Projeto I.N - Despertar (ficção científica)
Projeto I.N — Despertar, de lucasmgimenes
História avaliada em 09/05/2017
Tabela de pontos
Linguagem
Gramática: 3 pts
Estilo do(a) autor(a): 2 pts
História
Parágrafo de abertura: 1 pt
Apresentação de personagens: 1 pt
Diálogos: 1 pt
Desenvolvimento da trama: 2 pts
Parte I — Linguagem
1) Gramática (2,0)
O texto contém alguns problemas de vírgula (p. ex.: "A tinta branca, recém-pintada, nas paredes de alvenaria escondia,[ ] os arranhões e as imperfeições" — uma sugestão: essa frase está com informação meio quebrada. Seria melhor assim "A tinta branca nas paredes de alvenaria recém-pintadas escondia..." Se possível, evite essas quebras de informação quando for escrever) (p. ex.:"Charles[,] gostaria de dar as honras" — use vírgula depois do vocativo).
Nos diálogos, os verbos declarativos começam equivocadamente com letra maiúscula. (p. ex.: "Charles? — Berrou novamente sobre o salão amplo." — usa-se o "b" minúsculo nesse caso. A maiúscula só é usada quando se trata de uma ação, e não a forma como um personagem falou.
Há também alguns erros ortográficos (semi-branco/semibranco) (está/estar; da/dá — em determinados contextos).
2) Estilo do autor (0,6)
A escrita do autor procura ser a mais detalhada possível, e esse é o grande problema: descrição exata e desnecessária. A história inicia com um personagem chamando alguém (Charles) pelo nome três vezes. O texto identifica o personagem que está chamando essa outra pessoa. E então vem três parágrafos descritivos sobre o salão onde esse personagem se encontra. Ou seja, a narrativa é descontinuada para descrever o cenário; há uma quebra de ritmo. Havia mesmo a necessidade de parar a narrativa para descrever a sala em todos os seus pormenores? A essa altura, o leitor está menos interessado na descrição do lugar do que na curiosidade em saber quem é Charles e por que esse personagem está lhe chamando (a não ser que o cenário seja impactante, como ele estar em um salão cheio de corpos ensanguentados e mutilados ou com algum aspecto fora do normal). Após três parágrafos de pura descrição, enfim, um segundo personagem responde ao homem que chamava por Charles. E aqui já temos outro problema. Quando esse segundo personagem se manifesta, o leitor meio que já perdeu o fio do diálogo por causa da enorme lacuna que foram os 3 parágrafos de descrição.
Ainda sobre problemas na descrição, há o exagero da exatidão. Vejamos a seguinte frase: "A vidraça, antes quebrada no canto direito da parede, e seus cacos de vidro espatifados pelo chão não mais existiam". Faz diferença para a trama que a vidraça estivesse quebrada no canto direito da parede? O mesmo vale para as outras descrições exatas no cenário. O leitor está mais preocupado com a sensação que o cenário passa do que com a exatidão contida nele.
Também há momentos em que o ponto de vista onisciente se mistura com o ponto de vista de um personagem, criando a falsa impressão de que o personagem sabe de coisas que ele não deveria saber. Por exemplo, no capítulo 1, quando o novato acorda e a narração passa a descrever a roupa das pessoas que estão olhando para ele, a descrição aparentava estar vindo do ponto de vista do novato; mas aí o texto começa a falar da forma como algumas dessas pessoas usavam aquela roupa há alguns dias, e isso dificilmente seria do conhecimento do novato.
Há também repetição de informação em outros momentos do capítulo 1. Por exemplo, quando a narração descreve as letras numa parede como formatadas em Arial 32 uma vez, e depois, descreve-a mais uma vez, sob o ponto de vista do novato. Se esse personagem tiraria essa conclusão, porque a narrativa entregou que as letras estavam em Arial 32 antes mesmo do personagem deduzir isso?
Parte II — História
3) Parágrafo de abertura (0,7)
É um pouco incomum começar uma história por uma fala, mas funcionou bem nesse caso. O nome de Charles e o "silêncio" sendo reiterado várias vezes ao longo das primeiras linhas criou um bom ar de mistério. No entanto, não havia necessidade dos parênteses. E a descrição de cabelos como "semi-brancos" soa vaga (é de uma cor que é quase branca ou tem fios brancos em boa parte dos cabelos?); seria melhor optar por "grisalhos". Também falta uma palavra após o artigo indefinido no trecho "Trajava uma com a gola".
4) Apresentação de personagens (0,6)
Uma pergunta que fiz a mim mesmo ao terminar o primeiro capítulo. "Os personagens do prólogo e do primeiro capítulo são os mesmos?". Se for o caso, pode ser interessante para o leitor tentar realizar as associações e descobrir quem é quem. Caso contrário, acho que há personagens em excesso para as primeiras páginas de uma história. Embora alguns personagens estejam bem descritos, o excesso de informações dificulta a assimilação deles (falarei disso no último quesito). Senti falta de um tempo maior para a construção dos personagens, ou de pelo menos um ou dois deles.
5) Diálogos (0,5)
Alguns diálogos parecem falar de coisas que dão volta em torno de um assunto. Me passaram a impressão de sentar numa mesa rodeada de pessoas que não conheço, mas que conhecem umas às outras, e que começam a contar várias piadas internas.
Alguns incisos acabam confundindo um pouco, pois eles iniciam descrições grandes que poderiam ser separadas em um parágrafo próprio para elas (por exemplo, a descrição do salão no prólogo). Os incisos também fazem falta em algumas falas, pois não dá para saber quem está se manifestando em um diálogo com várias pessoas.
6) Desenvolvimento da história (0,8)
Uma metralhadora de mistérios. E isso não é bom.
O prólogo é bastante confuso. Tudo bem que é necessário criar mistérios, mas o autor parece ter jogado vários para todas as direções, deixando o leitor completamente atordoado. A cena é cheia de pontas soltas e faz o leitor se sentir preso numa areia movediça; quanto mais se pensa na trama proposta, mas ele afunda. Esse tipo de cena com pontas soltas funciona melhor em narrativas audiovisuais por causa da fácil assimilação da imagem. Para um texto, algo assim fica muito pesado para a mente, não porque haja erros na trama, mas porque esta não tem um "chão consistente" (fazendo oposição à areia movediça). Na leitura do prólogo, pega-se apenas a ideia principal de que eles estão em uma mansão e que há um experimento acontecendo. Uma sugestão para essa cena cheia de personagens seria fixar o ponto de vista num único personagem e acompanhar apenas os pensamentos dele sobre a situação.
O capítulo 1 é um pouco mais contido e satisfatório com relação ao prólogo. Embora ainda seja confuso, acaba sendo proposital por causa do protagonista I.N. Aqui, o leitor está tão confuso quanto o personagem, gerando uma identificação direta com ele e com o ambiente a sua volta. No entanto, acho que um capítulo não deva se demorar muito ao usar esse tipo de desenvolvimento, sob o risco de causar o mesmo impacto negativo do prólogo.
Em suma, por mais complexa que a trama seja, ela precisa estabelecer um terreno e uma direção mais fixa, dando ao leitor um tempo maior para assimilação dos personagens e das informações.
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Nota de expectativa: 5,2
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