005
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Por mais que não quisesse admitir, Melissa não estava indo a casa de Sebastian contra sua vontade. A garota poderia até estar um tanto com raiva, mas tinha curiosidade de saber como ele descobriu onde ela estava e porque ele estaria a levando lá.
O caminho foi cheio de bufadas dos dois. Sebastian havia recebido uma ligação de John lhe informando de que esse tinha companhia, então não precisaria de seus serviços.
··· Melissa
Sebastian para o carro e eu foco na pista através do vidro a minha frente.
— Me espere aqui. — Ele tira o cinto e me olha — Só irei pegar uma muda de roupa, não demorarei. — Sai do carro e vai em direção a sua casa.
Eu o ignoro. Quem ele acha que é para querer mandar em mim? Não é porque ficamos vez ou outra que ele tem esse direito.
Aliás, nem se fôssemos namorados ele teria esse direito. Namorados não, nem SE fôssemos casados! Tá pra nascer quem vai mandar em mim.
Desço do carro e vou em direção a casa dele para tirar satisfações. Após bater na porta, um homem de meia idade, meio gordo e com alguns arranhões no rosto abre a porta e me encara de cima a baixo.
Engulo um seco.
— Pois não, donzela? — Ele abre mais a porta e dá um gole na sua cerveja.
— O... O Sebastian, por favor...?
— Oh! O idiota do meu sobrinho já vem. Entre. — faz menção abrindo mais a porta — Pode esperar ele no sofá... — O homem meio loiro deu um sorriso estranho o suficiente para me assustar.
Entro e me sento próximo ao braço do sofá. Era a única parte em que não estava sujo ou rasgado. Logo um arrependimento me sobe por ter escolhido esse lugar pois o homem se senta bem próximo a mim.
— Sabe... Por que uma moça tão bonita como você vem a procura de alguém como meu sobrinho? — ele pega uma mecha do meu cabelo e sorri.
Tento me levantar mas ele segura meu braço.
— Ei! Que falta de educação! — aperta mais ainda enquanto eu tento sair dali. — Ora! Se aceita alguém como o desgraçado do meu sobrinho, por quê faz vista alta para mim? — Ele vociferava.
— SEBASTIAN! — eu grito.
Sebastian, que aparentemente já estava descendo as escadas vem ao meu encontro e soca a cara de seu tio. O mesmo se levanta do chão aonde havia caído e vai para cima de Sebastian dando-o um soco.
Fico desesperada ao vê-lo cair no chão.
Enquanto tenta se levantar, o homem vai até ele para continuar brigando, saio rapidamente de onde estou e pego a primeira coisa pesada que vejo na minha frente. Pego um pequeno banquinho que havia ali e bato com força na cabeça do homem.
— Meu Deus, Sebastian! Você está bem? — corro até ele e o ajudo a se levantar.
— Sim. Ai. — ele fica de pé. — O soco foi de raspão, caí apenas de mal jeito. Dessa vez não foi tão ruim quanto as anterior. — ele olha para onde seu tio está deitado — Uau, você o acertou em cheio. — dá um meio sorriso e me olha. Anda em direção a porta me fazendo acompanhá-lo.
Fico chocada.
— Espere, dessa vez? — Toco suas costas. — Isso já havia acontecido antes?
Dessa vez ele para.
— Vamos? — ele vira e me olha — Ele logo irá acordar.
O caminho até minha casa seguiu silencioso. Ai, também pudera, né, depois de um show de mma daqueles. Sebastian para em um sinal e eu o vejo rir. O que deu nesse homem?
—Do que você está rindo?
— De você. Acertou em cheio a cabeça dele com aquele banquinho. — Ele ri e me leva junto.
No caminho até minha casa o clima melhora um pouco. Ao passar dos portões, vejo que há alguns carros, não poderia entrar pela porta da frente, já que John nem faz ideia de que saí. Sebastian entra para a garagem e eu saio do carro o mais rápido possível.
— Lhe espero no meu quarto. — Digo antes de sair de perto dele. Vou direto para a árvore de que desci.
