Capítulo 19: O trabalho e um passeio

Ao parar em frente à casa grande em minha frente, respirei fundo antes de tocar o interfone.

— Quem está aí? — uma voz feminina indagou.

— É a Lia, colega do Ian, marcamos de nos encontrar aqui para terminarmos o trabalho.

— Ah, claro, liberei sua entrada. — a mulher respondeu.

O portão abriu e eu entrei na grande casa. Ian e eu não conseguimos terminar o trabalho na escola, então ele me chamou para vir a sua casa para que pudéssemos concluir tudo. Eu realmente preferia ter ficado em casa do que encarar Ian novamente, porém, infelizmente, esse trabalho valia 8,0 pontos na média, então valia a tentativa de aguenta-lo mais um pouco.

A governanta da casa abriu a porta da casa para mim e eu entrei, um pouco sem jeito, e sentei no sofá.

— Deseja alguma coisa? — perguntou com um sorriso simpático.

— Sim, voltar para casa... — sussurrei para mim mesma e ela franziu o cenho.

— Como?

— Ahn... Só uma água, por favor e... Cadê o Ian?

— Ele já está descendo, pediu para que te recebesse muito bem. — falou com um sorriso. Não sei se foi só impressão minha, mas ela pareceu insinuar algo. — Ele parece gostar muito de você... Se é que me entende. — é, não era só impressão.

— Ah, não, esquece. É só gentileza, mesmo! — falei e ela deu de ombros indo para a cozinha.

Bisbilhoteira? Muito!

Soltei um suspiro e logo ouvi passos vindo da escada.

— Oi, Lia! — cumprimentou Ian.

— Oi, Ian! E então, vamos começar?

— Nossa, calma aí. — falou rindo.

A governanta chegou com minha água e depois Ian e eu fomos fazer o trabalho no jardim da casa. Segundo ele, ao ar livre seria mais confortável.

Começamos a fazer o trabalho que, por sinal, estava bem difícil, porém Ian era bom em matemática. Sim, ele era mesmo bom. Fiquei até surpresa por isso, antigamente ele não parecia se esforçar muito no colégio, talvez esse tempo que passou tenha o mudado.

— Acho que dá esse resultado! — falei mostrando o caderno para que ele visse a conta.

— Ahn... Na verdade, daria mais certo substituir por √3 sobre 3.

— Mas não seria mais complicado?

— Sim, mas é a forma correta a fazer. Nem sempre a Matemática nos faz recorrer a meios mais fáceis — falou e eu soltei um suspiro. — Você não gosta de exatas, não é? — dei de ombros.

— Não é que eu não goste, eu até acho os números bonitinhos e legais. Só que não me dou muito bem em Matemática, então deixa pra lá.

— O que você quer cursar?

— Medicina veterinária, amo animais. — falei, continuando a fazer a conta da forma correta dessa vez.

— Ah, bem legal. Quero fazer engenharia mecânica, assim como meu pai. — respondeu e eu arqueei a sobrancelha.

— Então é por isso que você tem esse amor todo pela Matemática? — Ian assentiu.

— Desde pequeno admiro engenharia. — assenti e continuei a minha conta que já estava enorme.

Após quase uma hora e meia fazendo aquele trabalho, conseguimos terminar tudo e eu dei graças a Deus por isso. Minha mão já estava dolorida e eu só queria ir para a minha casa.

— Você quer comer algo? — perguntou Ian, enquanto eu guardava meu material.

— Ah, não, obrigada, eu já vou para casa se não ficará tarde — falei, enquanto íamos para o portão.

— Eu te acompanho até sua casa.

— Oh, não precisa!

— Eu faço questão, não vou deixar você ir sozinha.

— Ian, eu não sou criança, sei muito bem me cuidar. — falei, revirando os olhos.

— Você não vai me convencer do contrário, Lia. — antes que eu pudesse dizer algo, ele começou a me seguir e eu acabei tendo que aceitar sua companhia.

Um silêncio desconfortável instaurou-se entre nós. Era estranho ter a companhia de Ian depois de tudo, na verdade, aquele momento nem parecia ser real. Eu preferia que não fosse mesmo, afinal, até ontem, eu não queria nenhum tipo de aproximação com Ian.

