⊱Um⊰

"𝓠uem dá mais por ele?"

É o que eu escutava aquela noite inteira. Estava quase chegando a minha vez de ser leiloado. Confesso que eu estava bastante nervoso com o fato daquela licitação, mesmo sendo vendido em benefício daquela instituição para gays desabrigados. Parte boa: era por uma causa nobre. Parte ruim: eu teria que sair com um cara milionário e o problema estava justamente no fato de que eu não era gay.

Me chamo André.

Eu nunca havia participado de um leilão antes. Bem, não como a pessoa leiloada. Ainda mais se não eram mulheres que iam pagar por mim. Eu não tinha nada contra os gays, afinal de contas meu melhor amigo era gay e morávamos juntos, dividindo a mesma casa. Eu só não sentia atração nenhuma por homens. Nunca havia sentido em toda a minha vida.

Já havia namorado duas vezes com duas garotas incríveis. Eu fui realmente apaixonado pelas duas. Uma namorei no meu ensino médio até que o ensino médio acabou e o nosso relacionamento também. A outra namorei logo após o término com a primeira. Ela era uma amiga da minha ex, mas acabaram se distanciando. Eu e a garota ficamos bem mais próximos até que enfim começamos a namorar e então ela recebeu uma oportunidade para morar fora e não exitou em ir. Como todo relacionamento à distância nunca funciona mesmo, resolvemos terminar e eu voltei a ficar solteiro.

Elas foram as minhas namoradas oficiais, claro, mas sempre teve outras meninas que eu ficava e não era nada sério. Às vezes era só sexo numa noite de balada. Nada de mais. Eu sempre soube que gostava de meninas e mesmo morando com o meu melhor amigo gay, nunca senti nenhuma vontade de experimentar outra coisa, mesmo tendo ainda uma oportunidade tão perto de assim de mim.

Ali, esperando a minha vez na fila, eu me sentia muito estranho. Davison estava me dando apoio no meio daquela multidão, me encorajando com o olhar e gestos. Com as roupas que me colocaram eu estava me sentindo um verdadeiro garoto de programa, pois estavam muito justas comparadas as que eu costumava usar e também pelo fato de que estava sendo vendido num leilão.

A única coisa que me fez aceitar aquilo foi o fato de que eu não precisava transar com nenhum dos caras que eu fosse sair, afinal de contas era apenas um jantar. Mais como um serviço de acompanhantes. Meu melhor amigo Davison me garantiu que se rolasse sexo seria totalmente por minha conta, então foi isso que me tranquilizou.

― Quem dá mais por ele? ― perguntou Lorelay mais uma vez ao público.

Lorelay era a travesti que cuidava da instituição para gays desabrigados. Naquela noite ela estava como a leiloeira, vestida com uma roupa rosa brilhante, uma peruca loira com uma pena cravada na sua lateral e uma maquiagem bem chamativa com ainda mais brilho, parecendo até que tinha sido cagada por um unicórnio de tanta purpurina concentrada.

― Dou-lhe uma, Dou-lhe duas, vendido para aquele senhor do terno vinho! ― consumou ela batendo o seu martelo no púlpito de madeira.

O garoto que acabara de ser leiloado saiu sorrindo vindo pela lateral do palco, passando por mim e comemorando com seus amigos logo mais no fim da fila. Ainda haviam mais cinco caras na minha frente até que chegasse a minha vez, mas aquilo não me impedia de estar quase surtando ali. Eu batia minhas mãos nas laterais da minha coxa fingindo que estava contagiado por uma música, quando na verdade era apenas para aliviar toda a tensão que eu estava vivenciando, tal quando se vibra a perna sentindo aquelas ondas de adrenalina passar por todo o corpo numa carga absurda de volts.

Bem, você deve estar se perguntando agora como foi que acabei entrando nisso tudo. A resposta é bem simples. Meu melhor amigo. Ele que me empurrou para esse leilão. Eu nunca nem saberia da existência desse lugar por mim mesmo. Não é o tipo de lugar que eu costumo frequentar costumeiramente. Eu vou contar agora como foi que toda essa confusão começou.

