CAP. 13 - Caixinha de surpresas


- Que horas são?

- Quase quatro da tarde. Você dormiu como uma bela adormecida. _ dou um beijo em sua testa. - Você não comeu nada. Deve estar com fome.

- Um pouco... essas tatuagens são lindas. Você tem quantas? _ Ela ainda está deitada sobre meu peito e passa a mão pelo meu ombro e braço. Adoro seu toque...

- Perdi as contas. Acho que umas 20.

- Cacete! Deve ter doído muito. _ Ela beija meu tórax, me acaricia e eu começo a sentir algo crescer um pouco mais a baixo.

- Para com essa mão se não a gente não vai sair dessa cama hoje... Você gosta de macarrão?

.....


Enquanto ela está se arrumando, faço uma ligação para a Cantina Italiana e peço dois pratos de macarronada ao molho bechamel. Separo uma garrafa de vinho Sierra Cantabria, o meu favorito, e espero minha delicia na sala.

- Daqui a 10 minutos chega nosso almoço. Se bem que está mais para jantar ne?

Ela se senta ao meu lado no sofá e eu a abraço forte.

- Eu achei que você fosse cozinhar para mim.

- Não meu amor, eu sou um artista, sou bom com os dedos, não com panelas e colher de pau.

Ela me olha cheia de malícia pela minha resposta.

- Tenho uma ideia do porque você é tão bom com os dedos...

- De qual habilidade você está falando? Já andou inspecionando meu quarto né? _ Ela me dá um sorriso de sim.


.....


Júlia



Enquanto colocava minha roupa, ele foi para a sala pedir algo para comermos. Eu não parava de pensar nas coisas que ele havia me falado. Primeiro, que me ama. Amor! Ele é muito intenso, é tanta emoção, tanto sentimento quando estamos juntos que me surpreendo por ainda estar sã. Segundo, o fato dele ter usado aquela piranha loira pra me passar ciúmes. Cachorro, ele acertou direitinho. Ai Senhor, estou tão envolvida e confusa com isso tudo.


Bem, não me aguentei de curiosidade e fui dar uma espiadinha naquele quarto da poltrona vermelha. Todo o ambiente é tão escuro. Ele tem uma janela imensa mas está fechada e tem uma cortina vermelha que cobre toda a parede. Aqui dentro, ninguém diria que ainda é quarto da tarde. Assim que entro reparo em algo que não tinha visto antes. Tem quatro guitarras penduradas na parede ( a parede do meu lado esquerdo) e um móvel, tipo um gaveteiro de ponta a ponta. Nossa, que surpresa, ele toca guitarra! Combina mesmo com ele. A poltrona fica de frente pra janela e o tapete é realmente muito mais macio que parecia. Do meu lado direito é o caminho para o banheiro......

.....


A comida estava divina! Acompanhada com um vinho incrível, foi a refeição perfeita!

- Gostou?

- Nossa, estava maravilhoso, adorei! Obrigada!

- Eu adoro te mimar. Até gostaria de cozinhar alguma coisa pra você, mas temo que nunca mais me queira.

- Que drama Nando. Tem gente que não tem dom pra cozinha mesmo. Eu sei cozinhar somente o básico, nada extraordinário.

- Eu quero te mostrar uma coisa. Vem cá.

Eu me levanto e falo:

- Eu vi suas guitarras.

- A é curiosa? _ Ele me dá um sorriso e me abraça de lado enquanto vamos em direção ao seu quarto.

.....


- Aqui são três guitarras e um violão.

Claro que sim, só eu para confundir guitarra com violão. Mas são muito parecidos...

- Você toca mesmo?

- Sim. Gosto demais. Isso era um dos motivos das minhas brigas com meu pai. Ele não gosta de música, acha que é perda de tempo. É foda demais a implicância dele.

- Nossa como alguém pode não gostar de música? Existe mesmo isso? Eu cresci ouvindo música, minha mãe colocava Chico Buarque no último volume e ficava dançando com meu pai.... _ Essa lembrança me fez sorrir e quase derramei uma lágrima. Uma época da minha vida que minha família era unida e feliz.

- Você nunca me falou de seus pais.

- Uma hora eu falo sobre eles.

Ele vai até uma gaveta e pega uma pasta.

- Este quarto é onde passo a maior parte do meu tempo, quando não estou escrevendo aquela merda da monografia. Aqui eu toco e desenho.

- Você desenha também? Nando, você é uma caixinha de surpresas...

- Boas?

- Muito boas... _ Ele me olha com desejo e eu retribuo. - Mas que tipo de desenhos?

- Espero que você não se ofenda com o que vou lhe mostrar.

- Você é artista mesmo... como gosta de um drama.... O que poderia ter ai que me ofendesse Nando?

- Senta aqui. _ Ele me leva até a poltrona, que a propósito é maravilhosamente fofinha, e abre a janela.

- Que vista linda! Nossa, esse quarto iluminado fica muito melhor. Agora me dá essa pasta aqui.

Ele me olha muito tenso e eu fico com medo do que vou encontrar. UAU! O que é isso! Um desenho lindo do meu rosto. Uma perfeição, parece até uma foto. Os outros desenhos são todos sensuais e todos tem o meu rosto! Eu deitada na cama com uma parte dos seios aparecendo. Em outro, estou de costas, nua, olhando para trás. Eu fico meio chocada, espantada, admirada, lisonjeada, nem sei mais... Ele me olha com expectativa e eu sorrio.

