21. That will not remain like this

✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶

 Duas semanas desde o primeiro dia de aulas haviam se passado, e Lyra retomara sua rotina em Hogwarts. Todos os dias, após as aulas, ia para a sala de poções e preparava uma solução para repor energias. Mesmo sendo acompanhada dos amigos algumas vezes, nunca precisou se preocupar muito em esconder ou despistar o que fazia, já que o Malfoy ficava sempre focado demais nas poções que ele mesmo preparava, e Katherine tagarelava sem parar, alheia a qualquer coisa que Lyra fazia em sua bancada.

A maior dificuldade da garota era quando Zabini a acompanhava. O menino era muito observador e passava a maioria do tempo prestando atenção em tudo o que a Aldorf fazia e tirando dúvidas. Por causa disso, ela se via obrigada a preparar duas poções ao mesmo tempo, tentando fazer com que ele não percebesse que uma delas era sempre a mesma, o que era bem difícil.

De resto, tudo continuou da mesma forma, toda madrugada a Snape se encontrava na clareira e ficava treinando até 06h00 da manhã, quando voltava para o quarto e tentava dormir por cerca de uma hora, e era atormentada sempre pelos mesmos olhos frios, cinzentos e sem vida de seus pesadelos.

Lyra foi tirada de seus pensamentos ao passar pelas portas do grande Salão, e se dirigiu até a mesa, sentando entre Malfoy e Katherine.

— Bom dia! — Cumprimentou, enquanto roubava a maçã verde que estava nas mãos de Draco e a levava até a boca dando uma mordida.

— Caramba, Aldorf, tem uma cesta cheia de maçãs e você rouba a que está na minha mão! — o loiro resmungou, contrariado com a atitude da amiga.

— Sim, a mão é minha e a sua maçã me parecia mais bonita que as outras. — provocou, apoiando o cotovelo no ombro do Malfoy e lhe oferecendo um sorriso provocador.

— Mas você nem olhou pras outras!

— Olha lá Lyra, a japonesa ataca novamente.

Lyra foi impedida de continuar suas provocações com Draco quando Katherine lhe chamou a atenção, sinalizando com a cabeça na direção da mesa lufana. Ao dirigir seus olhos para lá, a Snape entendeu a quem a amiga se referia. Era Cho Chang, que acabara de se sentar ao lado de Cedrico Diggory e engatara em alguma conversa que parecia estar muito interessante, já que nenhum dos dois parava de sorrir.

Cho era uma garota da Corvinal, que desde o primeiro dia de aula daquele ano, não desgrudava de Cedrico um segundo se quer. Em qualquer oportunidade que tivesse, a Chang se juntava a ele. Lyra não tinha nada contra a menina e nem ao menos gastava seu tempo se importando com tal assunto. Na verdade, Katherine parecia mais incomodada que ela própria.

— Eu não entendo como você pode não se importar com isso, ela está se jogando em cima do seu namorado na cara dura! Esse jeitinho sonso dela... "Ai Ced, você é tão engraçado, Ced!" — Katherine imitou a japonesa afinando sua voz e passando a mão pelos cabelos enquanto piscava os olhos freneticamente. Lyra não se segurou e caiu na risada.

— Ora, Kath, deixa a garota! Tenho certeza que ela não é a única desse lugar que se interessa por ele!

— Mas Lyra, ela está se jogando nele e todos os alunos sabem que vocês namoram. — a ruiva frisou a parte do 'se jogando', deixando nítido em sua cara o tamanho de sua indignação. — E ele ainda dá bola pra ela! Olha lá, todo sorridente pra ela também, sendo todo simpático!

— Kath, entenda: eu confio no meu namorado. Não importa quantas garotas se joguem nele, na minha cara ou não, eu sei que ele nunca faria nada. E quanto a ele ficar sorrindo... Ele É simpático, Kath, com todo mundo. O Cedrico não consegue ser grosso ou antipático com ninguém. Por acaso você já o viu andando por aí de cara fechada? Ou conversando com alguém sem um sorriso no rosto? É o jeito dele, e eu não vou me incomodar com isso.

