Capítulo 14
- Calma, Chanyeol, calma.
- Vá à merda – rosnou, no entanto, seus passos foram interrompidos por dois corpos. –Me soltem! Me soltem, porra!
Eles correram para o hospital assim que souberam para qual deles o haviam levado.
Chanyeol se sentiu completamente tonto, até mesmo sua visão ficava nublada há cada passo que ele dava e desconhecia completamente esse sentimento que veio sobre seu corpo. Era algo inexplicável, algo que simplesmente o fazia se contorcer no chão - mais não o fez- algo que o apertava contra o chão, mas que por sua vez o fez querer correr para as portas de emergência e gritar o nome de Baekhyun.
Todos se juntaram. Ele não suportou os soluços que Andy soltou quando a ligação foi encerrada, nem as perguntas de Jongin, nem as palavras de Kyungsoo; tudo o que ele conseguiu fazer foi levar Zitao e Sehun com ele para o hospital, deixando Andy com Kyungsoo, que o abraçou durante todo o tempo.
- Chanyeol, tem que-.
Sehun parou abruptamente e literalmente arrastou seu chefe por um corredor um pouco escondido ao lado da recepção. Ele mal conseguiu esconder os dois e Chanyeol continava chutando e gritando se não fosse por Zitao, que manteve o braço em torno de sua boca. Ele estava tão frustrado, por que não o deixavam ir perguntar sobre Baekhyun?!
E logo percebeu o motivo no momento em que viu duas pessoas correndo quase sem fôlego em direção as recepcionistas.
- Posso ajuda-lo? –Ouviu de uma enfermeira de cabelo curto.
- S-sim, eu... – A pessoa respirou fundo. –Meu nome é Zhang Yixing e me disseram que meu primo, Byun Baekhyun, daria entrada nesse hospital por causa de um acidente de carro. – O garoto pareia realmente agitado enquanto abraçava o seu noivo.
A garota em questão começou a teclar no computador.
- Foi o acidente de carro que ocorreu há trinta minutos na avenida principal? – A garota perguntou para eles.
- Sim. Quando me ligaram, só me disseram que um trailer perdeu o controle e caiu em vários carros. – Yixing mordeu os lábios, seus olhos estavam lacrimejando. – Meu primo ia em um deles e-e eu não sei o por que, ele não tem um carro e-
- Está bem, tenha calma. – O homem que o abraçava lhe beijou a cabeça para tranquiliza-lo. –Nos disseram para virmos a este hospital. Queremos saber como ele está. Sabe dizer?
A enfermeira se virou para o computador e depois de alguns segundo se voltou a eles.
- Terão que se dirigir ao corredor a direita, subir até o segundo andar e depois perguntar por ele na recepção, lá terão mais informações. A única coisa que posso informar é que sim, ele já está no hospital.
Os dois rapazes assentaram.
- Bem, muito obrigado. – E rapidamente correram para onde foram informados.
Zitao quase xingou quando sentiu um forte golpe em seu tronco e Sehun gemeu quando seu nariz foi acertado pela cabeça de Chanyeol. Quase não escutou o que a enfermeira dizia, mas pelo tinha a informação – pelo menos achava – necessária para buscar Baekhyun. Esse sentimento desconhecido dentro dele se intensificou por todo esse mistério maldito.
- Chanyeol - Sehun sussurrou.
- Onde está o Seokjin nesse momento? – Pergunto entre dentes, tentava se acalma um pouco. – Onde? – Bem, não estava funcionando.
- Como que eu vou saber?! – Respondeu exasperado, até mesmo as recepcionistas olharam para o corredor para ver quem gritava. – Sim, ele deve estar aqui no hospital, mas eu não tenho ideia de onde esteja agora-
- Chame ele, merda! Eu quero ele com Baekhyun agora mesmo!
- Vou fazer! – Sehun respirou fundo. – Se acalme, Chanyeol. Nos xingar e nos bater não vai ajudar em nada, te garanto.
