Capítulo 17: Eu acredito em você!
No término do culto, Anabela fez questão de ir falar com Lucy, que também não sabia quem minha prima era de verdade. Lucy sempre confiou e acreditou em mim, porém ela nunca dava muita bola quando eu contava as coisas que Anabela fazia comigo, ela acreditava na farsa da minha prima de garota boa e adorável.
— Nossa, Lucy, seu cabelo continua tão lindo! — elogiou, alisando o cabelo de Lucy. Ao menos nisso Anabela era sincera.
— Obrigada, Bela! — agradeceu Lucy com um sorriso.
— Lia, Anabela, vamos se não ficará tarde e perigoso para irmos! — chamou Josh e nós assentimos.
— Tchau, Lucy, nos vemos amanhã na escola! — falei, dando um rápido abraço nela.
— Tchau, Lia, até amanhã. Tchau, Bela!
— Tchau, Lucy! — Anabela também abraçou Lucy e nós caminhamos até Pedro e Josh, que nos esperavam.
O percurso foi feito da mesma forma da vinda, Anabela puxando assunto com Pedro que não fazia a menor tentativa de cortar papo. Eu realmente estava errada quando pensei que ao menos Pedro acreditaria em mim sobre as travessuras que Anabela aprontava comigo. Ninguém acreditava! Era incrível o fato de minha prima saber manipular todos com seu sorriso de boa menina.
Quando chegamos no térreo de nosso prédio, Anabela e Josh se despediram de Pedro e, quando já estávamos prestes a entrar no elevador, Pedro puxou meu braço e me encarou.
— Não vai nem me dar boa noite? — não o respondi, apenas continuei em silêncio. — Você ficou a noite toda sem me dirigir a palavra... eu te fiz alguma coisa? — indagou com um olhar preocupado.
Abri um pequeno sorriso para ele. Definitivamente, eu não conseguia ficar com raiva dele.
— Você não fez nada, é só que... — afastei nossas mãos e suspirei. — É que eu pensei que, finalmente, alguém tinha acreditado nas coisas que falei sobre Anabela.
Ele olhou-me confuso, porém logo entendeu o que eu falei.
— Lia, eu...
— Tudo bem, ela é uma boa atriz! Todos gostam dela, talvez a única pessoa que esteja sendo errada, sou eu — antes que eu saísse, ele me puxou novamente, só que agora ficou mais próximo de mim.
— Mas eu acredito em você. — Pedro falou, me fitando nos olhos. Seus olhos eram como imãs e eu não conseguia segurar a vontade de ficar os olhando sempre. Talvez isso seja um pouco brega, mas era o que eu sentia.
— Acredita mesmo? — perguntei com certa ironia na voz.
— Claro, Ana. Eu não deixaria de acreditar em você para acreditar nela.
— Então por que estava dando bola para ela?
— Para ser educado. — respondeu como se fosse óbvio. — Olha, Liana, eu já saquei qual é a dela, ela só quer colocar todos contra você para que ninguém acredite no que você falar dela, mas eu acredito em você, e não vou deixar de acreditar por conta de uma prima invejosa! — não consegui conter a risada ao ouvir ele chama-lá de invejosa. — Já falei que gosto de seu sorriso?
Senti meu rosto corar e ele sorriu, com certeza percebeu o rubor em minha face. Ele passou seu dedo por minha bochecha e eu tentava controlar a batida descompensada de meu coração. O que era aquilo?
— E-eu acho que você já disse. — falei com certa dificuldade na voz. Ah, fala sério!
Naquele momento, a minha mente só queria que eu dissesse que também gostava dos olhos e do sorriso dele, mas nem se eu estivesse na China ou em qualquer outro lugar diria isso.
— Acho melhor irmos, seus pais ficarão preocupados! — falou e eu assenti.
— Vamos! — caminhamos até o elevador e eu tentei esquecer por um momento a minha fobia.
Digamos que, desde o dia em que fiquei mais de uma hora presa no elevador, minha fobia aumentou um pouco. De fato, ao mesmo tempo que aquele dia não saía de minha mente, também sentia medo só de lembrar.
Ao chegar no oitavo andar, que era o meu, Pedro e eu saímos do elevador.
— Então nos vemos amanhã na escola? — indagou e eu assenti.
— Claro!
— Então, tchau. — falou aproximando-se e depositando um beijo em minha testa. — Boa noite, Ana!
— Boa noite, Pê! — falei com um sorriso e ele entrou novamente no elevador para ir para o seu andar que era o nono. Era incrível como simples atos dele, me fazia ficar, literalmente, no mundo da lua.
Entrei em meu apartamento e, ao deitar na minha cama em meu quarto, soltei um longo suspiro. O que estava acontecendo comigo? Eu literalmente fiquei toda derretida com os pequenos atos de Pedro comigo.
