Capítulo 30: Quem é você?
Passou-se três semanas desde o que aconteceu com Valentina. Nos primeiros dias eu fiquei extremamente deprimida e não queria ir para a escola, porém, em uma quinta feira à noite, criei forças e fui para a igreja junto com minha família. Deus falou grandemente comigo e eu entendi que para tudo na vida existe um propósito, e nós não devemos deixar de adora-lo porque Ele não atendeu a nosso pedido. Afinal, como diz um hino, "não o adoro pelo o que Ele faz, eu o adoro pelo que Ele é."
Deus não nos deixa só a nenhum momento. Não é por conta que Ele não disse sim ao nosso pedido, que nós temos que deixar de adora-lo. Ele ouve as nossas orações e sempre tem uma resposta para elas, porém nós precisamos entender que, além do sim, também existe o não e o espere. Muitas vezes somos impacientes e não sabemos esperar a resposta de Deus para conosco, porém precisamos aprender a confiar nEle e descansar em seus braços, pois só Ele sabe o que é melhor para a gente. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.
❤🎶
— Boa tarde! — cumprimentei a recepcionista do hospital e ela sorriu para mim.
— Boa tarde — respondeu. — Já sei. Pedro Rodriguez? — sorri fraco e assenti.
Ela me deu o adesivo de visitante e liberou a minha entrada. Caminhei em passos lentos até o quarto de Pedro enquanto olhava tudo ao meu redor. Fazia uns dias que eu não vinha visita-lo, ainda estava um pouco em êxtase pelo o que houve com Valentina e, mesmo que Pedro estivesse em coma, eu não sabia se dizia ou não para ele que ela não resistiu.
Abri a porta do quarto dele e, após fecha-la, caminhei até a sua cama e peguei em sua mão.
— Oi... Estava com saudades. — comentei com um sorriso fraco. — Você ainda me ouve? Bem, espero que sim.
Acariciei sua mão e fiquei em silêncio por um tempo.
— Está sendo muito difícil para mim passar por tudo isso. Às vezes, eu me pergunto se você sente que o mundo aqui fora está, literalmente, nublado para mim. Será que se você estivesse bem e aqui comigo, seria mais fácil passar por isso? Bem... Eu tenho quase certeza, você sempre me acalma. — respirei fundo, reprimindo as lágrimas. — Talvez você tenha aparecido na minha vida para isso... Ser a minha calmaria em meio ao furacão!
Fiquei um tempo em silêncio, apenas segurando a mão dele e o encarando. Se ele estivesse acordado, com certeza eu ficaria com muita vergonha de encara-lo dessa forma. No mínimo ele iria soltar alguma piadinha para me fazer rir e eu sentiria um rubor em meu rosto por ele ter percebido meu olhar. Sorri com esse pensamento.
Passei cerca de minutos daquela mesma forma. Passei os olhos por nossas mãos unidas e senti um leve sentimento de esperança me invadir. Eu tinha fé que ele iria acordar e iria perceber que, assim como eu achei, nossas mãos se encaixam perfeitamente uma a outra.
— Estava em pedaços, o meu coração, sonhos cancelados, planos pelo chão... Ouvindo só o medo, sustentando as águas, dentro do meu barco, sem ver a solução... — comecei a cantar em um sussurro. Senti as lágrimas brotarem de meus olhos.
Mesmo eu sabendo que
Recomeçar é tão difícil
Clamei a Deus somente com
O que restou de mim...
Quando minha fé se estendeu,
E a mão de Deus me socorreu,
Eu vi os meus pedaços de novo
No lugar, Deus moveu as águas por me amar
Por me amar me restaurou, ressuscitou minha fé,
Juntou os meus pedaços
E deu-me nova vida...
Quando minha fé se estendeu,
E a mão de Deus me socorreu,
Eu vi os meus pedaços de novo
No lugar, Deus moveu as águas por me amar...
Quando terminei de cantar, deitei minha cabeça em no braço de Pedro e fechei os olhos, tentando esquecer de tudo por um só momento.
❤🎶
Senti alguém passar a mão pelo meu cabelo, mas tentei ignorar aquilo. Mais uma vez, senti alguém me tocar e rapidamente lembrei que ainda estava no quarto de Pedro. Pensei por um só momento que poderia ser ele que havia, finalmente, despertado e estava me acordando. Com um brilho de esperança, abri meus olhos e, ao olhar para Pedro, percebi que não se tratava dele me chamando e, sim, do médico.