Não disse nada, simplesmente deixou o outro pegar o seu telefone e chamar ao Vermelho infiltrado no hospital. Chanyeol inspirou, se deixando cair em um das cadeiras no corredor e levou as mãos a cabeça. Tudo era um caos, odiava o fato de que podia ficar com Baekhyun por causa do estúpido casal de policiais que chegou.
Estava tremendo.
- Pronto – Sehun bufou, deixando-se cair ao lado dele. – Eu disse que era um ordem de cima, então ele já deixou a maldita velha, de quem estava salvando a vida, para ir buscar o seu garoto, porra. Me disse que me ligaria em 10 minutos para nos encontrar e para que você possa o ver. Por enquanto, vamos onde falaram para os policiais irem, esperaremos por Jin ali perto, mas, porra, Chanyeol, seja discreto. E coloca a porcaria do boné. Eles não reconheceriam a gente, mas a você sim.
Chanyeol bufou, colocando o capuz e começando a caminhar para a direção que que ele estava.
- Terceiro andar? – perguntou Tao em um sussurro e Chanyeol simplesmente assentiu.
Saindo do elevador, a primeira coisa que Chanyeol viu foi um grupo de médicos e enfermeiras correndo junto com uma maca por seu lado. Praticamente sentiu o roçar deles em seu corpo e estremeceu. Os sons, gritos e pedidos de ajuda chegaram aos seus ouvidos e sua boca secou por um momento, havia um monte de pessoas cheias de sangue, alvoroçadas, morrendo.
Morrendo.
- Onde está a merda da recepção? – Gritou assim que esse novo sentimento tomou conta e começou a correr.
Sehun e Zitao o seguiram atrás, tentando detê-lo, mas Chanyeol estava tão cego procurado que já não se importava se iria dar de frente com os policiais. Chegando perto do que achava que seria a recepção, praticamente jogou seu corpo contra a bancada, fazendo com que a menina pulasse de susto.
- S-senhor, em que-
- Baekhyun! – Demandou. A mulher o olhou com os olhos arregalados. – Procure por Baekhyun na porra do seu registro e me diga onde ele está!
Os lábios da enfermeira tremeram, mas colocou o nome imediatamente. Os olhos de Chanyeol eram afiados e estavam ardendo em chamas ou pelo menos essa era o que ele sentia, algo que picava neles e que o fazia piscar uma ou outra vez.
- Senhor, preciso que me informe o no-
Chanyeol bateu a mão no balcão. Pode sentir Sehun e Zitao atrás dele, mas não podiam detê-lo, assim que só se encarregaram de esconder o corpo de seu chefe com os seus corpos para que não fosse reconhecido.
- Baek. Hyun. – Repetiu entre dentes. – Aí tem o nome! Onde ele está!
- P-parece que na sala três. – respondeu a menina, um pouco confusa. - O-os médicos estão fazendo todo o possível agora mesmo, s-seu estado é crítico, é do acidente de-?
Sem deixá-la terminar, Chanyeol voltou a bater na bancada e a senhorita estava a ponto de chorar de medo.
- E onde é a sala 3?!
- Mas tenho que c-confirmar se se trata de-
- Onde?!
- A esquerda! – Gritou a garota, derrotada e jogando seu corpo para trás quando o mais alto rosnou.
- Chanyeol! – Sehun tentou agarrá-lo pelo braços. Ao ver a sala dois, virou imediatamente à esquerda. – Tem que se acalmar, não pode fazer um alvoroço!
- Estamos na merda do piso de emergência, Sehun, Baekhyun está aqui. -Sua voz estava muito rouca. – Não pode pedir que me acalme, não pode!
Seguiu o seu caminho e, quando visualizou a sala 3, empurrou as portas e o que encontrou simplesmente destruiu.
- Um, dois, três! – boom. Choque elétrico. – Um, dois, três! – boom.
Era só uma sala, era uma maca – parecida com a de antes- com um garoto sobre ela, cheio de sangue e um monte de médicos tentando reanima-lo. Chanyeol teve que se sustentar no batente da porta para não cair, de repente seu corpo se sentiu extremamente pesado.
