Fera sem Bela

Às seis da manhã Natasha levantou para preparar-se para a rotina de volta ás aulas. Ainda sonolenta, foi ao quarto ao lado e acordou seu meio-irmão, Paulo Junior, antes de seguir ao banheiro para escovar os dentes e tomar banho. Poucos minutos, ao som das batidas e queixas do mais novo, envolveu o corpo em uma toalha e voltou ao seu quarto para se trocar.

Deslizando as mãos pelas peças nos cabides chegou aos uniformes escolares, comprados meses antes: três camisetas; um agasalho azul com listras brancas nas mangas para as aulas de educação física; dois blazers; uma saia de pregas; um short para educação física; e duas calças. Tirando as camisetas brancas com o emblema da escola, o restante do uniforme era azul marinho.

A maioria dos alunos não usava ou adaptava os uniformes, mas Natasha não tinha nenhuma dessas opções. Seu padrasto, Paulo Gomes, era o diretor do colégio Rudá, e sua mãe, Natália, professora de história. Ambos tinham uma imagem a preservar, então, tão logo o ano letivo acabava, eles compravam o uniforme completo para ela e pra Junior, repetindo os motivos para usa-los da forma que eram.

Selecionou uma camiseta, calça e blazer e trocou-se rapidamente, pegando a bolsa com seu material antes de descer ao térreo da casa para tomar o café da manhã com a família.

— Bom dia, mamãe! Bom dia, Paulo! — disse automaticamente, como em todas as manhãs, antes de sentar em frente à mãe e ao padrasto e encaixar a alça da bolsa na cadeira de madeira.

— Bom dia princesa! — respondeu Natália, passando os dedos entre os fios rebeldes e acobreados do cabelo de Natasha, antes de recolher a louça que o marido e ela utilizaram e levar para a pia.

Seu padrasto, que lia o jornal na cabeceira da mesa, a olhou por cima das folhas e assentiu antes de voltar à leitura.

O irmão desceu minutos depois, resmungando sobre qualquer coisa que Natasha evitava prestar atenção para não se estressar logo cedo. A diferença de idade deles era mínima - três anos -, mas bem podia ser três séculos. Com doze anos completados no fim do ano anterior, Paulo Junior era infantil e mimado, Natasha se considerava centrada.

Na verdade, Natasha jamais se sentira encaixada naquela família. Começava por achar que seu padrasto bem poderia ser seu avô, pois ele tinha mais de vinte anos de diferença em relação à idade de sua mãe, era sério demais e agia como um vovô. Gostava do padrasto, ele era bom para sua mãe e ela, mas nunca criaram laços de pai e filha.

Ainda tinha um "irmão" mais velho, fruto do primeiro casamento de Paulo, com o qual Natasha convivia somente em reuniões de família e acenava ocasionalmente quando passava em frente à borracharia dele.

Sua mãe, quando estava em casa, passava mais tempo preparando aulas do que com ela. Junior ainda conseguia um pouco da atenção da mãe, por continuar a agir como um bebê chorão, o que levava as brigas ou a fuga de Natasha para a paz de seu quarto.

E tinha o fato mais destoante: seus olhos verdes e sua cabeleira farta e acobreada. Todos na casa ostentavam olhos castanhos e fios lisos e pretos, ela - segundo sua mãe dizia com pesar - puxara ao pai.

Às vezes, imaginava como seria sua vida se seu pai não tivesse abandonado sua mãe ao descobrir a gravidez, sumindo do mapa sem deixar nem mesmo um endereço para a futura filha encontra-lo... E isso doía.

— Natasha, Samantha veio para te acompanhar à escola! — avisou Natália, despertando-a de seus devaneios.

Levantou de um pulo, agarrou a bolsa e saiu apressada dizendo um "até mais" geral.

Após dar um abraço forte e apertado na amiga, começaram a caminhada de quinze minutos em direção ao colégio.

— Pensei que seu pai não deixaria que me acompanhasse — confessou, pois o pai de Samantha preferia levar as filhas de carro para a escola.

— Minha irmã o convenceu — contou.

— Eles brigaram né?

Com um aceno tímido de cabeça, Samantha confirmou antes de narrar o novo confronto no lar dos Silveira Lemes. Natasha bufou. Sua família parecia um sonho quando a comparava a da melhor amiga.

