Anule
Em volta de duas mesas unidas para poderem ficar todos juntos, Naty e Sam eram o centro das atenções das amigas. Assim que Fernando, Chris , Willi e Davi saíram, dizendo que iriam resolver um pequeno problema e voltariam logo, Any se voltara para elas com o olhar inquisidor.
— Agora que os garotos estão longe, vocês duas nos devem umas explicações — sentenciou taxativa.
— Vamos, comecem a falar — pediu Clara ansiosa.
— Ah, meninas... — Sam sentiu as faces em chama. — Fernando me pediu em namoro e eu aceitei, só.
— Queremos detalhes — exigiu Val.
— Bem... eu fui acompanhar minha irmã e o namorado numa festa... — Ao perceber o olhar repreensivo das amigas se explicou. — Meu pai me obrigou. Por mim eles iriam sozinhos.
Val assentiu, sabendo bem como o pai de Samantha era linha dura com as filhas.
— Tudo bem Sam, continue...
— Mirian não gostou da ideia do papai e, para se rebelar de alguma forma, decidiu levar o Fernando conosco....
— E o namorado dela não se importou? — Any a interrompeu curiosa.
— A irmã da Sam namora Cícero, irmão mais velho do Fernando — explicou Val no lugar da amiga, acrescentando: — Ele faz faculdade na capital e só vem para cidade de vez em quando, por isso você não o conhece.
— Entendo. — Tocou na mão de Sam e a incentivou a continuar o relato.
— Tudo bem. — Sam respirou fundo, o rosto corado pela atenção que atraia. — Como já era tarde da noite, acabei tirando uma soneca e quando acordei. — Seu rosto avermelhou ainda mais. — Fernando estava me abraçando... E estávamos sozinhos... Ele me beijou...
— Uau...!
Todas se abanaram com as mãos.
— Ah, garota! — Clara lhe deu um tapinha no ombro. — Pelo jeito, dessa vez, ele não lhe deu chance de se esquivar.
Sam concordou. Admitia que, por ser muito tímida, até a noite anterior, fazia de tudo para se esquivava de ficar sozinha com Fernando.
— Agora sua vez, Natasha — Any pediu, transferindo os olhares de Sam para Naty.
Querendo extravasar toda a sua felicidade, Naty contou tudo nos mínimos detalhes. O convite de Willi para saírem; sua desculpa de visitar a avó; a ida de moto; o lago... Cada detalhe deixava as amigas mais e mais empolgadas. Quando acabou, suas amigas pareciam ter recebido a noticias de que haveria uma espaçonave esperando por elas do lado de fora.
— Nunca imaginei que Willi a pediria em namoro — declarou Sam. O primo sempre lhe parecera superficial demais para valorizar alguém como Naty.
— Nem eu — Naty falou com uma ponta de receio de tudo ser uma fantasia de sua mente, uma brincadeira do universo. Mas não era, a prova disso tinha sido o pedido de Willi para seus pais e a demonstração de afeto diante dos amigos, e de qualquer pessoa que estivesse ao redor deles quando ele a beijou no colégio.
— Pois eu sim — retrucou Any. — Nas últimas semanas reparei que Willi sempre buscava ficar junto de Naty. Era quase possível sentir o ciúme ferver nas veias dele quando a via com o João. Além, é claro, da cara de bolo que ele fazia quando estavam juntos.
— Você é bem perspicaz — disse Clara hostil, pensando em como Any percebia esses sintomas em Willi e os ignorava em Christopher.
— Que tal pedirmos algo para comer enquanto os garotos não voltam? — perguntou Val para evitar discursões.
Todas concordaram querendo comemorar o namoro das amigas.
~
— Até quando vai prosseguir com essa aposta idiota?
Incomodado, Willi ficou em silencio ao ouvir a acusação de Chris. Assim que tinham se afastado das garotas, sendo levados por Chris até o banheiro dos funcionários, Willi se vira cercado de olhares acusatórios, o mais incisivo sendo o do líder do time de basquete.
— Quando Naty descobrir... — Chris começou, sendo interrompido por Willi.
— E quem vai contar para ela? — ele quase gritou de raiva, não entendendo o motivo de Chris para se importava tanto com seu namoro com Naty. — Você?
— E se eu contar?
Cansado de ser intimado, suspeitando dos motivos do amigo e sem pensar no que estava fazendo, Willi avançou para cima de Christopher, empurrando-o contra a parede.
— Por acaso tá afim dela? Vai, me diga? Tá afim dela?
— Willi, solta ele — pediram Davi e Fernando puxando-o para longe do outro amigo.
— Droga! Ficou maluco? — Christopher gemeu de dor. — Minhas costas...
Vendo que deixará sua fúria falar mais alto, Willi encostou-se no lavatório e esfregou as mãos no rosto.
— Desculpe, desculpe... Vocês não entendem.
— Você que não entende Willi — retrucou Fernando. — O que você acha que vai acontecer quando Naty descobrir, ou as outras garotas? Não é só a sua cabeça que vai rolar, a nosso também tá na guilhotina.
— O que vocês querem que eu faça? — perguntou desolado com a ideia de Naty odiá-lo, de novo.
— Acabe com essa aposta idiota e se afaste da Naty — Chris impôs por fim.
— Não é tão simples. — Willi passou os dedos entre os fios dourados. — Eu... me apaixonei pela Naty. Não sei ao certo quando, mas tudo nela me conquistou e não vou abrir mão dela.
A declaração angustiada surpreendeu e convenceu seus amigos. Mas, todos concluíam que, mesmo apaixonado de verdade por Naty, não mudava em nada os fatos.
— Então, pelo menos, coloque um fim na aposta — Davi aconselhou.
