Capítulo 5

Sentada em uma pequena banqueta há pouca distância de Grissom que "tocava" o barco pelas águas calmas daquele mar, Sara observava seu ex-marido que se encontrava em pé e de perfil para ela.

O tempo podia passar, mas Grissom continuava altamente charmoso como quando o conheceu durante certa palestra. E ela altamente apaixonada por ele.

Era curioso que tinha razões suficiente para não estar ali e não dar aquele homem mais chance alguma. Mas, em contrapartida, havia apenas uma enorme razão para estar ali e ter lhe dado mais essa nova chance. E foi, justamente, essa "única" razão que pesou contra todas as outras que eram ao revés da escolha que havia feito. A verdade é que essa razão sempre pesaria mais que todas as outras!!

O amor imenso que ainda nutria por aquele homem era infinitamente superior a qualquer uma das outras razões que ele próprio proporcionou à ela de não estar ali. Foram diversas vezes que ele errou e tomou decisões equivocadas em nome dela que a machucaram. E ainda assim, Sara não deixava de amá-lo por mais erros que ele já tenha cometido ao longo desses anos que já se conhecem.

De repente, ele lhe olhou, piscou para ela e sorriu-lhe daquele jeito tão... Dele! E seu sorriso fez o coração de Sara até disparar de alegria e emoção.

Era tão bom estar com ele de novo. Seu mundo ao redor ganhava mais brilho, mais sentido, mais cor, mais tudo, quando estava ao lado de Grissom.

Até o momento, eles ainda não haviam conversado muito sobre a decisão dela de largar tudo. Sara apenas contou à Grissom sobre como tinha sido sua conversa com Conrad e também, sobre não ter avisado aos amigos sobre estar saindo do laboratório, pois não teve tempo já que saiu da sala do Xerife direto para pegar um táxi e vir ao encontro do ex. Mas ela ainda não havia lhe contado sobre o vídeo que viu e que foi uma das motivações para ter se decidido em vir atrás de seu ex-marido.

— Há essa altura o pessoal do laboratório já deve estar sabendo sobre a sua demissão.

Grissom comentou ainda olhando para Sara. Com certeza, não deve ter sido nada fácil para ela abandonar tudo novamente por ele.

— Ah, com certeza.

Ela sentia-se mal por ter saído sem ao menos se despedir dos amigos. Eles certamente, ficariam magoados com ela principalmente, Greg. Mas, depois Sara explicaria tudo direito à ele. Não tinha tempo de reuni-los e fazer um comunicado oficial após sair da sala de Conrad, pois a maioria já tinha ido para suas casas. Sem contar que Grissom estava para partir e ela não queria deixá-lo ir sem ela. Esperava que Greg e os outros entendessem essa sua saída à francesa.

— Não sei como o Greg ainda não te ligou pra cobrar explicações.

— Quando ele ligar vai dar na caixa postal. - Ao olhar confuso de Grissom, ela explicou: — Não trouxe o meu celular.

Grissom arqueou uma das sobrancelhas em um costume que Sara achava uma graça. Ela sabia que era uma maldade enorme não ter trazido o celular para que os amigos não entrassem em contato com ela, mas precisava desse tempo sem chamadas, sem telefone, sem nada. Só ela e Grissom.

— Ele vai ficar preocupado com você, Sara.

— Depois eu ligo do seu celular e digo que estou bem.

Ele apenas assentiu enquanto retornava sua atenção para as águas azuis e calmas. Para onde Grissom estava lhe levando ou qual seria o rumo deles dali para frente, Sara não fazia idéia. Somente o seguiria para onde ele quer que fosse!

Um breve silêncio tomou conta ali. E sem tirar os olhos de seu ex, Sara se perguntou silenciosamente se tocava  ou não no assunto das confissões dele à Heather.

Não era a primeira vez que ela descobria os sentimentos dele daquela forma, em uma sala de interrogatório.

Anos atrás durante a investigação do caso de Debbie, uma enfermeira muito parecida fisicamente com Sara, que foi assassinada pelo ex-namorado, um médico mais velho que ela e que não aceitou ser trocado por alguém mais novo. A perita morena descobriu sobre o que seu supervisor sentia por ela e sobre os medos dele. Na intenção de fazer o suspeito assumir sua culpa, Grissom acabou fazendo um discurso que deixava subentendido seus sentimentos pela sua jovem subordinada, no caso Sara.

