Parte II - Capítulo V

───※ ·1· ※───

Erick se mantinha olhando para o espelho. Sua feição era de um contentamento levemente fingido, onde naquele reflexo não se conseguia esconder. Aparentemente, não estava contente consigo mesmo, entretanto, o motivo era outro: seu corpo estava sobrecarregado. Ele estava sem camisa e aproveitou para olhar o seu peito e o fragmento da jóia de Ashya implantado nele, brilhando com um azul cintilante. Por trás dele, uma fumaça escura começa a aparecer. O rei parecia reconhecer aquilo que via pelo reflexo, pois não estava surpreso, apenas observava como se estivesse esperando que alguém aparecesse.

- Enfim, apareceu, senhorita Aretha. - disse ele com um leve sorriso de canto olhando para a fumaça. De repente, saí pelo lado direito do homem, uma mulher de olhar penetrante e sombrio, com íris violeta cintilantes. Suas roupas, aparentemente pretas, não revelavam detalhes, pois uma espécie de fuligem pairava ao redor de seu corpo.

- Sim. Principalmente porque Aretha sabe da nova moça que chegou aqui. - disse ela olhando pela janela que dava vista às estrelas do céu. Ela torna a olhar de canto para o rei como se estivesse esperando algo.

- Está com ciúmes? É a primeira vez que vejo você se importar com essas moças que trago aqui. - disse o rei, dando uma curta risada.

- Aretha não sente ciúmes. Pelo contrário, Aretha sabe que essa vai lhe agradar e me agradar. Aretha sente sua áurea levemente escurecida com o ciúme despertado nela pelas outras moças...

- Bem, ela é bela, mas só irá me agradar depois de ver o que ela é capaz. Até agora, ela não provou nada. - disse Erick se voltando em direção a Aretha, olhando-a nos olhos.

- Creia nas palavras de Aretha. Aretha nunca errou suas previsões. Aretha sente tudo, e vê tudo. Erick sabe disso... - ela se aproxima do rei segurando em seus ombros olhando ele fixamente, mostrando um ar medonho de seriedade. Seus cabelos negros longos cobriam parte de sua visão, mas ainda eram nítidos de vê-los e temê-los como o rosto de um leão escondido na grama alta, pronto para atacar sua presa.

- Eu acredito em você, mas eu gosto de ver com os meus olhos, o que uma lady prendada é capaz de fazer ao sentir seu lugar ao lado do seu "príncipe encantado" sendo ameaçado por outras moças. - disse ele olhando Aretha com um sorriso de canto, colocando as mechas de seus cabelos sob a orelha e beijando sua boca. Levemente, as veias do seu corpo começam a ficar visíveis e enegrecidas, mas isso estava dando vigor ao seu corpo levemente fraco. Ao terminar, seus lábios se distanciam e Aretha volta a olhar para ele.

- Enquanto Erick observa ao longe, Aretha vai ficar os olhos naquela moça. - disse Aretha saindo pela janela, voltando ao estado de fumaça enegrecida pairando pela noite. Erick a observa sair até que aquela figura se dissipasse no espaço. De repente, o portão se abre. Sabia quem era para que não fosse solicitada sua ordem de abrir o portão: sua mãe. Alya entra às pressas e vai até o filho, o qual a observava de costas para a janela. Ela parecia séria no limite da raiva e seus passos pesados ajudavam a dar essa ideia.

- Chega de ficar trazendo essas moças para cá! - disse a mulher em tom alto erguendo levemente o rosto para falar com o filho. - O que você acha que vai conseguir botando mulheres decentes para se degladiarem por você?

- Vou ficar com aquela que lutou para conseguir o que tanto desejou. Quero que elas saibam com que sacrifício foi feito esse reinado, mamãe. - disse ele, sentando-se sob a cama.

- O que você fez foi ter medo. E por isso pediu a ajuda daquela... Coisa que eu nem sei de onde veio para ter o fragmento em suas mãos! Você exterminou pessoas, famílias, vidas que importavam entre nós! - Alya continua falando ficando na frente de seu filho.

- Tudo o que fiz foi nos proteger! Sabe lá o que iriam fazer com a gente se não mostrássemos a força de nossa casa! - Erick se levanta subitamente com um olhar penoso, suprimindo a raiva em respeito a mãe.