***

Era um dia comum como qualquer outro na minha rotina. Eu estava voltando para casa depois de um dia cansativo de trabalho. Não via a hora de chegar em casa e me deitar na minha cama, curtindo um pouco de Netflix, enquanto me alimentava de alguma coisa. Às vezes eu estava tão cansado que acabava dormindo com a TV ligada e só a desligava durante a madrugada ou então Davison acabava por desligar muitas das vezes.

Assim que cheguei em casa me deparei com Davison e sua irmã Dandara conversando. Logo que fui notado ali, a conversa se encerrou. Dandara levantou-se e veio até mim me cumprimentar para desviar a atenção do que estava acontecendo ali. Eu vi que Davison tinha limpado lágrimas dos olhos. Talvez ele não quisesse que eu o visse chorar porque ele odiava fazer as pessoas se preocuparem com ele.

Dandara anunciou que ia embora e podia sentir que a conversa ali fora bastante tensa, pois estava nítido nas suas expressões faciais. Davison estava bastante nervoso quando a irmã dele finalmente deixou aquela casa. Eu sabia que não havia nada bem por ali, então logo perguntei o que havia acontecido para deixar os dois irmãos tão abalados. Ele respirou fundo e caminhou até o seu quarto. Eu não estava entendendo muito bem o que estava acontecendo, até que ele voltou com um papel em mãos. Não sabia o que poderia ser e tinha medo de pensar nas possibilidades que aquela cena poderia me abrir na mente.

Em total silêncio Davison me entregou o papel. Vi seus olhos marejados. Comecei a sentir o meu coração acelerar e pontadas gélidas o atingirem. Não sabia nem por onde começar. Na parte superior do canto do papel tinha o nome de um hospital. Pensei imediatamente que se tratava de uma doença terminal, o que fez com que meu coração recebesse uma pancada gélida ainda mais intensa que as anteriores. Passei os olhos pela folha, enquanto ouvia os soluços do choro de Davison. Finalmente vi qual era a sua doença. HIV.

Perdi o fôlego por alguns segundos até que finalmente tirei a folha da frente podendo ver novamente o rosto do meu amigo completamente inundado de lágrimas. O abracei no mesmo momento. Eu não sabia muito o que dizer ou o que fazer naquele momento tão delicado para ele. Só queria que ele soubesse que independente de tudo eu estaria ali por ele sempre.

Depois que finalmente Davison parou de chorar, fomos até a cozinha para comer algo enquanto conversávamos sobre o assunto. Ele me contou que pegou depois de ter feito com um cara desconhecido num pós balada. Ele não sabia que o cara estava contaminado por isso transou com ele e acabou contraindo a doença. Só depois ele descobriu que o cara estava contaminado, então resolveu fazer o exame que acabou dando positivo.

― Que merda mano! ― falei comendo mais um pouco da macarronada que Dandara preparara.

― Bote merda nisso! ― disse Davison com ar de descontentamento.

― Mas está tudo bem. Eu estou aqui com você para o que der e vier amigo!

― Eu sei amigo! ― disse ele colocando sua mão sobre a minha. ― Nunca duvidei disso!

Comi mais um pouco da macarronada que estava uma delícia.

― Eu queria te pedir um favor amigo! ― disse Davison um tanto hesitante.

― O que você quiser amigo! ― respondi.

― Então lá vai! ― disse ele fazendo uma careta e coçando a cabeça. ― Eu queria que você me substituísse no leilão beneficente que vai ter na instituição das gays desamparadas.

― O quê? ― disse elevando meu olhar em sua direção.

― Você disse "o que quiser amigo"!

― Mas eu não imaginava que fosse algo desse tipo. Eu achei que fosse algo referente a dinheiro ou ter que te acompanhar no médico.

― Sério que me daria dinheiro, mas não aceitaria jantar com outro cara no meu lugar para ajudar na arrecadação de fundos para a instituição onde sou voluntário?

― Todos nós sabemos que não é apenas um jantar!

― É sim. Sempre é. Agora o que vem depois você que sabe.

