comum, mas não encontram nada relevante.
Ainda atenta, caminho devagar até chegar em casa.
Abro a porta e entro, agindo naturalmente. Ao fechar a porta, arrumo minhas malas, coloco a mochila em minhas costas, sento no chão e chuto duas madeiras da parte da trás do pequeno local. Facilmente um pequeno buraco se abre.
Uso a mata que cresce atrás da casa ao meu favor, correndo por entre as árvores, tentando não fazer muito barulho.
Alguém havia me seguido e eu não estava gostando disso. Minhas armas já estão preparadas, mas as chances de eu escapar ainda são pequenas, dependendo de quantas pessoas são.
O mato chega até a altura de meus ombros, com certeza eu estava parecendo uma parede verde com cabeça, se olhado de longe. Quase gargalho.
Um pouco mais para frente, consigo ver uma construção pixada. Continuo correndo até estar dentro dela.
A "construção" era uma casa de tijolos vermelhos, que fora derrubada pela metade. Faltava apenas o telhado e um pedaço de algumas paredes.
Escondo-me de baixo de onde deveria ter uma janela, mirando minha arma em direção ao matagal.
Sou surpreendida quando uma mão tapa minha boca e alguém está logo atrás de mim. A pessoa cola seu corpo ao meu e desliza um objeto frio pela lateral de meu braço esquerdo, desespero-me, pensando em como não o percebi chegar. De canto de olho, percebo que uma .38 desliza sob minha pele.
-Olá, docinho.
------------------------Um ano depois-----------------------
25/Agosto/2020
00:47
Apenas o escuro.
Tudo o que vejo é o maldito escuro.
Vozes embaralhadas se fazem presentes.
Onde caralhos eu estou? Merda.
Um grito rouco e fraco cala o resto das vozes. Minha garganta dói e sinto minhas cordas vocais se arrebentando.
O grito surgiu após uma tentativa falha e idiota de tentar mover-me de seja lá onde quer que eu esteja.
Sinto um corpo abaixo de mim, um braço circula-me, enquanto a mão aperta firmemente uma parte em específico do meu corpo que dói como o caralho.
Cheiro de sangue adentra minhas narinas enquanto minha visão volta aos poucos.
Abro lentamente os olhos, tentando não ser cegada pela luz demasiadamente forte.
O corpo abaixo de mim balança-me gentilmente, como se estivessem querendo fazer-me dormir ou acalmar-me.
Lábios tocam o topo de minha cabeça.
Posso ver melhor agora, mas nem seria preciso minha visão voltar para eu saber de quem tratava. Seu cheiro o entregava.
-J-jake.- apesar de seu nome ter se quebrado ao sair de minha boca, mesmo tendo falhado algumas letras, cada uma esbanjava minha raiva e julgamento para com o ser que me embala em seu colo.
Tento mover-me e ir para o mais longe possível dele, mas suas mãos grandes e pesadas me impedem de realizar qualquer movimento.
Agora, com meus sentidos recuperados e a adrenalina passado, sinto uma dor horrível se apossar de meu corpo.
Meus lábios se entre-abrem e curtos e agudos gritos saem por entre eles.
Sem conseguir segurar, lágrima rolam por todo meu rosto, caindo no braço de Jake que ainda me balança.
-Oh, minha pequena, me perdoe. Perdoe-me mais uma vez, por favor. Você vai ficar bem e eu vou te abraçar até que meus braços caiam. Me perdoe. Minha flor, não posso te perder. Por favor.- suplica de forma baixa, enquanto suas lágrimas caem em minha face, se misturando com as que já deixei cair.
-Willy?- encaro o mesmo enquanto ele entra como um furacão pelas grandes e pesadas portas de aço e desce as escadas.
Percebo que não estamos mais no estacionamento de antes.
Artur e Sebastian, dois armários em forma de homens, tentam segurá-lo, mas nem isso o impede de se aproximar e ficar perigosamente perto de mim e do Jake.
Artur agarra-se ao braço de Will e tenta o parar, mas nada o para.
Onde caralhos estamos?
-Seu filho da puta!- Will grita e acerta um soco no canto do lábio de Jake Collins, o que me faz encolher automaticamente.
Meu corpo todo dói com o movimento brusco.
Mais lágrimas.
Jake tem sua cabeça virada levemente para o lado com o impacto do punho de seu irmão em sua face, mas não revida, apenas abaixa a cabeça.
-Você teve a sua maldita chance de ser bom pra ela, mas escolheu ser fiel ao homem que salvou sua vida! Eu preferia que você tivesse morrido do que ter que ver quem você se tornou! O King não fez bosta nenhuma por você, ele apenas te manipulou e te usou. E você quase matou a única pessoa que realmente te queria bem, seu idiota!- grita.
Will abaixa-se, ficando da minha altura e enxuga meu choro silencioso.
Jake continua paralizado, seus olhos fixos no chão.
Gostaria de dizer à ele que não. Não é bem assim. Gostaria de dizer para ele que não foi isso que Will quis dizer. Quero muito gritar o quanto Will estava sendo babaca apenas porque está terrivelmente magoado, quero abraçar Jake e Will e consolá-los, mas não sei se algum deles merece tudo isso, também não conseguiria fazer nada disso agora.
-Vem, amor. Vamos embora e vou cuidar de você. Sempre.- sussurra em meu ouvido enquanto pega-me no colo, com uma mão por debaixo de meus joelhos e a outra em minhas costas.
A dor é insuportável.
Só quando ouço um grunhido vindo de algum lugar alí perto é que percebo que Blue se encontra no mesmo local que eu. Seja lá onde isso for.
Procuro-o, vasculhando o local com meus olhos, sem mover-me. Blue se encontra em um canto, usando focinheira e sendo mantido no lugar por Artur. Percebo que o mesmo se encontra zangado, latindo sem parar ao perceber que acordei.
-Blue- sussurro. Jake lança um olhar para Artur que deixa claro que a ordem é de soltá-lo.
Bastou meu cachorro se encontrar aos meus pés, feliz por eu estar "bem", para que Will prosseguisse.
Ele me leva para fora do local.
Tamanha era minha dor que eu acabei por apagar antes de sairmos de onde quer que estivéssemos.
A última coisa que vi antes de meus olhos se fecharem, foi o olhar desesperado e triste de Jake Collins.
Mais que isso, havia culpa e arrependimento neles.
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