14 - Encontro

O sol adentrava o meu quarto naquela manhã. Meus olhos abriram devagar em um sorriso largo de felicidade. Levantei-me e olhei para o meu quarto. Eu me sentia bem e renovado. Levantei-me da cama e segui para o banheiro deixando que a água quente percorresse meu corpo, relaxando ainda mais. Eu estava no controle e nada e nem ninguém iria me tirar da minha felicidade.

Saí do banho e olhei para o pequeno cartão preto reluzente em cima do criado-mudo. Peguei meu celular e o cartão e digitei um dos números que estava no cartão. O telefone chamou duas vezes e uma voz grave ecoou em meus ouvidos.

— Marcos Albuquerque falando.

— Oi Marcos. Acho que não se lembra de mim — disse em meio a um sorriso tímido.

— Como eu poderia me esquecer de você, Alex. Você não é uma pessoa que se pode esquecer fácil.

— Fico lisonjeado.

— Eu já estava preocupado, já faz uma semana desde que nos encontramos e você não havia me ligado. Por um momento pensei que não tinha te agradado.

Dei um sorriso.

— Estive apenas ocupado. E devo estar te atrapalhando também, imagino que seja um homem ocupado.

— Para você, eu tenho todo o tempo do mundo. Mas por que não almoça comigo e podemos conversar melhor? Posso te pegar.

— Não precisa.

— Eu insisto.

Então dei meu endereço ao Sr. Albuquerque e pontualmente ao meio-dia o carro dele parou em frente a minha casa, eu já esperava por ele. Ele desceu e me abraçou. Estava usando terno e gravata, as linhas do seu corpo malhado marcavam o terno. Ele deu um largo sorriso e abriu a porta para mim. Eu entrei, ele fechou a porta e deu a volta entrando no Camaro negro, dando a partida e seguindo pela avenida.

— Não precisava ter vindo me pegar — disse por fim.

— Eu faço questão. Não poderia deixar de ir com tão boa companhia. — esbocei um leve sorriso. — Você fica mais lindo quando ri — disse ele.

— Obrigado.

Não demoramos muito e chegamos ao estacionamento do "La Cherry", um restaurante fino e caro. Ele foi um cavalheiro e repetiu todo o ritual e estendeu a mão para mim.

— Me dá a honra?

Eu estava assustado. Nunca havia sido tratado daquela forma. Era estranho, mas ao mesmo tempo bom. Ele me olhava nos olhos de uma forma profunda e única, seus olhos brilhavam e isso me deixava vermelho com frequência.

Estendi a mão automaticamente, então ele a segurou e entramos no restaurante de mãos dadas. Alguns clientes, que ali estavam, olhavam-nos vagamente, enquanto outros nos olhavam com curiosidade ou reprovação, mas não foi feito nenhum escândalo ou o gerente precisou ir até nós. Sentamos em uma mesa, ao lado de uma janela de vidro, em um canto mais reservado.

— Parece caro.

Disse quando ele afastou a cadeira para que eu sentasse e logo em seguida se sentou. Ele me olhou e disse:

— Não se preocupe com isso — pediu ele sorrindo.

— É que não estou habituado a tantos mimos e a lugares tão chiques — disse meio sem jeito.

Ele deu um leve sorriso.

— Gosto disso. Você em nem um momento ostentou, porque eu estava do seu lado, ao contrário parece ter aversão a lugares tão refinados, talvez um pouco assustado.

— E estou. Para dizer a verdade. Não sei ainda o que fez você ir até mim.

— Você dança muito bem e não tem como não chamar a atenção. Você me olha nos olhos, não como se apenas estivesse me olhando, mas como se buscasse algo dentro de mim. E quando me olhou enquanto dançava, eu tinha que tentar ser merecedor de estar ao seu lado.

Engoli em seco.

— Eu deveria dizer isso, não acha?

Ele riu.

— Não. Você tem mais que os olhos podem ver. — ri brevemente. — Estaria sendo ousado em pedir para ir ao cinema comigo?

— Claro que não — disse em meio a um sorriso.

Ele pediu o almoço e um vinho tinto, cuja safra era de 1785. Conversamos banalidades e ao que parecia, ele queria me conhecer melhor. E logo que terminamos o almoço ele me levou a minha casa.

— Devo dizer que estou muito feliz por ter tido sua companhia nesta manhã. Deixou meu dia mais suportável.

— Por quê? — Eu o olhei confuso.

— Não sei se viu o papelão que um de meus funcionários fez na noite que nos conhecemos e isso está prejudicando a imagem da minha empresa. Não posso tolerar isso e deixei que alguns dias passassem para resolver tal problema.

Tive que me conter naquele momento para não rir. Tudo estava indo como planejado e saindo melhor do que o programado.

— Eu entendo.

— Não quero lhe ocupar com tantas bobagens burocráticas. — Ele deu um breve sorriso.

— Tudo bem — disse por fim.

Ele se aproximou de mim, suas mãos seguraram minha cintura e seus lábios se aproximaram dos meus, seu hálito quente tocou minha face me deixando desconcertado. Nossos lábios se tocaram enquanto meus braços o envolviam. Então ele se afastou.

— Perdoe-me. Não pude me conter.

— Tudo bem — falei em meio a um sorriso ruborizado.

— Já disseram a você que fica lindo vermelho? — Ele tocou minha face. — Acho que vai me ver com bastante frequência por aqui.

— Vou?

— Sim — disse ele se afastando e entrando no carro. — Eu vou voltar o mais rápido que puder.

Ele entrou e deu a partida saindo dali. E duas coisas me perturbavam naquele momento. A primeira: eu havia destruído vários corações e magoado várias pessoas em um mês, e ele chegou tão de repente e me fez esquecer tudo o que eu já passei, toda a dor. Eu estava amando? Não. Isso não pode acontecer. Mas acho que já estava acontecendo. E a segunda: eu tenho medo. Medo de estar apaixonado por Marcos Albuquerque.

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