Como vou subir aqui? Que diabos fui me meter. Com muita dificuldade, consigo subir na árvore e passar para minha janela. Sebastian entra no quarto e fica sem entender, mas vem em minha direção me ajudar a entrar.
Peço para ele me esperar na cama e sigo para o banheiro para pegar algo para limpar seu rosto, o soco de raspão ainda fez um pequeno corte. Fico pensando no que ele falou, que aquela não era a primeira vez que uma briga acontecia. Pego as coisas e vou para o quarto. Tanta coisa aconteceu em um pequeno intervalo de tempo que acabo me lembrando o porque estava com raiva dele, mas deixo os pensamentos de lado e vou ao encontro dele. Isso fica para depois.
Vejo Sebastian sentado em minha cama cabisbaixo. Dá um aperto no coração só de vê-lo desse jeito, já que ele está sempre com cara de que nada o abala, sempre firme, assim percebi desde que cheguei aqui. Me aproximo dele e sento na cama ao seu lado, pego o algodão e o molho no álcool, em seguida passo levemente no pequeno corte que havia ali. Percebo que Sebastian se encolhe algumas vezes em que fazia contato do algodão com sua pele.
— Pronto. — Ele fica de pé.
— Onde você acha que vai? — Era só o que me faltava mesmo.
— Seu irmão ele...
— Acredito que ele não o viu subindo. Ande, sente-se, você me deve respostas! — Digo indignada.
— Respostas? — Ele me questiona de sobrancelhas arqueadas.
— Como você soube onde eu estava? Me seguiu?
Ele ri debochado.
— Foi apenas coincidência. — Ele se aproxima — E você não deveria frequentar locais como aquele. O que fazia lá?
— Coincidência? Uma rápida coincidência depois do que você deve ter tido com Hannah, não é? E não o interessa o que eu fazia lá.
— Por quê se importa tanto no que eu estava fazendo com ela? — Ele suspira — E você deveria ter cuidado onde se mete, é uma freira, não é? Você é mimada. É isso. — Ele se aproxima mais e vai até a porta.
Que filho da p...! Mas isso não vai ficar assim. Mas não vai mesmo. Entendo que ele possa estar com raiva do que aconteceu, mas por algum motivo eu sinto que ele deve me tratar melhor, poxa.
Desço as escadas e vou em direção a seu quarto. Pelo visto os convidados de John estavam todos próximo a piscina. Toco o trinco da porta e vejo que ela está aberta. Que mania feia de não trancar a porta... Ouço barulho do chuveiro. Ele está no banho. HUMM.
Tranco a porta e tiro minha roupa. A dele está entreaberta, a empurro e vejo Sebastian de cabeça baixa debaixo do chuveiro. Hora errada para pensamentos impuros. Vou até ele de uma vez e o abraço, percebo que ele se assusta mas depois relaxa e me abraça de volta.
Fico de frente para ele e o beijo. Mas dessa vez é um beijo leve, que quer transmitir paz, sinto ele estar no mesmo ritmo que eu. Sebastian é umas das poucas pessoas que me faz dar esse beijo. Ou a única.
— Está tudo bem? — Digo e encosto minha cabeça no seu tronco.
— Vai ficar. — Ele responde depois de um tempinho.
Sebastian afasta minha cabeça e me olha nos olhos, passa a mão pelos meus cabelos já molhados e sorri.
— Você é linda, Melissa. Linda. — Ele se aproxima e me beija. Esse beijo não tem nada de calmo, é feroz, necessitado, de perder o ar. Ele para o beijo e me dá alguns selinhos. Continuo de olhos fechados. Sinto ele passar a mão pela minha cintura e me puxa para si, sorrio ao sentir seu membro já duro.
Me jogo nele e começo um outro beijo, sinto nossas intimidades se tocarem e arfo com o toque. Dessa vez é ele quem sorri. Safado.
— Uma das melhores coisas de ficar com você... — Desce a mão pela minha intimidade — É que você tá sempre molhadinha. — Fala próximo ao meu ouvido e penetra um dedo me fazendo arfar. Subo em seu corpo e continuamos nosso banho.
