CAPÍTULO 15
Milena
Cheguei do colégio e fui direto pra escolinha busca a filha do Corujão.
A mesma estava sentada sozinha, já que todos já tinham ido embora, estava apenas acompanhada da porteira.
— Ei — chamei ela — Eu vim te buscar.
Falei sorridente mas a menina nem deu bola, mas mesmo assim veio até mim.
— O papai falou que você ia vir me buscar. Como é seu nome?
— Milena e o seu?
— Lorena, mas pode me chamar de Lore. É assim que dona Joana e meus tios me chamam.
Fiquei espantada com esse menina, o jeito que ela falava era igual ao adulto.
— Vamos. — ela assentiu. — Você vai me mostrar o caminho porque não sei, tá?
— Tchau Dulce! — ela falou pra porteira que assenou com a mão.
Peguei a mochila dela e o segurei na mãozinha dela atravessando a rua.
— Ei! — alguém chamou a gente
Era o PL, irmão da Mikaela. Ele estava de moto, como sempre.
— Vim buscar as duas princesas. — falou parando do nosso lado.
— Corta a intimidade PL. — Lorena falou me fazendo ri.
— Não tá mais aqui quem falou. — suspendeu a mão em redenção.
Coloquei a Lorena na moto e logo depois subi também, deixando a Lorena no meio. O PL partiu pra casa do Corujão.
Eu odiava andar de moto, a sensação é que eu poderia cair a todo momento, ainda mais naquelas ladeiras.
Onde eu passava as pessoas olhavam, já tinham circulado no morro que eu iria tomar conta da filha do dono do morro. Mas fazer o que? Eu preciso do dinheiro pra ajudar minha mãe.
Dandara e Marcela quando soube que era do Corujão mesmo piraram.
Desci em frente a uma casa normal, porém rebocada por fora e pintada de vermelho.
— Entregues. Agora tô indo, fé aí. — Saiu fazendo zoada com o barulho da moto.
Eu abri a porta com a chave que o Corujão tinha me mandado entregar ontem. A casa não era um luxo, porém era bem arrumada e bem pitada e tinha tudo. A casa não era grande nem pequena.
— Quem mora aqui? — perguntei pra Lore
— Meu pai, meu tio Lipe e as vezes meu tio Marquinhos quando briga com a sogra — falou enquanto tirava seu uniforme.
Pra uma casa onde mora três homens a casa é bem arrumada.
Fomos pro quarto da Lore, era um quarto rosa com vários ursos e bonecas nas prateleiras. Até o guarda roupa era rosa.
Dei um banho na Lore mas ela não gostou muito, reclamou o banho inteiro. Depois prendi o cabelo dela em um rabo de cavalo e vesto um vestidinho nela, passado um perfume e creme de pele nela.
Também tirei meu uniforme vestindo um vestido colado em cima e soltinho em baixo.
Não tinha nada pronto então decidi fazer um macacão com calabresa. Nós comemos e fomos brincar no quarto dela.
— Oi — falou o Corujão na porta do quarto me fazendo assustar. — Tá tudo certo por aqui?
— Sim papai. Eu estava morrendo de saudades daqui.
— Que bom que está gostando. — falou — Milena, vem aqui rapidinho.
Minhas pernas tremeram, mas mesmo assim fui ficando em sua frente.
— Eu quero que você coloque esse número no seu celular pra quando alguma coisa acontecer — ele me entregou seu número.
— Tá — peguei meu celular colocando o número dele.
— Isso é um Samsung? — ele pegou na minha mão — Dos antigos ainda.
Ele olhou meu celular pequeno e velho, todo descascado e com a tela quebrada.
— Vou mandar alguém providenciar um celular pra tu. Agora ver se joga isso fora.
— Não precisa. Esse celular é muito bom — menti
Eu não queria aceitar nada de traficante nenhum.
— O bom é que você não tem querer, porque isso vai fazer parte do seu trabalho. — riu debochado e me entregou o celular — Salva as coisas que tem nele e joga fora.
Que afronte.
Ele saiu, me deixando com cara de tacho lá.
Eu não sei o que esse homem tem, ele consegue me fazer sentir coisas que não sei explicar, é uma sensação bem estranha.
Meu celebro relembrou suas palavras: Eu quero te foder.
Será que ele pensava assim até hoje?
Balancei a cabeça saindo daqueles pensamentos, ele nem deve lembrar que falou isso pra mim, com certeza ele fala isso pra todas as mulheres do morro.
Voltei pro quarto indo brincar com a Lore.
[...]
Corujão
Quando o Colômbiano falou que a Milena tinha feito a tal entrevista eu fiquei tranquilo, queria uma mina como ela mermo mas nunca ia imaginar que ela iria querer a vaga.
Quando cheguei em casa fiquei mó tranquilo em ver minha princesa feliz em casa; agora eu teria tempo pra ficar com ela. Ela precisava de mim, já que não tinha mãe. Parecia que ela tinha se dado muito bem com a Milena e também parecia que ela estava cuidado muito bem da cria.
Soltei a fumaça da maconha pelo nariz.
O rádio tocou e eu atendi.
— Corujão? Uma menina chamada Larissa tá tocando o terror aqui na entrada. — Nego falou.
— Quem é Larissa? Manda ela pra puta que pariu. — falei já sem paciência
— Ela tá aqui falando que tá grávida de tu.
O que? Que porra é essa! Nem parece que uso camisinha nesse caralho!
— Trás essa mina aqui. — falei descontrolado.
Não basta meus problemas diários, agora tem essa aí, só o que me faltava.
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