CAP. 21 - Mil vezes sim
"E até quem me vê lendo o jornal, na fila do pão, sabe que eu te encontrei."
Los Hermanos
Fernando
Não posso negar que me aliviei bastante enquanto transei todas às vezes com a Mari. Se não estivesse apaixonado pela Julia continuaria saindo com ela. Mas depois do nosso reencontro na sua sala, nosso beijo ardente, e ela disse que me ama! Porra, não tenho como explicar minha felicidade. Agora que tenho certeza do se amor, vou lutar por ela, e tirá-la daquela prisão que é seu casamento.
Quanto a Mari, saímos no sábado e tentei terminar com ela várias vezes, mas ela sempre se esquivava. No fim, a deixei em casa passando mal. Ela está doida pra vir aqui em casa, mas sem chance! Nunca trago mulher pra casa, conhecer minha mãe, no way! Agora só poderei falar com ela depois da viajem, já que acabamos de nos falar por telefone e ela ainda reclama de um forte mal estar. Parece até que sabe que quero terminar. De uns tempos prá cá ela não para de falar do casamento da Julia; em como eles estão felizes, pensando em ter um filho e blá blá blá. Já dei várias indiretas que não gosto de saber da vida dos outros, mas ela sempre arruma um jeito de falar da Julia. Também pergunta muito como nos conhecemos, se nos vemos muito na empresa, como foi trabalhar ao lado dela. Nossa! Muito entrona. As vezes penso que ela percebeu como ficamos perto um do outro. E agora essa de ficar doente. Merda!
Julia
- Não precisava se atrasar para o trabalho só pra me trazer no aeroporto.
- Claro que precisava! Eu preciso conversar com o Fernando sobre vocês ficarem esses dias sozinhos.
- Por favor Rafa! Que sozinhos o quê! Terá mais de cinco mil pessoas. Isso é ridículo!
- Não amor, eu quero dizer que você ficará a mercê dos sem vergonhas que gostam de mulheres casadas. Eu só quero que ele cuide de você, só isso. Que você volte ilesa e imaculada para mim.
Reviro os olhos... Imaculada. Deve ter tirado essa da novela das seis, só pode!
—-*—-
Chegando no aeroporto já vejo de longe a Mari pendurada no pescoço do Nando na fila do check-in. Mas que porra é essa!
- Ô maninha! Veio se despedir do seu amor também?
- Ai Rafa, não sei se sobrevivo esses dias sem o meu lindinho.
Odeio que o chame assim. Ela o abraça, beija várias vezes e quase vejo sua bunda de tão curta é sua saia. Ele tenta fazer uma cara de condescendente, mas percebo seu desconforto.
- E ai Fernando.
- Beleza cara?
- Olha, vamos fazer um acordo. Eu cuido da minha irmã aqui e você cuida da minha Julia. Fica de olho se algum vagabundo ousar se aproximar dela, ok?
- A Julia é bem grandinha Rafael. Não acredito que precise de guarda costas.
- Sempre tem uns filhos da puta querendo pegar a mulher dos outros né?
- Que isso Rafa? Bebeu? _ Eles se olham como se estivesse em um octodromo.
- Eu só quero que o Fernando te proteja de algum idiota que ficar te paquerando.
- Nossa Rafa, que comentário idiota. É melhor você ir embora. _ Falo pegando minha mala.
- É mesmo mano, a Julia te ama, não precisa se preocupar. E além disso, depois do seu acidente, ela nunca te deixaria.
- Você tá querendo dizer que ela não me deixa por causa do acidente? Por acaso eu fiquei algum inválido?
- Não Rafa, eu to falando que você precisa de alguns cuidados que só a sua esposa é capaz de te dar. Ela conhece você melhor que a mamãe.
- Ei! Eu ainda estou aqui! _ Me viro para eles e já estou quase dando um soco na cara de cada um!