— Ahn... O que você mais gosta de fazer? — perguntou, quebrando o silêncio.

Pensei um pouco em uma resposta, é fato que eu não iria dizer que gostava de cantar e criar músicas, era o meu melhor passa tempo.

— Eu gosto de... Ler. Ler e assistir filmes! — respondi. Eu até fui sincera, livros e filmes eram umas das minhas paixões.

— Legal, eu também gosto muito de filmes! Só que não curto muito livros — falou com uma careta e eu o olhei, fingindo está indignada.

— Que ser humano normal, no mundo, diz que não gosta de livros? — indaguei e ele deu de ombros.

— Eu! — falou e eu revirei os olhos, dando uma pequena risada.

— Ninguém liga. E, a propósito, quem está perdendo é você. Livros são a melhor coisa já inventada!

— Nossa, obrigado pela parte que me toca — desdenhou e eu dei de ombros.

— Se eu já te achava um chato, agora te acho mais!

— Então quer dizer que meu plano de se tornar seu amigo não está dando certo?

— Nem de longe! — falei com um sorriso.

— Quer um sorvete? — perguntou quando estávamos passando em frente a uma sorveteria perto de meu prédio.

— Não, obrigada.

— Eu faço questão! — falou, já pegando o dinheiro e indo para a sorveteria.

Ian comprou um sorvete para a gente e ficamos tomando fora da sorveteria, em uma pracinha que tinha na frente.

— Acho que essa é a primeira vez, desde que eu voltei, que você não me encara com raiva no olhar. — comentou.

— Perdão pela minha raiva no começo. Eu só não esperava te encarar assim, de repente, mais uma vez. E, também, eu não sabia como lidar com isso.

— A única pessoa que deve perdão sou eu. Agi como um idiota com você no passado, eu tinha apenas catorze anos, era imaturo e não sabia o quanto era errado tratar as pessoas como se elas fossem inferiores a mim. Na verdade, acho que eu fazia isso porque sentia que meus amigos não eram verdadeiros... Exceto a Marian. Sempre considerei ela uma ótima amiga! — ele confessou e eu dei uma risada irônica.

— Só com você, porque com os outros, ela é uma péssima pessoa. Marian não mudou nada, continua egoísta como era anos atrás.

— Eu não a julgo, Marian tem seus motivos para agir assim. Por mais que essas atitudes sejam erradas, ela não faz por mal. No fundo, ela é uma boa garota! — ele tinha um sorriso no rosto enquanto falava. Hum... Acho que aí tem história.

— Eu queria poder enxergar bondade nela, porém não consigo encontrar. Ela foi um dos motivos de muitas lágrimas que já derramei esses anos — murmurei e ele suspirou.

— Lia, peço perdão mais uma vez, eu agi muito mal com você! — encarei ele e o mesmo parecia estar sendo sincero, porém eu não podia entregar totalmente a minha confiança nele. Só que também não significava que eu não tinha que aceitar suas desculpas.

— Tudo bem, Ian, eu já te perdoei, você pode esquecer isso porque eu já esqueci. — falei sendo sincera. Realmente, eu não sentia mais nada por ele, assim como não me abalava mais pelo que acontecera.

— Ah, que bom. Obrigado! — falou com um pequeno sorriso que eu retribui.

Senti alguém se aproximar da gente e fiquei um tanto surpresa quando me deparei com Pedro.

— Liana? O que faz aqui com ele? — indagou Pedro, me encarando com uma sobrancelha arqueada.

— Oi, Pê, nós estávamos conversando, acabamos de fazer o trabalho juntos. — respondi e percebi que ele estava acompanhado com uma menina pequena. Ela parecia ter uns quatro anos e seus olhos era azuis assim como os de Pedro. Que fofa!

— Ah... Entendi. — falou com uma expressão decepcionada.

Decepcionada?

— Quem é ela?

— Essa é a Lisa, minha irmã. Fala oi para a Ana, Lisa! — ele falou e a menininha abriu um sorriso tímido para mim.

— Oi! — cumprimentou tímida.

— Oi, Lisa! Você é muito fofa, sabia? — perguntei com um sorriso e ela sorriu.

