Capítulo 16

    - Esta não é a casa de Byun Baekhyun? - a garota perguntou. Seus olhos não o deixaram.

    - O que faz aqui?

    Suspirando com alguma derrota fingida, a outra revirou os olhos.

    - Olá, querido. - Jessica riu suavemente. -Você vai continuar assim? Você quer que seu filho saiba?

    - Vocês-

    - Sooyeon? - A pequena cabeça de Baekhyun apareceu pela porta. O menor imediatamente franziu a testa. -O que faz aqui? Como você sabe onde eu moro?

    Chanyeol se virou para ele.

    - Como você conhece ela?

    Baekhyun franziu a testa.

    - Você conhece ela?

    Chanyeol ficou repentinamente surpreso com a pergunta. Na frente dele estava ninguém menos que Jessica Jung, a garota que o abandonou e não só ele, mas também seu filho Andy. Olhou impotente por um segundo para Baekhyun, que não parava de franzir a testa olhando para os dois de um lado para o outro; por outro lado, Jessica parecia muito calma e nada surpresa. Além do mais, tinha um leve sorriso no rosto enquanto fingia uma inocência tremenda e estava lhe dando dor de cabeça.

    - Oi, Baekhyun. - Jessica disse, quebrando o gelo. -Desculpe vir incomodá-lo em sua casa, eu sei que você estava de licença médica, e cara, você pode ... notar. - Ele olhou Chanyeol de cima a baixo.

    Baekhyun, ao lado dele, parecia de repente envergonhado.

    - Estou melhorando. - ele respondeu com uma gagueira, entretanto, ele pareceu perceber que não tinha nada para explicar, então ele limpou a garganta. -Enfim, o que você está fazendo aqui?

    Chanyeol ainda estava desorientado. Por que eles se conheciam? Por que aquela garota falava com ele tão facilmente? Jessica continuou mandando sorrisos para ele, como se estivesse o mostrando um poder quase invisível que ela tinha na situação. Era sempre assim: Jessica estava um passo à frente dele. Era inteligente, quase extremamente inteligente. A garota poderia se tornar uma especialista em qualquer ramo e ela sabia disso, mas desde seu suposto desaparecimento, Chanyeol acreditava que nunca a veria novamente. Que a garota havia desistido de tudo isso.

    - É sobre uns papéis que terei que entregar até o final do bimestre. Já que fiquei com sua turma por quase uma semana, vim lhe dar o progresso dos meninos. -Entregou uma pasta com um número infinito de tarefas e trabalhos. - Estão corrigidos. Deixo-os para você dar uma segunda olhada e poder fazer o upload das classificações na plataforma, se não se importar.

    Baekhyun se mexeu, pegando os papéis e olhando para eles por um segundo.

    - Um, bem, sim, obrigado.

    - Não há de que.- respondeu a garota e olhou para Chanyeol novamente. - Espero que se recupere logo - continuou sem tirar os olhos do mais alto. - embora pareça que está em mãos muito boas.

    Ambos ficaram sem palavras. Baekhyun parecia apenas murmurar algo indecifrável.

    - E, Baek, cuide-se. - Jessica continuou. - Não sabemos quando algo mais grave pode acontecer. Há muitos bandidos por aí ultimamente, não é? - Deu uma risadinha.

    Seu comportamento era totalmente provocativo e Chanyeol estava tentando descobrir o que estava tramando. Isso não foi uma coincidência, não poderia ser. No entanto, quando tudo ficou em silêncio e se entreolharam, a vozinha de Andy foi ouvida da sala e pôde sentir o frio subindo por seu pescoço.

     "Pai, a maratona de Rugrats está prestes a começar!"

    Seus olhos se arregalaram e pôde ver como a boca de Jessica se contraiu com a voz. Não demorou mais que alguns segundos para a garota perceber isso. Sabia de tudo porque tinha começado a rir do nada de uma forma incrédula, como se não pudesse acreditar.

    - Jessica? - Baekhyun perguntou em um tom curioso.

    - Você realmente ficou com ele? - a garota questionou com uma risada. - Que pedaço de homem. - Seu tom era sarcástico.

    - Que-?

