•Pra sempre contigo•
Depois que acordei, consegui me localizar. Não encontrei nada que pudesse justificar o ocorrido com aquela cachoeira então deduzi que deveria ser mágica. Uma das explicações de vários animais entrarem na floresta e não sairem mais. Bom, um dos mistérios de Widnyr foi resolvido. Voltei para meu caminho e continuei minha viagem.
Os dias se passaram rápidos e solitários. Não encontrei mais com o lobo o que me deixou bem triste. Ele era uma companhia ao menos. Depois de vários dias na floresta, finalmente cheguei ao meu destino.
Saí dela em um lugar isolado onde ninguém me veria. Depois de tanto tempo na vegetação fechada levei um susto com a claridade de um céu sem nuvens, ostentando uma aurora magnífica. Saí perto das colinas bem na hora do nascer do sol então aproveitei pra subir até o ponto mais alto pra observar o espetáculo que já havia presenciado tantas vezes antes.
De frente pra mim, o mar calmo e sereno no horizonte. O astro rei se levanta e derrama seus raios sobre a cidade costeira. Todos os prédios e casas são construídos com um tipo de pedra rosada é um rosa bem clarinho mesmo, e quando a luz do sol incide alaranjada na superfície dos blocos de pedra, um reflexo dourado se espalha! As casas parecem ganhar um brilho que é também refletido pelas águas do mar. Um espetáculo sem igual que marca o início de um novo dia.
- Minha nova vida começa aqui. - disse a mim mesma.
Desçi as colinas adentrando a cidade. Illidya é a mais bela cidade do reino e também a capital comercial devido a seu grande porto. Andei pelas ruas calçadas com tijolos retangulares e perfeitamente alinhados, todas as casas possuem um andar apenas, a não ser os prédios comerciais que possuíam dois. As pessoas já abriam suas lojas, carroças e cavalos já começavam a transitar, e logo logo tudo estaria muito cheio. Cheguei então a uma casa de dois andares, rosada como todas as outras, com uma pesada porta de madeira e uma janela baixa. Essa casa é diferente, porque possui um andar a mais, mas não é um prédio comercial.
Era a casa de meus pais.
Bati na porta e logo ouvi um "só um minuto", em seguida a porta se abriu revelando uma mulher alta, magra, com longos cabelos castanhos claros e ondulados que lhe chegam a cintura, pele clara, com olhos castanhos também claros. Veste um belo vestido azul longo, brincos de safiras discretos combinando com um colar da mesma pedra.
- Olá, mamãe. - cumprimento com um aceno e um pequeno sorriso.
- Filha! - ela se recupera do susto e me abraça - quanto tempo minha linda! Você está bem? Tem algum machucado? Está com fome?
- Mãe! Estou bem, calma. - falo interrompendo as perguntas e a inspeção de minha mãe - posso entrar?
- Mas é claro minha pedra preciosa a casa é sua, literalmente. - ela me responde com uma leve risada.
Entrei na casa acompanhada de minha mãe e nos sentamos no sofá.
- Eu não esperava por você aqui minha filha. É uma surpresa muito agradável.
- É eu sei, mas posso lhe contar tudo...
- Não é necessário, sua tia já me contou o que houve.
- Ela te enviou alguma carta?
- Na verdade eu contei pessoalmente minha flor de lótus. - uma voz tão conhecida se fez ouvir.
Virei-me e vi tia Agatha descendo as escadas.
- Tia! A senhora não disse que viria pra cá.
- Foi uma decisão de última hora - ela diz abrindo os braços e eu a abraçei - chegamos a três dias.
- Não fazia ideia de que demorei tanto assim.
- Achamos que algo havia lhe ocorrido. Afinal era pra você já ter chegado a bastante tempo - minha tia continuou - por isso sua mãe disse que não te esperava mais... imaginamos que os Cavaleiros tivessem pego você.
- Espera a senhora disse "chegamos"?
- Mas é claro que sim. Você sabe que sempre viajamos juntos. Michel deve estar no quarto e os gêmeos com certeza zanzando por ai. - riu.
- Okay. Então a senhora já está a par de tudo mãe?