- Nossa Nando! Você realmente é um artista! Isso é lindo. Mas porque todos esses desenhos com meu rosto? E porque sensuais assim?

- Porque você é minha musa. Desde que começamos a trabalhar eu desenho você. Sempre quis te mostrar mas nunca achei que deveria. Eu desenho quadrinho erótico desde moleque.

- Mais uma pra sua caixinha... eu adorei!

- Que bom. Estava com medo que você me achasse um pervertido e rasgasse tudo. _ Ele fala sem graça.

- Bem, pervertido você é mesmo, mas quem disse que eu não gosto? Depois quero ver os seus quadrinhos pornôs.

Ele dá um gargalhada maravilhosa, mostrando seus dentes brancos e perfeitos.

- Ai Julia.... você é demais. Mas não são pornôs, são eróticos.

- Depois você me mostra qual o diferença. _ e dou um piscada pra ele.

Me levanto e coloco a pasta em cima do móvel. Me penduro no seu pescoço e ele me da um abraço muito forte.

- Tenho uma proposta pra te fazer.

- Então faça.

- Ainda são cinco e dez _ ele fala olhando para o relógio em seu pulso, - vamos para o Guarujá?

- Guarujá?

- É... Eu tenho um apartamento lá! Vamos! Podemos voltar segunda bem cedo, ou amanhã à noite.

- Você tem um apartamento no Guarujá? _ Pergunto incrédula e penso onde mais ele teria um apartamento.

- Tenho.

- Eu não entendo. Por que você trabalha como assistente de RH se você é rico e faz marketing?

- Eu não sou rico, meu pai é. E Esse apartamento é da família, mas eu sou o único que uso, já que meu pai não vem para o Brasil e minha mãe odeia praia.

- E quanto ao trabalho de assistente?

- Meu pai tem uma grande agencia de propaganda e a sede fica em Londres. Lá tava muito foda de trabalhar porque o cara queria que eu trabalhasse doze horas por dia e eu estava fazendo uma pá de cursos também.

- Que cursos?

- Desenho, música... Essas coisas.

- Para se aperfeiçoar na sua profissão?

-Também. Mas eu fazia porque gostava mesmo. E ele implicava demais. Meu pai é o tipo de homem que valoriza uma graduação, qualquer outro cursinho, como ele diz, não serve para formar homem nenhum. Enfim, ele queria que eu fosse seu escravo na empresa, trabalhando feito louco, me enchia o saco em casa, trocava de mulher como quem troca de roupa, tava foda. Meu pai é muito competente profissionalmente, mas um traste com a família. Decidi voltar e terminar essa faculdade logo para assumir a filial de São Paulo. Quero trabalhar com a agência mas não da pra conviver com ele.

- Então você vai sair da SM quando se formar?

- Isso. Eu quero morar sozinho. Minha mãe é de boa comigo, mas preciso do meu espaço. Eu já tenho apartamento, é aqui perto, mas preciso mobiliar e me sustentar. Meu salário na SM mal paga minha gasolina.

Mais um apartamento, e é aqui perto! Os apartamentos aqui custam uma fortuna.

- E ai, vamos?

- Não posso. Preciso voltar pra casa. Não sei como estão as coisas por lá, se o Rafa saiu... Vamos deixar para outro dia.

- Mas você não vai voltar para casa hoje.

- Como?

- Eu disse que você não vai voltar para casa hoje. _ Ele está sério.

- Quem você pensa que é para mandar em mim?

- Mando mesmo... _ Ele me pressiona contra a parede e sinto seu pau muito duro. Como ele ficou excitado com essa conversa?

- Você pensa que tudo se resolve trepando?

- Eu não tenho nada pra resolver com você. Eu só disse que você não vai a lugar nenhum. E sim, acho que podemos resolver as coisas trepando.

Ele passa suas mãos pelo meu corpo e aperta meus seios. Eu tento parecer impassível mas minha reação ao seu toque é sempre imediata. Ele me levanta e eu monto em sua cintura. Vamos até sua cama e ele me joga bruscamente, deitando por cima de mim com fogo nos olhos. Estamos tirando a roupa com tanta loucura e urgência, que nesse momento somos um emaranhado de braços e roupas.

- Depois dessa foda nós vamos para o Guarujá. _ Ele fala ofegante.

- De novo esse assunto. _ entre beijos, mãos e pernas continuamos a discussão.

- Nem acredito que estou te comendo na minha cama...

Ele pega uma camisinha do criado mudo e em segundos já está dentro de mim. Envolvo minhas pernas em sua cintura e ele me penetra fundo. Ele coloca as mãos no meu rosto, morde meus lábios, e eu estou completamente entregue. Nesse momento eu iria até Marte se ele me pedisse.

Nosso corpo pegando fogo, somos uma mistura ardente de suor e desejo. Chegamos juntos a um clímax forte e devastador.

- Você tem um poder sobre mim que acho que você é uma feiticeira...

Rio alto daquele comentário. Ele que é um bruxo gostoso pra cacete e mal sabe ele o poder que tem sobre mim.

- E então, vamos pro Guarujá?

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