32. Disappearance

✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶

Dois meses haviam se passado desde o Baile de Inverno, que ocorrera no dia de Natal. Dois meses desde o esquisito ocorrido entre Lyra Aldorf Snape e Draco Malfoy. Entretanto, para a alegria da garota, nem uma única palavra fora trocada a respeito dessa situação e ambos seguiram sua amizade como se suas bocas não tivessem estado a milímetros uma da outra por alguns instantes, e muito menos que ambos estivessem apreciando aquele breve (ou não tão breve assim) momento.

Em todo esse tempo, nada mudara, a não ser, é claro, a nítida aproximação repentina de Cho Chang e Cedrico Diggory, a qual a Snape notava estar cada dia mais íntima, e os encontros pelo castelo, ocasionais ou não, fosse para caminharem juntos ou simplesmente para ficarem conversando, eram cada vez mais constantes. Naquele exato momento, inclusive, Lyra não conseguia tirar seus olhos dos dois, que conversavam animadamente a alguns metros de distância, mesmo o pátio pavimentado estando completamente abarrotado de alunos. Cho ria de algo que Cedrico falara, enquanto colocava sua mão delicadamente sobre o braço coberto pela camisa do garoto.

Este ato e o fato de que um sorriso simples não saíra por momento algum do rosto do lufano, causou certo desconforto na Aldorf, que, decerto, não passou despercebido por Draco. O loiro seguiu os olhos distraídos da amiga, mesmo que já imaginasse do que aquilo se tratava, afinal, momentos como aquele já se tornavam recorrentes. Teve sua confirmação, então, quando achou a fonte do incômodo de Lyra.

— Sabe — começou de forma lenta e descontraída, como se não ligasse muito para o assunto, enquanto brincava com a maçã em suas mãos. —, você deveria esquecer isso. Não estão mais juntos por uma escolha sua. O lufano tem o direito de se relacionar com outra pessoa.

— Pode até ser meio raro, mas eu concordo com o loiro. — comentou Katherine implicando com o Malfoy que apenas a direcionou uma sobrancelha erguida, enquanto franzia o nariz em um falso desdém.

— Não entendo porque estão falando isso, eu realmente não me importo. Como você mesmo disse, Draco, Cedrico é livre. Eu terminei as coisas entre nós e nem ele, nem nada que venha dele, me afeta mais. — respondeu, de forma séria e dura enquanto olhava para frente.

— Oh, é mesmo?! Então pode nos dizer por que desde que chegamos aqui você não tira os olhos deles dois e por que, agora que a questionamos sobre, está usando essa fachada que só usa conosco quando está desconfortável ou acuada? — questionou Kath com um sorriso provocador direcionado à amiga que a fuzilou com os olhos azuis frios, naquele momento tão parecidos com os do pai.

— Não estou desconfortável ou acuada, ninguém me deixa acuada, LaCroiss. — disse, de forma tenebrosa, idêntica a seu pai. Logo deu início a outro assunto, deixando claro que aquele estava definitivamente encerrado. — Estou apenas com fome. Não consegui comer muito no almoço já que me atrasei ajudando Hagrid a guardar os Explosivins e aproveitando para ver alguns Gnomos que voltaram a aparecer nos jardins perto da casa dele.

— Aliás, amanhã é a segunda prova. Pelo que vi nos cartazes, vai começar às 9h30. Você vai conosco, Lyra? — questionou Zabini.

— Não, prefiro dormir do que perder meu tempo nisso, de qualquer forma, sei que vou ficar sabendo dos resultados assim que todos voltarem, então não tenho interesse algum em perder minhas horas de descanso.

Ou então está só tentando evitar certo alguém.

O comentário de Katherine em um quase sussurro foi completamente ignorado pela Snape que logo tratou de se levantar dizendo que iria resolver seu problema com a fome, deixando seus amigos e seguindo em direção à entrada da cozinha do castelo sozinha. Assim que passou pela passagem secreta em meio aos barris, pôde sentir um delicioso e caloroso aroma de comida sendo preparada, enquanto seus olhos captavam pequenas criaturas vestidas de trapos, em frente a grandes panelas borbulhantes, estralando seus pequenos dedos que faziam alimentos saírem de seus lugares nas prateleiras e armários e flutuarem até o local onde eram convocados, e então com outro estralar de dedos, sumiam repentinamente, aparecendo no mesmo instante nas prateleiras de onde saíam.

— Srta. Lyra, Srta. Lyra, como é bom vê-la aqui! Venha, sente-se, sente-se! — clamou sua pequena amiga, Aerin, enquanto a pegava pela mão e a puxava para a mesa mais próxima.

Logo seus dedos foram estralados e vários pães e geleias apareceram a sua frente, assim como bolos e uma torta de frango que parecia ter acabado de sair do forno.

— Olá, Aerin, também é bom vê-la. — cumprimentou, risonha, enquanto via as mãozinhas da elfo enrolarem a barra do trapo que vestia em sinal de animação e encabulação.