- Estou sim e lamento muito pelo que houve. Infelizmente a sociedade teme tudo que não conhece e prefere viver na ignorância e no medo do que aprender sobre nós. Nós vamos ter uma conversa, mas só depois do jantar de hoje. Tire o dia e descanse da floresta. - ela acaricia meu cabelo.
- Obrigada. Tem algo pra comer?
Fomos até a cozinha para um bom café da manhã. Como é bom comer algo que não é carne. Pão, leite, ovos, queijo, geléia, fizeram minha alegria. Terminada minha refeição subi para meu quarto onde tomei um bom banho e me arrumei e voltei para a sala, simplesmente não consegui ficar parada olhando pras paredes.
- Michel! - exclamei ao ver meu primo no sofá, corri e o abracei.- Estava com muita saudades de vocês.
- Nós também Sam. Tudo bem?
- Sim. E com vocês?
- Também. Estava pensando em dar uma volta na cidade, você quer vir comigo?
- Vai ser bom ver um pouco de gente.
Saímos para as ruas movimentadas observando as pessoas. Cidade grande é tão diferente... carroças e cavalos pra todos os lados, muitas pessoas nas ruas, parece que todo dia é dia da Grande Feira. Acontece que Illidya tem um porto muito famoso. O reino é um grande produtor de tinturas para tecidos e também de tapeçarias bem caras. O Porto vive abarrotado de navios, e as lojas de gente.
Eu e Michel andamos pelo centro de Illidya observando as lojas, até compramos algumas coisinhas. Voltamos para casa onde entre histórias de família e gargalhadas passamos um ótimo almoço.
Infelizmente tudo que é bom dura pouco. Quando as coisas enfim parecem estar se organizando, algo tem que vir e destruir como se tudo fosse apenas meras cartas ao dissabor vento.
Um toque, do destino.
- Gente, já que estamos falando de casa, como estão as coisas lá em Wallya?- perguntei.
- Depois que você fugiu revistaram a casa, mas como você sabe eu escondo muito bem meus utensílios e não acharam nada que pudesse nos comprometer. Mas a fama se espalhou pela vila e arredores. As pessoas pararam de frequentar o mercado e os Vermes de Aarn passaram a nos rondar. Então decidimos fazer essa viagem e deixar a poeira abaixar um pouco. - Tia Agatha respondeu.
- Que bom que vocês ficaram bem. Mas...e Jason? Ele está bem? - essa era a pergunta que eu queria assuntar. Que não saía da minha cabeça.
Nessa hora minha tia e Michel trocaram um olhar significativo. Ah não...
- O que houve? - insisti.
- Eu conto ou a senhora conta? - Michel perguntou a mãe.
Minha tia suspirou pesadamente e encobriu minha mão com as sua. Não, não, não, não seja o que eu estou pensando!
- Querida, você precisa ser forte. A notícia não é boa.
- Não, isso não quer dizer que...
- Depois do ataque, a população começou a identificar as vítimas. O Senhor Raydon foi...encontrado morto perto de casa. - ela engoliu em seco, enquanto meus olhos queriam saltar das órbitas - E o seu amigo, bem, Michel viu quando um dos coveiros passou o arrastando até a pilha de corpos.
- Eu lamento Sam, mas ele foi pego pelos vampiros antes de você aparecer.
Abruptamente desvencilhei minha mão da dela, o som da cadeira raspando no chão de madeira ecoou no silêncio da notícia. Saí correndo pela casa até atingir a rua. Não ouvia, via ou sentia nada que fosse externo.
O mundo ficou em um borrão, e guiada apenas pelo meu instinto eu corri. Ele ruiu diante dos meus olhos. Se desfez em pedaços e dissolveu-se escorrendo por entre meus dedos. Um nó tão grande se formou em minha garganta que a sensação que me dominou era a de estar sendo sufocada por toneladas de sentimentos e emoções que se atropelaram em uma corrida desenfreada. De repente parei. Estava na praia da cidade, uma parte deserta onde devido aos rochedos era impossível a construção de qualquer porto ou aproximação de navios.