- Todos sabem que a nossa casa foi abençoada por Ashya-

- Não fale o nome dela! - gritou o rei, derrubando o jarro de água e o vaso florido de jasmim no chão. Os guardas, ao ouvirem um estilhaçar no chão, correram imediatamente, se pondo em posição de ataque. Erick os observa, com um olhar furioso e ordena que eles saíssem dos aposentos. Os mesmos obedecem a ordem. - Está vendo!? É isso que eles acham de nós! Uma ameaça ao reinado!

- A maior ameaça do nosso reinado, é você, filho. Olha o que você causou! - os olhos de Alya estavam coberto por lágrimas que caíam sob a poça de água forçada pelos jarros quebrados. A borda de seu vestido já estava molhada. - Erick coloca as mãos sob os ombros de sua mãe, olhando em seus olhos, sentindo o peso da tristeza que eles carregavam.

- Eu só quero manter o reinado que meu pai deixou. - disse ele mansamente. De repente, o olhar de Alya se torna furioso e, rapidamente sua mão acerta o rosto de seu filho como um tapa. Ele cobre o local levemente avermelhado com a mão e empurra a mãe, deixando com que ela caísse no chão, se molhando com a poça de água.

- Você nunca vai ser como seu pai ou como qualquer outro rei em nossa família! - disse ela em um grito que soava como se estivesse rasgando sua garganta. Os guardas voltam corroendo, indo em direção a rainha e ajudam ela a se levantar.

- Eu disse para vocês saírem! - de repente, a cabeça dos homens pegam fogo, o mesmo era azulado e brilhoso. Mesmo assim, os mesmos tentavam segurar a dor, tirando Alya dos aposentos. Um balbucio vindo de um dos soldados dizia: "fuja, majestade!". A mesma segue correndo, segurando seu vestido para não tropeçar, o mais longe possível.

- Mãe... Por favor... Desculpa... - disse Erick se ajoelhando enquanto os homens se esperneavam e gritavam asperamente até a morte.

───※ ·2· ※───

Era manhã e o Sol já tinha atingido uma altura considerável para que os vendedores abrissem seus comércios e os taberneiros, seus antros de bebedeira. O tumulto dos mercados se iniciava e o vozerio já era bastante confuso, envolto de gritaria, conversas e cochichos. No meio da praça, lá estava Adelaide armando sua tenda de flores. Ela organizava as tábuas de madeira que sustentavam as cobertas, juntamente com o pano longo listrado de branco e vermelho.

- Todo o dia, eu me surpreendo com você aqui trabalhando com essas flores, Adel. - uma voz rouca e envelhecida pelo tempo ecoa por trás da moça. Adelaide apenas continua a arrumar a tenda, colocando um pano de mesmo estilo da coberta sob a mesa improvisada.

- Bom dia para você também, senhora Talula. - disse a mulher mantendo-se focada em seu trabalho.

- Como vai o Brendon e Palpehan. Faz um mês que não vejo o garoto andando por aí como se fosse um guerreiro com a cabeça fora do lugar. - Talula ri vagarosamente, de maneira lenta e compassada. Adel não responde, apenas segue até a carroça onde estava seus utensílios e os põe sob a mesa, organizando-os.

- Aconteceu alguma coisa, querida? - perguntou a senhora, levantando levemente as mãos para tocar no ombro de Adelaide. A mesma olha para Talula com um semblante bastante levemente triste. - Conte-me. Sabe que pode desabafar comigo.

- Brendon fugiu de casa para seguir o seu sonho como cavaleiro da Armada Real. Simplesmente largou tudo e foi com o tio para a capital. - a mulher se senta no chão próximo a mesa improvisada, enquanto a senhora se acomodava na carroça. - Palpehan foi atrás dele, mas desistiu de trazer nosso filho de volta.

- Como se aquele mesquinho do seu marido tivesse preocupação com isso. - respondeu a idosa, olhando para uma moça que passava.

- Ele nunca deixa aquele jeito dele de fazer as coisas! Se não for por dinheiro, o esforço dele é mínimo! - disse Adelaide, rangendo os dentes ao falar. Talula a observa e lança uma risada suave.

- Esse homem simplesmente não existe. - a senhora olha pensativa para as árvores. - Já pensou em divórcio?

- O quê!? Não! - disse Adelaide surpresa com a pergunta da mulher. - Eu ainda o amo! Porque a senhora me sugere uma coisa dessas!

- Porque é o que eu acho que deveria ter feito a muito tempo. Se fosse eu, nem tinha casado com aquele mão de vaca. - disse a idosa.