    - Srta. Jessica. - Todos se viraram e para a surpresa de Chanyeol lá estava Kyungsoo com o rosto sereno e uma mão colocada em sua arma escondida em seu cinto. Os olhos de Chanyeol olharam diretamente para ele, estava em uma posição de defesa enquanto por trás havia outro par de vermelhos na mesma condição. - Para um acordo de paz, você deve sair deste bairro agora.

    A garota se virou para ele, seu sorriso se espalhava pelo rosto e seu corpo estava relaxado demais.

    - Estraga-prazeres. - bufou a mulher. - Este seria um encontro muito emocionante.

    - Tem cinco minutos. - A voz de Kyungsoo era profunda e impassível. - Saia agora antes que tenhamos de usar de força maior.

    A menina exclamou um pouco 'Fh' e ergueu as mãos em sinal de paz e derrota.

    - Estou saindo. - Finalmente, se virou para Baekhyun novamente. - Vejo você no trabalho, Baekhyun. Não faça coisas ruins.

    E sem mais delongas, a garota desapareceu em seu carro.

..........

    Baekhyun não entendeu nada.
  
    De um momento para o outro, ele foi arrastado para o apartamento de Chanyeol com nada além das chaves de sua casa e os cupcakes que tinha feito com Andy no dia anterior. Kyungsoo o escoltou
oficialmente à casa de Chanyeol para ficar lá com Andy enquanto os Vermelhos tinham uma reunião de emergência na sala de estar.

    Era muito curioso - e ao mesmo tempo estava preocupado - então ficou o mais próximo possível da porta para ouvir algo, porém, a sala parecia ter aquela coisa de onde não conseguia penetrar o som, então a única coisa que escutou foi o zumbindo do outro lado.

    - Tio Baekie. - Parou de fundir sua cabeça com a porta e se virou para Andy. Ele estava deitado na cama com os pés balançando. Seu olhar estava um pouco cabisbaixo. - Acho que estou com medo.

    Ouvindo isso, Baekhyun imediatamente se afastou completamente da porta e caminhou até onde o garotinho estava.

    - Oh Andy. - Baekhyun o abraçou contra o peito. - Você não precisa ter medo. Tio Baekie está aqui para ajudá-lo, não importa o que aconteça.

    - Eu sei disso. - Andy fungou. - É que quando o papai e os vermelhos têm reuniões como essa, é porque algo não está certo e o papai quase sempre fica um pouco mal. Às vezes chega a se machucar.

    Baekhyun ficou sem saber o que dizer. Na verdade, ele obviamente não sabia muito - nada - sobre aquela reunião de emergência, muito menos imaginava o que planejavam fazer. Até a coisa da Jessica, o que diabos ela tem a ver com tudo isso? Durante todo o caminho até o apartamento, Baekhyun estava insistindo para que alguém falasse algo para ele, mas todos estavam em silêncio mortal.

    - Você verá que o papai ficará bem. - Esfregou as costas de Andy. 

    -Tio Kyungsoo diz que devo esperar o bom e o ruim - a criança continuou. - Diz que não devo ter pouca ou muita esperança. Seu trabalho sempre foi assim e não posso pedir a papai para ficar comigo porque ele não pode. Ele precisa ir com os amigos vermelhos.

    Você diz isso para uma criança de quatro anos? Baekhyun pensou e sentiu raiva em suas veias. Não importa o quão difícil seja a situação, você deve sempre manter a chama acesa em uma criança. Baekhyun estava realmente começando a se irritar com esse Kyungsoo. Colocou a cabeça em cima da de Andy e continuou a aconchegá-lo suavemente.

    Quando eram nove e meia, Andy adormeceu em seus braços. Iria deitá-lo originalmente, mas ficou tão agarrado a ele que era quase impossível sem acordá-lo. Não teve escolha a não ser atravessar o quarto com Andy em cima dele e sua respiração suave. A reunião já havia se estendido por mais de uma hora e não havia notícias. Baekhyun estremeceu quando Andy se mexeu e inadvertidamente pressionou apenas onde o cinto de segurança o segurou no acidente - ele ainda tinha as marcas. Ficou se perguntando o que teria acontecido se não estivesse o usando, talvez fosse atirado para fora do carro - então subiu Andy um pouco para que parasse de pressionar a área e continuou cantando baixinho para mantê-lo dormindo.

