Capítulo 18: Um trabalho indesejado

A professora de matemática não parava de sorrir enquanto lia algumas anotações em seu caderno. De fato, aquele sorriso estava aterrorizante, afinal, ela sorrir era uma raridade. Da última vez que ela estava sorrindo assim, foi no ano passado e ela passou um trabalho de vinte folhas para fazermos escrito. Minha mão ficou doendo por horas e, no final, ainda tive que me contentar em ganhar um 8,5 pelo fato de ter errado o sinal do resultado final de duas alternativas.

— Bom dia, alunos! — cumprimentou com o sorriso ainda ali. A Sra. Castro era uma senhora com uma aparência de sessenta anos, era baixinha e seu cabelo era escuro, porém os fios brancos eram nítidos, e ela era extremamente rabugenta. Sempre tive a impressão de que ela não gostava de mim.

A sala deu um bom dia sem muita animação.

— É um prazer revê-los! Espero que tenham tido um ótimo fim de semana! — eu não sabia se ela estava sendo irônica, ou se realmente havia sinceridade em sua voz.

Passou-se uma semana desde a volta de Ian e minha pequena crise de... Bem, proteção. Lucy tagarelou em meu ouvido a semana inteira, dizendo que eu havia ficado com ciúmes do Pedro com Anabela e, também, com a Marian. Eu só conseguia revirar os olhos e responder sempre a mesma coisa: "Não foi ciúmes, só quis proteger o Pedro das farsas dessas garotas." Porém, é claro, Lucy não se convenceu. Nem eu havia me convencido, afinal!

Mas, voltando a aula de matemática...

— Passarei um trabalho valendo oito pontos na média bimestral de vocês! — avisou, começando a escrever o assunto do trabalho, no quadro. — Dessa vez, será em dupla! — ufa! Já ia falar com Lucy quando a professora interrompeu todos os alunos. — Sinto muito informá-los, mas eu é que vou escolher as duplas.

Todos olharam indignados para a professora.

— Ah, não, professora, isso é injustiça! — Lucy exclamou e todos reclamaram junto com ela.

— Já chega, eu escolherei as duplas e não se fala mais nisso! — soltei um suspiro e ela começou a dizer o nome das duplas.

Eu estava torcendo mentalmente para ficar com um dos meus amigos ou Josh, porém nem tudo é como a gente quer.

— Lucy e Joanna... — Lucy encarou-me com uma cara desanimada. Joanna era uma das "amigas" de Marian. — Josh e João... — eles comemoraram e eu comecei a temer o que vinha por aí. — Pedro e Marian. — Pedro arregalou os olhos e Marian sorriu, vitoriosa. Espera, isso quer dizer que faltam apenas eu e o... — E, por último e não menos importante, Liana e Ian!

Não... Não... Não! Mil vezes, não!

Que Desastre!

— Não, professora, por favor, não tem como mudar? — rapidamente me levantei e caminhei até a mesa dela.

— Liana e eu podemos fazer o trabalho juntos, e Marian fica com o Ian! — Pedro sugeriu.

— Pois é, tenho certeza que eles não se importariam em fazer o trabalho juntos! — falei e a Sra. Castro revirou os olhos.

— Não, professora. Liana e eu faremos o trabalho juntos, será ótimo! — Ian se aproximou e eu o olhei, irritada.

— Cara, ninguém te chamou na conversa! — Pedro exclamou.

— Chega, vocês três! Eu já falei quais serão as duplas e não irei mudar de opinião! Agora sentem-se e iniciem esse trabalho, pois ele é para essa semana. — falou exaltando-se e eu suspirei.

Sentei em meu lugar e logo Ian sentou-se ao meu lado, e iniciamos o nosso trabalho. Enquanto fazíamos o trabalho, percebi o olhar de Marian sobre a gente. Por um momento, eu pensei que ela pudesse gostar do Ian, só que logo esqueci isso. Afinal, se ela gostasse, talvez não estaria atrás do Pedro.

Tentei ao máximo ignorar Ian e terminar logo com isso, porém não deu para finalizar tudo pois o sino tocou antes. Além de que eram cinquenta questões e ainda estávamos na questão quinze.

— Podemos continuar na biblioteca, o que acha? — perguntou Ian e eu assenti.

— Tudo bem, quanto mais rápido, melhor! — murmurei.

— Então vou te esperar lá!

Quando terminei de guardar minhas coisas, saí da sala e encontrei Pedro a minha espera.

— Parece que a professora rabugenta não gosta da gente! — ele falou e eu sorri de lado.

— Ela escolheu a pior pessoa da sala para ser minha dupla...

— Não foi só com você. Marian também não é adorável! — falou e eu ri.

— É verdade, não tivemos sorte. — falei e dei um suspiro, lembrando que terei que aguentar Ian.

— Você vai ficar bem? — indagou, segurando em minha mão, e eu sorri.

— Sim, não se preocupe. Eu não o suporto, porém vou ficar bem. Não sou mais boba! — falei. Pedro abriu um pequeno sorriso que eu, instantaneamente, retribui.

— Fico feliz que não goste dele. Não gostaria de te ver chorar igual a primeira vez que nos encontramos! — senti meu rosto corar um pouco com o que ele disse. Eu estava parecendo uma boba!

Dei um abraço rápido no Pedro e me despedi dele.