- Senhora Talula. É do meu marido que está falando. - o tom de Adelaide era suave, mas sério. A velha sai da carroça e se aproxima da mulher lentamente de um jeito trêmulo.

- Olha, minha querida, você é uma mulher movida pelo amor. E ele... - Talula deu uma pausa vagarosa. - ... Bom só pensa em dinheiro e é levado por isso. Se ele amasse seu filho como qualquer outro pai nessa cidade, com certeza moveria céus e terra para trazê-lo de volta. Nem que fosse desmaiado com uma cacetada na cabeça.

- De certo modo, a senhora tem razão. - Adelaide se levanta indo na direção de sua tenda preparando-se para a venda do dia. - Mesmo assim, eu não creio que é uma razão muito boa para deixá-lo. Sabe, nos conhecemos nessa praça e ele estava completamente apaixonado por mim.

- Naquela época, ele era um soldado que vivia andando para lá e para cá vivendo a serviço do reino. Amor era um sentimento novo para qualquer jovem guerreiro. Mas agora ele é um banqueiro. O dinheiro dele pode comprar tudo. Até o amor que ele sente por você.

- Como assim? - Adelaide olha para a senhora levemente preocupada com o que ela disse e mais preocupada ainda com a resposta que viria a seguir.

- Nesse momento, creio que você está com muita raiva dele. Nisso, seu amor diminuiu por conta do que aconteceu. Agora, o que resta para ele é esperar você pedir desculpas, pois como todo homem "racional", ele vai querer aliviar a saudade e a chama dentro dele com alguém. E nisso não preciso entrar em detalhes. - disse Talula tocando em uma das flores bordadas em cima da mesa.

- Ele não faria uma coisa dessas! - disse a mulher levemente alterada e surpresa com a dedução da mulher. Porém, dentro dela existia certa dúvida quando a isso.

- Como eu lhe disse, querida: ele é um homem "racional". Ainda por cima, é um banqueiro. O que ele quer, ele consegue, não importa como. - disse a idosa, seguindo seu caminho pela praça. Aquelas palavras fizeram a mulher questionar a fidelidade de seu marido de maneira amedrontadora.

Era final do dia. O sol já estava em declínio e o crepúsculo do céu banhava o horizonte com um laranja se desvanescendo aos poucos, dando lugar a escuridão, a Lua e as estrelas. Os comércios já se encerravam, mas a bebedeira continuava, sendo mais barulhenta durante a noite. Não havia quase ninguém pelas ruas, fora alguns guardas que circulavam por elas com suas armaduras azul prateadas pela luz do luar, que tilintavam aos passos rígidos deles. A praça também se encontrava da mesma forma. Apenas um rapaz sentado em um banco, olhando para os lados, ansioso, como se estivesse esperando alguém. Palpehan estava ali. Ele não via mais a tenda da esposa e estava preocupado, pois sempre chegava depois dela em casa. O homem segue pelas ruas, perguntando aos guardas que sempre o reverenciavam, pois ele era conhecido como "Raio Divino", por conta da guerra. Entretanto, isso pouco lhe importava. Seu desejo era encontrar sua esposa. Ele continuou seu caminho até encontrar o velho Ginger andava pensativo rumo a sua casa. Como o senhor passava o dia inteiro andando pela cidade, comprando algumas especiarias, mesmo que não precisasse, o banqueiro achou favorável perguntá-lo sobre o paradeiro de sua mulher.

- Senhor, Ginger! - disse Palpehan se aproximando ao longe, andando rapidamente. O homem torna para trás e lança um sorriso de contentamento.

- Ora se não é o Raio Divino! - disse o homem. - Como você vai, meu caro soldado?

- Muito preocupado no momento. Estou procurando minha esposa a uns minutos. Por acaso você viu ela? - perguntou. Ginger fraziu o cenho e olhou ao caminho pelo qual seguia.

- Creio que aquela carroça me parece familiar. - o senhor apontou para onde estava olhando. Palpehan fica levemente aliviado ao ver a carroça, mas surpreso por ela estar na frente de uma taberna. O banqueiro caminha, olhando fixamente para a taberna, franzinho o cenho e se aproximando a passos lentos. Ele ouve um vozerio alto e grosseiro acompanhado de um quase imperceptível vozerio feminino que se misturava com as masculinas.

Palpehan entra no local e se depara com um homem acariciando as mechas de sua esposa. A mesma empurra ele com as mãos, impulsionando com todo o corpo e quase caindo da cadeira. Meio cambaleante ela volta para o lugar. Parecia estar acompanhada com outras mulheres. Pelo que o banqueiro percebeu, suas amigas.

