II


Josh e Carver continuaram analisando a carta por mais um tempo, em silêncio, trocando um olhar depois. Talvez aquela garota fosse pirada mesmo. Procuraram pela assinatura, apesar de ser uma carta anônima. Encontraram, surpreendentemente, duas iniciais no fim do papel.

N.B.

Ótimo. Bastante útil, Josh pensou. Obrigado, N.B.

Carver retirou o envelope de suas mãos e procurou mais uma vez o endereço do remetente, mas Josh já sabia que aquilo era em vão. Ele mesmo já havia olhado insistentemente aquele envelope antes de abri-lo. Talvez fosse tinta invisível? Aquele truque com o suco de limão ou qualquer coisa que fosse?

Lester pareceu interessar-se pela atitude dos amigos que examinavam a carta, caminhando até eles e parando ao lado de Josh, pegando a carta de suas mãos.

— O que é isso? — começou a ler, fazendo Marshal aproximar-se da cozinha com uma garrafa de cerveja barata e parar por ali também. Logo os quatro estavam parados na entrada da casa.

— É uma carta, espertão. — Josh respondeu, irônico, tentando pegar de volta, sendo impedido por Lester dando-lhe as costas para terminar de ler.

— E daí que Josh recebeu uma carta? Se está tão ansioso por atenção assim, Lester, por que não solta seu endereço no Twitter? Certeza que suas fãs iam amar lotar sua caixa de entrada. — Marshal comentou, rolando os olhos. Lester apenas o encarou, frio, após terminar de ler a carta.

Lester era (ou estava tentando ser) um Youtuber, postando vídeos sobre jogos e coisas relacionadas a eles. Conseguia várias fãs que o adoravam também, inclusive fãs masculinos. Ao contrário de Josh, que nunca fizera nada para conseguir popularidade, Lester se esforçava e (nem tão) secretamente adorava a bajulação.

— Que garota estranha. — comentou, decidindo ignorar Marshal e devolvendo a carta a Josh, que parecia estranhamente apegado a ela. — N.B. Quem será? — ponderou.

— N.B? — Marshal perguntou, finalmente recebendo a chance de ler a carta por cima dos ombros de Josh, apesar de ter que ficar na ponta dos pés para isso. Era o mais baixo dos quatro, e isso podia ser um inconveniente às vezes.

— É, é a assinatura da carta. — Josh bufou, cansado de explicar aquilo.

— Parece que é uma garota que buscou um endereço aleatório no Google Maps e acabou enviando para nosso Josh aqui. — Carver explicou rapidamente, vendo a impaciência no rosto do amigo, que já baixara os olhos para reler a carta pela terceira vez, buscando novas informações que não existiam. — Sr. Romeu, isso pode ser seu diferencial no recesso que você tanto queria. Uma carta anônima.

— Você podia fazer uma corrente, sabe. Pegar outro endereço anônimo e mandar uma carta parecida. Logo todo o país estaria enviando e recebendo cartas de estranhos e aí sua garota saberia que começou tudo. — Marshal discursou. — No final, você acabaria enviando uma carta pra ela sem saber, vocês se encontrariam, se beijariam e se casariam depois disso! — ele animou-se. — Isso parece coisa de filme! — completou.

— Isso parece coisa de maconha. Marshal, o que você andou fumando? — os outros três amigos apenas o encaravam de olhos arregalados, tentando digerir a tagarelice do rapaz. Josh não conseguia imaginar que realmente existia alguém com uma mente fértil assim no seu círculo de amizades.

— Canela. — Ele respondeu, dando ombros, e depois forçou uma gargalhada histérica. — É forte!

— Certo... — Josh murmurou, sabendo que provavelmente estava traumatizado pelo resto de sua vida. — O que eu faço?

— Você podia ir atrás dela. Descobrir quem ela é. — Lester respondeu, já parecendo desinteressado e voltando para o sofá, os braços atrás da cabeça. Marshal correu atrás dele para pegar o controle e começar a jogar sem que Lester percebesse, para que pudesse vencer. — Seria romântico. — Lester completou, percebendo as intenções do amigo e pulando na frente dele, pegando o controle e assumindo a situação. Marshal logo estava em apuros novamente.

— Se fosse romântico não seria o Josh. — Carver comentou, rindo. Também se dirigiu ao sofá, largando-se lá e observando a disputa que reiniciara.

— Cale a boca, é claro que eu sei ser romântico. — resmungou, seguindo os passos dos amigos e voltando para a sala, ainda agarrado à carta. Ela já estava ficando amassada de tanto passar pelas mãos deles, as palavras já quase gravadas em sua mente. — O problema é que não tenho ideia de como a acharia. Ela nem passou o endereço nem nada. Não tem nenhuma pista, além de N.B. Devem ter milhares de mulheres por Londres com as iniciais N.B.