Me sentei na areia da praia com as ondas me atingindo de leve. Então chega a hora que você não controla mais as emoções. As lágrimas rolaram pesadas e minha visão se embaçou. Chorei descontroladamente como nunca antes. Meus lamentos só eram interrompidos pelo som dos altos e fortes soluços que se arranhavam em minha garganta e pelo quebrar incessantes das ondas nas pedras reluzentes.
Eu perdi Jason. O meu Jason! Uma das pessoas mais importantes pra mim. Talvez a mais importante. Eu queria sumir, me dissolver ali mesmo onde poderia ser carregada pelas ondas até onde elas quisessem me levar. Nunca pensei nessa possibilidade antes, de perdê-lo, e não fazia idéia de que seria tão doloroso. Sabe a sensação de estar faltando algo em você? A sensação de te terem a arrancado a força deixando apenas uma vaga metade sem sentido?
Eu estava quebrada de uma forma que nunca imaginei ser possível e inundada pela maior dor da minha vida. É como se alguém houvesse aberto meu peito com uma adaga e tirado meu coração de dentro com as próprias mãos.
Fui retirada dos meus lamentos por uma voz que se fez ouvir:
- Samhara! Samhara!
- Vá embora! Eu não quero ver ninguém! - grito soluçando.
- Eu não vou ir embora! - Michel rebateu.
- Eu não quero ver ninguém!
- Isso não é uma opção. - ele fala se sentando ao meu lado e me aconchegando em seus braços.
- Eu quero ficar sozinha! - o estapeei enquanto chorava.
- Shii. Não fale nada. Eu já passei por isso, sei como é. Você precisa se acalmar.
- Eu não sei se quero me acalmar! - tentei me desvencilhar, mas ele me prendeu.
- Mas precisa. Chore o quanto for, mas não se desespere pequena. Ele não ia querer isso.
- Não...não ia - respondo ainda chorando.
- Ele ia querer te ver alegre, bem...
- Eu sei Michel, mas dói!! - respondo completamente em prantos me enterrando em suas roupas e deixando que todo o amargor fosse liberado.
- Eu sei pequena. Eu sei, mas com o tempo você se acostuma com a dor.
Passamos um bom tempo assim, apenas comigo chorando e ele a me consolar. Até que quebrei o silêncio.
- Eu nunca vou me acostumar Michel, eu nem sei direito o que eu estou sentindo...
- Essa confusão só você pode encontrar as respostas dentro de si mesma. Acho que já acabei por aqui, hora de te deixar com seus próprios pensamentos.
- Obrigada. Eu preciso mesmo ficar sozinha.
Nisto ele afagou meu cabelo uma última vez e se levantou indo embora. Eu não sei certo se é assim que se sente com a perda de alguém. Quando perdi tio Allan, eu tinha seis anos e convivi pouco com ele, acabei por não sentir tanto. Eu não sei se é normal toda essa dor e também não sei se Jason estava no lugar certo em minha vida, talvez ele ocupasse uma posição muito mais importante, muito mais vital do que eu se quer poderia imaginar. E eu precisei perdê-lo pra saber disso.
Estúpida! Estúpida! Estúpida!
A única coisa que eu sei, é que Jason estará comigo pro resto da minha vida guardado preciosamente como um tesouro em meu coração, onde quer que eu vá. Porque eu sei que enquanto ele estava vivo, ele iria aonde quer que eu fosse.
Então as lembranças invadem minha mente. Não as com meu amigo, mas as dos dias que mudaram minha vida. O ataque de Dillan, o ataque dos irmãos, a luta. Se eu soubesse que isso iria acontecer eu teria corrido pra encontrar Jason e o avô e teria feito de tudo para ter salvo os dois. Queria ao menos ter lutado como a bruxa que sou e ter tido um pouco de recompensa por minhas perdas. Mas não devo esquecer que eles estavam a mando de alguém.
Mégara.
A imaginação tomou vida própria e começou a me torturar lançando cenas do corpo inerte de Jason sendo carregado pelo coveiro. O peito não mais subindo e descendo com a respiração controlada que ele tinha. O rosto sem a expressão zombeteira. Os olhos que nunca mais leriam livro algum. A boca que jamais diria " Marrenta" outra vez.
"Mégara" sussurrou a voz da raiva pelos meus ouvidos.