- Homem só servem para nos usar como objetos. - disse Adelaide apoiando os braços no balcão e começando a chorar, bastante bêbada.

- Diz isso quando seu marido está presente? - falou bem alto o banqueiro. De repente, a sala ficou em silêncio,  música para de tocar, todos olham para o homem e a mulher, que estava tornando para trás com um sorriso tosco e descabelada. Ele vai até ela rapidamente. Seus passos eram rígidos e pesados que se ouvida a batida como uma bota socando o solo. Palpehan agarra o braço da esposa, tentando puxá-la para fora daquele lugar. A mesma grosseiramente se continha na cadeira, mantendo seus braços rigidamente presos ao balcão.

- Sai daqui você também, seu mão de vaca! - com essas palavras, Palpehan a solta e observa ela surpreso por essas palavras terem saído da boca dela. - Eu sei que você só quer ser feliz a sua maneira e não está se importando com a droga do meu coração! Eu estou sofrendo muito porque nosso filho não está aqui!

- Você está bêbada, mulher! Vamos pra casa! - ele toca novamente o braço da mulher e a mesma lança um tapa com a mão, cujo o braço estava livre.

- Não! O único momento que eu tenho de felicidade depois que Brendon se foi, é apenas quando não estou sóbria. - disse ela, chorando.

- Não me parece feliz. - respondeu o marido, gentilmente observando a mulher aos berros.

- Foi só você aparecer que a minha felicidade atravessou aquela porta e... - disse a mulher apontando para a porta e gesticulando em seguida o que viria ser uma explosão. - ... Sumido.

- Se acha que eu te causo tanto mau, porque não fala isso quando está sóbria? - disse o homem perdendo a paciência.

- Porque eu te amo muito para olhar no seu rosto e dizer o que sinto! Já... Meu Eu bêbado e descontrolado te odeia e quer que você se dane! - disse ela mostrando o dedo médio para ele. Palpehan apenas se vira e segue para fora da taberna.

- Volte para casa quando estiver estiver sóbria o suficiente para não me mandar se danar! - disse o homem batendo a porta com força.

───※ ·3· ※───

Grunidos e tilintadas escovam do lado de fora do Quartel General da Armada. Brendon estava atacando ferozmente um boneco de madeira, que fora posto fora do recinto por conta do barulho, caso alguém fosse treinar mais cedo, o que era hábito do jovem. Sua pele estava suada e isso era mais visível em sua roupa de algodão molhada. A respiração ofegante, mas com a força que se mostrava insaciável na luta contra o boneco. Sua espada cortava o mesmo em vários lugares, mas nada profundo. Havia outros cortes envelhecidos na madeira que Brendon chegou a questionar se aqueles guerreiros que treinaram ali ainda estavam vivos. O jovem tentava uma técnica que consistia em ataques rápidos como um relâmpago. As tentativas eram muitas, mas a consequência era o cansaço que não permitia que ele movimentasse o corpo na mesma ultravelocidade que movimentava o braço. Seu braço se movia rapidamente e era quase imperceptível aos olhos comuns. Talvez um sarizaya enxergaria com aqueles olhos místicos azuis, mas o ataque iria ser repentino.

- Você está fazendo um movimento incompatível com a sua força, meu sobrinho. - uma voz ressoava do fundo. Era Arkyn observando Brendon encostado na parede do Quartel com um leve sorriso. O jovem para e olha o tio, bastante ofegante.

- Como assim? Meu pai aprendeu a fazer isso e eu creio que é dessa maneira. - Brendon responde com a voz cortada pela respiração. Arkyn se aproxima dele para tentar explicar.

- Nem tudo que você vê é, de fato, assim. Observe. - o general começa a correr em volta do boneco e o jovem fica bastante confuso, tentando entender a lógica que o tio demonstrava. Quando o homem ficou ofegante e levemente cansado, ele para. - Então, entendeu?

- Não... - respondeu Brendon um pouco cético com o fato daquilo fazer sentido. Arkyn suspira forte e olha para o sobrinho.

- Quando você corre, perde bastante energia. Correr nada mais é do que pular freneticamente entre uma perna e outra. O impulso está nos pés. Concorda?

- Sim, concordo com isso. Mas não entendo a lógica. - disse o garoto pensativo.