— Você me assustou. — balbuciei e ele sorriu de lado.
— Pensou que era ele, não é? — perguntou, receoso e eu assenti, cabisbaixa. — Você tem uma fé admirável... Não só você, mas também a dona Rebeca.
— O que quer dizer? — perguntei e ele deu de ombros.
— Já faz um mês e meio que ele está em coma e vocês continuam esperando por ele. — comentou.
— Sim, nós temos fé. Confiamos e acreditamos que Deus ainda pode cura-lo e que logo ele estará conosco novamente, e bem. — respondi e respirei fundo. — Existem casos de pessoas que passaram anos em coma e ainda despertaram... Por que eu perderia a fé? Ela é a certeza das coisas que não se vêem e que se esperam. Eu espero em Deus, pois sei que Ele é maior do que a medicina.
Ele ouviu as minhas palavras, o tempo todo, com admiração.
— Belas palavras... Porém eu não sei se posso confiar. — falou e eu refleti um pouco sobre aquilo.
— Talvez seja esse um dos propósitos disso ter acontecido... — falei me referindo a Pedro. — Você presenciará um milagre... E irá saber que Deus, realmente, existe e ouve as nossas orações. — ele assentiu e ficou um tempo em silêncio.
O médico estava um pouco pensativo, porém logo voltou seu olhar a mim quando lembrou o porquê de ele realmente ter ido ali.
— Eu tentei me comunicar com a dona Rebeca, porém ela não atendeu aos nossos telefonemas. A recepcionista do hospital, então, me comunicou que você estava aqui e eu vim conversar com você sobre algo. — iniciou e eu franzi o cenho.
— Algum problema com o Pedro? — indaguei, preocupada e ele negou.
— Não... Ele continua no mesmo estado. Sem nenhuma piora, mas também nenhuma melhora. — disse e eu suspirei, assentindo. — Porém uma enfermeira e a recepcionista me avisaram que tem um homem insistindo em visitar o paciente.
Eu continuava confusa. Quem era aquele homem?
— Como a mãe de Pedro havia dito antes para só liberarmos a visita de quem ela dissesse, então resolvemos ligar para a mesma e saber se o tal homem pode visitá-lo, só que, como eu já te disse, ela não atende as ligações. — falou e eu fiquei um tanto pensativa. — Não podemos liberar a entrada dele, se a dona Rebeca não permitir.
— Esse homem — comecei, receosa — ainda está aqui?
O médico assentiu.
— Ele está na sala de espera.
— Posso falar com ele? Talvez eu o conheça. — perguntei.
— É exatamente por isso que resolvi lhe comunicar sobre o assunto.
O médico me levou até a recepção e disse quem era o homem cujo Rebeca não liberara a sua visita. Caminhei até ele com a curiosidade a mil. O homem parecia ser alto, tinha cabelos escuros – estranhamente, da mesma tonalidade dos cabelos de Pedro –, e seus olhos eram verdes.
— Quem é você e o que quer com o Pedro? — perguntei e ele arqueou a sobrancelha.
— Acho que eu deveria te fazer a mesma pergunta. — ironizou. — É a namorada dele?
— O que? — falei, nervosa. — Não. Eu sou só... Amiga do Pedro.
— Sei... Pelo visto, ele continua perseguido. — pensou alto e eu revirei os olhos.
— Você ainda não respondeu a minha pergunta. — falei, impaciente. O homem levantou e estendeu a mão.
— Sou Carlos Rodriguez, pai do Pedro. — respondeu.
Encarei o homem a minha frente, boquiaberta, e lembranças do que Pedro me dissera dele veio em minha mente.
Logo no início de nossa amizade, eu havia perguntado a Pedro como era seu relacionamento com a família. Ele hesitou um pouco, antes de responder, e me contou que seu pai havia o abandonado quando o mesmo tinha apenas catorze anos. Lisa ainda não tinha nascido e o pai dele havia traído Rebeca e desaparecido supostamente com outra mulher. Desde então, Pedro fez o possível para ser forte e passar por aquela situação de cabeça erguida e ajudar sua mãe e sua irmã a superarem a falta do pai. Pedro fez o que se pai nunca tinha feito por sua família e tornou-se um grande irmão para Lisa e filho para Rebeca. Lembro muito bem suas palavras sobre não querer ser como seu pai.