― Olha, eu sei que num momento como esse é muito errado dizer "não", mas "não". Eu não posso fazer isso!

― O leilão já é amanhã à noite e não dá para dizer a Lorelay que eu não vou poder ir sem apresentar pelo menos um substituto!

― Você não tem nenhum outro amigo gay que possa fazer isso por você não?

― Não. Todos os meus amigos estão nesse leilão. Não sobrou mais ninguém.

― Qual é Davis!

― Por favor Andy!

― Você não me chama de Andy desde que concluímos o ensino médio!

― E você não mude de assunto!

― Eu não vou nesse leilão não, já falei!

― André Antônio da Silva, você disse que eu podia contar com você e agora não quer mais me ajudar?

― Não quando a minha imagem heterossexual está em jogo!

― É só um jantar bobo!

― Se é tão bobo assim por que insiste tanto que eu vá?

― Se é tão bobo assim por que você não quer ir?

― Não pode responder minha pergunta com outra pergunta, além do mais eu perguntei primeiro!

― Deixa de infantilidade e aceita logo!

― Não!

― Com esse dinheiro você vai ajudar a instituição a continuar cuidando dos gays que são abandonados pelos seus pais! ― argumentou Davis. ― Não só crianças gays, mas todo adolescente que está à mercê na rua e não tem para onde ir ou com quem contar!

― Infelizmente eu não posso fazer nada!

― Pode sim! ― rebateu ele. ― Vai mesmo ter que carregar a culpa de deixar que vários jovens gays menores de idade fiquem nas ruas sem um lar, um teto, comida, educação e tudo mais por um capricho seu?

― Acho que eu posso conviver com isso, além do mais, eu não sou a única opção disso!  ― proferi. ― Acho que a Lorelay conhece pessoas que possam tapar o seu rombo nesse leilão!

― Tudo bem, não vou mais insistir amigo! ― conformou-se Davison respirando fundo. ― Você tem a sua liberdade de escolha!

― Obrigado!

― Mas pelo menos me acompanhe até a instituição para falar com a Lorelay!

― Você não pode resolver isso pelo telefone não?

― Não. Eu tenho uma doações para levar para lá e quero que você me ajude a levar, então lá eu falo com a Lorelay. Pelo menos isso você não pode me negar!

― Tudo bem amigo. Eu te ajudo, mas é melhor você não tentar nada com a Lorelay para fazer eu aceitar viu!

― Acredite, eu não vou!

André concordou então e Davison foi pegar as doações em seu quarto, trazendo todas para a sala para que juntos levassem até a instituição. Nas bolsas trazidas por Davison, continham várias roupas e produtos de higiene pessoal. Assim que ficou tudo pronto, os dois seguiram juntos para a instituição.

Assim que chegamos lá com as várias bolsas, nós pararamos na recepção, onde uma travesti muito simpática nos atendeu. Eu supus que aquela deveria ser a tal Lorelay, porém Davison disse que não. Davison entregava todas as doações na recepção com a travesti Sandra Amanda, quando eu vi uma garota sentada numa cadeira próximo à recepção. A garota tinha uma barriga redonda em relevo o que chamou a minha atenção quase que de imediato. Eu então logo me aproximei, enquanto Davison resolvia tudo com Sandra Amanda.

― Oi garotinha! ― disse ao me aproximar suficientemente dela. ― Como você se chama?

A garota elevou o seu olhar para mim e pude notar o seus olhos castanhos. Ela me avaliou com um olhar um tanto carregado de receio, mas então franzi o cenho e liberei um leve sorriso para ela, tentando lhe passar um ar a mais de simpatia.

― Ana! ― respondeu ela timidamente.

― Me chamo André! ― revelei. ― Quantos anos você tem?

― Tenho 12 anos!

― E essa sua barriga aí?

― Eu estou grávida de seis meses! ― respondeu ela tristemente.

― E quem é o pai dessa criança?

― Todos me fazem essa pergunta!

― E o que você responde?

― Eu fui molestada pelo meu padrasto à seis meses atrás!