- Desculpe cunhadinha, é que meu irmão anda muito inseguro ultimamente. Deve ser os reflexos, não andam mais os mesmo né?
- O que os reflexos tem haver com isso? _ Pergunto já sem paciência. Onde ela está querendo chegar com tudo isso?
- Mari, deixa pra lá. _ Rafa fala como vitima. Que horror! O que foi isso?
- Desculpe meu amor, eu só quero que você volte para casa bem, ta? Te amo muito, viu? Não esquece disso? _ Ele me agarra e me braça apertado, passando as mãos na minha cintura. O Nando vira o rosto para o lado.
- Ta certo, não esqueço. Se cuida tá?
- Não vai dizer que me ama?
- Sem essa melação aqui, você sabe que eu não gosto disso.
- Está bem. Não precisa dizer agora, depois da nossa manha sei que você me ama...
Ele me agarra novamente e meus olhos se encontram com os do Nando, que já estão negros de ódio. Seu maxilar está tão apertado que eu tremo na mesma hora.
A Mari parece alheia a tudo que está a sua volta. Se joga novamente no pescoço do Nando, diz que o ama, chora, o faz prometer que vai ligar todos os dias, que não vai olhar para nenhuma carioca bunduda, ... interminável a lista de recomendações ridículas dela. Tal qual seu irmão.
Não sentamos ao lado um do outro, e eu agradeço, pois ficar tão próxima assim, mesmo que seja por poucos minutos, sentindo seu cheiro delicioso... Não ia dar certo. Aproveito para terminar meu livro e ao dar uma olhadinha para trás, o vejo me encarando, seus olhos continuam irados. Ele deve estar bravo ainda pelo o que o Rafa falou. Mas eu o compreendo, também ficaria muito puta se fosse o contrário. Ai que ódio do Rafa! Por que ele iria falar aquilo? Porque querer provocar o Nando? Talvez ele tenha se lembrado de tudo mas não quer me falar com medo de eu deixá-lo, é a explicação mais óbvia. Não quero que o Nando fique com raiva de mim. Ele precisa entender que eu ainda estou casada e nem sempre consigo fugir de algumas coisas... Resolvo deixar isso pra lá e volto urgente para meu livro.
—-*—-
É claro que não ficamos no mesmo quarto, mas ficaremos no mesmo corredor. Desde nossa explosão na minha sala, na última sexta- feira, não conversamos sobre nada o que aconteceu. Não acordamos nada, nem cobramos decisões para nossos relacionamentos. Nada. Confesso que estranhei seu controle possessivo, mas achei que realmente é melhor esperarmos para resolvermos tudo. Ainda no hall do hotel, esperando nossos cartões, recebo uma mensagem da Cris:
"Bota pra fuder! Literalmente... rsrsrs"
Começo a rir sozinha.
- Que foi?
- Nada. Mensagem da Cris. _ Falo mostrando o telefone.
- Aposto que estão falando de mim. _ Ele está descontraído. Respiro aliviada...
- Ah! Que convencido você heim? Claro que não!
Recebemos os cartões e estamos entrando no elevador.
- Então vamos apostar que nem gente grande. Se EU ganhar, você passa essa noite comigo. Se você ganhar... _ ele respira fundo e me fala sério, como se fosse difícil dizer, - prometo não tocar em você durante os cinco dias.
Senti força em suas palavras. Eu o queria demais! Mesmo me sentindo culpada e me achando uma vadia, não poderia negar meu desejo e amor por ele. E quando me ouço percebo que pensei em voz alta.
- E quem disse que eu não quero seu toque?
Fogo. Foi isso que vi no seu olhar. Estávamos um de cada lado no elevador quando ele voa na minha boca como se o mundo estivesse acabando. Eu deixo minha bolsa cair e o agarro com toda vontade.
Após um beijo desesperado, nos soltamos num ímpeto de consciência. A porta se abre e ele estende a mão para mim.
- Vem comigo?
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