    Por volta das dez horas, as pernas de Baekhyun já estavam cansadas e seu remédio estava fazendo efeito. Ele era uma pessoa muito exposta aos efeitos colaterais dos remédios, então suas pálpebras estavam fechando e mal conseguiu lutar algumas vezes para não cair no chão.

    Decidiu fazer um tour pelo grande quarto. Na verdade, estava muito vazio, havia apenas quatro fotos no local e eram apenas Chanyeol e Andy. Baekhyun sorriu, pois parecia que os dois tinham um único lugar para tirar fotos todo ano: era algo como um lago e à distância pareciam cabanas. Estavam sob uma grande árvore e Chanyeol carregava Andy pelos ombros. As fotos pareciam mais uma sequência dos anos em que completava Andy.

    Chanyeol não parecia muito diferente, a única coisa que mudou foi sua musculatura. Estava um pouco mais forte em todo o corpo. Se perguntou se naquele ano - quando Andy fizesse cinco anos - eles poderiam ir para aquele lugar e se provavelmente o convidariam. Poderia aparecer na fotografia também?

    Ficou com aqueles pensamentos agradáveis ​​na cama. Recostou-se cuidadosamente para não incomodar a si mesmo ou a Andy e acabou fechando os olhos.

..........

    - Imediatamente?

    - Isso mesmo. Não podemos esperar mais um minuto, Boss. Também não pode ir apenas um grupo, tem que ser o senhor e é muito melhor se você levar toda a sua família com você, pois é perigoso para eles ficarem aqui-

    - Baekhyun não faz parte da família. - Kyungsoo interrompeu Namjoon e olhou para ele com o canto do olho.

    Chanyeol suspirou.

    - Bem - Namjoon virou-se para Chanyeol com um pouco de hesitação devido ao olhar de Kyungsoo. - O que quero dizer é que, se você tem pessoas de quem deseja cuidar ou apreciar, precisa levá-las com você. Os azuis se infiltraram ainda mais desde o que aconteceu quando Jongdae nos traiu. Jongdae provavelmente deixou alguns infiltrados em nossas bases para passar a informação, essa é a única pista que temos, e de agora em diante, não podemos permitir que os vermelhos fiquem lá. Temos que mudar de local imediatamente.

    Chanyeol esfregou os olhos.

    - Você acha que devemos buscar uma nova localização do zero? - perguntou.

    - Sim. Assim como uma nova revisão do agente - Kyungsoo apoiou. Estava encostado na parede de frente para o corredor com os braços cruzados. - Embora a hipótese de que Jongdae tenha implantado um vírus seja a mais razoável, não podemos excluir outras possibilidades.

    Todos ficaram em silêncio com essas palavras. Até Chanyeol ficou chocado.

    - Está...

    - Estou dizendo que sim. - Seu assistente não parecia mais cansado do que ele. - Talvez haja outro traidor de merda entre nós.

    - Não pode ser. - Amaldiçoou um vermelho qualquer. - Porque? Já nos livramos de tantas pessoas.

    - É claramente um mal funcionamento e má gestão da máfia - Esse era Jongin, seus olhos fixos em Chanyeol. - Já houve cinco pessoas nesses quatro anos e não fizemos nada além de matá-las.

    Isso sem contar com Luhan e Minseok, Chanyeol pensou e bebeu de sua xícara. A simples ideia de outro vermelho estar envolvido com os azuis o fez querer vomitar. Olhou de volta para Jongin que, como todos os outros, estava atento a ele e tinha que dizer algo ou responder.

    - Está tentando me dizer algo? - rugiu.

    Jongin piscou. Entre os líderes, Jongin foi provavelmente aquele com quem nunca se deu muito bem. Eram amigos, sim, mas não o suficiente para sair juntos para beber ou conversar sobre um assunto trivial. Com o moreno lidava principalmente com questões um pouco mais sérias e relacionadas ao trabalho. Outra coisa é que Jongin sempre foi sincero e duro, mesmo na frente de todo mundo.