Samantha era a filha mais nova do delegado da cidade, Gustavo Lemes, um homem severo que tratava as filhas como uma extensão da delegacia que comandava. A mais velha, Míriam, era rebelde e não aceitava as ordens arbitrárias do pai, o que causava brigas acaloradas.

— Também me incomodo com o jeito protetor do papai, mas, como delegado da cidade, ele se preocupa com a segurança de todos, incluindo a nossa — Samantha defendeu, fazendo Natasha revirar os olhos exasperada.

Concordava com o ponto de vista de Míriam. Em uma cidade minúscula como Rudá, com menos de cinco mil habitantes e crimes resumidos a brigas ocasionais, a segurança não era difícil de garantir e não precisava se estender com rigidez no lar.

— Seu pai é um ditador e você é muito conformada — disse, levando Samantha a rir.

— Você parece com a Míriam quando digo que o papai está certo.

Observando Natasha aceitar o comentário como um elogio, Samantha, mais uma vez, invejou a personalidade da amiga. Natasha era destemida, falava o que pensava, encarava tudo e todos de frente e ainda tinha o cabelo num tom único e maravilhoso de cobre. Sabia que no colégio essa personalidade frequentemente fazia Natasha discutir com quase todos os colegas, que sempre a ofendiam e a chamavam de fera sem bela. Mas, mesmo assim, queria ser forte e corajosa como a amiga e não a frágil filhinha do papai.

Ao descerem a ladeira que levava ao colégio viram uma confusão no portão de entrada. Christopher e a garota nova na cidade eram o centro das atenções, e não de um modo positivo para o jogador. De onde estavam era impossível saber o que causara a comoção e o que diziam, mas era evidente que a garota estava exaltada, gritando com um Christopher apático.

— Isso é novidade. Um reizinho da quadra sendo rejeitado — zombou Natasha.

— Ela não deve saber quem ele é.

— Isso é óbvio. Mas não creio que faça diferença para uma pessoa de fora da cidade.

Ao se aproximarem, encontraram Clara acompanhada de duas outras amigas, Florbela e Valéria, observando Christopher dizer algo que fez a novata mostrar o dedo do meio e se afastar de cabeça erguida para dentro do colégio.

— Nossa, a nova aluna é a primeira pessoa que conheço que não cai de amores pelo Christopher! — exclamou Flor com os olhos arregalados.

— Surpreendente! — murmurou Clara sem tirar os olhos da garota.

Mesmo com a diferença de idade: Natasha, Samantha e Flor com quinze anos, Clara e Valéria com dezessete, eram todas muito amigas, formando um grupo unido que não fazia qualquer distinção entre si ou com os outros. Natasha sentia-se feliz de verdade ao lado das amigas, e as conhecia o suficiente para saber quando uma delas estava tramando.

— No que está pensando Clara?

— Que a nova aluna precisa se enturmar com pessoas legais como nós.

— Você pensa em chama-la para o nosso grupo? — guinchou Valéria, verbalizando a surpresa que as outras sentiam. — Essa garota é uma grosseirona, e maltratou o Christopher.

— Justamente por isso precisamos dela no grupo. — Sorriu travessa. — Algo me diz que ela vai dar um fim ao ego inflado do meu adorado irmãozinho.

Ninguém se negou a ideia da Moraes, não adiantaria, quando Clara colocava algo na cabeça dificilmente ela mudava de opinião. Mas Natasha tinha certeza que a garota nova não aceitaria fazer parte de um grupo tão simples – ainda mais quando uma das integrantes era a gêmea do rapaz com quem brigara no primeiro dia -, na certa faria parte do grupinho de Cinthia, filha do prefeito, e a garota mais metida que já tivera o desprazer de conhecer.

Entraram no colégio e se dividiram nos corredores, Valéria e Clara para o terceiro ano, Samantha, Flor e ela em direção as salas do primeiro. Respirando fundo, Natasha torceu para que não tivesse que brigar todo dia como no ano anterior.