— Ahn... Eu acho que já vou, tchau, Lia! — falou Ian afastando-se de nós.

— Já vai tarde... — Pedro balbuciou quase imperceptível e eu escondi um sorriso. Eu realmente não estava entendendo sua irritação.

— Tchau, Ian, obrigada por ter me acompanhado.

— Por nada! — respondeu com um pequeno sorriso.

Ele foi embora e Pedro ficou me encarando com uma sobrancelha arqueada.

— O que foi? — indaguei e ele deu de ombros.

— Me diz você. Olha, Liana, eu realmente acreditei quando você me disse que havia esquecido aquele cara! — ele falou e eu suspirei.

— Mas eu esqueci, Pedro.

— Jura? — ironizou.

— Não é por conta disso que não posso mais falar com ele.

— Ele é um idiota. — falou como se fosse óbvio.

— Você nem o conhece direito! — ele suspirou e fitou meus olhos.

— Acho que conheço o bastante para saber que não se deve confiar nele, ainda mais depois do que ele fez com você. — abaixei a cabeça e respirei fundo.

— Eu sei, mas eu não posso tratá-lo de forma indiferente, temos que perdoar o nosso próximo não importa o que ele tenha nos feito — falei e, após um tempo, ele assentiu.

— Tudo bem. Só toma cuidado com ele! — falou e eu sorri para ele. — Se ele ousar te magoar novamente, eu não respondo por mim.

— Nós vamos comprar o sorvete, Pê? — indagou Lisa, fazendo com que eu desviasse o olhar de Pedro.

— Sim, vamos lá. Vai querer um, Ana? — neguei mostrando o copo de sorvete que havia acabado de tomar. — Ah, esqueci que o seu mais novo amigo já te pagou um! — disse de uma forma irônica, só que soou bem verdadeiro para mim.

— Awn, você está com ciúmes! — falei, apertando suas bochechas e ele riu.

— Pare com isso. — disse, afastando e segurando a minha mão.

— Eu sei que você está! Fica calmo, Pedro. Você é meu amigo e protetor insubstituível! — falei, bagunçando seu cabelo.

— Ei, não faz isso, está bagunçando o meu charme! — falou e eu comecei a rir dele.

— Charme? Ah, esqueci que você é o famosinho da escola! — falei e ele revirou os olhos.

— Por favor, não me chama de famosinho! — falou rindo.

— Você é a namorada do meu irmão? — perguntou Lisa e eu corei bruscamente.

— Ahn, não... Por quê?

— É que o Pedro ficou com ciúmes. — falou de uma forma tão inocente que, mesmo assim, fez meu rosto corar. — Vocês são bonitos juntos.

— Não, Lisa, a Ana não é minha namorada... — ele sussurrou algo mais no ouvido dela que riu e trocou um olhar cúmplice com ele.

— O que foi? — indaguei e Pedro deu de ombros.

— Vamos comprar sorvete! — exclamou, indo em direção à sorveteria e ignorando minha pergunta.

Fiquei uns segundos parada com cara de tacho, mas logo os acompanhei.

Após Pedro comprar o sorvete para sua irmã e ele, ficamos conversando assuntos aleatórios enquanto íamos para o nosso prédio.

— Vamos lá na nossa casa? Quero te mostrar o meu quarto! — falou Lisa com um sorriso e eu ri.

— Ahn... Pode ser? — falei encarando Pedro e ele assentiu.

— Claro, vamos lá!

Ao chegar no andar dele, fomos para o apartamento que não era muito diferente do meu.

— Minha mãe ainda não chegou, queria te apresentar a ela.

— Você sempre cuida da Lisa de tarde? — perguntei e ele negou.

— O colégio dela é integral, só que hoje só teve aula pela manhã. — respondeu e eu assenti.

— O Pedro é que cuidou de mim, ele fez até comida! — ela falou com um sorriso e eu encarei Pedro com a sobrancelha arqueada.

— Ah, é?

— Sim, ele fez uma lasanha muito boa, eu até ajudei! — Lisa falou e eu não consegui conter o sorriso.

— Então você cozinha — Pedro fez uma careta engraçada. — E eu poderia experimentar essa tão famosa lasanha? — indaguei.

