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Uma semana depois e minha irmã ainda falava sobre o ocorrido no aeroporto.

Eu já entendi que dei mancada.

Mas como eu iria saber?

Depois de muitas e muitas vezes dizer que sentia muito- algo que eu nem sentia tanto assim, era só para fazer ela ficar quieta, algo que não adiantava- a pauta agora era apenas na hora do jantar.

Acredite se quiser, antes era em todas as refeições.

Minha irmã consegue ser muito dramática quando quer.

— Como eu estava dizendo, família...

O telefone tocou antes que ela continuasse a falar e eu logo agradeci quando ela se levantou para atender.

E que fique por lá!

Meu cunhado me olhou estranho mas minha sobrinha estava ao meu lado apenas deu risada.

Ainda bem que você me entende, amorzinho.

Acariciei seus fios loiros e ela sorriu voltando a enfiar a colher cheia de legumes na boca.

Você precisa dar um jeito na sua mulher, cunhado. Você não vê que ela está maluca das ideias?

— Alana...!

Ele falou mais alguma coisa todo enrolado porém eu só entendi o meu nome.

Titia, ele não entende você.

E você o entende, amorzinho?

Ela apenas riu mais.

Antes que eu pudesse entender o que meu cunhado falava minha irmã voltou.

— Bom, família, vamos fazer as malas.

— O que? Como assim?

— Era o papai no telefone, dizendo que nos espera na Itália.

Ah não...

Ah sim. — ela se aproximou de sua filha e a pegou no colo, a segurando de lado. — Ele falou que amanhã a tarde estará nos esperando embarcar no navio.

Eu não gosto de navios.

Eu não quero encontrar meus pais em um navio gigantesco que pode afundar a qualquer momento.

Você é chata, Alana.

Sim, sou. E não vou para lugar nenhum!


Eu vim.

Eu estou aqui.

E já me sinto enjoada apenas por ver essa embarcação gigante bem na minha frente.

Eu não gosto de andar de barco.

Eu sempre passo mal e quase vou a óbito.

E é por causa disso que eu evito a todo custo, mas como lidar com isso no meu tempo, sem pressa, se minha própria família me obriga a todo custo?

Eu odeio minha vida...

Eu estava esperando as pessoas ansiosas entrarem primeiro para poder entrar por último, e enquanto isso não acontecia eu tentava me acalmar respirando profundamente e dizendo a mim mesma que tudo dará certo.

Nada de ruim pode acontecer.

E para piorar está tão quente em Nápoles que me sinto derretendo.

Mesmo minha sobrinha e cia estarem muito ansiosos para embarcar, eu tinha obrigado eles a esperarem por mim. Então, quando a quantidade de pessoas da rampa diminuiu nós finalmente entramos.

— Mamãe falou que eles estão na recepção nos esperando.

Apenas acenei com a mão para minha irmã me afastando e parando no primeiro funcionário que apareceu na minha frente.

— Onde fica o banheiro mais próximo?

Ele apontou na direção certa e pediu para ir segundo as placas acima.

Eu praticamente corri até o banheiro abrindo a primeira porta da cabine vaga apenas para vomitar.

Eu me sinto muito enjoada em navios, sem brincadeira.

Todo mundo sabe disso? Sim, todo mundo sabe disso.

Mesmo assim, todo mundo me faz passar por isso? Sim, todo mundo me faz passar por isso.

Eu os odeio.

Sentindo um mal estar absurdo, me agarrei a privada como se ela fosse a minha melhor amiga do mundo inteiro e a soltei apenas quando me senti um pouco melhor.

Dei descarga e me levantei, tentando voltar a ser o mais apresentável possível quando parei em frente a pia e joguei uma água no rosto.

Eu não tenho família não, eu tenho inimigos que fazem de tudo para querer me matar!

Resmungando sozinha, enquanto esfregava meu rosto para tentar tirar essa agonia de mim, parei quando ouvi uma risada baixa.

Pulei de susto quando abri meus olhos e dei de cara com a criança loira, branquela e testuda ao meu lado.

— Você fala uma língua estranha.

E você é estranha, coisinha.

— O que?

Eu a olhei de cima baixo, observando e querendo saber o que ela quer.

— Onde estão seus pais?

Ela deve estar entrando na pré adolescência, eu acho, olhando suas roupas, shorts jeans curto e regata, parece ser isso mesmo, ainda mais pela ousadia por falar do meu idioma.

— Por que?

— Vá com eles, coisinha, criancinhas não tem que ficar sozinha com estranhos.

Essas crianças de hoje em dia... Não ouvem nada que seus pais dizem!

— Você me chamou de coisinha e criancinha?

— Você ainda está aqui, gatinha?

Ela me olhou feio, cruzando seus braços parecendo estar muito pronta para entrar em uma briga comigo, pena que não estou.

Preciso muito de um remédio para enjoo.

A deixei sozinha no banheiro e saí, não gostando nadinha de estar aqui mas o que posso fazer além de continuar?

Não foi difícil encontrar eles na volta a recepção, assim que minha sobrinha me viu veio correndo e pulou em meu colo.

Saudades, titia.

Eu também, gatinha. — sorri a apertando forte e beijando seu rostinho. — Que você demore a crescer e quando isso acontecer não vire uma adolescente revoltada!

Meus pais logo aparecerem e nem parecia que tínhamos nos visto a poucas semanas atrás, foi tanto beijo e abraço que eu perdi a conta.

A mesma coisa foi com a minha irmã, seu marido e minha sobrinha. E para eles tudo bem todo o carinho, fazia mesmo um bom tempo que não se viam.

Que bom que vieram! — minha mãe, Angela, falou depois de se dar por satisfeita tocando em todos nós. — Eu estou tão feliz por estarem aqui!

Eu não... — ela me deu um tapa no braço e eu reclamei, esfregando o local. — Isso doeu!

Ela me ignorou e falou que iria pegar as chaves do quarto e tudo mais.

De um jeito na sua ex! — falei ao meu pai. — Ela tem que parar com esses tapas.

É sua mãe, Alana. — ele sorriu. — Ela que manda.

É um bunda mole mesmo, nem pra se impor e proteger a filha!

Minha mãe voltou a começou a nos levar por todo o local para mostrar tudo antes de irmos para os quartos.

Confesso que tudo era muito bonito, tanto a área interna quanto a externa, porém a parte de fora me fazia sentir coisas que era melhor ficar só na parte de dentro mesmo.

O que eu achei que seria coisa de um dia ou dois aqui dentro, seria na verdade nove dias.

Nove. Malditos. Dias.

Eu não sei o que fiz tanto para merecer isso, não é possível.

Itália, França, Espanha, Tunísia e Itália de novo.

Ainda quero saber o por que de meus pais terem nos chamado.

Eles vivem fazendo cruzeiro juntos, todo mundo sabe disso, mas é sempre eles dois.

E isso é estranho por que eles são separados a vários anos mas continuam nisso.

É como se eles nunca tivessem se separado.

Faz mais de dez anos...

Aqui fica o quarto da Alana e aqui o de vocês. — ela entregou a chave do meu quarto e o da minha irmã a ela, que ficava na porta ao lado. — O jantar vai ser a sete e meia então quero vocês na hora certa, ouviu Alana?

Claro.

Não sei por que ela está falando isso.

Eu apenas vou entrar nesse quarto e nunca mais sair.

Mas eu tenho certeza que ela não sabe disso, ou sabe?

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