~

Suas preces não foram ouvidas e a terceira aula foi um tormento. "Qual era o problema dos garotos daquela escola?", perguntava-se com lágrimas nos olhos. Só porque odiava todos eles não era motivo para escreverem um bilhete desaforado. Na verdade não os odiava, simplesmente preferia manter distante. Aprendera desde cedo que homens, seja qual fosse à idade, eram fonte inesgotável de decepção.

Suspirou ao passar pela sala em que ficavam suas amigas: Clara e Valéria. Gostaria de conversar com elas, ou com João, único garoto que ela ouvia por mais de um segundo, mas não podia interromper a aula deles para desabafar - embora desejasse -, por isso seguiu em frente.

A raiva, sua melhor amiga há anos, era a única companheira no caminho até o bebedouro próximo aos banheiros, ajudando a achar - na lista de projetos de homens da escola - o culpado por destruir sua alegria no primeiro dia de aula. No topo da lista, com direito a notas de rodapé e sublinhado em laranja gritante, aparecia seu desafeto número um: William Silveira Lemes. Ele adorava planejar novas formas de irrita-la.

Como se seu pensamento criasse vida, ao virar o corredor avistou William perto do bebedouro.

— Droga! — murmurou zangada.

Foi na direção do bebedouro, tentando manter ao máximo a calma.

Caso não tivesse lido aquela porcaria de bilhete, talvez não tivesse vomitado na lata de lixo em que jogara o maldito papel. Ainda sentia o gosto azedo na boca e necessitava urgentemente beber algo.

Abaixou-se para beber a água, tentando ignorar o garoto encostado na parede. Sorveu o líquido gelado e sorriu por ter suavizado o gosto amargo na boca.

— Deveria escovar os dentes, seu hálito deve estar um horror... Não que alguém vá notar a diferença...

Encarou William furiosa. Já esperava pelas provocações dele, por isso respirou fundo e voltou a sorrir.

— Espero que tenha se divertido ao mandar o bilhete e presenciar minha reação.

William riu, irritando ainda mais Natasha.

— Desculpe decepciona-la, mas não mandei bilhete algum.

— Ah, imagine! — zombou com os olhos verdes faiscantes. — Por um erro de calculo você foi parar na minha sala, bem no momento em que vomitei.

— Não que seja de seu interesse, mas aproveitei a aula vaga para falar com a Josie.

— E o que faz aqui? Sua sala fica do outro lado — indicou aborrecida, mesmo após saber que ele não mandara o bilhete. Se bem que podia ser mentira.

— Sam me pediu para ver como você estava, já que saiu correndo da sala.

— Não preciso da pena de ninguém.

— Ainda bem que não sou um frango.

— Idiota!

— Obrigada pelo elogio, mas vai precisar se esforçar mais para me conquistar.

Sem se importar que alguém visse, deu um tapa no rosto sorridente de William.

Como se nada tivesse acontecido, pousando a mão no local atingido, William riu divertido.

— Sim, você está muito bem.

Sentindo o rosto queimar de vergonha e frustração, se virou e retornou para sua sala, perguntando-se como William chegara ao bebedouro antes dela e como ele conseguia achar graça de tudo.

~

A movimentação no pátio da escola era enorme e demorou um pouco para que Natasha encontrasse Samantha, que sentara na mesma mesa que as outras garotas. Assim que ouviu o sinal do intervalo, teve que passar no banheiro novamente. Queria não se afetar pela conversa com William, mas um lado dela – o burro influenciável -, não descansou até conseguir pasta de dentes – da sempre precavida Samantha - para escovar a boca com a ajuda do dedo indicador.

— Está melhor, Natasha? — Valéria perguntou preocupada.

Olhou furiosa para Samantha e Flor.

— Não contei nada — declarou Flor na defensiva, seguida por Samantha.

— Então como Valéria sabe?

— Todos estão sabendo Naty. — Clara acariciou de leve a mão da amiga. — Os garotos da sua sala, em um ato nojento, pegaram o bilhete e saíram contando a todos o que ocorreu.

Sentando-se, Natasha respirou fundo. Deveria imaginar que isso aconteceria, afinal, os garotos faziam questão de atazanar sua vida.

— Você sabe quem escreveu o bilhete? — Valéria questionou.

— Tenho suspeitas. – Olhou para as próprias mãos. — Acho que foi o William.

— Não foi ele — Sam garantiu. — Meu primo, às vezes, pode ser um completo idiota, mas nunca humilhou ninguém.