— Oh, aliás, onde está o menino bonito de cabelos brancos que vem sempre com a senhorita nos últimos tempos?

Com a pergunta de Aerin, Lyra se lembra do pequeno interrogatório que sofrera a poucos minutos e, sem que percebesse, sua expressão e seu corpo se enrijecem imediatamente.

— Eu apenas preciso de um tempo a sós.

Suas palavras saíram frias e cortantes como lâminas, fazendo a pequena Aerin se encolher, pedindo perdão, enquanto suas orelhas pontudas grudavam na lateral de seu rosto baixo e seus pés juntos começavam a dar passos para trás. Percebendo o mal-entendido, Lyra logo tratou de se retratar.

— Aerin, não, fique por favor, eu quis dizer que precisava de um tempo longe dos outros. Sabe, é que eles estavam me importunando com coisas sem sentido algum.

— O que eles estavam falando, senhorita? — questionou, curiosa, puxando uma cadeira aonde subiu para poder apoiar os cotovelos em cima da mesa, sustentando seu rosto nas palmas das mãos.

Assim sendo, Lyra passou a contar-lhe em detalhes o curto diálogo que a tirara do sério e a incomodara mais do que gostaria de assumir. Aerin a escutava, prestando atenção em cada palavra que saía da boca da garota. Decerto, a elfo não tinha outros momentos como aquele em que conversava e era, de certa forma, o centro da atenção de alguém. Tão pouco era procurada para desabafar ou simplesmente fazer fofoca. Os de sua espécie eram muito reservados e quietos (com a exceção de Dobby, um elfo doméstico diferente dos outros, que se orgulhava de carregar um título de elfo livre), e um bruxo então, quando aparecia nas cozinhas, era em busca de comida, e não de conversa com os "serviçais".

— Se me permite dizer, senh... Lyra, seus amigos estão certos. Você ainda gosta do lufano, por mais que em minha opinião eu a prefira mil vezes mais com o senhor Malfoy. — a elfo revelou, mexendo os dedos nervosamente por se intrometer de tal forma, e com as bochechas escarlates de vergonha.

Sem estar esperando tais palavras, Lyra se engasgou com o pequeno pedaço de torta que acabara de colocar na boca, enquanto sentia sua face queimar, encabulada. Incontrolavelmente, a cena dos lábios do loiro próximos aos seus e aquela sensação diferente que sentiu naquele momento, passaram por sua mente, a fazendo corar ainda mais.

— Ora, Aerin, de onde tirou uma coisa absurda dessas? Draco e eu somos apenas amigos.

Sem que o assunto pudesse ser continuado, ou até mesmo trocado, as amigas foram interrompidas pelo barulho da passagem sendo aberta e de passos apressados. Para a surpresa de todos, era a professora McGonagall que irrompia o ambiente.

— Srta. Snape, finalmente a encontrei. Procurei por você em todos os cantos e então seus amigos me disseram que pudesse estar aqui. — proferiu, aparentemente aliviada.

Mesmo confusa, Lyra se levantou no mesmo instante, alinhando sua postura seriamente, como de costume, enquanto Aerin se afastava de costas, em uma reverência exagerada e extremamente curvada.

— Profa. McGonagall, boa tarde. Pode me dizer o que precisa comigo para estar me procurando?!

— Preciso que me siga até a sala do Diretor Dumbledore. Temos assuntos a tratar com a senhorita. — a professora disse, sem mais esclarecimentos, antes de dar as costas e seguir seu caminho, esperando ser seguida.

E assim Lyra o fez, por mais que estivesse confusa sobre o que seria tratado de tão urgente com ela.


 Durante o jantar, Lyra não apareceu, o que foi notado por seus amigos, mas o trio não se preocupou (deveria estar jantando na cozinha como às vezes gostava de fazer, ainda mais quando tinham algum tipo de desentendimento). Da mesma forma, quando Katherine subiu ao seu dormitório para dormir, Lyra ainda não havia voltado para o quarto, e ao acordar, sua cama ainda se encontrava vazia.

— A Aldorf vai mesmo ficar lá dormindo em vez de ir assistir à prova? — perguntou Draco, quando a LaCroiss se encontrou com ele, Zabini, Crabbe e Goyle no Salão Comunal de sua Casa, empolgada para a prova do torneio.

— Ah, na verdade não, ela nem estava na cama mais quando eu acordei. Se quer saber, foi deitar tarde também, tão tarde que nem a vi entrar no quarto.

— Você quer dizer que também não a vê desde a tarde de ontem? E não achou isso estranho? — questionou, inconformado.

— Ah Draco, você sabe como a Lilly é, ela só deve ter ficado com o pai dela até tarde ontem e hoje acordou cedo pra fazer seja lá o que ela faça quando some. Agora vamos por favor, não quero perder nada, e fiquei sabendo que os gêmeos Weasley iam fazer apostas. Tenho certeza que o Krum vai se sair bem nessa, vou apostar 5 galeões nele. Acham que é muito? Ah, nem me importa, apostaria o triplo naqueles músculos.