— Uau... Sabe, Lilly, eu te invejo, porque eu não conseguiria ser assim não. E já que você não vai prestar atenção, nem odiar ela, eu faço ambos por você, amiga.

A Aldorf desistiu de discutir com a ruiva e apenas deu risada, voltando a tomar seu café da manhã. Quando terminou, ela passou pela mesa da Lufa-Lufa apenas para cumprimentar o namorado e então se juntou aos amigos que a esperavam na porta do Salão, para depois se dirigirem à aula de DCAT.

Entrando na sala, perceberam que algo naquele dia seria diferente. Em vez das mesas estarem enfileiradas como sempre, elas se encontravam postadas em um círculo completo, para deixar o centro livre.

— Vamos, entrem, não fiquem parados aí! — disse o Prof. Moody, que estava encostado em uma mesa e bebia um gole de seja-lá-o-que tivesse dentro do seu frasquinho. Quando todos já haviam se sentado, continuou. — Hoje teremos uma aula diferente. Como já disse, vou lhes ensinar a resistir às maldições, e para isso, nada melhor que submeter vocês à Maldição Imperius.

Quando o professor terminou de falar, muitas exclamações foram ouvidas por todo o ambiente, e vários alunos tinham olhos arregalados e mãos sobre a boca, horrorizados.

— Ora, não façam essas caras! Dumbledore quer que vocês aprendam qual o efeito que elas produzem em uma pessoa e que consigam resistir a elas, se preciso. Preferem aprender da forma difícil? Quando alguém, lá fora, lançar uma contra vocês? — Alastor recebeu como resposta apenas o silêncio. — Foi o que pensei. Vamos lá, chamarei vocês de um em um aqui no meio, lançarei a maldição e lhes obrigarei a fazer algo, vocês devem tentar RESISTIR. Vamos, senhor Goyle, por favor.

Depois de Goyle, muitos alunos, tanto corvinos quanto sonserinos, foram chamados ao centro da roda e obrigados a fazer das mais loucas coisas, entre elas dançar sapateado, plantar bananeiras, pular entre as carteiras como macacos, etc.. A sala parecia se divertir assistindo os colegas fazendo palhaçadas, e até Lyra, que ficou recostada em uma mesa, apenas observando, teve de soltar algumas risadas em alguns momentos.

Até agora ninguém havia conseguido resistir, apenas um garoto pareceu tentar, mas acabou cedendo, pois demorou uns 3 ou 4 segundos a mais que os outros a obedecer, e deu seu primeiro pulo desajeitadamente.

— Draco Malfoy, sua vez.

Draco virou para os amigos e soltou uma piscadela, confiante de que conseguiria resistir à maldição, ato esse que não passou despercebido pelo professor. No entanto, ao ser amaldiçoado pela Maldição Imperius, após apenas 4 segundos e um pouquinho travado no começo, o loiro começou a dançar Cancan com sua capa.

Sem aguentar, Lyra, Katherine, Blásio e todo o resto da sala caiu na gargalhada. Assim que foi liberado da maldição, o garoto retomou a consciência e, se dando conta do que fizera, suas narinas inflaram em desagrado, sua respiração ficou pesada e ele olhou feio pra qualquer um que ousasse encará-lo enquanto voltava a se postar ao lado dos colegas.

Ora Malfoy, não fique assim, até que foi bonitinho, você daria uma ótima dançarina com esses seus cabelos platinados. — Lyra o provocou, em sussurros em seu ouvido, se controlando para não voltar a rir.