∆
··· Sebastian
Acordo pela manhã ao ouvir meu celular tocar. Antes de abrir os olhos, sinto um peso sob meu corpo. Melissa. A olho e vejo que ela ainda dormia. O telefone continua a tocar me fazendo ficar irritado. Quem diabos liga uma hora dessas? Que saco. Tiro Melissa de cima de mim lentamente e saio da cama. Procuro pela droga do celular e não o acho. Vejo Melissa se mexer na cama.
— Sebastian? — ela me chama com a voz sonolenta.
— Já vou, boneca. Só preciso encontrar o celular, ok? — Vou até ela e a beijo na testa, vejo que ela fecha os olhos e volta a dormir.
Paro um momento e percebo o que acabei de fazer. Ok. Foi só um beijo na testa. A fito dormir, tão leve, tão pura, tão doce, nem parece que há milhares de problemas que podem nos separar. Não consigo me enganar, realmente gosto dela... Posso até dizer que estou apaixonado, deveria falar a ela o que sinto, mas... não. Não seria justo com ela, nem comigo. A realidade é outra. Logo, logo ela voltará ao Convento e virará freira e eu irei embora daqui para sempre.
Nada mais me prende nessa cidade. Minha avó se foi, não tenho mais ninguém. Até ela... Assim que ela partir, peço demissão e vou recomeçar minha vida em outro lugar. Meu coração se dói em saber que terei que deixar aqui, a cidade em que cresci. Tenho dinheiro guardado suficiente para pagar por um apartamento médio.
Creio que até ela ir embora Peter me dará meu dinheiro. Falando nisso, o que ela fazia lá ontem a noite? Desisto de procurar pelo telefone e vou me juntar a ela na cama. Me deito e a puxo de volta para mim.
— Em meus braços está a salvo, boneca. Sou um soldado experiente. — Sussurro em seu ouvido. Vejo um sorriso surgir em seus lábios. Ela abre os olhos e inclina seu rosto para me dar um selinho.
— Como você está? — ela passa a mão em meu rosto, onde ficou o pequeno ferimento.
— Estou bem, sim. Obrigado por vir aqui. Eu... fui meio idiota com você, não fui?
— Está tudo bem. Eu que acabei querendo saber demais...
— É que eu nunca falei disso com ninguém... Sabe, não moro ali com Mark porque quero, moro porque preciso, por enquanto. Desde que minha avó morreu parece que tudo virou de cabeça para baixo, ainda mais com aquele idiota me importunando, querendo que eu pague aluguel, as contas dele... E como você viu ontem, não aceitei isso e começamos a discutir chegando a sair no soco de vez em quando. Mas não é só por isso que ele me odeia, a vovó sempre me colocou na frente de tudo e todos, sempre me colocou em preferência, digamos assim.
— Nossa... eu não fazia ideia.
— Pois é. Melissa, você... já tentou falar com seus pais sobre não gostar da ideia de ser freira?
— Ora, era o que eu mais fazia. Mas sempre fui reprimida, de todas as formas. Quando criança me diziam que eu iria queimar no fogo do inferno caso não seguisse essa "vida", pois "promessa feita é promessa cumprida". O pior é que eu já nasci com esse fardo. Mamãe estava desesperada por conta de uma doença de Kaya, nada a fazia ficar boa, então ela decidiu fazer a bendita promessa de que se ela se curasse seu próximo filho ou filha dedicaria a vida à igreja. — ela suspira — Já maior, tentei falar com ela novamente, mas ela disse que me mandaria a força para fora do país para virar freira lá, e eu não teria a quem socorrer nem nada. Então simplesmente preferi "segurar o fardo".
— Sinto muito. Sabe, eu... — estou prestes a me declarar novamente quando ouço a droga do telefone tocar novamente. Faço gesto e me levanto da cama novamente em busca do bendido telefone.
Dessa vez o encontro na pequena poltrona que havia ali. Vejo quem ligava: era Hannah. Ah, dá um tempo.
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