"— [...] Eu procuro ser para elas, o que o meu pai não teve coragem de ser. Eu as amo, e não importa o que aconteça, vou está sempre com elas. Jamais serei como meu pai..."
Realmente, eu tinha a mais pura certeza que Pedro não era como o seu pai. Ele era mais. Bem mais.
E, com certeza, cuidou de sua mãe e de sua irmã, coisa que não era responsabilidade sua.
Ao lembrar a dor que eu vi nos olhos de Pedro ao relatar a história do abandono do seu pai, uma raiva súbita daquele homem subiu em mim e eu tive vontade de dizer uma verdades para ele. Porém, a única coisa que eu fiz, foi perguntar em um sussurro:
— O que você está fazendo aqui?
Ele demorou um pouco até responder.
— Pelo visto meu filho contou a história toda. — murmurou.
— E é exatamente por isso que eu estou perguntando o que está fazendo aqui. Você não acha que não já os fez sofrer demais? — perguntei.
— Você não tem nada a ver com isso. — respondeu, ríspido.
— Olha, por favor, se sua intenção não for ver Pedro por amor, então vai embora. Não está sendo nada fácil para a mãe dele ver o filho dessa forma...
— Eu vim até aqui porque quero ver o meu filho e a minha última intenção seria machuca-lo novamente. — por um momento, quis duvidar de suas palavras, porém parecia ter sinceridade em seus olhos.
— De verdade? — perguntei e ele suspirou.
— Não mentiria sobre isso... Agora será que eu posso ver o meu filho?
— Ahn... Eu não sei, você precisa da permissão da Rebeca para isso e... — ao olhar Rebeca na porta da recepção, soltei um suspiro. — E ela acabou de chegar.
Ele olhou para a porta da recepção e, quando o olhar de Rebeca se voltou para ele, uma expressão indecifrável surgiu em seu rosto.
— O que você está fazendo aqui, Carlos? — perguntou, firme, aproximando-se de onde estávamos.
— Quero ver o Pedro. — respondeu e ela o encarou, incrédula.
— Depois de tudo que você fez, vem se preocupar só agora? Se você veio para me atingir, por favor, vá embora e não volte mais! Não percebe o quanto estou sofrendo com isso? O meu filho está em coma e você, de repente, aparece aqui dando uma de preocupado após quatro anos! — exclamou e ele respirou fundo.
— Sei que o que fiz foi errado, só que quando eu soube o que havia acontecido com o Pedro, eu me senti culpado por isso. Me arrependo do que fiz, eu só quero ter o perdão do meu filho! — respondeu com ar melancólico.
Eu me sentia um pouco perdida no meio daquela discussão e acabei saindo, disfarçadamente, voltando para o quarto de Pedro. Me despedi dele com um beijo em sua bochecha e saí do hospital, indo para a minha casa.
Enquanto caminhava, comecei a lembrar das palavras de Carlos, pai do Pedro. Será que ele estava falando a verdade quando disse que se arrependeu de tudo?
❤🎶
Já passavam das duas horas da madrugada quando eu ainda estava compondo em meu quarto. Eu não conseguia dormir e a melodia não saía da minha cabeça, então resolvi terminar logo a música.
Produzi a melodia mais uma vez em meu violão, de uma forma baixa já que era madrugada, e anotei as notas do som que havia criado. Estava cantarolando algo quando ouvi meu celular tocar em cima da cama. Fiquei um tanto com medo de atender, afinal, era madrugada e ninguém normal ligaria a essa hora. Porém a pessoa insistiu e eu finalmente decidi atender, ignorando o meu receio.
— Alô?
— Lia... — alguém falou chorando, a voz parecia conhecida. — Ele acordou!
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"Jesus contou a história do filho pródigo para pontuar o seguinte: não importa o que você fez, volte para casa."
Olá, gente. Tudo bem com cês?
Espero que tenham gostado do capítulo.
O pai do Pedro brotou de Nárnia! 😱😱 Será que ele se arrependeu de verdade? Veremos isso nos próximos capítulos.
Quem será que ligou para a Lia? 🤔 Hehe'
#ForçaPê 🙌
#Pelia ❤
Não esqueça de deixar o seu votinho para iluminar o livro e o seu comentário do que está achando da história. Amo ler os comentários de vocês!
Amo cês. ❤
Beijos e fiquem com Deus! 😘💞🎶🎉
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