— Sim, é isso que pretendo fazer.
— Em minha opinião, você deveria contar tudo para a Naty, antes que ela fique sabendo pela boca de outra pessoa — Chris opinou, sabendo que nenhum segredo ficava oculto por muito tempo em Rudá, e todos ali compartilhavam o mesmo pensamento.
— Vou pensar nisso — prometeu.
— Melhor voltamos, as meninas devem estar preocupadas — Davi falou, certo que, pelo menos a sua namorada, estava contando os minutos que ficavam longe. Assim que ficasse sozinha com ela teria mil perguntas sobre os motivos da demora para responder.
Seguindo os amigos até as mesas que dividiriam na lanchonete, pertencente ao pai de Christopher, Willi decidiu que iria falar tudo para Naty, mesmo que isso significasse perde-la. Torcia para não ser o caso.
~
Voltando para casa abraçada por Willi, Naty se sentia a garota mais sortuda da face da terra. Willi, por sua vez, pensava em como contar sobre a aposta sem que ela se afastasse de vez da vida dele.
Entraram na pracinha e, em vez de continuar a atravessa-la, Willi a conduziu até um dos bancos e a fez se sentar. Olhou para Naty, que lhe sorria com carinho, e pensou em como minimizar as chances de magoa-la e perde-la.
— Naty, eu... eu... cometi um erro enorme...
— Você se arrependeu de ter me pedido em namoro? — Naty o interrompeu sentindo o coração despedaçar, a voz quase um murmúrio de tão baixa.
— Não, claro que não. — A abraçou com delicadeza para tranquiliza-la. — Jamais vou me arrepender. Você é tudo o que quero.
Beijou-a, sentindo o sangue em ebulição, gostava de sentir os lábios dela nos seu. Sem se importar com quem estivesse olhando a estreitou ainda mais em seus braços e lhe distribui vários beijos pelo rosto e pescoço. Ouvindo-a rir baixinho, parou de beija-la, segurou a face dela com ambas as mãos e, após espera-la abrir os olhos, tentou novamente contar sobre a aposta.
— Eu preciso te dizer que...
Foi interrompido novamente, dessa vez por palmas se aproximando deles. Os dois olharam na direção do som e viram Josie observando-os com um sorriso estranho, as mãos batendo palmas conforme andava até eles.
— Então foi por essa... nanica que você me largou?
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Naty já havia se levantando totalmente irada.
— Olha aqui girafa, não aceito ser insultada por ninguém, ainda menos por você.
— Mais que língua afiada para uma tampinha, filha da...
Antes que Josie completasse suas palavras, com raiva e desejando cala-la antes que ela insultasse sua mãe, como parecia que seria o caso, Naty lhe deu um tapa no rosto.
— Tampinha ou não, sou muito melhor que você — desdenhou, forçando-se a não se apiedar com as lágrimas de crocodilo de Josie. — Meu "problema" se resolve com salto alto, mas o seu só nascendo outra vez.
— Naty — Willi a repreendeu, segurando-a pelo braço com receio do que mais ela faria caso Josie persistisse em provoca-la.
Até aquele momento estivera surpreso com o comportamento de Josie. Nunca imaginava que ela fosse capaz de ofender daquela maneira. Josie sempre parecera uma garota delicada, doce e cheia de charme. Pelo jeito estivera enganado sobre ela todo aquele tempo.
— Como pode me trocar pela Fera? — Josie cuspiu incrédula.
— Fera com muito prazer — Naty revidou sarcástica, fazendo uma leve mesura.
— Uma nanica, gorda e feiosa, em vez de mim? Qual é o seu problema.
— Josie, por favor, pare de insulta-la — pediu contendo a namorada, que ameaçava avançar novamente sobre a outra garota.
Com ódio e rancor no olhar, Josie olhou de um para o outro.
— Juro que vou acabar com vocês — prometeu com amargura ao ver William enlaçar Natasha pelos ombros. — Eu juro.
Saiu rebolando como sempre, só conseguindo despertar repulsa em William.
— Você esta bem? — perguntou preocupado para Naty.
— Melhor que ela, sim. — A moça riu. — Sempre tive vontade de acabar com aquele ar superior dela.
— Por algum tempo pensei que só eu receberia seus tapas — ele brincou, se referindo as várias vezes que ela o agredira.
Puxando-o pelo pescoço o beijou com extremo carinho.
— Agora só vou enchê-lo de beijinhos. — O beijou no lábio inferior. — Muitos, muitos, beijinhos.
— Adorei essa ideia. — A levantou do chão para beija-la profundamente.
— E eu adoro você — ela sussurrou contra os lábios dele.
Descendo-a, Willi a beijou na testa. Nunca imaginara que sentiria algo tão forte por alguém, muito menos por Naty. Isso o enchia de medo, medo de que, de uma hora para outra, a perdesse totalmente.
— Naty, me prometa que, haja o que houver, vamos confiar um no outro e vamos ouvir tudo o que um quiser dizer ao outro.
— Eu confio em você — garantiu Naty sorrindo bobamente. — E gosto de ouvi-lo.
— Prometa — ele pediu com firmeza.
— Se está assim pelo que Josie falou, não se preocupe, não ligo a mínima para aquela dondoca.
— Por favor, prometa — persistiu abraçando-a.
— Tudo bem, prometo, mas... — Sorriu de lado.
— Mas...?
— Quero que jante lá em casa hoje.
— Espero que sua mãe tenha mais daquela lasanha de ontem, estava deliciosa.
Naty riu. Nuncaestivera tão feliz quanto naquele momento. William se sentia da mesma forma,por isso, decidiu não estragar o momento com declarações que atrapalhariam aalegria deles.
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