Draco apenas a olhou como se quisesse matá-la e, se ela não estivesse tão perto, não conseguiria reparar que suas bochechas ficaram levemente rosadas. Mas para a sorte de Draco, ela não conseguiu reparar no estranho arrepio e descompassar da respiração do loiro quando sentiu o hálito da garota tão próximo ao seu ouvido. A Aldorf voltou a olhar para frente e viu muitos olhares zombeteiros dirigidos ao Malfoy, principalmente dos garotos. Constatando isso, sua cara se fechou na hora, e, estreitando os olhos, olhou ameaçadoramente para cada um deles.

Como já esperava, todos pararam de encará-lo ou cochichar na hora. Lyra sabia ser amedrontadora quando queria, e o fato de ser filha do professor Snape, só corroborava com isso.

Mais alguns alunos depois, entre eles Katherine, que começou a correr pela sala gritando, e Zabini, que teve de cantar uma ópera (totalmente desafinado, vale ressaltar), a Snape foi finalmente chamada. O professor a encarou enquanto ela se ajeitava a sua frente, estendeu sua varinha, e então bradou:

Imperio!

Foi uma das melhores sensações que Lyra já sentiu. Seu corpo relaxou totalmente e seus pensamentos desapareceram. De repente, era apenas ela, flutuando num vácuo branco. Aproveitou esse momento até que ouviu uma voz sussurrando em sua mente.

Fique nas pontas dos pés e dance Ballet, Lyra.

"O quê? Mas... Por quê?"

Vamos, apenas dance!

"Mas eu nem gosto de Ballet, por que faria isso?". Enquanto tentava lutar contra a voz, começou a sentir que seus pés tocavam o chão novamente, embora ainda não pudesse se movimentar.

FIQUE NA PONTA DOS PÉS, LYRA!

"Não, eu não vou!"

DANCE, AGORA, LYRA!

"EU NÃO VOU DANÇAR", gritou em pensamentos, sentindo seu corpo pegar fogo e então abriu os olhos, cambaleando quando levantou levemente os calcanhares do chão, mas se conteve no meio do caminho.

Todos os alunos a encaravam chocados. Ela conseguiu. Resistira à maldição de primeira.

O choque no rosto de Alastor, no entanto, não era apenas devido a este fato, mas sim pelo que vira assim que os olhos da garota se abriram. Ambos brilhavam intensamente, quase como se fossem duas pedras preciosas refletindo à luz, e Moody sabia muito bem que isso não era normal, principalmente quando os olhos da garota sempre foram de um tom azul-claro mais apagado, como voltaram a ser após um segundo.

Reparando nisso e tentando disfarçar sua curiosidade, mas ainda extremamente intrigado, retomou a palavra:

— Vejo que inteligência não é seu único forte, Srta. Snape. Vocês viram, alunos? É isso que devem fazer, resistam à voz! Agora está ficando melhor!

Lyra virou as costas e voltou para seu lugar, sentindo o olho falso do professor a seguindo, mas ao fitar os amigos, viu que estes a encaravam em nítida confusão e espanto.

— Nossa... Que estranho, eu podia jurar que tinha visto os seus olhos brilharem de uma forma muito estranha e incomum quando você abriu eles, Lilly! — Katherine comentou, assim que a Aldorf se postou ao seu lado.

— É, eu também tive essa impressão! — concordou Blásio.

 Lyra engoliu em seco. Agora que eles falaram, parecia óbvio que isso tivesse acontecido. Usara seus poderes para conseguir resistir à maldição, e fizera um esforço razoável. Entendia agora também, o porquê do olhar surpreso do professor. Surpreso demais, e ousaria até dizer, desconfiado. Respirou fundo tentando espantar o seu medo e, calmamente, sem mudar a expressão, respondeu os questionamentos da amiga.

— Bom, com certeza foi impressão, os olhos das pessoas não brilham do nada, sabe?

— Ah... É verdade, deve ter sido a luz da janela e o ângulo em que estávamos...

— Uhum...

Com o diálogo se findando ali, passaram os 15 minutos finais da aula apenas assistindo os outros alunos.

— Gente, podem ir na frente, preciso ir ao banheiro rapidinho, encontro vocês lá. — Lyra comentou, saindo correndo assim que os viu assentir.