"Essa criatura irá morrer da forma mais lenta e dolorosa possível, comigo arrancando seus membros um por um, seus gritos ecoando pelos quatro cantos do mundo e implorando por uma morte rápida...ela vai se lamentar por ter cruzado o meu caminho e o sangue espalhado pelo chão será a minha maior obra de arte."
Com o pensamento o mar se agitou e suas ondas tornaram-se selvagens. A leve brisa transformou-se um vento voraz e o céu se escureceu riscado por raios luminosos e trovões a ribombar, selando assim a promessa.
A dor, anda de mãos dadas com o ódio, e estes abraçados à vingança.
♤☆♤
Depois de passar a tarde na praia, ainda me sentindo destruída, tentei juntar meus pedaços e consegui o suficiente para chegar até em casa. Tomei um belo banho no qual a tentação de me afogar foi grande e saí me jogando na cama e abraçando o travesseiro. Não tinha fome pra jantar nem sono pra dormir. Então fiz a única coisa que pudia. Levantei da cama e fui para sala onde minha mãe, meu pai, minha tia e Michel se encontravam.
Meu pai era um homem forte, com um rosto muito bonito de traços também fortes. Uma barba bem aparada e os cabelos também, negros. Seus olhos eram incrivelmente verdes. Eu não parecia nem com minha mãe nem com meu pai. Ao menos o cabelo eu puxei dele.
- Digam-me o que está acontecendo e o porque Mégara está atrás de mim. Quero respostas e quero agora. - disse de súbito irrompendo das escadas.
- Está melhor minha flor de...
- O que está acontecendo? - interrompo minha tia falando pausadamente, e me sento de frente pra eles.
- Sua alma - mamãe lançou de pronto a resposta - eles querem sua alma.
- Lindsey, acho melhor não...
- Não tem como mais esconder Estefan. Filha, será uma longa história.
- Sou toda ouvidos.
Ela pigarreou, levou a xícara de chá a boca e começou.
"Há muitos e muitos anos atrás, a rainha das feiticeiras tentou eliminar a raça humana. Mas os bruxos e bruxas do bem não aceitaram isso. Uma luta foi travada entre Agnes, a Rainha Negra, e Sebastian, o mais poderoso dos magos. Ele era um híbrido de bruxa das trevas com um bruxo elementar. Nesta batalha, Sebastian conseguiu destruir não só o corpo, como a alma de Agnes. Mas não a alma completa, uma parte dela ainda ficou e foi se alojar na varinha de sua fiel escudeira, Mégara. Anos depois, houve o que a comunidade bruxa chama de A grande Guerra.
Ocorreu porque Mégara precisava da alma de uma Bruxa branca para restaurar a de Agnes, e consequentemente um corpo novo. Mas os bruxos brancos formaram um exército oposto, apoiados por lobisomens e alguns bruxos elementares. O de Mégara possuía bruxas negras claro, vampiros, e alguns bruxos elementares, estes últimos se dividiram. "
"Mégara perdeu, mas localizou um alvo fácil. Seu pai. Que estava ferido demais das batalhas. Ela o seguiu e veio até nós. Lutamos contra ela até que sua varinha caiu perto de você. Você como qualquer bebê curioso a pegou e a quebrou. Mas nessa hora o pedaço da alma de Agnes se instalou em você. Seus olhos azuis ficaram negros, refletindo a nova hospedeira que dividiria o corpo contigo. Então depois da luta mandamos você para morar com sua tia, porque você estava sendo perseguida pela Mégara. Fizemos isso para esconder-lhe."
- Mas parece que te acharam. - mamãe concluiu com um pesado suspiro.
- Estão me dizendo que eu sou a Agnes?
- Não, jamais minha filha - papai alterou-se - apenas um pedaço da alma dela instalou-se em você. Totalmente incógnito, imperceptível.
- Certo. Era tudo que eu precisava saber. - digo fazendo menção de me levantar.
- Aonde vai? - mamãe pergunta me.
- Apenas para meu quarto. - digo subindo as escadas.
Me joguei na cama, mas não consegui dormir. A dor da perda ainda estava ali, me destruindo por dentro, voltando na cena várias e várias vezes repassando as palavras de minha tia e Michel. Então fiquei deitada esperando que talvez a exaustão pudesse me levar ao sono.