- Um, dois, três! - boom. – vamos, garoto! Você tem que viver!
- Um, dois, três! - boom. – Seu nome é Baek, não é? Vamos respira!
Um. Dois. Três.
Um.
Dois.
Três.
Boom.
- É o suficiente, doutor Im. – Uma enfermeira cheia de suor em sua frente tomou a mão do médico, o detendo. – O perdemos.
A máquina seguia fazendo esse som irritante, o som que Chanyeol mais odiava. Sua respiração parou, seu corpo quase o fez perder o equilíbrio e cair – que só não aconteceu graças ao Sehun e Zitao – mas seus olhos seguiam fixos nas imagem aterrorizante, uma dúzia de pessoas se rendendo, dando palmadas nas costas umas das outras, suspirando em derrota.
Um corpo sem vida.
Baekhyun sem vida.
Isso não podia estar acontecendo-
- Não o deixem! – Chanyeol não soube de onde conseguiu tirar sua voz, mas soou muito forçada e pode sentir claramente como sua garganta ardeu. – Não se rendam! – deu dois passos a frente. – Não podem deixá-lo assim!
- Chanyeol-
- Vocês não podem ficar aqui – um médico, o de sobrenome Im, o deteve pelo ombro, mas Chanyeol não se importava com merda nenhuma.
- Não o deixem morrer!
Mais dois médicos se aproximaram para o pararmos, mas Chanyeol lutava. Seus olhos ardiam, sua garganta também, esse novo sentimento se apoderou de uma maneira muito mais potente e penetradora. Pode escutar um som, provavelmente o do celular do Sehun, que foi quem atendeu a chamada, mas Chanyeol estava muito ocupado forçando passagem entre os médicos e enfermeiras para se aproximar.
- Senhor! Não pode ficar aqui!
- Baekhyun! – gritou. Seu corpo foi agarrado por mais mãos, o afastando. – Baekhyun, acorda!
- Chanyeol.
- Baek- Porra, Baekhyun! – seu corpo continuada sendo puxado para trás. O mundo queria o afastar dele, queriam o afastar dele. Mas não iria permitir, não ia deixar ia deixar que isso acontecesse, não outra vez. – Baekhyun!
- Chanyeo! – pode sentir Sehun se colocando na sua frente, tentando fazer contato visual, mas não funcionava, o mais alto continuava procurando por brechas para olhar o garoto na maca. – Olha pra mim, Chanyeol, me escuta!
- Afasta!
- Chanyeol!
- Sai – gemeu, sua voz ficando cada vez mais fraca. – Baekhyun, não, Deus, não!
- Não é Baekhyun!
Chanyeol paro automaticamente, sua respiração parando e sua visão mal focava. Estava quente, suando, o desespero havia consumido tanto o seu corpo que foi difícil ouvir o que Sehun lhe disse depois.
- Eh?
- Não é o Baekhyun – repetiu com o olhar finamente conectado ao seu e com o rosto sério. – Não é o seu Baekhyun. Não é Byun Baekhyun.
-É verdade – um médico que o segurava disse atrás de si. – O nome do paciente falecido é Kwon Baekhyun. Foi um acidente de carro na Avenida Namsam.
- E Baekhyun sofreu o acidente na Avenida Principal de Seul. – Sehun disse em seguida. – Não é nesse andar, Chanyeol. É no segundo. Ouvimos errado lá embaixo.
Que?
..........
Chanyeol apenas recobrou a compostura quando foi levado por Sehun e um Zitao silencioso para o segundo andar, onde se encontravam os feridos fora de risco. Ao longo, Chanyeol viu dois policiais que saiam, com os rostos aliviado, detrás de uma cortina e se dirigiram para a recepção do andar para, provavelmente, fazer a papelada.