― E você não tentou contar para a sua família para prenderem esse cara?

― Eu tentei contar para minha mãe, mas ela não acreditou em mim, então eu fugi de casa e agora eu estou aqui!

― E você pensou em abortar esse filho?

― Muitas vezes, mas depois eu vi que essa criança não tem culpa nenhuma do que aconteceu e ela merece a chance de vir ao mundo.

Aquilo foi como uma flecha direto no meu peito, então voltei a olhar para a recepção onde estava Davison. Em seguida voltei meu olhar para Ana novamente direcionando a ela um leve sorriso, então agradeci pela conversa e me aproximei de Davison.

― Acho que mudei de ideia sobre o leilão! ― sussurrei para Davison.

Davison voltou o olhar para mim e aos poucos um sorriso se formou no seu semblante.

― Isso é sério? ― indagou ele.

― Sim! ― confirmei.

― Ai, você é o melhor! ― disse Davison me abraçando em comemoração. ― Sandra prepara os papéis, meu amigo vai me substituir no leilão!

Sandra pegou uma prancheta com um papel anexado e colocou sobre o balcão. André pegou a caneta que Sandra lhe ofereceu, então preencheu com os dados solicitados. Em seguida entregou tudo para Sandra, que adicionou o papel assinado a outros mais. Davison me deu um soquinho no braço completamente feliz, então Sandra estendeu sua mão para que eu a apertasse e assim eu fiz.

― Agora seja bem vindo ao show!

***


Agora ali eu estava prestes a ser leiloado. Jackson, o cara que estava na minha frente acabava de ser chamado. Alguns outros gays davam tapinhas de encorajamento nele e soltavam mensagens otimistas. Ele finalmente subiu ao palco ouvindo os aplausos dos presentes, enquanto eu assistia tudo pela lateral do palco juntamente com os outros leiloados.

Eu estava muito nervoso para aquele momento. Enquanto via os lances aumentando, meu coração apertava cara vez mais no meu peito, pois eu sabia que se aproximava a minha vez. Por um momento pensei no quanto pagariam por mim. Será que eu valia muito? Eu já estava prestes a descobrir. Faltava pouco. Os lances estavam ficando cada vez mais pausados, com uma lacuna de tempo um pouco maior para cada último lance.

― Ei cara, ralaxa aí! ― disse uma voz bem atrás de mim.

Olhei para trás para ver quem falava comigo e me deparei com um garoto da pele bronzeada, cabelos marrom como o chocolate, olhos verdes como uma esmeralda e uma boca bastante rosada. Seu rosto era quadrado, mas não exageradamente e tinha um corpo bastante robusto. Seu sorriso era completamente perfeito e seus dentes brancos como se fossem flocos puros de neve.

― É comigo? ― perguntei apontando o dedo indicador entre o meu peitoral.

Ele riu e fez um gesto positivo com a cabeça.

― Você está muito tenso cara!

― Eu estou muito nervoso, é a minha primeira vez aqui!

― Relaxa cara. Você não tem que fazer nada, apenas ficar parado completamente à vontade para que os interessados dêem os lances.

― O Érico ficou tão nervoso no ano passado que cagou na roupa! ― disse um outro que estava um pouco mais atrás na fila apontando para o cara ao lado dele.

― Sério? ― indaguei.

Eles confirmaram com a cabeça.

― Não liga para eles, você só tem que relaxar e ser o mais natural possível! ― disse o cara bronzeado colocando a mão sobre o meu ombro.

Assenti com a cabeça.

― Bem, eu me chamo Marcelo!

― Eu me chamo...

― André! ― gritou Lorelay sobre o palco.

Era a minha vez. Meu coração apertou ainda mais. Senti uma adrenalina invadir todo o meu corpo com ímpeto. Meu corpo quis travar, mas Marcelo que estava atrás de mim me empurrou e me encorajou, então eu segui para o palco sentindo aquela rajada fria indo e vindo por todo o meu corpo. Tentei sorrir enquanto chegava cada vez mais perto de orquídea, pois lembrei do que Marcelo me falara sobre tentar agir o mais naturalmente possível.