- O fato de você não conseguir usar a velocidade do relâmpago a seu favor é que você pula freneticamente ao invés de só pular. - essa fala de Arkyn deixou as coisas mais embaralhadas ainda. Brendon assente com a cabeça positivamente de um jeito lento como se estivesse escondendo a ignorância na resposta corporal.

- Então... O que eu devo fazer? - perguntou o jovem para ter mais clareza dessa conversa. Embora àquela altura, parecia piorar a cada tentativa de esclarecimento.

- Não corra para o lugar que deseja, pule para o lugar que deseja. Seu pulo deve ser como um salto de um pé. Enquanto menos esforço fizer, menos cansará. Não sei se notou, mas toda vez que usa essa técnica seu corpo se cansa mais rápido. Isso se dá por conta que o peso do seu corpo aumenta muito mais. Procure se exercitar para ficar com a resistência mais eficiente possível. - disse o homem concluindo seu ensinamento confuso, mas que no final teve sua lógica. Arkyn toca o ombro de seu sobrinho e suspira. - temos uma reunião para fazer sobre a expedição para o Leste. E você irá conosco. Sua primeira missão.

- A expedição é próximo onde julgam ser a costa marítima. - disse Brendon pensativo. Será que existia outras pessoas além mar?

- Isso. Nossos espiões confirmaram sobre a existência do litoral. Seria uma boa ideia construir uma província naquelas bandas. - falou Arkyn sorrindo. O garoto o fez reciprocamente.

- Então vamos para dentro. Creio que os homens já estão de pé. - disse Brendon.

- Estamos apenas lhe esperando. - o homem seguiu na frente e o seu sobrinho o acompanhou. Logo na entrada, não havia nenhum soldado. Apenas o pátio vazio, mas era possível ouvir um vozerio mais a dentro. Os dois se dirigiam a porta que estava a frente e dava entrada ao Salão de Guerra. Grande parte dos soldados estavam reunidos e sentado em cadeiras, enquanto outros ficavam em pé ao redor da mesa com um mapa cartográfico, algumas peças de xadrez sob ele e um compasso. Quando Arkyn chegou com seu sobrinho, todos os homens que estavam sentados colocaram-se de pé e fizeram o cumprimento real, encravando suas espadas desembanhadas no chão. O silêncio se apoderou daquele lugar e os homens observavam o general esperando o início da reunião.

- Homens, o que temos para hoje sobre a expedição ao Leste? - pergunta Arkyn e Foger se inclina, apontando para o mapa na região onde estavam dois peões. Parecia a área de ataque.

- Segundo nossos soldados infiltrados naquele lugar, daqui a uma semana será a festa chamada Nadessa Khisara, no idioma deles. - disse o soldado.

- Nadessa Khisara... E que festival seria esse? - perguntou Brendon. Foger franziu o cenho como se quisesse que o garoto não estivesse ali, mas, ao olhar para Arkyn assentindo positivamente para ele, o mesmo decidiu explicar.

- Não precisa ir muito longe. Lembra do festival: Halen Kanenheimv? - perguntou Foger esperando que o garoto tivesse, pelo amor de seus pais, uma resposta positiva e não precisar explicar.

- Sim! Lembro perfeitamente! Quando eu eu era criança, eu e minhas melhores amigas aprontávamos bastante. - disse o jovem aos risos, lembrando do dia em que ele, Estrith e Helena acenderam o pavio dos fogos de artifício em uma barraca real. Foger apenas sorriu ironicamente e prosseguiu.

- Bem, nesse dia todos os homens e mulheres, sem exceção, estarão na festividade e isso será o momento perfeito para agir. - O soldado bate com o punho na mesa de uma forma encorajadora.

- Quantos dias nós temos de viagem até lá? - perguntou Arkyn.

- Em torno de quatro dias para chegar até o território. Os nossos espiões não poderão nos ajudar para adentrar a mata, pois isso ficaria suspeito demais.

- Então poderia durar mais... - disse Arkyn, pensativo. O mesmo olha para todos os que estão presentes. - Iremos partir hoje a noite. Precisamos estudar a melhor estratégia de cerco antes de executar o ataque no Halen Kanenheimv... Ou Nadessa Khisara, como preferirem. Preparem as suas coisas e se despesam de suas esposas e amantes. Hoje a noite iremos rumo ao front com o exército. Passem todas as informações aos nossos quartéis. Precisamos de todos os homens disponíveis! - o mesmo olha para Brendon. - Daqui a uma semana, sua mente vai mudar em relação a nós.

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