- Vai demorar um pouco já que tem muita gente – Sehun disse, enquanto o fazia andar para fora do corredor. – Jin me disse que o Byun só teve uma contusão, que torceu o tornozelo e claramente está com o corpo todo dolorido, mas não sofreu nada grave – Chanyeol... – o mais novo bufou quando seu chefe, à passos largos, caminhou ate onde achava que estava Baekhyun.
Quando abriu cortina, a primeira coisa que viu foi precisamente Baekhyun, quem olhou para ele com os olhos abertos. E ele estava... completamente vermelho. Totalmente.
- Chanyeol?
- Por que você tá cheio de glacê? – perguntou Chanyeol como se isso fosse o mais inteligente que pudesse dizer.
Baekhyun apertou os lábios e olhou para os outros dois caras, que simplesmente deram de ombros.
- Bom – o garoto pigarreou. – digamos que foi por causa de um bolo personalizado por mim e por Andy – que era completamente vermelho, você sabe, colorido, em homenagem a sua máfia vermelha – e... bom, no desespero, lhes disse que não precisava de uma embalagem e que o levaria assim. Deixei do meu lado e depois veio esse idiota do trailer, que bateu no idiota que vinha do meu lado, que bateu em mim e fez com que odo o bolo bonito acabasse na minha cara e por todo carro como se tivesse acontecido um massacre. – explicou rapidamente. – Por que sua aparência tá uma merda? Você está muito pálido, Chanyeol-
- Cala a boca.
Todo mundo se calou. Baekhyun apertou os lábios e saboreou, no processo, um pouco do bolo que ainda tinha no corpo.
- Sinto muito. – Baekhyun murmurou depois de uns segundos. – O carro ficou muito mal? Os médicos disseram que tive sorte de que não bateu do meu lado, senão eu poderia ter morri... – se deteve – Não, melhor não dizer nada. Desculpa pelo carro, eu te pagarei.
- Sehun e Zitao. – Chanyeol grunhiu. – Fora daqui e se assegurem de que esses policiais não voltem.
Baekhyun abriu e fechou a boca logo depois.
- Não os machuquem!
- Não iremos machucá-los. – Sehun o tranquilizou, ainda continuava muito frustrado e cansado. – Iremos distrair eles o quanto precisar, Boss. Mande mensagem quando terminar.
Os dois garotos saíram se dizer mais nada, Chanyeol fechou a cortina atrás dele. Logo depois, se voltou a ele, ficando novamente na frente do mais baixo, quem seguia o olhando intensamente.
- Tem certeza de que está bem? – Baekhyun perguntou novamente. – Seu rosto não parece nada bem, quero dizer... Chanyeol?
- Cala a boca.
Chanyeol invadiu a cama de Baekhyun e o envolveu em seus braços. A cabeça de Chanyeol ficou sobre o cabelo do outro. Somente ali o mais alto pode sentir que seu corpo relaxou pela primeira vez em toda a semana.
- Eu estou cheio de bolo.
- Fica quieto.
Baekhyun ficou em silêncio. Mas claro, como era de se esperar, não foi por muito tempo.
- Gostou da surpresa? – pensou por uns segundos. – Me refiro a surpresa de Andy, não esta que- bom, sim, foi uma surpresona.
Não disse nada.
- Chanyeol?
Nada
- Chanyeol.
- Mhm – murmurou.
- Feliz dia dos pais. – disse. – parabéns por ser o papai lutador, sexy e solteiro. Principalmente por ser sexy.
Chanyeol expirou e com isso sentiu que tudo que trazia dentro de si virou fumaça. Agradecia como um inferno por ter a oportunidade de abraçar Baekhyun e estava se lascando se estava cheio de bolo ou se estava pegajoso ou se quando saíssem as crianças começariam a comê-lo. O que importava era o agora, o aqui e o presente. Baekhyun. E mais Baekhyun.
- Baekhyun.
- Chanyeol?
- Eu te amo.