— Ah, não, a lasanha já acabou, que pena. — ironizou.

— Você vai ficar me devendo uma lasanha, então! — falei rindo.

— Vem, Lia! — Lisa me puxou em direção ao seu quarto.

O quarto dela era todo lilás com branco e tinha vários brinquedos espalhados no chão.

— Nossa, seu quarto é muito bonito, princesa! — falei e ela sorriu.

— Sério? É da princesinha Sofia! Ela é minha preferida! — falou sorrindo.

— A minha princesa preferida é a Bela.

— Por quê? — ela perguntou, curiosa.

— Porque o desenho mostra que o amor não se importa com a aparência — falei com um pequeno sorriso. — Mostra que, o que dizem ser feio, o coração diz ser o mais belo!

Lisa sorriu me fitando.

— Que lindo! Eu também gosto muito da história da Bela — passei a mão pelo seu cabelo e sorri para ela.

Ouvi um pigarreio e, ao olhar, percebi que Pedro via a cena.

— Belas palavras, Ana! — comentou aproximando-se da gente.

— Só falei a verdade.

— Minha mãe acabou de chegar! Vou te levar para conhecê-la — ele me puxou e eu o segui até a sala um pouco envergonhada. — Mãe, essa é a Liana! — disse a uma mulher.

Ela parecia ser bem nova, mais ou menos uns trinta e cinco anos, tinha o cabelo em um tom claro e os olhos em um tom azul bem familiar. Agora eu sei de quem o Pedro herdou os belos olhos!

— Ah, então você é a famosa Liana? — indagou com um sorriso que também parecia muito familiar.

— Ah, sou a Liana, sim. Famosa aí eu já não sei! — falei com um sorriso.

— Bom, meu filho não para de falar em você, então acho que posso dizer que famosa você é! — falou rindo e eu corei bruscamente.

— Mãe! — Pedro sussurrou a repreendendo.

— Meu nome é Rebeca.

— Prazer, dona Rebeca! — falei, estendendo a mão, e ela a segurou.

— Não, só Rebeca, querida! — sorri e assenti.

— Acho que já vou, se não meus pais ficarão preocupados — avisei.

— Não quer ficar para jantar? — convidou Rebeca e eu neguei.

— Não, obrigada, meu irmão já deve estar quase chamando a polícia para me procurar — exagerei e ela riu.

— Tudo bem, então. Foi um prazer finalmente te conhecer, espero que venha qualquer fim de semana para almoçar conosco.

— Ah, sim, obrigada. — falei com um sorriso.

Saí do apartamento e Pedro me acompanhou até o elevador.

— Parece que elas gostaram de você! — ele comentou e eu suspirei.

— Eu tive vergonha, mas sua mãe é bem simpática!

— Ela costuma ser bem legal com pessoas que gosta e ela gostou de você — falou com um sorriso. — Acho que seria difícil não gostar, não é?

Dei um riso fraco e um pouco tímido.

— Você sabe bem que nem todo mundo gosta de mim. — falei e ele levantou minha cabeça fazendo o encará-lo.

— Eles são todos uns idiotas por não gostar! Você é uma garota incrível, nunca deixe ninguém tirar o brilho que há em você. Você mesma disse hoje a Lisa que o que realmente importa, é o que há no coração! — ele disse me fazendo sorrir.

Seus olhos estavam repletos de sinceridade e carinho. Antes que eu ficasse encarando seus olhos por horas, aproximei-me e o abracei encostando a cabeça em seu peito.

— Amo quando você tem as palavras certas a me dizer! — confessei baixo e ele acariciou o meu cabelo.

— E eu amo o jeito como você sorrir quando eu falo. — respondeu no mesmo tom que eu.
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"Quero amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo, como a mim mesmo, me importar com a dor do meu irmão..." 🎶❤

Olá, minha gente! Tudo bem com vocês?

E essa nova "amizade" do Ian com a Lia? Não sei, não, mas esse Ian...
Será que o Pedro ficou com ciúmes? Huehue

Não esqueça de deixar o seu votinho e o seu comentário do que está achando da história. Amo ler os comentários de vocês! 💕

Amo cês. ❤

Beijos e fiquem com Deus! 😘😍🎶🎉

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