— Quem teria o prazer de escrever aquelas grosserias? — Suspirou, desejando acalmar os nervos de forma a não brigar com a amiga. — Foi ele que me apelidou de fera sem bela. E da última vez que discutimos ele fez questão de dizer que meu pai largou minha mãe por medo de ver a minha cara feia — declarou com a voz embargada, lembrando que eram exatamente aquelas palavras no bilhete: rejeitada; feia; fera sem bela.

— Ele estava irritado por você tê-lo chamado de gigolô juvenil — Samantha recordou, novamente repreendendo a amiga com o olhar. — Além disso, não havia só o nosso grupo ouvindo a discussão de vocês, e todos de Rudá conhecem a história dos seus pais.

— Se não foi ele, não tenho ideia de quem foi — declarou cansada. Como nenhuma de suas amigas tinha a resposta, para não brigar, decidiu encerrar o assunto. — E a aluna nova? Conseguiu falar com ela? — perguntou para Clara.

— O nome dela é Fabiany Souza e está na minha classe — respondeu. — Parece inteligente, apesar de ser um pouco... Digamos, nada social. — Em tom de confidência esclareceu: — Ela brigou com o Christopher de novo, durante a primeira aula. O professor ficou furioso com eles.

— Ah, mas ela vai ter de ser mais gentil com o Christopher. — Valéria riu acompanhada pelas demais. — Ela está encantada pelo Ivan e teve um plano "brilhante" para conquista-lo.

— Qual?

— Todos sabem que o Ivan adora disputar as "namoradas" do meu irmãozinho — Clara recordou. — Quando soube disso Any propôs ser namorada do meu gêmeo, de mentira, óbvio.

— Ele aceitou? — Não imaginava Christopher concordando com uma ideia tão absurda que aumentaria sua rixa antiga com Ivan Garcia Carvalho.

— Ele ainda não sabe do plano — respondeu Clara. — E sabe o que é mais divertido? Ela não faz ideia de que Christopher, o garoto que ela odiou a primeira vista, é meu irmão gêmeo.

— Oh, nossa! Quando ela descobrir... — Natasha riu, lembrando o jeito que ela tratara Christopher na entrada da escola. — Coitadinha!

Enquanto as amigas continuavam a especular e fofocar, Naty fingia interesse. Não ligava para as tramas românticas, não era motivo de disputa amorosa, nem mesmo tinha um rapaz interessado nela.

~

Depois das aulas, William seguiu para a quadra do colégio, para treinar com o restante do time de basquete, do qual era o ala. Adorava qualquer tipo de esporte, e ser titular do time era uma honra.

Quando o treinador dispensou todos, William seguiu os amigos para o vestiário, ao lado da quadra, construído especialmente para o time de basquete.

Abriu seu armário e tirou sua toalha.

— Ei, William! — Zack lhe deu um forte soco nas costas. — Vai sair com Josie hoje?

Fingindo que o soco não tinha sido nada demais, William sorriu.

— Sim.

— Você tem sorte de ficar com aquele pedaço de mau caminho, amigão — Chris o felicitou. — Também tenho um encontro, com a gatinha da Monalisa.

— É, o gosto dela piorou depois que saiu com o Fernando.

— Muito engraçado, babaca — trovejou Fernando jogando a camisa suada no amigo.

Dando de ombros, William jogou a peça de volta e caminhou para a aérea dos chuveiros.

Mudou a chave do chuveiro para quente antes de liga-lo. Sem se importar com sua voz esganiçada e fora de tom, banhou-se cantando a pleno pulmões, rindo por dentro com a onda de reclamações dos amigos. Gostava de tirar os outros do sério.

Terminado o banho, enrolou a toalha na cintura e voltou para seu armário, retirando as roupas que usara durante as aulas, calça jeans e camiseta branca do colégio. Colocou a cueca e a calça antes de se sentar para terminar de se vestir.

— Vi você com a fera hoje — Pedro, que ocupava o armário ao lado do seu, comentou se aproximando com um sorriso falso, o curto cabelo castanho claro molhado do banho recente. Nu e não mostrando a menor intenção de se vestir, encostou o ombro no móvel de metal. — E também vi o tapa que ela lhe deu. Finalmente apareceu uma garota que resisti ao seu charme — falou alto de forma a atrair a atenção dos outros garotos. — Logo quem: A fera.