Chanyeol o apertou mais contra si, e foi nesse momento que compreendeu o estranho sentimento que o consumiu durante todo o caminho até ali. Esse que destruiu seus nervos, que o transformaram em um cara louco e desesperado. Esse que supôs que nunca devia permitisse a ter e que o atormentará a partir de ali. Algo que enterrou, algo que a força jurou nunca mais voltar a sentir ou expressar, algo que o enfraquecia ao ponto de cair no chão e se render. Algo que doía como o inferno e odiava até a morte.
Essa sensação era o medo.
.............
- Está querendo me dizer que eles não morreram ao mesmo tempo?
Kyungsoo olhou pela terceira vez ao resultado dos exames de aproximadamente um ano atrás. Passou a língua pela seus lábios duas vezes relendo cada uma das palavras que estavam escritas. Realmente estava confuso e perdido, mas além disso um pouco irritado pelo fato das coisas estarem tão tumultuadas.
- Eu venho dizendo isso desde quando eles morreram. – Yoongi o olhou desde sua mesa, seus olhos entediados e sua áurea muito tranquila, mas um pouco desinteressada, pelo menos com a surpresa de Kyungsoo. – Comentei isso com o Mr. Park devido que, única coisa que eu sei e me disseram, foi que eles morreram ao mesmo tempo, mas ele não se importou muito. Mas me mandou deixar assim e não fazer mais perguntas. Me encheu de palavrões, mas me abstenho de repetir – o de cabelo borgonha[1] cruzou os dedos. – Deu o caso como encerrado.
O assistente suspirou deixando os documentos na mesa novamente.
- Mas – o médico legista se inclinou um pouco para o maior, seus olhos dançaram por todo o seu corpo e uma ponta de curiosidade surgiu no seu olhar. – Por que não podem dizer?
- O que?
Yoongi se endireitou.
- A morte de Luhan e Kim Minseok. Eu fui o encarregado de revistar o carro em busca dos restos, mas obviamente por conta do fogo e da explosão, eles deviam ser consumidos completamente, mas mesmo assim... – se deteve por uns segundos e olhou para o relógio na parede. – É quase impossível que aconteça. Algo deve ter acontecido e sei que vocês, os líderes, realmente não quiseram descobrir muito, porque eram seus amigos, mas, assistente Do, é realmente estranho.
Kyungsoo observou por um segundo em silêncio. A verdade era que quando souberam do suicídio dos outros dois líderes, nem Chanyeol e nem Kyungsoo quiseram descobrir mais. Porque suicídio só acontecia quando não se tinha mais como sair do lugar. Quando você sabia que, se não morresse da sua própria forma, alguém viria e fazia sua vida uma miséria. Foi claramente isso que ficou entre os dois[2], todos os outros acham que eles morreram em um acidente, até mesmo Jongin e Yifan não sabem tudo o que aconteceu.
- Além disso – o legista continuou, suas pernas em cima da mesa do escritório. – quem se suicida se trancando em um carro e esperando que ele exploda? Nessa máfia, desde quando comecei a trabalhar, só vi cinco pessoas tirarem suas vidas e nenhuma delas de uma forma tão extrema como Lu e Kim. Um tiro na cabeça ou o veneno que temos para morrer sem problemas enquanto dormem. Teria sido tão mais fácil assim, então – Yoongi lhe deu um meio sorriso. – por quê se dar ao trabalho?
- O que você está tentando me dizer com isso? – perguntou Kyungsoo, com os olhos fixos no outro.
- Por que acha que coloquei uma hora de diferença entre os dois quando, na verdade, nem sequer tinha os corpos?
Se olharam por um instante e foi exatamente nesse momento que Kyungsoo sentiu uma pontada no estômago.
Para que eu viesse aqui, Kyungsoo pensou. Para que eu buscasse por respostas.
Não foi preciso dizer em voz alta para que Yoongi concordasse.
- No que está pensando? – sussurrou.
Yoongi respirou fundo, seu rosto não mostrava incômodo ou qualquer coisa relacionada ao medo. Era uma curiosidade verdadeira, tinha esse olhar de detetive tentando encontrar as respostas, mas parecia com preguiça demais para mover um dedo. Por isso, pelo que parecia, tinha mudado as horas para que alguém – Kyungsoo – fosse finalmente até ele e perguntasse. Alguém capaz de se responsabilizar por uma morte estranha e sem argumentos.
