CAPÍTULO 5 | NÃO ESTA DANDO CERTO

Eu acabava de chegar em casa quando Lucas me ligou.

— Oi, amor.

— Oi, amor — respondi.

— Queria te pedir uma coisa.

— O quê?

— Apague as nossas fotos do Facebook. Meu patrão acabou vendo uma de suas postagens e não gostou.

— E o que tem a ver isso?

— Eu sei, mas ele não gostou e não quero perder o emprego.

— Tudo bem.

— Obrigado, amor.

Então desliguei o celular. Liguei o notebook e abri o Facebook, apaguei todas as fotos que havíamos tirado juntos, todas as postagens, então fui até o perfil dele. Lá não havia nenhuma indicação de que ele estava namorando. Havia sumido. Como se ele fosse solteiro.

Era óbvio.

Ele estava falando com outros caras, mas por algum motivo algo dentro de mim não queria deixá-lo, não queria perdê-lo. Eu o conhecia, sabia de todas as qualidades e seus defeitos. Não estava me enganando, porque eu já sabia de tudo e mesmo assim não queria deixá-lo, mas outra parte de mim queria que tudo acabasse de uma vez. Que a dor fosse embora, que ele se fosse. E tudo aconteceu mais cedo do que eu esperava.

***

A noite mal estava começando para muitos naquela noite de 11 de junho. Meus olhos estavam incomodados, mas eu fiquei feliz por mais um dia ter se passado. Eu estava a caminho de casa quando meu celular tocou. Olhei para a tela vagamente e lá estava o nome dele. Peguei o celular, atendi a ligação e pus no viva-voz.

— Oi.

— Oi, amor — falou ele.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não, só estou com a cabeça cheia — disse ele.

— Quer falar sobre isso?

— Eu não sei, acho melhor não.

— Amor, antes de tudo somos amigos. Você pode falar o que está acontecendo.

— Estou sobrecarregado. Trabalho, faculdade e namoro. Não sei o que fazer.

— Você precisa organizar melhor o seu tempo.

— Não é apenas isso. Teve também a história do emprego, por causa das suas postagens e das fotos.

"Três...", ele vai acabar comigo.

— Eu não sei se vou me arrepender. - continuou ele.

"Dois..."

— E espero que me entenda. - sua voz foi ficando ao longe aos poucos.

"Um."

— Mas não está mais dando certo. - disse ele por fim.

Silêncio.

O tempo ao meu redor parou. Algo estranho se movia por dentro de mim.

— Tudo bem. — Eu me limitei a dizer.

— Mas a gente pode sair e ficar sei lá... — Ele disse.

— Tudo bem.

— Me perdoe. Até mais. — Então Lucas desligou o celular.

Havia terminado por telefone e a ironia é que disse que jamais faria isso. Até aquele momento eu estava sendo forte, não liguei muito para o que estava acontecendo. Respirei fundo e continuei meu caminho para casa, mas nem eu sabia que aquilo traria consequências desastrosas, tanto para ele, como para mim.

Porque naquele momento a dor me inundou como uma verdadeira avalanche preenchendo todos os vazios e levando tudo o que havia sido preenchido. Aquilo doía, aquilo me deixava perdido, eu estava à deriva em um mar de tristeza e dor que me afogava aos poucos dentro de mim mesmo.

O meu corpo parecia afundar lentamente dentro da água do mar onde meus movimentos pareciam mais lentos, era como sentir o arder da água entrando pelos meus pulmões pedindo passagem e me rasgando por dentro ao mesmo tempo. "Porque eu tinha que sentir isso, porque não seguir meu caminho sem sofrer?"

Mas agora eu estava chegando ao fundo, estava completamente destruído, desamparado e como se não fosse possível dos meus olhos brotava mais água que encharcar me afundava cada vez mais naquela sensação imensa de vazio e destruição.

Não sei como, mas senti um abraço forte, o calor que tentava me tirar de onde eu estava naquele momento, eu ouvi meu nome, mas será que era mesmo meu nome que eu estava ouvindo. Alguém me chamava, mas a única coisa que eu tinha ciência era que tentavam me tirar da água, mas meu corpo estava pesado e eu só queria sentir o fundo de onde eu já estava.

Então tudo ficou branco e o cheiro amadeirado passou pelas minhas narinas, limpando e dando passagem novamente ao ar que aos poucos voltava. Aquela sensação, o calor do corpo e a textura da pele me eram familiar. O abraço apertado em volta do meu corpo, a voz que estava ao longe dizia que estava tudo bem, que tudo ia ficar bem.

Mas eu me perguntava se realmente tudo iria ficar bem, eu vou ficar bem? As lágrimas continuavam caindo e caíram até eu me perder em meio ao cansaço e apagar para um lugar tão vazio e escuro, sem perceber que estava indo para lá.


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Atualizações sempre as quartas-feiras ao meio dia!

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