Confia?

Faltando um mês para o prazo final da aposta com Pedro, Willi ainda não conseguira fazer Naty olha-lo com paixão, mas, em contrapartida, aprendera a vê-la de outra forma. Apreciava as horas que passavam juntos e até aprendera com as aulas, que agora não achava tão inúteis como antes, prova disso eram as notas altas que recebia atualmente.

Já sabia praticamente tudo sobre Naty, graças a Paulinho e suas próprias observações, e compreendia o comportamento arredio e cínico que ela usava com a maioria dos garotos, principalmente com ele. Aprendeu a gostar dela, tinha um sentimento cada vez maior por ela e, sendo sincero consigo mesmo, queria que ela gostasse dele da mesma forma, e isso nada tinha haver com a aposta.

Sentou-se no banco de reserva do time de basquete e ficou feliz ao avistar Naty na arquibancada. Depois que ela comentara que o observava no banco, começara a fazer o mesmo, procurando-a entre os colegas que assistiam os treinamentos e jogos, reparando que nos últimos dias ela sempre vinha e, mesmo que não admitisse, Willi já a vira torcendo por ele.

No fim do jogo, acenou para ela antes de ser dirigir ao vestiário, deixando claro que apreciava a torcida dela.

— Hei, Willi! Sua namorada quase me fuzilou com o olhar quando tropecei em você — comentou Pedro rindo com secura.

— Na verdade, você me empurrou — corrigiu Willi, sem acrescentar que ela ainda não era sua namorada.

Quase todos da escola achavam que estavam namorando, porque sempre estavam juntos e sozinhos na casa dela. Mas Willi bem sabia que os pais dela deixavam Paulinho para vigia-los. Além disso, havia João, que costumava se encontrar com ela depois que ele saia, o que o irritava. Paulinho lhe garantira que eles não estavam namorando, mas também dissera que Naty o estava ensinando a dançar, o que era ainda mais estranho.

— Em que está pensando? — Henri Davi quis saber ao vê-lo parado olhando fixamente para o armário.

— No João do 2°B. Ele anda se encontrando muito com a Naty — explicou.

— Com ela também? — perguntou Fernando ao se aproximar — Sam, Any e Kassy estão sempre com ele.

— Até demais — comentou Chris irritado.

— Acho que ele está namorando a Kassy — comentou Zack. — Os vi ontem cheios de risadinhas na pracinha.

— É bem estranho, não acham? Toda mudança que ele fez na aparência, sair com várias garotas...

— Eles são só amigos — Davi retrucou sem ver problema algum.

— Queria ver se fosse com a Clara que ele se encontrasse diariamente — William replicou.

— Não sei por que está tão incomodado Willi, afinal, Naty é só uma aposta — Henri comentou observando o amigo com curiosidade.

Irritado, Willi se afastou dos amigos, sem retrucar e nem falar o que Davi devia fazer com seus comentários.

~

Depois de verem o jogo de basquete, Naty convidou suas amigas para irem a sua casa.

— Mamãe fez um bolo irresistível ontem à noite.

— Eu iria, mas meu moranguinho vai me levar ao cinema — justificou Clara.

Sam declinou. Combinara de ajudar a irmã a comprar mais itens para o enxoval de casamento.

— Combinei de estudar com o João para a prova de matemática de amanhã — explicou Any ajeitando a bolsa lateral no ombro.

— Pedro não gosta de me ver na casa de ninguém, além da minha e da dele — disse Júlia, irmã gêmea de Valéria, trêmula de medo da reação do namorado.

Olhou para Val.

— Aula de Inglês — ela justificou simplesmente.

Conformada, Naty foi para casa sozinha e assim permaneceu, pois seus pais estavam trabalhando e Paulinho saíra em uma excursão escolar. O que significava que tivera de pedir para Willi e para João não irem a sua casa, e nem tinha permissão para ir à casa de nenhum deles.

Subiu para seu quarto, o pensamento no que deveria fazer com esse tempo livre, quando o telefone tocou. Certa que deveria ser para sua mãe ou para seu padrasto, não usou o telefone da sala, seguindo até o fone ao lado de sua cama.

— Alô!

Naty? Aqui é Willi.

Sobressaltou-se, estranhando a ligação. Em todos aqueles meses, nunca tinham telefonado um para o outro.

— Willi?!

Não estou te atrapalhando, não é? — ele quis saber, parecendo preocupado de tê-lo feito.

— Claro que não.

Está sozinha?

— No momento estou — respondeu estranhando a pergunta.

Que tal se fosse tomar um sorvete ou ir ao cinema? — perguntou, acrescentando em seguida: — Estão passando um filme da Sandra Bullock, a sua atriz preferida.