Eu não entendia o que estava sentindo, mas eu não podia me apaixonar por ele. Na verdade, eu não queria me iludir novamente, já basta o que passei com Ian para aprender que nós não devemos nos deslumbrar tão facilmente assim, mas com Pedro era tudo tão diferente do que eu sentia por Ian. Era como se, com Pedro, tudo fosse mais puro e verdadeiro. Ele sempre me fazia rir e fazia o possível para me ver bem, e isso encantava-me mesmo que eu tentasse negar isso para mim mesma.
Talvez eu estivesse com um certo sentimento em meu coração quanto a Pedro. Eu não queria admitir, mas essa era a verdade.
❤🎶
Arrumei-me para ir a escola junto com Anabela, que não parava de me irritar dizendo que meu cabelo estava ressecado e precisando de hidratação. Quem ela pensa que é? Uma cabeleireira?
Calma, Lia. Lembra da ministração do culto de ontem sobre amar ao próximo!
A escola de Anabela ficava há umas dez quadras de minha casa, então meus pais a levariam para lá. Agradeci mentalmente a Deus por ela não ser da minha escola. Tinha quase certeza que ela e Marian virariam ótimas amigas. Fiz uma careta ao pensar nisso e afastei o pensamento.
Josh e eu, como de costume, fomos para a escola juntos e ele não parava de tagarelar sobre como ele estava indo bem na aula de piano que fazia todos os sábados. Porém eu não prestei muita atenção no que ele disse, minha mente estava "ocupada" pensando em um ser de olhos azuis.
Pedro não saía de minha mente, parecia que tinha até grudado feito adesivo e não queria mais sair de lá. Talvez eu também não quisesse tirá-lo...
Soltei um suspiro e Josh encarou-me, confuso.
— Você está bem? — perguntou e eu assenti. — Não está nem prestando atenção no que eu estou falando, não é?
Dei de ombros.
— Parabéns, espero que continue se dando bem na aula de piano — ele arqueou a sobrancelha.
— Mas eu já estava falando da prova de filosofia que fizemos semana passada.
— Ah — foi a única coisa que consegui dizer após sentir meu rosto queimar novamente.
Josh já estava percebendo que eu estava avoada demais esses dias e talvez ele já até imagine o porquê.
Quando chegamos ao colégio, fui até o banheiro e só estava algumas garotas do primeiro ano por lá, falando sobre alguma festa do final de semana. Para falar a verdade, as garotas mais novas eram as que mais "admiravam" Pedro e às vezes isso irritava. Por que ficar correndo atrás de um garoto que não te corresponde?
E por que eu estava pensando no Pedro de novo?
Suspirei e terminei de ajeitar o meu cabelo.
Quando estava saindo, Marian entrou no banheiro e, estranhamente, sorriu para mim. Retribui o sorriso mesmo achando aquilo muito estranho. Ela estava aprontando algo! Eu tinha quase certeza!
Ouvi meu celular tocar e o atendi, era o número de Lucy:
— Alô?
— Lia, eu não vou para escola hoje, acordei com um baita resfriado! — falou e ouvi ela fungar o nariz.
— Nossa, que pena... Bom, melhoras para você, pode deixar que depois te passo os conteúdos que os professores passarem.
— Aah, obrigada, amiga, você é demais! — exclamou e eu ri. Mesmo doente, Lucy era uma figura.
Fiquei um pouco triste por Lucy não vir a escola hoje, eu estava querendo conversar com ela sobre tudo isso que estava sentindo.
Enquanto caminhava em direção à sala, ouvi umas vozes em um corredor. Parecia ser Marian... Tentei segurar a minha curiosidade, porém eu não consegui. Aproximei-me do corredor ainda me sentindo uma boba por ser tão curiosa, mas tentei ignorar isso.
Em um movimento quase imperceptível, olhei para o corredor, escondida atrás de uma parede, e percebi que, realmente, tratava-se de Marian. Ela estava conversando com um garoto e parecia estar bem próxima dele... Após alguns segundos tentando saber quem era o tal garoto, Marian saiu da frente dele e, em um ato inesperado, meus olhos encontraram-se com os deles. Pedro.
Não pode ser.
Ele não desviou o olhar, porém eu dei meia volta e saí o mais rápido possível daquela ala da escola. Pensei em ir para a biblioteca, porém lá não era um esconderijo a se cogitar, afinal, seria o primeiro lugar que ele me procuraria. Então fui para um lugar que ele não poderia entrar; o banheiro feminino.
Entrei em uma das cabines de lá e me tranquei tentando respirar fundo e entender o que estava acontecendo. Por que Pedro estava conversando tão intimamente com Marian em um dos corredores da escola? Por que ele? Logo ele?