Agora anos mais tarde, outra vez, na mesma sala de interrogatório, Sara descobria que seu ex ainda lhe amava. Ele confessou seus sentimentos pela perita só que dessa vez, não foi para Lurie ou o capitão Jim Brass e sim, para Lady Heather.

Sara só gostaria de saber por que ele tinha essa estranha "mania" de falar para os outros o que sente por ela e não diretamente à ela própria?

Inevitavelmente, a lembrança das palavras dele em certa carta, que lhe escreveu anos atrás e que sequer teve coragem de lhe entregar, vieram em sua mente.

"Não sei porque acho tão difícil expressar meus
sentimentos pra você... "

Realmente era difícil mesmo para ele falar à ela o que sente. Ele jamais foi bom com as palavras e ela sabia disso. Essa sua dificuldade por anos lhe irritou e os manteve longe um do outro. Mas isso era passado.

Como fizera anos atrás depois que eles se entenderam, ao investigá-lo de maneira sútil a respeito daquela confissão na sala de interrogatório feita por ele ao assassino de Debbie, agora, mais uma vez, Sara decidiu investigá-lo com sua confissão que fez a Heather.

— Gil...

— Sim...

Ele lhe lançou um olhar doce enquanto sorria da mesma forma que seu olhar para ela. Era tão bom ouvir sua voz chamá-lo daquele jeito que só ela tinha de chamar.

Diferentemente da outra "investigação" que fez com ele no passado, dessa vez, Sara não fez rodeios ou floreios. Deixando a sutileza de lado e indo direto ao ponto, ela lhe disparou:

— Eu ouvi as coisas que disse à Heather na sala de interrogatório.

Grissom não conseguiu disfarçar a surpresa ao saber daquilo. Mais uma vez, ela ouvia suas confissões naquela sala.

— Você estava lá acompanhando o depoimento dela atrás dos espelhos?

Pelo que se lembre não havia ninguém acompanhando aquilo. Ou havia e ele não sabia?

— Não!

— Então?

Ele estava confuso.

— Ao que parece, você esqueceu que a câmera ainda estava gravando as coisas ali.

A câmera!

Como ele não percebeu aquilo?

Podia jurar que já haviam desligado aquilo quando entrou para falar com Heather após sua amiga finalizar o depoimento. Mas pelo visto se enganou.

— Eu não fazia idéia que ela ainda estivesse ligada.

— Deu pra perceber! E graças a Lindsey, que viu a fita e me instigou a vê-la também, que eu descobri o que você disse à sua "amiga" e estou aqui. Por que não falou diretamente à mim aquelas coisas, Gil?

— Você sabe que...

— Não é fácil pra você falar dos seus sentimentos pra mim? É, eu sei disso. Mas...

— Eu já não me achava mais no direito de te falar sobre o que ainda sinto por você. - Ele confessou interrompendo a fala da ex-mulher, que surpreendeu-se com essas suas palavras. — Não depois de ter sido o responsável pelo término do nosso casamento, Sara.

— Em que momento você se arrependeu do divórcio?

— Assim que você saiu da sala de audiência, eu me arrependi. E desde então venho passando noites em claro.

— Eu também passei noites em claro após nossa separação.

Foram muitas e muitas noites sofrendo e desejando que seu ex se arrependesse, e viesse lhe tirar do pesadelo que ela vivia desde o término do casamento deles.

— Mas eu aprendi a duras penas a superar.

— Só que eu não, Sara. E quando te reencontrei no laboratório, eu além de ficar sem palavras, também sente ímpetos de te abraçar, beijar e pedir pra voltar pra mim, porque estava péssimo sem você. Mas lembrei que não podia mais fazer nada disso principalmente, te pedir pra voltarmos.

— E a Heather onde entra nisso? Por que abrir seu coração pra ela, justo pra ela?

— Porque Heather é uma amiga, que sabe e conhece muito bem a nossa história.

— Como assim ela...

— Minhas conversas com Heather, a maioria eram sobre nós dois. - Ele gesticulou, apontando a si próprio e depois a ex-mulher. — E também à seu respeito, Sara. Sempre falei de você pra Heather.

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