- Sabotagem.
Kyungsoo não se mexeu.
- Tem muitos segredos em tudo isso, assistente Do, digo isso sendo a última pessoa a estar com os mortos e, se me permite dizer, não é a primeira vez que alguém me tenta fazer de burro. – Seu olhar ficou um pouco mais séria, mas um momento depois, sorriu. – Pensão que só porque sou jovem sou idiota, mas não é nada disso. Sei como foi que morreram. Posso saber o que os matou e até mesmo quem. Entretanto, se não tenho os corpos, como querem que eu faça meu trabalho? E – piscou lentamente – interferir nisso, só alguém com poder pode fazer. O máximo poder.
Yoongi assentiu novamente para ele quando terminou de lhe dar todas as indiretas e palavras escondidas. A suspeita se alojou profundamente nas entranhas de Kyungsoo e, indiscutivelmente, sua respiração parou um pouco.
O outro se levantou enquanto dizia que tinha trabalho para fazer, por isso tinha que se levantar e sair dali. Se dirigiu ao elevador de sua guarita e pressionou o botão numero seis para subir até o andar onde ficava seu escritório.
Observou novamente os papeis em suas mãos e apertou o documento com os punhos.
- O que você está escondendo de mim, Chanyeol?
...................
Baekhyun sorriu com intensidade quando finalmente pode sentir os maravilhosos lençóis de sua cama embaixo de si.
Quase dormiu Praticamente naquele instante, mas sentiu um sacudir em seu ombro. Abriu os olhos, encontrando seu primo, quem possuía um rosto muito mais tranquilo do que antes no hospital – muito, sério, quando o viu pela primeira vez, Baekhyun achou que estava no próprio funeral. – sendo assim, sorriu em sua direção, mas esse não aparentava estar feliz.
- Por que você estava em um carro? – O mais alto perguntou, com os braços cruzados.
Suspirou, realmente já havia tentado escapar facilmente dessa pergunta umas dez vezes, mas seu primo simplesmente não se rendia por nada.
- Já disse que não me lembro. – mentiu. – acho que um amigo me emprestou, mas você sabe que o acidente me deixou um pouco tonto.
Yixing não ficou satisfeito.
- O deixe descansar por enquanto. – Junmyeon se colocou ao lado de Yixing, enquanto deixa na escrivaninha de Baekhyun um pacote de ataduras, unguento e os remédios que o médico receitou. – Ele sofreu um acidente de carro, Xing, é normal que perca um pouco de memória por causa do trauma. – Seu noivo simplesmente suspirou. O policial olhou para Baekhyun. – Tem que certeza que quer que o deixemos sozinho hoje? Sabe que se quiser-
- Está tudo bem. – se acomodou na cama. – Posso cuidar de mim mesmo. A única coisa que saiu ferida foi meu tornozelo.
- E seu pescoço. – Yixing lhe deu um olhar fulminante. Ah, realmente estava parecendo sua mãe.
- Meu pescoço não está tão ruim. – Contrariou. – O doutor Kim me disse que só preciso usar o colar ortopédico por dois dias. Não é pra tanto. Além disso, vocês tem uma reunião importante, não é?
Junmyeon assentiu e Yixing não teve outra opção a não ser aceitar.
O acidente de carro aconteceu muito rápido e Baekhyun não mentiu totalmente quando disse que não lembrava. Recordava dos fatos, do bolo, de onde ia e porque estava em um carro e definitivamente de quem era o carro, mas nada além disso. Quase não sabia muito bem como levado ao hospital, só acordou uns vinte minutos depois que chegou.