Entrou no banheiro e se dirigiu até uma das cabines, quando escutou um barulho atrás de si. Virou rapidamente a cabeça, buscando a origem do som, mas não encontrou nada. "Deve ter sido só algum fantasma.", pensou, voltando ao seu caminho e entrando em uma cabine para fazer suas necessidades.

Assim que terminou, abriu a porta, arrumando suas vestes, mas levou um susto ao perceber que duas figuras barravam seu caminho. Não se surpreendeu ao constatar que as conhecia. Eram Pansy Parkinson e Daphne Greengrass. A Snape apenas revirou os olhos e passou esbarrando pelas duas, indo até uma das pias para lavar as mãos.

— A que devo a honra da presença de vocês? Vieram fazer mais alguma ameaça idiota? Ou fazer provocaçõezinhas tolas com xingamentos infantis? — comentou sarcasticamente, se referindo as provocações que as duas amigas vinham fazendo nas últimas duas semanas sempre que podiam (Obviamente nunca quando Draco estava por perto).

— Na realidade, queridinha, viemos te dar uma liçãozinha, já que aparentemente você não entendeu o nosso recado. — comentou Daphne.

— Você adorou não foi? Toda a atenção que recebeu lá em cima. "A única aluna que conseguiu resistir à maldição, e de primeira ainda." Quer saber? Grande droga isso! — ao escutar tais palavras, Lyra gargalhou, apoiada com as duas mãos, uma de cada lado da pia, as encarando pelo espelho à sua frente.

— Ora, Parkinson, não me diga que está com inveja!? Tudo bem, querida, um dia você consegue. — disse, com um sorriso debochado.

— Ora sua...

Pansy ia avançando, tirando a varinha do bolso, mas antes que pudesse ao menos estendê-la na sua direção, Lyra já se virara e apontava a sua em direção ao rosto da morena.

— Ahh Pansy, nem pense nisso. Vai querer duelar comigo? A melhor da turma em feitiços?! Ou queria me atacar pelas costas? Ahh não seria nada bonito manchar seu belo histórico com uma suspensão por atacar a filha de um professor não acha? E vamos lá meninas, vocês sabem que eu sou mais forte e poderosa do que vocês duas juntas, acabaram de ter uma prova disso lá em cima. Vão mesmo querer tentar bater de frente comigo?

Tanto Pansy, quanto Daphne, que avançara em apoio à amiga, possuíam expressões raivosas, mas pareceram concordar que seria burrice, pois logo a Parkinson sussurrou, antes de se virar e ir embora:

Isso não vai ficar assim, Aldorf.

Lyra virou as costas, terminando de lavar as mãos com um riso debochado. Se olhou no espelho, arrumando o rabo alto nos cabelos, e foi dar seu primeiro passo enquanto se virava para a saída, mas os sentiu presos um ao outro. Tudo que se seguiu aconteceu muito rápido; tentando recobrar o equilíbrio e se manter em pé, Lyra voltou a colocar o pé que tentara dar o passo, de volta no chão, mas o sentiu escorregando em algo, e então caiu para o lado antes que pudesse se segurar.

Uma forte dor na cabeça a fez fechar os olhos com força, e já no chão, caída de frente, sentiu uma tontura muito grande se apossando de seu corpo. Abriu os olhos e os piscou rapidamente para tentar recobrar totalmente a consciência. Ainda um pouco desestabilizada, se apoiou nos braços para se sentar e sentiu a dor na cabeça se intensificar e um líquido quente escorrer pela lateral desta. Levou uma mão ao local da dor. Sentiu uma grande ardência e sua mão se molhar em um líquido viscoso, e ao tirá-la de lá e mirar os dedos, constatou ser sangue que os banhava.