Confusa, pelo convite e por Willi saber que gostava de Sandra Bullock, Naty não soube se aceitava. Não era crime, mas não sabia o que pensar. Num momento brigavam sem parar, de repente estavam presos em um projeto de estudos e agora, mais uma vez, ele a convidava para saírem para tomar sorvete. Era muito, muito estranho.

Indecisa, decidiu se esquivar do convite, como fizera em todas as ocasiões anteriores quando não o tolerava.

— Não posso.

Por quê?

— Bem. Eu vou... Vou...

Vai aonde? Tem um encontro com alguém? Vai sair com o João? Vocês estão namorando?

— Calma, uma pergunta de cada vez — interrompeu se perguntando o que estava acontecendo com Willi. — E de onde você tirou que estou namorando o João?

Vocês estão sempre juntos — ele explicou parecendo enciumado.

— Também estou sempre com você e nem por isso somos namorados.

Não por que eu não queria.

Surpresa, Naty ficou sem fala. Ele praticamente estava insinuando que queria namora-la, o que a assustava mais do que os apelidos que ele lhe dera.

— Eu tenho que sair... Visitarei minha avó — inventou depressa .

Posso acompanha-la?

O que havia com ele?

Juro que não vou incomoda-la.

Estava mais do que estranho, estava praticamente anormal aquela conversa.

Diga que sim — Willi implorou.

— Bem... Não vejo problema...

Isso é um sim?

— É, acho que é.

Te pego em meia hora.

Ele encerrou a ligação sem dar tempo para que ela desistisse.

Ainda atordoada com os acontecimentos, Naty se apressou para trocar, mas parecia que nada ficava bem ou adequado. Não que quisesse ficar bonita para Willi, mas também não queria parecer desleixada.

Por fim colocou uma camiseta com a estampa do Mickey e um short. Olhou-se no espelho e decidiu que precisava se pentear e passar um batom antes que Willi chegasse. O motivo? Precisava de um?

~

Ansioso para se encontrar com Naty, Willi colocou sua camiseta favorita azul turquesa e short vermelho. Desceu as escadas correndo, quase pulando degraus, e entrou na garagem apresado. Pegou dois capacetes e subiu em sua moto partindo para a casa de Naty, chegando em menos de dois minutos, afinal não moravam tão longe. Ficou parado, olhando a casa, indeciso se a chamava ou não.

— Como vai William?

Mesmo antes de se virar, Willi soube que era Josie, por isso, ao olha-la estava sustentando um forçado, porém amigável, sorriso.

— Vou bem. E você?

— Não muito bem depois que você me rejeitou — ela reclamou fazendo beicinho, a expressão doce de quem estava chateada com o tratamento atual dele.

— Eu não a rejeitei Jô, apenas acho que estamos melhor separados.

Encarando-o com uma intensidade incomoda para ele, Josie perguntou com uma calma gélida.

— Venho ter outra aula com a Fera?

— Não — respondeu, fazendo questão de corrigi-la em seguida: — E agradeceria se a chamasse pelo nome: Natasha, ou Naty.

Ela não se abalou com a correção, ao contrário, fingiu não ouvi-la.

— Afinal de contas, o que há entre você e a Fera?

— Nada, por enquanto — acrescentou causando um olhar feroz na jovem. — E pare de insulta-la, por favor — pediu começando a se irritar com aquela conversa.

Josie ficou séria por uns segundos para logo depois sorrir com ar diabólico.

— William, meu docinho, espero que não tenha esquecido o que jurei. — Se aproximou e lhe tocou o rosto com a ponta das unhas. — Não terei piedade de ninguém, muito menos da Fera.

Rápido, Willi lhe prendeu o pulso com força avisando:

— Não tente fazer mal a Naty ou não respondo por mim.

Zangada com a constante rejeição de William, aumentada pela inesperada defesa e interesse dele por Natasha Novaes, Josie soltou o braço e se afastou rebolando de modo provocante, mas que já não causava efeito sobre o rapaz.

William voltou sua atenção para a casa de Naty e decidiu que, pronta ou não, iria chama-la. Tocou a campainha e logo Naty apareceu, fazendo-o esquece-se completamente de Josie e suas ameaças.

— Veio rápido — ela comentou ofegante pela corrida para atender a porta.

— É que queria vê-la.

Naty sentiu-se enrubescer. Willi considerou que ela ficava ainda mais encantadora quando corava, as pequenas sardas no nariz e abaixo dos olhos quase sumindo em meio a cor que dominava a face alva.

— Melhor irmos logo — Naty recomendou, afastando-se de Willi para ocultar a prova de seu embaraço.

— Lógico. — Ele a alcançou e lhe estendeu um capacete. — Ponha isto. Vamos de moto.

— Não é... Perigoso? — quis saber temerosa.

— Confia em mim?

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