— Bom, podemos cortar as crianças e as idosas. As mães também, porque elas não estariam solitárias, provavelmente. Só se as crianças fossem umas chatas e os maridos trabalharem o dia inteiro. Bom, vamos primeiro procurar por pessoas próximas à nossa idade, na faculdade, coisa assim. Pode ser mais fácil. — Marshal, derrotado mais uma vez, decidiu se focar em ajudar Josh ao invés de enfrentar Lester. Josh pareceu pensativo, considerando o que ele disse.

— Mas não temos como confirmar nada disso. Vamos procurar todas as N.B. existentes em Londres nesse intervalo de idade, e ai como vamos saber se é a mesma? — ele disse, desanimado. — Batendo de porta em porta e perguntando se ela estava enviando cartas anônimas de Natal por ai?

— É, parece difícil.

— Seu amigo carteiro não poderia ajudar de alguma forma? — Carver perguntou, a mão no queixo numa pose filosófica.

— Como?

— Invadindo o sistema do correio, algo assim? — respondeu, os olhos brilhando de emoção.

— Estamos em um filme de espiões por acaso? — Josh fez uma careta. — Não sei se ele conseguiria. Mas... — algo pareceu iluminar sua mente. — Poderíamos dizer que nós estávamos interessados em como o correio funciona, por causa das inúmeras cartas que eu recebo das garotas da faculdade, e pediríamos para ele nos levar até lá. Podemos tentar conseguir algo ali. — bolou o plano, olhando para os outros em busca de aprovação.

— Josh, desde quando você ficou tão mafioso? — Marshal perguntou, admirando-se.

— Você acha que poderia dar certo? E se não der para rastrear a remetente? — Lester desistiu do jogo, porque cansara de jogar sozinho e já que o assunto ainda era a tal carta fantasma, decidiu colaborar. Sendo pessimista.

— Ela diz que se mudou recentemente para Londres. Podemos invadir os arquivos do governo e ver os imigrantes recentes, e ver qual se encaixaria no perfil dela. — Marshal falou, como se sua ideia fosse genial. Josh via tantos furos no plano que quase sentia o cheiro de queijo suíço. Todos negaram com a cabeça e Marshal fez bico, parecendo irritado.

— Primeiro, ela pode ser de qualquer região da Inglaterra e ter se mudado para Londres por motivos de trabalho, estudos, busca de uma vida melhor etc. Segundo, não dá pra invadir os arquivos do governo. — Carver explicou pacientemente. Lester fez uma cara suspeita, como se não fosse tão difícil assim, e Carver acrescentou: — Não deveríamos invadir os arquivos do governo. — o que pareceu ser suficiente para Lester concordar.

— Parece que a ideia de Josh é a melhor opção então. — Marshal resmungou. — Amanhã então nós falamos com seu carteiro. Ele passa todo dia? — perguntou ao dono da casa, que encarava a carta como se essa fosse se tornar um berrador do Harry Potter e sair gritando o endereço do remetente. Ele estava quase esperançoso.

— Sim. Mas... — Josh parou para refletir. — Amanhã é sábado, o que significa que ele vai passar bem cedo, cerca de seis da manhã. E normalmente, por causa do horário, ele não bate.

— Então temos que ficar espertos a qualquer som que as cartas fizerem ao passarem pela entrada da porta, e temos que levantar e ir atrás dele. — Lester organizou, finalmente parecendo se empolgar. — Você tem barbante, um sino, mentos e Coca-Cola? — um sorriso alargou-se em seus lábios avermelhados e os outros trocaram um olhar suspeito, enquanto Josh concordava com a cabeça. Parece que fariam uso das habilidades de construir engenhocas inúteis.

Como todos iam dormir na casa de Josh de qualquer jeito, montaram acampamento na sala para que pudessem ficar atentos e o plano se executasse mais facilmente.

Ele não sabia se era porque estavam entediados durante aquele recesso, ou se era porque era realmente empolgante, mas ele não conseguia parar de pensar em quem seria N.B. Marshal colocara lenha na fogueira, sabendo que Josh na verdade gostava dessas histórias românticas e apesar de ser bem famoso na faculdade não saía com tantas garotas quanto se imaginaria.

Releu um trecho da carta enquanto os outros colocavam um filme qualquer. Tantas possibilidades, ela escrevera. Ela não sabia se aquela carta sequer chegaria ou se alguém leria aquilo. E ele, no outro lado dessa carta, também enxergava muitas possibilidades a respeito dela. Quem ela seria, como ela seria? Do que ela gostava e por que fora tão gentil a ponto de escrever uma carta incentivadora de Natal para um completo estranho com um jardim bonito? Qual seria seu nome?

Josh, sem chegar a assistir o filme completo, adormeceu pensando nessas questões.

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Nota da autora: Um pouquinho atrasado, mas finalmente o segundo capítulo! Estão gostando da história? O que acharam do mistério da N.B? Já tem algum personagem favorito nesse quarteto aí?

Podem se preparar porque vai ter muito mais idiotices deles por vir!

Não deixem de comentar o que estão achando! É importante eu ter um feedback nesse comecinho hehe

Até a próxima att <3

xx

Anne

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