Já mais desperta, tentou entender o que aconteceu, e ao olhar para seus pés, viu os cadarços de seu sapato amarrados um no outro e um líquido viscoso e verde no chão ao lado deles. Na hora entendeu o que acontecera. Provavelmente, quando Pansy e Daphne estavam saindo, lançaram um feitiço que conjurou aquela gosma no chão e outro para amarrar seus cadarços sem que ela percebesse.

Os amarrou, agora devidamente, e, com muito cuidado para não escorregar novamente, se apoio na pia ao seu lado para se levantar. No meio do caminho, seus olhos passaram pela beira dela, e notou estar manchada de sangue, explicando aonde seu machucado na cabeça fora feito. Respirou fundo se olhando no espelho ao ver que o corte não tinha sido muito grande, mas por ser na lateral da testa, sangrava bastante.

Agradeceu pelo pai tê-la ensinado alguns feitiços medicinais, pois assim conseguiria dar um jeito sozinha naquilo e não precisaria ir à enfermaria, onde teria que responder muitas perguntas que a levariam a contar quem havia feito aquilo. Primeiramente, pois ela não precisava de ninguém para resolver seus problemas, era uma sonserina e sabia lidar com eles sozinha, e segundo, pois não queria encarar o fato e nem deixar que terceiros soubessem que havia caído em uma pegadinha tão estúpida. Justo ela, não perceber um truque tão idiota, era inaceitável para si mesma.

Pegou sua varinha e lançou três feitiços, sendo o primeiro Estanque Sangria para parar seu sangramento, depois Tergeo, que limpou o sangue tanto do machucado, quanto do seu rosto, e por último Doaid, que colocou um curativo sobre o corte. Satisfeita com o resultado, saiu correndo do banheiro em direção à cabana de Hagrid para a aula de Trato das Criaturas Mágicas, a qual já estava muito atrasada.

Chegou no campo da forma mais disfarçada que conseguiu, mas Rúbeo lhe lançou um olhar questionador que a deu a entender que seria conversado depois da aula.

— Por que demorou tanto, Lilly? — perguntou LaCroiss.

— Isso no seu cabelo é sangue? E por que você está com esse curativo na testa? — observou Zabini, chamando a atenção de Malfoy que estava conversando com Crabbe e Goyle, ao lado de Pansy e Daphne.

— Nada de mais, tive um pequeno incidente... Escorreguei e bati a cabeça, mas já tratei disso. — completou, sob os olhares dos amigos.

Lyra tinha seus olhos fixos nas duas sonserinas que possuíam sorrisinhos maliciosos nos rostos enquanto sussurravam coisas no ouvido uma da outra, provavelmente se vangloriando de seu feito. Por alguns segundos, a Aldorf se imaginou arremessando as duas garotas contra a árvore às suas costas, e fazendo seus peitos serem comprimidos tanto que não poderiam respirar. Sentiu seu corpo esquentar com essa imagem, mas então, respirou fundo e tratou de prestar atenção na aula até esta acabar.

Desde a primeira semana de aula, estavam cuidando e tentando descobrir que alimentos dar aos Explosivins, criaturinhas nojentas que mais pareciam lagostas sem casca, deformadas, de corpo gosmento e esbranquiçado, com pernas saindo de lugares estranhos e sem cabeça aparente, que tinham um horrível, mas condizente com sua aparência, cheiro de peixe podre, e que ainda soltavam faíscas pela calda que, com um barulhinho de explosão, se deslocavam centímetros para frente. Alguns, que segundo Hagrid eram os machos, possuíam espinhos, enquanto as fêmeas possuíam uma espécie de sugador na barriga.

Apesar de serem seres inúteis, na visão dos alunos, e um tanto perigosos também, diferente do resto da classe, Lyra continuava se dedicando com o mesmo afinco nas tarefas da aula. Amava a diversidade das criaturas mágicas e como eram peculiares, por isso, buscava com persistência descobrir qual alimento aqueles serzinhos estranhos e, já relativamente grandes, se comparados a duas semanas atrás, comiam. Parte de sua animação naquela aula também se devia ao fato de que se divertia quando Hagrid os colocava para levá-los para passear com coleiras, como se fossem cachorros, e estes davam suas explodidas, avançando para frente. Obviamente, Lyra nunca conseguiria ser tão empolgada quanto Rúbeo, mas mesmo assim, já ganhava de disparado dos outros colegas, e conseguia animar de imenso o professor.