Mas infelizmente uma explosão se fez ao pé da colina que cerca a cidade. Tão grande que pôde ser ouvida em todo lugar. quando cheguei na janela várias bruxas se aproximavam velozmente em suas vassouras. Ouvi batidas e minha mãe entrou em meu quarto exasperada.
- Filha elas te localizaram. Você precisa fugir!
- De novo? Eu fugi dos aldeões agora vou fugir das bruxas? Eu vou lutar!
- Não vai não - disse meu pai entrando - você vai se salvar. Assim que não te encontrarem, irão embora.
- Mas..
- Sem mas. Você irá até o porto, tem um navio partindo agora. Diga que é minha filha e poderá embarcar. Seja rápida. E sem contestamento!
- E em qual buraco essa rata vai se esconder agora?
- Não diga isso Samhara.
- E porque não meu pai? Afinal não é isso que estou fazendo? Indo me esconder exatamente como um rato?
- Isso não vem ao caso agora. Você irá pra Sindel. Esse navio fará uma parada lá antes de seguir para o oceano. Vá pra casa de sua tia Aliss. Boa sorte minha princesa. - ele me abraça junto com minha mãe.
Eles saíram e me deixaram sozinha. Abri o armário e me deparei com meu arsenal de armas abençoadas. Escolhi um arco, facas, aljava e uma capa escura. Saí de meu quarto pela janela correndo entre becos e ruelas, ocultada pelas sombras. As bruxas entram nas casas e vasculham apressadas pra depois saírem insatisfeitas. Uma delas atirou um garotinho pela janela e os pais logo o acudiram, mas eu não poderia deixar assim.
Fiz o vento a arrancar da vassoura e assim que encontrou o chão a prendi no lamaçal que criei. Então toquei fogo na desgraçada vendo-a queimar satisfeita com meu trabalho e me certificando de estar bem escondida no beco.
Voltei a correr, mas uma conseguiu me ver.
- Achou que ia fugir? - pergunta minha asquerosa adversária possuinte de uma pele amarelada e enrugada, olhos cor de musgo com a boca em negrume e os cabelos sebosos como lodo.
- Achei não, eu vou. E não vai ser um monstrengo que vai impedir.
Ela lançou um raio de energia púrpura em mim. Contra ataquei com terra e fogo em conjunto. Os dois se chocaram e se anularam.
- Muito bom criança. Vamos ver se aguenta este!
Ela cravou os pés no chão e algo veio em minha direção pelo subsolo, sem tempo para desviar o chão explodiu embaixo dos meus pés fazendo com que eu fosse arremessada longe. Bati fortemente contra a parede de uma casa criando rachaduras até bem grandes. Ao cair, levantei-me tossindo e cambaleando.
- Esperava um pouco mais de você criança.
- Eu também de você - lancei diversas esferas de fogo em sua direção.
A maldita também foi arremessada longe e caiu ao chão. Logo se levantou e faz do solo brotarem diversas larvas e do ar surgirem varias pragas. Me envolvi em labaredas e tentei enxergar algo, mas o nevoeiro de insetos impediu. Ela passou em sua vassoura me atingindo e me lançou novamente ao alto, me agarrou pelas pernas e me arremessiu contra o chão.
Me levantei mancando, toda machucada e com vários sangramentos.
- Acabou criança, você perdeu.
Dei uma risada cínica e limpei o sangue que escorria no canto da boca.
- Acabou pra você velha.
A afoguei numa redoma aquática e quando a soltei ela caiu cuspindo o líquido, rodopiei a bruxa no ar e em seguida fui subindo até não vê-la mais e por fim desci a atirando no solo, sem forças pra levantar ela continuou deitada, e então a carbonizei até sobrar uma poeira escura.
Sai correndo - o quanto deu, manca como estava - e segui para o porto onde graças a influência de meu pai entrei facilmente no navio cargueiro. Eles já estavam bastante apressados pra sair devido ao ataque.
Então, no convés do navio vi Illidya, o lugar no qual acabei chegar, se afastar a medida que o barco seguia silencioso à luz da lua prateada.
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