Por outro lado, quando olhou para Chanyeol em sua frente parecendo um desastre, estava certo de que ia receber a maior bronca da sua vida – esse que, lógico, veio depois. – Mas não foi instantaneamente, o surpreendeu muito que o maior simplesmente se recostou ao seu lado, sussurrando coisas e lhe dizendo elogios que, sinceramente, o encantaram. Quem não gosta de ver um homem frio amolecer? Pelo amor de Deus, era seu ápice. Podia ter gozado só de escutar a voz grossa de Chanyeol em seu ouvido e ainda mais quando disse que o amava.
Que o amava.
-Você está sorrindo feito um idiota. – Baekhyun se assustou ao ouvir isso, o que ocasionou em uma dor no seu pescoço que o fez se lamentar. Junmyeon riu suavemente. – Yixing está lá embaixo preparando o café da manhã, o almoço e provavelmente a janta de todo o dia de hoje. Iremos trabalhar, mas assim que sairmos viremos imediatamente aqui. – estava a ponto de recusar. – Sem desculpas.
Baekhyun mordeu os lábios. Tinha ficado o domingo inteiro no hospital aos cuidados de um preocupado Yixing e não pode ficar mais tempo com Chanyeol. Não o viu durante toda a semana, apenas alguns minutos com ele, e logo voltou a deixá-lo. De verdade, a única coisa que queria fazer era correr para o apartamento dos Parks e deixar que o mimassem. Sim, amava Yixing, mas ele já estava ficando muito grudento e lhe fazendo perguntas perigosas.
- De que horas irão voltar? – respondeu com cansaço.
- Por volta das nove. – bom. Pelo menos teria um tempo para namorar com Chanyeol. – Lembre-se de tomar seus remédios e trocar as ataduras. Não quer que Yixing brigue com você de novo, não é?
- Sim, papai. – reclamou e Junmyeon sorriu.
Ficaram em silêncio por uns segundos, entretanto, Junmyeon ficou o encarando por mais tempo do que Baekhyun estava acostumado. Até quando fechava os olhos podia sentir o olhar fino sobre ele, sendo assim, os abriu e não estava enganado. O sorriso de Junmyeon tinha desaparecido e seus olhos mostravam algo mais parecido com preocupação.
- O que foi?
- No hospital. – a voz de Junmyeon falou e Baekhyun ficou repentinamente nervoso. – Estava... você conhecia alguém ali?
O coração de Baekhyun falou uma batida.
- Não? – murmurou.
- Não? – Junmyeon franziu o cenho.
- Q-quero dizer – Baekhyun se ajeitou na cama e colocou a cabeça sobre o encosto. – Por que teria alguém que eu conheço lá? Era muita tarde da noite e ninguém, além de vocês dois, sabia.
- Mas – O mais velho se deteve um segundo, seus lábios se curvaram de uma forma estranha e inclinou sua cabeça para o lado. – Mas eu te vi com um cara.
Oh, merda. A garganta de Baekhyun secou, inevitavelmente desviou o olhar e fez a única coisa que conseguiu pensar.
- Me viu com um cara?
- Sim. E não era nenhum médico ou enfermeiro, estava vestido todo de preto e tenha o capuz levantado.
Baekhyun arregalou os olhos. Provavelmente quando Junmyeon e Yixing foram cuidar da papelada, Chanyeol foi suficientemente descuidado e não esperou o suficiente. Talvez, o noivo de seu primo tenha virado e olhado casualmente para se certificar de que Baekhyun estava bem e deu de cara com alguém entrando na área onde estava.
- Ah, sim, ele. – Baekhyun riu de nervoso. – Ele... se enganou de maca. Estava procurando outra pessoa, só isso.
Baekhyun rezou para que Junmyeon não tenha visto nada mais além de um homem entrando na sua área. Esperou que não tivesse ficado olhando por muito tempo. Não ouviu nada por parte do outro, houve um silêncio um pouco tenso no lugar e o fígado de Baekhyun estava quase explodindo.
- Sim? - após um minuto, Baekhyun escutou a voz calorosa de Junmyeon.
Seus olhos se voltaram para ele e este aparentava estar normal. Como se tivesse acreditado. Baekhyun respirou aliviado quando o outro não lhe perguntou mais nada e simplesmente pegou uma pequena maleta onde havia trazido as roupas de Baekhyun.