Quando a aula se findou, com alguns alunos com pequenas queimaduras nas pernas e dedos, estes foram subindo, quase correndo, felizes pelo fim do período, e assim, início do almoço. A Snape, no entanto, ficou ajudando Hagrid a recolocar os animais nas caixas.

— Agora me diga, Lyra, por que chegou tão atrasada para minha aula hoje? Não é algo muito comum vindo de você. — perguntou, enquanto entravam em sua cabana e ele se dirigia para uma grande panela em cima de um velho fogão em um canto. — Vou preparar algo para comermos, o que acha? Estava pensando em sanduíches de carne de arminho com rins, que tal?

— Na verdade, Hagrid, como já estava pensando em passar aqui no almoço, peguei algumas coisas no café da manhã para trazer e você não ter que cozinhar, como toda vez, sabe?! Não precisa se incomodar. — Lyra comentou, tirando uma sacola com algumas comidas, dentre elas sanduíches, rosquinhas e tortas, do fundo extensível de sua bolsa.

— Ahh obrigado Lyra, mas não precisava, sabe que gosto de cozinhar, não é nenhum incômodo.

— Eu sei, eu sei, mas foi só uma forma de te agradecer, sabe?! Por me receber e ser tão solícito comigo. — comentou, torcendo para que o homem aceitasse a comida que ela trouxera.

— Ora, se é assim, então tudo bem, vamos comer.

 Quando Rúbeo pegou a sacola de suas mãos e virou as costas para arrumá-las na mesa, Lyra soltou um suspiro aliviado. Adorava Hagrid e como ele era sempre tão agradável, mas habilidade culinária, definitivamente, não era uma de suas virtudes. Ao comer a comida de Rúbeo, sair de lá sem um dente quebrado ou sérios problemas estomacais, era um grande privilégio.

— E, bom, sobre o atraso, não foi nada de mais, apenas tive um pequeno acidente — disse, apontando para o curativo. —, então estava resolvendo isso. Mas e aí, você não me falou nada sobre nossos encontros aos fins de semana para estudar os animais das florestas, ainda vamos mantê-los, certo?

Lyra pegou um lanche que estava em cima da mesa recém-arrumada pelo homem, e então se virou no pequeno, mas aconchegante, espaço, para se sentar na poltrona velha e vermelha encostada na parede. A poltrona tinha quase o dobro de seu tamanho e, com certeza, mais duas pessoas poderiam se sentar ao seu lado, se se espremessem um pouco.

Quando a garota sentou, se aconchegando no braço da poltrona e recolhendo as pernas em posição de "índio", Canino, o grande e preto cachorro de Hagrid, da raça Mastim Napolitano, subiu no assento ao seu lado, colocando a cabeça encostada em sua coxa.

— Ah... Bom, sobre isso, temo que não poderemos manter nossos encontros este ano, Lyra. — respondeu, um pouco nervoso, fazendo a Snape estreitar os olhos levemente enquanto começava um suave carinho em Canino com sua mão livre.

— Oh, que pena Hagrid, eu adorava nossas pequenas excursões às florestas, me faziam tão bem... Era meu dia predileto da semana, sem dúvidas...

— Poxa, o meu também, mas infelizmente, com as delegações de Beauxbatons e Durmstrang aqui, vai ser mais complicado de conseguirmos, ainda mais que algumas coisas das provas do Torneio ficarão escondidas nas florestas... Eu não deveria ter dito isso.

— Ohh, eu entendo Hagrid, provavelmente Dumbledore deve confiar muito em você, não é mesmo? Tenho certeza que ele deixou para que você cuidasse de tudo. — Lyra comentou, focando seus olhos em Canino, que tinha os olhos fechados diante o carinho, mas a garota possuía um pequeno sorriso ladino no rosto, coberto pelos cabelos. A persuasão sonserina era algo que a agradava muito.