Irritado com o comentário de Pedro, William ouviu as risadinhas dos companheiros de time e revidou sem pensar:

— Se eu quisesse conquista-la seria fácil, fácil.

— Duvido.

— Quer apostar? — perguntou enfurecido com o sorrisinho cínico e duvidoso do colega.

— Oh, mas é lógico — Pedro aceitou de imediato. — Aposto cenzinho que não consegue.

Vários garotos se aproximaram, principalmente ao ouvirem o valor, muito acima do que estavam acostumados a apostar. Com a recente troca do cruzeiro por real, William sequer sabia exatamente quanto seria esse valor, mas supôs ser alto, uma vez que Pedro, o mais rico entre eles, estava disposto a sacrificar por ter certeza da vitória.

— Apostado — concordou sem pensar, a adrenalina em suas veias enchendo-o de confiança ao profetizar: — Consigo conquista-la em menos de uma semana.

— Como é convencido, William. — O encarou com seu eterno sorriso falso. — Para ter certeza de sua conquista terá que leva-la ao baile de Rudá.

O murmurinho aumentou. Todos sabiam que William e Josie sempre iam juntos ao baile, mesmo quando estavam separados por um longo período, como era o caso.

— William, não ligue para ele — Fernando pediu ao atravessar o mural de amigos. — Não vai ganhar nada fazendo isso.

— Vamos William, decida-se — Pedro persistiu. — E estou te dando cinco meses. Cenzinhos para que dome e controle a Fera.

O alvoroço tomou conta do vestiário. A maioria preparando-se para participar dos lances para saber quem sairia vencedor.

— Não o ouça, William — aconselhou Zacarias, postando-se ao lado de Fernando. — Natasha o odeia por bem menos.

Lembrando-se dos vários anos que ele e Natasha vinham se alfinetando, William ponderou se seria certo fazer uma aposta que só tornaria as coisas piores caso ela descobrisse.

— Eu... Bem... — Não sabia que decisão tomar, e pensava seriamente em recuar. Até que Pedro o irritou ainda mais.

— Bem se vê que você não conseguiria conquistar a Fera nem em mil anos.

— Apostado! — gritou exaltado. — Levarei a Natasha ao baile, e garanto que ela estará totalmente apaixonada por mim.

— Veremos — Pedro duvidou, voltando-se para o armário para retirar suas roupas. — Ah, e é melhor que não saia com a Josie durante esse tempo — disse enquanto colocava a calça e a camisa do uniforme. — Vai ter que se contentar só com a Fera.

Soltando uma risadinha forçada, Pedro se afastou. A roda em volta deles se desfez, os colegas falando sobre a aposta entre os dois alas e a paralela para acertar o vencedor.

Zacarias, Christopher, Fernando e Henrique se aproximaram de William que terminava de se vestir, ajeitando-se com movimentos nervosos.

— Se Natasha ou as outras garotas descobrirem vai ser o seu fim — Henrique avisou preocupado. — Sam, sua prima, vai ser a primeira a lhe virar a cara.

— Elas não precisam saber. — William se levantou e pegou a mochila, fechando o armário com um estrondo, com raiva por ter caído na armadilha de Pedro. Sabia qual era a intenção de Pedro com aquela aposta estúpida. A muito percebera que o colega, mesmo tendo namorada, tinha uma queda por Josie. — Vocês me ajudam a distrai-las e assim elas não me atrapalham e nem descobrem sobre a aposta. — Olhou para Henrique. — Você cuida da sua namorada. Valéria está mais preocupada consigo mesma que com quem a rodeia. Flor só liga para si mesma. E Samantha... Bem, Fernando pode enfim se declarar e namora-la de uma vez por todas.

Saiu do vestiário apressado, sem se despedir dos amigos que continuaram a censura-lo. Como se precisasse. No momento em que disse "aceito" se arrependera. Mas, mesmo sentindo que cometera o maior erro da sua vida, seguiria em frente, não deixaria Pedro vencê-lo. Depois lidaria com as consequências, agora precisava planejar os próximos passos para conseguir o coração da Fera.

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