- Ah, Baek. – o outro falou. – Aqui estão as suas coisas. – seguiu remexendo. – O pessoal no hospital me deram os pertences que estavam com você quando o acidente aconteceu. Celular e carteiras, era só isso?
- Sim..
- Você trocou de telefone? – e, novamente, Baekhyun sentiu sua respiração parar quando viu Junmyeon com o celular que Chanyeol lhe deu nas mãos. – Ah, espera, aqui está o outro. – olhou confuso para os dois telefones. – Por que você tem dois?
- O preto é de trabalho! – disse sem forças. – Mas, hyung, por que tenho que estar te explicando tantas coisas? – tentou soar tranquilo e divertido. Na verdade, queria dizer que isso era um plano que ficasse calado. – Minha cabeça está doendo um pouco, sabe... Ainda sinto as consequências do acidente.
Junmyeon abriu um pouco a boca.
- Ah, verdade, sinto muito Baek. – lhe deu um sorriso de desculpas. – Bom, irei ver como o Yixing está lá embaixo. – Sim, sim, vá logo. – Trate de dormir. Quando Yixing terminar, o arrastarei para fora para não lhe incomodar mais. – estava quase deixando os dois celulares na escrivaninha, entretanto, um deles começou a tocar.
O preto.
- Ah, atenderei pra você.
- Não! Não precisa-
Baekhyun esticou sua mão para o pegar, mas era tarde demais.
- Alô?
“Baek?” pode apenas escutar ao fundo.
A expressão de Junmyeon mudou imediatamente. Seus olhos se arregalaram e seu cenho franziu.
“Baekhyun? Chegou em casa? Baekhyun?”
- Essa voz... – sussurrou Junmyeon e Baekhyun sentiu seu fim se aproximando quando seus olhos se cruzaram com os dele. – Alô? Quem fala... – pareceu não poder terminar a fala, já que a pessoa do outro lado desligou.
Baekhyun estava completamente estático, a tensão em seu corpo se intensificou em 100%. Junmyeon sabe? O descobriu? Conhecia a voz do Mr. Park?
- Ah, provavelmente era o novo professor da escolinha! – Baekhyun disse da maneira mais segura que conseguiu. – Você sabe, eu disse que esse telefone era apenas para trabalho e eu sempre esqueço os nomes dos meus colegas, então os dou números. – riu. – Era o número um? Número dois? Três? Ah, quer saber, tanto faz. De qualquer forma, Yixing já avisou no Jardim de Infância que vou ficar ausente por uns dias. Esse garoto ainda é novo e disse que podia me ligar caso precisasse. Por que está com essa cara?
Explicando demais novamente, pensou com si mesmo. Mas não tinha mais nada que pudesse fazer, estava em pânico.
Junmyeon pareceu um pouco atordoado, mas saiu assim que Baekhyun parou de falar. Depois, sorriu de novo e Baekhyun já não tinha mais certeza se era um sorriso ou não. Junmyeon se aproximou dele e acariciou sua cabeça.
- Descanse, Baek.
Não disse mais nada, simplesmente saiu do quarto.
[1]Borgonha é um tipo de vermelho, da cor do vinho de borgonha, é um vermelho vinho mais puxado por roxo.
[2] Somente o Chanyeol e o Kyungsoo sabiam que o Luhan e o Minseok se “suicidaram”, não sei se isso ficou claro, enquanto que todos os outros acham que foi um acidente.
Olá, gente, voltei!!!! Gostaria de desejar um feliz Natal para todos vocês e um próspero ano novo!!!! Que esse ano seja repleto de amor, saúde e paz. Espero que vocês estejam se cuidado. Um beijo no coração de vocês!!!! Não sei voltarei no Ano Novo, mas tentarei 💗 Ainda não revisei, então está cheio de erros, mas vocês merecem o capítulo o mais rápido possível depois dessa longa espera. Amanhã eu ajeitei 💖💖
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