— Ah sim, Dumbledore confia muito em mim. Sabe, suponho que eu devo ser quem ele mais confia na escola toda! Ele até me disse que provavelmente teremos animais perigosos em nossas provas, ele sabe como eu as adoro. — Hagrid se gabou, orgulhoso.

— Ora, com certeza! E eu entendo, fique tranquilo, se vissem você me levando para a floresta, as outras escolas poderiam achar que está tentando dar privilégios para Hogwarts... Talvez até mesmo você tenha um pouco de medo que eu veja algo e conte para alguém... — Lyra fez uma (falsa) cara triste, até um pouco decepcionada.

— Mas que bobagem! Eu nunca pensaria algo assim, sei que posso confiar em você, Lyra, sei que não trairia minha confiança. E quer saber? Teremos nossos encontros sim, só temos que tomar cuidado para que nenhuma das delegações nos veja.

— Ora, muito obrigada por confiar em mim, Hagrid.

Enquanto o homem se virava de costas para a Aldorf, a fim de pegar um pouco de suco da jarra, a garota abriu um sorriso satisfeito. Conhecia Rúbeo muito bem, e sabia que ele não se aguentava para contar coisas que na realidade não deveriam ser ditas, e Lyra ficava exultante em perceber que sabia dobrá-lo direitinho para lhe dizer tudo o que queria saber e, como agora a pouco, até para que este mudasse de ideia a seu favor. Não gostava da ideia de usá-lo, e não via sua atitude daquela forma, ela apenas o incentivava a dizer o que ele já estava com vontade e, como consequência, ela recebia informações interessantes para si mesma.

— Oh, acabei esquecendo de te perguntar, como está se sentindo em relação a Bicuço?

— Nossa, tanta coisa aconteceu depois daquele dia que até esqueci de lhe contar. Bicuço foi sentenciado a morte, mas quando saímos da cabana para que a execução fosse feita, ele tinha sumido, Lyra! Acredita nisso? Menino esperto ele. Ah meu Bicucinho, espero que ele esteja bem. Agora, como ele conseguiu fugir eu não sei. Cinco minutos antes ele estava lá, deitado e acorrentado no meio das abóboras do jardim, acredita?! Realmente não entendo como conseguiu, mas fico feliz.

Lyra se engasgou com o gole de suco que acabara de colocar na boca quando lembrou de algo. "Libertamos o cachorro e salvamos o pássaro, mas o rato fugiu". O bilhete de Harry, Rony e Hermione. De repente tudo fez sentido em sua cabeça. A parte do pássaro, que não havia entendido antes, se referia à Bicuço! Foram eles que o salvaram e tiraram de lá. Lyra não sabia o que tinha acontecido naquela noite, mas ficou satisfeita em saber que duas vidas tinham sido salvas: a do Hipogrifo, e a de Sirius Black, mesmo que deste último, Lyra não gostasse.

BOM DIA, BOA TARDE, BOA NOITE MEU POVO! (Não sei que horas vocês vão ler isso, então já deixo meu cumprimento geral kkkkk)

Nossa, mas eu tô fazendo uns capítulos  mt grandes, credo, peço desculpa gente KKKKKK

Mas olha, não sei porque, mas eu realmente gostei desse capítulo!

Talvez seja porque teve um monte de coisa acontecendo. A aula do Moody, a Sonsa Chang dando as caras, a treta com a Pansy e a Daphne, o momento com o Hagrid, AAAAAAAAA foi muita coisa kkkkkkkk

Enfim anjos, comentem muito por favor, me incentiva demais. Não sejam leitores fantasmas, eu adoro quando vocês dão as caras e sempre tento responder todo mundo.

Beijin Beijin e até a próxima xuxuuuuus, amo ocês!

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