Principalmente, por que eu me importava com isso?
Algumas lágrimas desceram por minha face e eu tentei ignorar o pensamento que pairava sobre minha mente que dizia que, mais uma vez, eu havia me iludido com alguém que não gostava de mim. Não! Mais uma vez, não!
Limpei as lágrimas em meu rosto e tentei pensar em algo positivo. Talvez eles não estivessem tão íntimos assim... Ou talvez eu esteja querendo enganar a mim mesma.
Saí do banheiro e encarei meu reflexo no espelho.
— Não, Liana, você não vai sofrer desilusão novamente... — sussurrei com a voz trêmula e respirei fundo.
❤🎶
Durante a aula, fiquei fazendo uns rabiscos em meu caderno e acabei escrevendo um refrão de uma música da banda Palavrantiga.
"Mesmo sem saber, como Tu dirás,
Dentro de mim reinará a Tua paz,
Que me faz saber, esperar é sempre caminhar..."
Era exatamente isso que eu precisava fazer: esperar mais em Deus. Muitas vezes eu tomei decisões só minhas sem antes consultar a Deus e isso não fez bem para mim. Sempre antes de tomar uma decisão, temos que consultar a Deus, saber se aquilo é da vontade dEle, saber se aquilo é o que Ele sonha para nós, afinal, os sonhos de Deus são bem maiores que os nossos e os pensamentos dEle vai além da mente humana, vale a pena confiar nEle e esperar a sua resposta. Mesmo que a resposta seja um sim ou um não, temos que entregar nossas causas nas mãos de Deus, pois todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam.
Ao sair da sala, senti alguém me chamar, porém eu sabia quem era e, por mais que eu tentasse fingir que não escutei, era inevitável não olhar.
— Ei, garota da biblioteca, me espera! — parei no meio do corredor e encarei Pedro que rapidamente parou ao meu lado, ofegante. — Você é rápida, hein... Por um acaso vai pegar um trem?
— Não, mas eu vou pegar uma fila que já deve estar enorme! — respondi voltando a andar, porém ele me puxou.
— Precisamos conversar.
— Então fala.
— Sobre aquilo que você viu... — eu o interrompi.
— Olha, Pedro, você não me deve satisfação. Eu não me importo se você está tendo um casinho com a Marian, só não se esqueça de com quem está se metendo. Marian não pensa em outra pessoa que não seja ela! — o avisei e já ia dar meia volta quando ele puxou-me novamente. — Dar para parar de fazer isso?
— Casinho? — indagou com uma sobrancelha arqueada e um olhar um tanto decepcionado. — Você sabe que eu conheço muito bem a Marian. Eu não estou de caso nenhum com ela!
— Mas não foi isso que eu vi no corredor.
— Você sabe que Marian anda, literalmente, me perseguindo, Liana. Eu não ligo para aquela garota, sei muito bem que não se deve confiar nela. Eu nunca iria me envolver com Marian sabendo de todas as coisas absurdas que ela te falou e já te fez! — ele deu uma pausa e me olhou. — Eu já te falei que não sou esse tipo de garoto que fica e depois finge que nada aconteceu, Liana. E eu também já falei que acredito em você, mas você também precisa acreditar em mim!
Ele virou-se para sair e eu engoli seco pelo que acabei de ouvir. Ele tinha razão, eu não estava confiando nele, decidi seguir minhas próprias conclusões precipitadas e não quis ouvir suas explicações e acreditar nele. Quando ele já estava em uma distância considerável, corri para alcança-lo e o chamei.
— Pedro, espera! — ele parou e me encarou com dúvida no olhar. Ignorei minha timidez e o abracei, fazendo com que ele ficasse surpreso com tal ato. — Me desculpa, eu sou uma idiota.
— Não fala isso. Você não é idiota! — ele disse, retribuindo o meu abraço.
— Eu acredito em você! — falei e o senti sorrir.
Ficamos alguns segundos abraçados, sem se importar com os olhares curiosos dos alunos ao nosso redor.
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"Tu és o mesmo para sempre, Teu amor não muda, se o choro dura uma noite, a alegria vem pela manhã..." 🎶❤
Olá, gente bonita. Tudo bem com cês?
Fiz um capítulo grandinho e com emoções huehue
A Lia, finalmente, está percebendo que está se apaixonando pelo Pedro. Antes tarde do que nunca!
Glória, glória, aleluiaaa... 🎶🎶
Não esqueça de deixar o seu votinho e o seu belíssimo comentário. Amo ler os comentários de vocês!
#Pelia 😍
#Rumoa2KdeVizualizações 🎉🎉
Amo cês! ❤
Beijos e fiquem com Deus. 😘😍🎉🎶
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