Enquanto caminhava até a biblioteca, pensei em como Pedro tratava-me bem, ele sempre está comigo e, por mais que não nos conhecemos há muito tempo, ele se preocupa comigo e sempre quer me fazer sorrir. Eu realmente não sabia se o que sentia por Pedro ia além da amizade, mas eu sabia que ele era extremamente importante para mim e eu não quero perdê-lo. Seja o que for que está crescendo em meu coração, não deixarei que isso atrapalhe nossa amizade, pois eu tinha certeza que a amizade dele era verdadeira e eu realmente não queria deixá-la.

Um sorriso bobo se formou em meu rosto ao pensar no garoto de olhos azuis, porém logo foi desfeito ao ver Ian me olhando atenciosamente.

— O que foi? — indaguei e ele deu de ombros.

— Só estava te observando sorrir... Alguém já te disse que seu sorriso é bonito? — por mais que eu soubesse que Ian só queria me reconquistar, sorri de lado com sua pergunta.

— Já... — falei e ele me olhou curioso. — Pedro já disse.

— Ah — ele murmurou e encarou-me. — Olha, Lia, talvez você nem ligue para o que irei te dizer, mas ao menos tente me ouvir — ele deu uma pausa antes de prosseguir. — Não confie nesse garoto, com certeza ele só que te conquistar e depois te magoar!

Revirei os olhos.

— Tem certeza que está falando da pessoa certa? Ou será que você se confundiu com você mesmo? — ironizei.

— Eu nunca quis te magoar, Lia, já te pedi perdão pelo que fiz.

— Para de ser hipócrita, Ian! Se você não quisesse me magoar, não teria rido de mim e não teria acompanhando Marian nas piadinhas que ela sempre fazia comigo. Ver se aprende uma coisa: eu não sou mais aquela garota boba que se derretia com qualquer gesto seu. Eu mudei. E foi exatamente a decepção que você me fez passar, que me fez enxergar que eu estava sendo uma idiota pensando que você era o garoto perfeito! — falei sem delongas e uma lágrima solitária desceu pelo meu rosto. — Nem tudo que reluz é ouro, Ian, e eu realmente aprendi isso! — rapidamente, limpei a lágrima que caiu pois eu não queria chorar na frente dele. Totalmente, sem cogitação!

Ele abaixou a cabeça e um silêncio desconfortável instaurou-se entre nós.

— Agora vamos fazer o trabalho porque eu prefiro estudar Trigonometria do que ficar discutindo — falei, abrindo o livro de matemática.

Continuamos o nosso trabalho e não falamos nada que não tivesse a ver com o trabalho. Era melhor assim. Eu não queria construir nenhum tipo de ligação com ele, nem se fosse só uma amizade.

❤🎶

Estava sozinha em casa com Anabela. Josh havia saído para a casa de João e me deixou sozinha com ela.

Enquanto​ assistia um filme, Anabela estava na cozinha fazendo algo para comer. Após uns quinze minutos, ela apareceu com um sorriso no rosto e, por um momento, tive medo do que ela estava aprontando.

— Fiz vitamina para você também! — falou me entregando o copo e eu arqueei a sobrancelha.

— É de quê?

— Banana com chocolate! — respondeu, tomando sua vitamina.

Fiquei olhando para o copo feito idiota perguntando-me se eu deveria tomar ou não.

— Ahn... Você não colocou sal, não é? — ela soltou uma risada irônica.

— Não irá saber se não tomar. — respondeu.

Se ela não fez nenhum movimento de ansiedade para que eu tomasse logo aquilo, então talvez ela não tenha colocado nada suspeito. Só talvez. Respirei fundo antes de tomar a vitamina.

Por um segundo, achei ela muito boa, porém a felicidade durou pouco pois minha língua começou a arder e eu fiquei desesperada por água. Corri para a cozinha e, rapidamente, peguei a água na geladeira e tomei, enquanto Anabela gargalhava na sala. Eu não acredito que eu caí! Que burrada​!

Cheguei na sala, furiosa.

— Qual é o seu problema? Esqueceu de amadurecer? — indaguei e ela revirou os olhos.

— Ah, Lia, você é muito ingênua, tomou a vitamina mesmo sabendo que podia ter algo! — falou, controlando a risada.

— Não tem graça, Anabela! Pimenta? Você não tem mais o que inventar! Ver se me deixa em paz, garota! — saí da sala ainda irritada e me tranquei no quarto. Era incrível como Anabela fazia de tudo para me ver chateada.

Peguei meu violão e comecei a dedilhar algumas notas para ver se me acalmava.

Após um período fazendo isso, percebi que havia criado uma bela melodia, então resolvi anotar em meu caderninho. Talvez essa melodia se encaixasse com uma das músicas que já escrevi.

Tu és o meu amado, meu Salvador... — cantarolava uma canção que eu compus há um tempo atrás.

Depois de encaixa-la com a melodia, percebi que havia ficado bem legal.

Sorri com o resultado e guardei o caderninho ao qual só eu sabia que existia.
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"Eu me rendo aos Teus pés, és tudo o que eu preciso para viver..." 🎶💕

Olá, galerinha! Tudo bem com cês?

E esse trabalho? A Lia ficou logo com o Ian... Triste.

Quero ver quem aí shippa #Pelia ❤ o/ e quem aí shippa #Lian? 🤔👀

Não esqueça de deixar o seu votinho belíssimo e o seu comentário. Amo ler os comentários de vocês! 💖

Amo cês! ❤

Beijos e fiquem com Deus. 😘😍❤💕🎶🎉

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