Katherine saiu tagarelando pela escadaria do Salão Comunal que daria para a saída, sem nem perceber que não era seguida por seus amigos, que, por sua vez, trocavam olhares desconfiados desde o momento que a ruiva contou sobre o sumiço de Lyra.

— Pode ir na frente Zabini, vou tentar achar ela. Crabbe, Goyle, vão com ele. Vou ser mais rápido se for sozinho.

Sem esperar uma resposta, mas com a certeza de que iam fazer aquilo que havia sugerido (ou mandado), ele se virou, indo em direção a todos os lugares que achava possível que poderia encontrá-la. Começou pelo escritório do professor Snape, e então, a sala de poções, mas ambas estavam trancadas e vazias. Seguiu então para a passagem secreta na Torre Norte, enfermaria, Salão Principal, foi em todos os banheiros femininos que encontrou no caminho, e nada.

Foi até mesmo até a cozinha, onde encontrou Aerin, que lhe contou o que acontecera na tarde anterior, o deixando ainda mais confuso, sem entender nada, e uma elfo muitíssimo preocupada com o sumiço de sua melhor e única amiga, já quase caindo em lágrimas. Após acalmá-la, Draco saiu de lá com mais dúvidas que respostas.

Saiu então do castelo, olhando todos os pátios, o círculo de pedra, casa do Hagrid, jardins, tudo, mas novamente não encontrou absolutamente nada que o ajudasse a, se quer, descobrir onde Lyra poderia estar. Só então correu para as arquibancadas da prova, esperando que Zabini pudesse ter alguma ideia.

No meio de tanta gente, foi difícil achá-los, mesmo que as escolas não estivessem misturadas, mas assim que viu uma cabeleira ruiva cacheada balançando ao vento, soube que os encontrara. Os alcançou o mais rápido que pôde, e então contou a Zabini o que Aerin o havia dito e todos os locais onde havia ido, deixando claro, em gestos, olhares e palavras, o quão preocupado estava, enquanto Blásio parecia raciocinar e pensar em tudo que seu amigo havia lhe contado.

— Xiu vocês! Faz quase 1 hora que eles pularam na água, Draco! Segundo Dumbledore, eles têm que recuperar algo de mais precioso para eles que foi escondido lá embaixo, nas profundezas do Lago Negro, com os Sereianos. A Fleur teve que ser retirada do lago e foi desclassificada. Parece que grindylows atacaram ela. Mas até agora ninguém mais voltou!

Katherine explicou a prova de forma breve e rápida, ainda com os olhos grudados no lago em busca de qualquer sinal de alguém, sem nem ao menos prestar atenção no que acontecia ao seu redor, deixando Malfoy incrivelmente vermelho de raiva. Estava tão nervoso com a falta de noção da ruiva que em um ato rápido, a pegou pelos ombros, a girando para olhar em seus olhos enquanto a sacodia, esbravejando entredentes:

— Que droga, presta atenção Katherine, sua amiga sumiu, simplesmente desapareceu, ninguém tem notícia dela desde ontem, entendeu? Eu estou pouco me fodendo pra essa porcaria de prova, eu só quero achá-la!

— Ahm, Draco? Acho que acaba de encontrá-la.

A voz veio do seu lado direito, onde se encontrava Goyle, sentado esparramado na cadeira, com a mão apontando algo a sua frente. Malfoy, tentando processar o que o garoto dizia, seguiu a direção em que ele apontava, assim como Zabini e LaCroiss. A princípio não viu nada, a não ser o horizonte, mas ao escutar Katherine arfando em espanto, olhou com mais atenção para o lago, e então a viu.

Cedrico havia acabado de emergir do Lago Negro com Lyra em seus braços, sendo o primeiro a retornar à superfície com o seu "algo de mais precioso". E, embora estivesse aliviado, os braços de Malfoy, que até então ainda seguravam os ombros de Katherine, caíram pesados ao seu lado, um tanto incomodado e desapontado.

A reviravolta que a gente gosta kkkkkkkkkk

Fiquei com dó do Draco procurando ela que nem louco, e no final ela tava lá no lago kkkkkkk

Agora uma pergunta: vocês devem ter percebido que esse cap tá um pouco menor do que os que eu costumo fazer, assim como alguns outros. Então eu queria saber, vocês se importam? Acham que tá muito pequeno? Ou tá bom assim? Me respondam PLEASE!

E um avisinho: Depois desse, temos mais 3 caps até o fim do livro, e eu queria muito me inscrever no concurso Wattys 2022, só que pra isso o livro precisa estar finalizado e eu só tenho até o dia 19 pra me inscrever. Por causa disso eu vou postar 2 capítulos por semana, ou seja, teremos mais 1 essa semana, provavelmente sexta, e semana que vem vou postar mais 2: um na terça e outro na quinta, ok?!

Preparem os coraçõezinhos para os capítulos finais, amo vcs!

E até a próxima xuxus

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