Capítulo 40: Paisagens e fotografias
Olhei-me mais uma vez no espelho e, com um sorriso, deduzi que já estava pronta. Eu havia escolhido um vestido azul claro com alguns botões com uma bota preta de cano curto, deixei meu cabelo solto e fiz uma maquiagem leve e clara.
- É tão triste te olhar e saber que a cada dia você cresce mais. - ouvi a voz de Josh e, ao virar-me, ele sorriu ao me analisar. - Você está linda!
- Obrigada, maninho. E você é só um ano mais velho que eu, fala que eu estou crescendo como se tivesse trinta anos. - brinquei e ele sorriu de lado.
- Acontece que eu não vejo mais aquela garotinha indefesa que eu sempre defendia quando íamos no parquinho, ou a garota sensível que sempre chorava quando alguém a tratava mal. Você mudou, Lia. Está virando uma jovem corajosa e forte... Acho que não precisa mais de um irmão bobão para te defender ou ter ataques de ciúmes quando alguém se aproxima. - concluiu com um sorriso fraco e eu aproximei-me dele, segurando em suas mãos.
- Josh, eu sempre irei querer o meu irmão bobão ao meu lado, me ajudando e me dizendo por onde seguir se caso eu me perder... Mesmo que tenhamos as nossas brigas, eu acredito que seja só uma forma de mostrar o nosso amor um pelo outro. Eu amo você, Josh! Você é o melhor irmão do mundo! - falei com os olhos marejados e o abracei.
- Eu também amo você, pequena. Nunca se esqueça disso! - sussurrou e eu sorri para o mesmo, que também tinha seus olhos marejados. - Agora vamos parar com esse choro porque se não o Pedro vai se assustar quando te vi com a maquiagem toda borrada!
- E o meu irmão chato voltou! - ironizei e ele riu.
- Eu estou brincando, está maravilhosa! Mas, claro, sendo minha irmã não tinha como não ser, não é mesmo? - dei um leve tapa nele, rindo.
- E a modéstia você esquece em qualquer esquina!
Ouvimos a campainha tocar e Anabela gritou da sala, alegando ser Pedro. Peguei minha bolsa e fomos para a sala. Antes de irmos, Pedro cumprimentou Josh que apenas abriu um sorriso amarelo.
- Acho que seu irmão tem algo contra mim. - Pedro disse enquanto descíamos as escadas.
- Todo mundo gosta de você, Pedro. O Josh só está com ciúmes! - falei com uma careta.
- Nem todo mundo gosta de mim. Eu tenho um primo chamado Jonas que não me suporta e minha ex-vizinha sempre me olhava feio quando eu saía de casa, mas eu acho que era pelo fato da neta dela sempre estar me seguindo... Estranho, não é? - falou e eu senti uma certa ironia em sua voz. Claro que não era estranho! Nenhum pouco, na verdade.
Ao sair do prédio, já estava caminhando em direção ao ponto de ônibus quando Pedro me barrou.
- Agora não! - falou e eu franzi o cenho.
- Por que? Nós vamos andando? Como assim? Aonde nós vamos? - perguntei de uma vez.
- Calma aí, apressadinha, uma pergunta de cada vez! Nós vamos andar só até aquele parque perto daqui, e depois iremos pegar um ônibus.
- Eu não estou entendendo nada.
- Iremos fazer um tour pela cidade! - falou e eu parei de andar, o encarando.
- Como assim?
- Você gosta de perguntas. Bem, eu estava com várias ideias de lugares na mente, porém eu pensei que nós poderíamos conhecer todos esses lugares em um só dia! Aposto que tem vários lugares em Florianópolis que você nem sabe que existe. - falou e eu sorri.
- Para falar a verdade... Faz um tempo que eu não vou na praia, nós vamos passar por lá? - indaguei com entusiasmo e ele assentiu, rindo.
- Sim, nós vamos!
Fomos até um parque grande que havia perto de nossa casa. Tiramos algumas fotos, algumas juntos e outras sozinhos, ou até mesmo fazendo caretas e palhaçadas. Ao sair do parque, partimos para o museu da cidade que não ficava muito longe, andamos pelos arredores e entramos até em lojas.
- O que acha dessa echarpe? - indaguei pegando uma echarpe verde e colocando ao redor de meu pescoço.
- Combinou com você! - respondeu e pegou um chapéu, colocando em sua cabeça. - Eu fico charmoso de chapéu. - afirmou e eu ri.
- Para ser sincera, não, você não fica! - ele olhou-me indignado e eu soltei uma gargalhada.
- Vamos tirar uma foto com a echarpe e o chapéu. - ele pegou sua câmera e tirou uma foto nossa. Depois de insistir, acabei cedendo e ele tirou uma foto minha.
Quando saímos das lojas, tomamos uma água de coco em uma barraca. Pedro insistia em registrar todos os momentos com fotos e vídeos, até os mínimos detalhes. Andamos por vários lugares até chegarmos às praias do sul. Pagamos uma excursão de bicicletas e andamos por cerca de meia hora pelos arredores. Quando voltamos, caminhei até a praia enquanto Pedro comprava algo para comermos. Já estava quase anoitecendo e o sol acabara de se pôr, o mar, céu, sol... Era uma bela paisagem. Sorri e fechei os olhos sentindo a leve brisa do mar e o cheiro de água salgada entrava por minhas narinas.
- É uma bela foto! - ouvi a voz de Pedro e, ao olhar para o lado, ele tirou outra foto minha, me pegando de surpresa.
- Ei! Você não me pediu permissão! - falei fingindo estar irritada.
- Você ficou linda observando o mar e depois fechando os olhos para sentir a brisa! - senti meu rosto corar e o mesmo sorriu. - Corando também! - falou e tirou mais uma foto minha, desprevenida.
