11 - Eu Morri Um Pouco Por Dentro

A rua estava vazia naquela noite quando finalmente cheguei em casa. Estacionei o carro na garagem e entrei em casa, deixei a mochila jogada em cima do sofá da sala e segui para o meu quarto, de forma singela me sentei na cama e olhei pela janela.

A lua brilhava em meio à imensidão escura enquanto nuvens rasteiras ainda dançavam no céu. A brisa noturna balançava a copa das árvores do quintal da minha casa enquanto devagar as lágrimas corriam pelo meu rosto. Algo estava se quebrando novamente em meu peito e a dor se instaurou em meu coração.

Era o início do começo do fim para mim.

Eu estava perdido em um lugar escuro e vazio. Nunca imaginei que iria doer tanto, que aquilo me machucaria dessa forma. As lágrimas caiam de forma incontrolável e eu me via deitado no chão frio do quarto, meus olhos ardiam e os gritos abafados ecoavam no vazio do nada.

"Por que aquilo doía tanto?"

"Por que eu estava sofrendo daquela forma?"

"Não era justo. Eu não merecia isso, eu apenas..."

"Eu apenas queria ser feliz..."

"Por que meus malditos olhos não param de chorar?"

"Por que estou ficando sem ar?"

E em meio a tantas perguntas que me vinham à mente, a dor começou a se concentrar em um único lugar. De repente o ar estava acabando.

As lágrimas continuavam a cair.

Meus olhos começaram a perder sua luz. E por um breve momento minha mente pôde se encontrar em meio a tanta confusão e descontrole do meu corpo, e por mais que aquela dor me machucasse, eu consegui esboçar um sorriso.

Não há nada além do vazio e da escuridão quando se está sozinho e perdido. Não há nada além disso e do seu corpo buscando algo que não pode achar mais ali, algo que é básico e essencial à existência.

Então tudo começou a se dissipar na imensidão obscura e mesmo perdendo tudo naquele momento não parei em nem um momento de lutar, lutar pela minha própria paz talvez? Nada fazia sentido.

E tudo ficou...

O som dos bips me incomodava. Eu podia ouvir os passos do lado de fora do quarto, vozes de enfermeiras e médicos. E uma rápida entrada da enfermeira no meu quarto onde eu podia ouvir minha mãe orando ao meu lado. Não precisava ser nem um gênio para saber o que havia acontecido comigo.

Abri meus olhos devagar e a luz branca que adentrou nele me incomodou, fechei e reabri até que eu tivesse me acostumado, olhei para o lado e lá estava minha mãe com os olhos fechados orando.

— Mãe — sussurrei.

— Alex — Ela me abraçou forte enquanto chorava. — Eu fiquei tão preocupada com você, meu filho.

Eu a abracei forte e disse:

— Estou bem, mãe. Não se preocupe comigo.

— Como não vou me preocupar com você?

— Eu vou ficar bem, mãe. Eu prometo.

Depois de duas semanas preso em uma cama de hospital voltei para casa, não porque minha amada mãe desejava ou os médicos quisessem, eu apenas me levantei e desliguei tudo. Eu estava cansado e queria sair dali e não era segredo nenhum o que eu tinha, não para mim. Eu já havia sentido dores há alguns anos, o que me fez descobrir o que eu tinha de verdade.

Queria eu que fosse apenas um ataque cardíaco, mas era mais complicado do que isso, eu tinha "angina de peito" que é uma dor no peito devido ao baixo abastecimento de oxigênio no músculo cardíaco; geralmente é devido à obstrução ou espasmos. Os ataques de angina que pioram ocorrem durante o descanso e duram mais de 15 minutos podendo ser sintomas de angina instável ou mesmo de um enfarte do miocárdio, popularmente conhecido por ataque cardíaco ou enfarte do coração. E este é o meu caso.

E sim, eu posso morrer, mas não vou me preocupar com isso agora.

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