    - Estou tentando dizer que você está fazendo algo errado. - continuou o moreno. - algo está acontecendo que, por algum motivo, todo mundo quer te trair.

    - Então venha e me diga como consertar as coisas. - respondeu.

    - Você é o chefe, deveria nos guiar. Mas vejamos, você foi simplesmente um herdeiro de seu pai e isso não significa que tenha as habilidades para ser um mafioso.

    Chanyeol cerrou os dentes.

    - Estou nisso há mais de vinte anos. - rosnou, estava realmente irritado com a atitude do Kim. - Mais que o você. Muito mais. Acredite em mim, se algum mafioso ... não, melhor dizendo, a pessoa sabia como fazer alguém não traí-lo do que o seu. Muitos mais. Acredite em mim, se algum mafioso ... não, melhor dizendo, se alguém soubesse como fazer alguém não traí-lo, já teria aplicado aqui também. Você acha que adoro ver meus homens caírem por causa de um traidor? Acha que gosto de matar quem eram meus amigos? Digo claramente a todos vocês, filhos da puta, que têm a porra da chance de sair deste trabalho. É pegar ou largar. - Todos na sala abaixaram um pouco a cabeça. Sua voz estava ficando cada vez mais dura. - É sua escolha. Eu te dou a opção. Portanto, mais do que isso, nada posso fazer a não ser esperar a fidelidade de todos vocês.

    - Talvez seja esse o problema. - Todos olharam para Sehun, que havia permanecido sentado no balcão da cozinha e os observava do arco que os separava. - Você é muito nobre, Chanyeol.

    - Demais para este trabalho. - concordou Jongin.

    - Vão mesmo me dar merda em tempos de crise? - perguntou exasperado. - Vamos! Vamos fazer as malditas eleições, assim como a porra do governo. Vamos ver quem eles escolhem como chefe. Vamos ver quem consegue entrar neste maldito lugar e se consegue aguentar por mais de uma semana! Vamos, experimente!

    Como esperado, ninguém disse nada. Se havia uma coisa que Chanyeol sabia muito mais do que todos ali, era o peso de ser o chefe de uma das máfias mais poderosas do mundo. Assumir todas as responsabilidades. Todas as coisas boas e excêntricas, mas também as más e as sujas. Ninguém poderia suportar por muito tempo. E Chanyeol estava naquela cadeira há mais de sete anos.

    - Vamos deixar essa discussão para outro dia. - Kyungsoo bufou. - Em primeiro lugar, Hoseok, dê-nos todos os detalhes da missão a ser cumprida. Qualquer detalhe é essencial.

    O nomeado levantou-se, fazendo com que o trio de brigões parassem de se olhar intensamente e simplesmente cruzou a sala para ir ao computador e projetar os planos e tarefas que deveriam realizar na televisão da sala.

    - Muito bem. Vou começar explicando sobre os movimentos dos azuis. - Digitou algumas coisas. - A última vez que vimos os cinco líderes da máfia azul pessoalmente, nos livramos de um deles: Lee Seunghyun.

    Chanyeol quase conseguiu se lembrar do momento em que passou uma bala pela cabeça daquele idiota. Seu corpo estava cheio de calafrios.

    - Com isso, e a explosão, pensamos que estavam todos mortos, mas não estavam. - Hoseok projetou imagens dos azuis que ainda estavam vivos. - Os outros quatro estão vivos e planejam sua vingança, assim como Jiyong prometeu. Pelo que aprendemos, assumirão a área de Pohang e interromperão nossos embarques de armas para a Colômbia, bem como o retorno dos vermelhos vindos do Canadá. Seu trabalho é assassiná-los, ficar com as armas e transferir o dinheiro de nossa conta para a sua. E, Boss - o garoto mordeu o lábio - tenho certeza que vão matar o máximo de pessoas possível para vingar a morte de Lee Seunghyun. Você sabe, além de serem parceiros, eram, bem, um casal.

    - Concentre-se no que é relevante, Hoseok. - Chanyeol pediu. - A vida amorosa entre eles valia uma merda.