― Mas olha só esse pitel minha gente! ― disse Lorelay mexendo os ombros. ― Quem não ia querer levar um homem desses para comer, hein?

Senti um duplo sentido naquela frase, pois o público riu e bateu algumas palmas. De longe vi Davison fazendo um gesto para que eu respirasse e inspirasse. Tentei focar na minha respiração que estava querendo ficar ofegante. Fiz um gesto de positivo de volta para ele disfarçadamente. Voltei à olhar para o público ainda um pouco envergonhado, mas esperava que ninguém notasse.

― Dá uma voltinha aí meu amor! ― pediu Lorelay se voltando para mim com um sorrisinho estampado no rosto.

Ela estendeu a mão e eu a peguei, então ela foi me conduzindo, enquanto me girava devagar ― tal como uma carne no espeto ― para que todos pudessem me avaliar bem. Ouvi alguns gritinhos na platéia e em seguida as palmas. Lorelay fez uma expressão de aprovação e em seguida o lance finalmente começou. O valor mínimo foi 1.000. Um homem negro e alto usando um terno cáqui e uma camisa azul por dentro, sem gravata, se levantou e ofereceu dois mil. Outro homem se levantou oferecendo três mil. Outro ofereceu quatro mil e assim por diante.

Na minha cabeça eu pensava se ainda dava tempo desistir, mas foi apenas um pensamento passando por um segundo que dei atenção. No minuto seguinte veio a resposta contra aquilo e o pensamento se desfez, voltando à escuridão do meu subconsciente. Voltei a assistir o lance presencialmente. O valor já estava em dez mil. Agora eu começava a ter uma noção do quanto eu poderia valer naquele leilão, pois os números mais altos estavam saindo cada vez mais. Até que um homem no meio do auditório se levantou. Ele era pardo de cabelos escuros e bem penteados. Usava um terno cinza, uma camisa social branca por dentro e uma gravata preta com listras brancas que cortavam num ângulo de 30° graus. O homem usava uma barba rala. Sua boca era bem carnuda e bem desenhada. Ele também tinha olhos profundamente castanhos e sobrancelhas bem presentes fazendo seu olhar parecer ainda mais intenso.

― Eu dou cinquenta mil pelo garoto! ― disse ele com total propriedade.

Todos ficaram impressionados com a segurança toda que ele falou, mas não durou por muito tempo, pois outro homem também se levantou e ofereceu sessenta mil. O ricaço do terno cinza virou-se na direção da voz do seu oponente de lance e ofereceu oitenta mil. Todos se impressionaram, então o outro homem ofereceu cem mil. O homem abriu seu terno cinza e puxou um maço de dinheiro do seu bolso interno.

― Eu ofereço duzentos mil reais em dinheiro vivo! ― disse ele completamente ostentoso.

O homem do terno cinza falou mais alguma coisa virado para o outro comprador que o fez recuar. Não sabia o que ele poderia ter dito ao homem, mas fizera ele baixar a guarda. Não poderia imaginar como um rico ameaçava outro rico, pelo menos não na vida real, mas de qualquer forma o homem parecia determinado a lutar para ter um jantar comigo. Eu até entenderia se uma pessoa leiloada fosse uma personalidade famosa como já houve alguns leilões onde ricos pagavam muito dinheiro para ter um encontro com uma pessoa famosa, mas para ter um encontro comigo? O que eu representava nesse mundo? Era a minha pergunta.

― Quem dá mais por ele? ― perguntou Lorelay mais uma vez.

Ninguém mais se pronunciou. Seja o que for que aquele homem importante disse, funcionou. Os homens não quiseram mais se meter com ele de forma alguma. Dava para ver a expressão de satisfação do cara que ainda estava com o dinheiro na mão erguido para que todos vissem. O olhar do homem me encontrou. Senti todo o meu corpo estremecer. Lorelay começou a contagem para bater o seu martelo e ninguém mais se manifestou. Eu havia encontrado o meu comprador. Então Lorelay bateu o seu martelo e disse:

― Vendido!

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