- Dá para parar com isso? - falei e ele riu.
- Desculpa se eu quero ter fotos suas.
- Você já tem quase um book só de hoje. - ironizei.
Ele entregou-me um milk-shake de morango e começou a tomar o seu.
- Você já parou por um momento e apreciou o mar? - indaguei enquanto tomava meu milk-shake e observava o mar.
- Sim, várias vezes. - falou um pouco distante e abaixou a cabeça. - Era o que eu e minha família mais fazia quando íamos a praia, antes de meu pai... Bem, você sabe!
- Perdão por te fazer lembrar e...
- Não, Ana, você não precisa pedir perdão. - interrompeu-me. - São boas lembranças que tenho de minha família quando éramos unidos. Nós morávamos próximo a praia, e sempre íamos lá quando podíamos... Lisa ainda não tinha nascido, porém éramos felizes até ele fazer o que fez! - sua voz já estava ficando embargada, então decidi aproximar-se e o abraçar tentando passar segurança.
Ficamos alguns minutos em silencio, apenas apreciando o mar enquanto eu descansava a minha cabeça em seu peito.
- O que você sente quando observa essas paisagens? - indaguei quebrando o silêncio e o senti sorrir.
- Sinto que é a melhor prova de que Deus existe, afinal, é tudo perfeito! Como diz aquele hino da harpa, são exatamente estas coisas - a terra, o mar, o céu, as estrelas - que nos lembram a tamanha perfeição dEle! - falou com um ar maravilhado.
- Senhor, meu Deus, quando eu maravilhado, contemplo a Tua imensa criação. A terra e o mar, o céu todo estrelado, me vem falar da Tua perfeição... - iniciei e o olhei, esperando uma continuação.
- Você sabe que eu não tenho uma voz tão bela quanto a sua! - falou e eu sorri de lado.
- Quando é para Deus, Ele não liga para se temos uma voz bonita ou não. Ele só quer ouvir o nosso louvor, nosso coração! - respondi e ele suspirou, rendendo-se.
- Então minh'alma canta a Ti, Senhor, grandioso és Tu! Grandioso és Tu! - cantamos juntos em uma só sintonia. - Então minh'alma canta a Ti, Senhor, grandioso és Tu! Grandioso és Tu!
Apreciamos por mais alguns minutos o mar antes de irmos para o ponto de ônibus e voltar para casa. Enquanto voltávamos, Pedro estava pensativo e eu já estava achando aquilo estranho.
- Queria te mostrar um lugar. - comentou e eu franzi o cenho.
- Então mostre.
- Mas para isso, você terá que enfrentar sua fobia por alguns segundos. - falou e eu suspirei.
- Elevador? - disse com uma careta e ele riu.
- Sim, vamos!
Quando entramos no elevador, ele segurou em minha mão e, por um minuto, pensei que aquilo fosse o suficiente para encarar qualquer medo.
Passamos por vários andares, entrou e saiu duas pessoas, e nada de sairmos de lá. Quando finalmente o elevador parou no último andar, nós saímos do elevador e caminhamos até uma porta um pouco escondida.
- Estamos indo para o topo do prédio? - perguntei e ele sorriu.
- Quero que você veja algo.
Subimos uma pequena escada e finalmente chegamos lá em cima. Olhei para o céu e vi as belas estrelas iluminando a noite e o vento forte fez meu cabelo esvoaçar. Ao seguir em frente e chegar no parapeito, vi a visão de parte da cidade. Os carros e as luzes dos postes iluminavam a vista, dava para ver pessoas correndo contra o tempo ou andando normalmente, sem muitas preocupações, os sons da cidade parecia ser ainda mais altos ouvindo dali, era como se estivesse ouvindo o mundo. Olhei para Pedro e ele observava a vista de parte da cidade junto comigo.
- É incrível! - falei e ele sorriu.
- De vez em quando eu venho aqui, observar tudo isso. Pode parecer bobo, mas eu sinto como se, por um momento, pudesse ver o mundo!
- Não é bobo, Pedro. Na verdade, sinto o mesmo! - ele sorriu mais uma vez.
Nossos olhares se encontraram e, como sempre enxergava, o brilho incrível estava em seus olhos. Ali, iluminado pelas luzes das estrelas, ele parecia estar mais lindo do que nunca, e meu olhar de apreço não passaria despercebido. Seus olhos azuis olhavam-me atentamente, como se quisesse guardar-me em sua memória. Com todo o cuidado do mundo, ele abraçou-me por trás e eu encostei minha cabeça em seu peito, ouvindo seu coração acelerado.
- Eu queria poder guardar esse momento para sempre! - falei ainda ouvindo as batidas de seu coração.
- E nós iremos guardar para sempre em nossas memórias. - sussurrou e eu sorri. - Aceita uma última fotografia? - concordei com um sorriso e nós nos posicionamos.
Pedro tirou, com sua câmera, a última foto daquele dia incrível e, naquele momento, eu pude ter certeza que nunca sorri em nenhuma outra foto como naquela.
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"Oh, Santo Deus, fico maravilhado, Tu és muito mais do que eu possa expressar..." 🎶
Olá, gente bonita! Tudo bem?
O Pedro e a Lia são uns fofuxos. Cadê a torcida de quem shippa #Pelia? \o/ \o/ 🎉
Em breve farei um capítulo bônus com a narração do nosso querido Pedro.
O livro está entrando em sua reta final. 😥 Mas #Pelia sempre estará em nossos coraçõeszin ❤
Não esqueça de deixar o seu votinho e o seu comentário. Amo ler os comentários de vocês!
Amo cês. ❤
Beijos e fiquem com Deus! 😘😍💞🎉🎉
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