    O garoto pareceu respirar fundo e acenar com a cabeça, mudando as imagens e mostrando-lhes vários locais, bem como um relógio ao contrário.

    - Estamos investigando por que Jessica Jung voltou para a Coreia. - O olhar do chefe se voltou para ele. - Aparentemente, ela não foi expulsa ou tirou férias, ela deixou ilegalmente a máfia amarela para ir embora, chefe, precisamente para a máfia azul - o corpo de Chanyeol ficou tenso e seus olhos se arregalaram. O quê? - Ela mantém seu cabelo loiro por pura provocação, mas eu falei com Taeyeon, a chefe da máfia amarela, mil vezes, e ela me corrige repetidamente que eles não foram capazes de contatar ou pegar Jéssica para... ter o que merece por deixar a máfia. Claro, isso foi antes de ela se apresentar como professora no jardim de infância onde Taeyeon mora. Nos disse que nunca imaginou que fosse a mesma Jessica Jung.

    Então é por isso que Baekhyun a conhecia. Jessica permaneceu como professora.

    - E ela percebeu que Byun está se relacionado com você. - Ouviu a voz de Kyungsoo novamente. Se virou para o olhar. - A princípio ia provocar TaeYeon, mas acabou percebendo que você ia o buscar, dando escapadas com ele e não sei o que tanto vocês fizeram que ela viu desde que trabalhou lá ou antes. Você sabe que ela calcula bem os lugares em que vai, então eu não ficaria surpreso se ela estivesse de olho naquele berçário desde o início.

    Chanyeol se amaldiçoou mentalmente. Definitivamente estava flertando muito com Baekhyun do lado de fora do jardim de infância. A garota sabia de tudo. Descobriu tudo com a porra do seu descuido.

    - Eu descartei a possibilidade de que quisesse Andy de volta. - Kyungsoo continuou. - então não se preocupe sobre esse assunto. Ela não quer nada em relação a ele, parece querer outra coisa.

    - Que coisa? - Jimin foi ouvido dizendo com uma carranca.

    - Dinheiro - esse era Sehun. Se acomodou em sua cadeira e colocou um pedaço de maçã na boca. - Todo mundo faz o que faz só por foda, dinheiro ou fama.

    - De qualquer forma. - Hoseok apontou para a tela novamente. - É aqui que os azuis aguardarão os navios de armas e iniciarão seu desastre em menos de cinco horas - apontou para o relógio na tela. - Temos que estar lá antes que isso aconteça e acabar com isso pela raiz, Boss. Não podemos deixar nenhum deles vivo, porque as coisas simplesmente irão se repetir. No entanto, como eu disse, você precisa levar as pessoas de quem gosta e mantê-las seguras com você o tempo todo. Não sabemos o quanto a boca de Jessica Jung se abriu, então temos que ser extremamente cuidadosos.

    Chanyeol acenou com a cabeça. Cinco horas. Tinha tão pouco tempo e tanto para fazer, e pior, teve que expor as duas pessoas que mais ama a um perigo profundo. Porque isso era guerra, os vermelhos contra os azuis estavam lutando há anos e tinha que acabar com isso. No mínimo, se matasse os líderes, isso significaria um hiato total por parte daquela máfia, então levariam mais de dez anos para se reformarem adequadamente.

    Passou o olhar por todos os outros vermelhos. Não pareciam abatidos, pelo contrário, já estavam um pouco exasperados por se livrar daquela mafia chata há anos.

    - Há mais alguma coisa que preciso saber? - perguntou.

    - É tudo ou nada. -  disse Jongin. Sua voz era neutra em seu ouvido, mas Chanyeol podia sentir um sinal de alerta vindo dele, como se o estivesse alertando sobre algo. - É matar ou morrer e, Boss, sabe o que acontecerá se perdermos? - olhou diretamente para ele. - Você sabe?

    - Eu sei.

    Baekhyun e Andy morreriam. Esse foi o aviso que o moreno mandou do canto.

    Isso era exatamente o que queria evitar a todo custo. Odiava expor os dois a isso, até disse muito bem a Baekhyun que não precisava se preocupar com sua própria vida, somente a dele e agora estava se contradizendo. Mas não teve escolha, os azuis são ferozes e não vão sentir pena de nada. Nem com um garoto inocente, nem com uma criança de quatro anos.

    - Então vamos indo. - Kyungsoo se afastou da parede. - O vôo sai em meia hora e temos que chegar o mais rápido possível. Prepare as suas coisas, os outros vermelhos já estão a caminho e todos nos encontraremos lá - os outros assentiram, levantaram-se e saíram para se aprontar. Então se virou para Chanyeol. - Você apronta suas coisas - semicerrou os olhos - e por coisas quero dizer Baekhyun. Eu vou cuidar das roupas e de tudo que Andy precisa.

..........

    Não foi a primeira vez que Andy ia em uma de suas missões, claro que não. Na verdade, antes a criança ia a completamente todas e não perdia um segundo do que seu pai era capaz de fazer. Chanyeol sentia um aperto no peito toda vez que o via no campo de batalha, mas nunca sentiu o medo tão cru quanto agora.

    O medo apareceu novamente desde o acidente de Baekhyun. Até ficava com medo quando Andy descia as escadas correndo muito rápido ou quando Baekhyun tocava o forno sem luvas e se queimava. Sempre que algo assim acontecia, seu coração vacilava e perdia seu lado indiferente e intelectual.

    Quase não teve paz enquanto olhava para os dois garotos na cama, dormindo.

    Andy estava inclinado sobre Baekhyun e este último o estava abraçando por trás para mantê-lo sobre ele. Não percebeu como o tempo passou tão rápido, mas já eram duas da manhã. A reunião demorou muito e, para variar, não conseguiam nem descansar - os mafiosos - porque o tempo estava se esgotando e tinham que preparar tudo.

    Caminhou até os dois e sentou-se na beira da cama, bem na frente do peito de Baekhyun. Primeiro acariciou as costas de seu filho, afrouxando o aperto no pescoço de Baekhyun com um pouco de dificuldade, e colocou Andy ao lado da cama para que dormisse de costas. Não acordou. Quando olhou de volta para Baekhyun, ele parecia um pouco mais relaxado por tirar o peso do garoto. Estava roncando baixinho e sua boca estava entreaberta para que pudesse respirar direito.

    Acariciou sua bochecha, perguntando-se o quão confuso ele deveria estar.

        Lentamente, se aproximou dele e deu um beijo casto em sua testa. Quando se separaram, ficou admirando as belas feições de Baekhyun. A forma como as suas sobrancelhas estavam ligeiramente franzidas de sono, a forma como o seu nariz pontiagudo se ajustava perfeitamente ao seu rosto e aos seus lábios, oh aqueles lábios que o deixavam tão louco e que podia beijá-los dia e noite sem se cansar. Incapaz de evitar, também beijou seus lábios, um pouco mais longo e profundo, mas finalmente suave.

    - Não vou deixar nada acontecer com você. - sussurrou depois de se despedir, ainda acariciando sua bochecha. - Não sabe o quanto te amo. Você não sabe o quanto eu aprecio o que você fez comigo e com Andy, pequeno idiota.

    Imaginou que se Baekhyun estivesse acordado, já teria batido em seu estômago e provavelmente teria batido de volta ou feito cócegas nele. Isso o fez sorrir.

    Baekhyun se mexeu em seu sono e rolou para o lado. Chanyeol podia ouvi-lo murmurando algo como 'Onde estão minhas meias Chanyeol?' entre os sonhos. Chanyeol arqueou a boca novamente.

    - Definitivamente - ele suspirou. - Não vou deixar nada acontecer com você.






Só pra pontuar umas coisinhas:

1° a fanfic é de 2016, a obra original, e o começo da tradução é de 2017 *corre* e as únicas modificações que eu fiz, faço ou irei fazer serão apenas as adaptações de expressões para o português, não irei mudar personagens, até pq a história não é minha. Só pra deixar claro.

2° finalmente, depois de quase 5 anos, entramos na reta final da fanfic, faltam apenas 5 capítulos para oficialmente darmos adeus pra essa história! vamos tentar fazer isso antes do aniversário de 6 anos!

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