Cap.22 - Quebrar como Porcelana
Matt POV
Talia: vamos descer, vocês dois vão comer, e então voltamos a subir.
Eu: Não! Perderíamos muito tempo! — digo subindo as escadas. — Nos temos de saber o que está acontecendo. Temos de encontrar Thiamatt!
Assim como meu pai, eu estou faminto. O cheiro da minha mãe se tornou atraente demais, não consigo mais ficar no mesmo andar que ela.
Ser um dragão nessas horas, é uma merda.
Quando subi alguns degraus, senti meu corpo vacilar, então, um milhão de agulhas gigantes pareceram me atravessar simultaneamente, enquanto parecia que um tiro havia me atingido na testa. Eu quis gritar, me contorcer, chorar e destruir alguma coisa, tudo ao mesmo tempo.
Foi então que cansei de resistir e deixei que minha consciência se esvaisse.
Sabe, pensei que havia ficado vários minutos parado no lugar, olhando para o nada, perdido em dores ilusórias que pareciam reais, mas me toquei que senti tudo em um período curto que não passava de alguns segundos quando, ao longe, ouvi minha mãe gritando meu nome, desesperada.
Obviamente, eu nao sei de nada que aconteceu depois que apaguei. Por que, é claro, eu apaguei! Que legal, não é mesmo? Amo quando essas ocorrências bizarras e sem sentido ocorrem fora de hora! É como a porra de um Genipapu. Ruim pra desgraça.
Tudo se tornou escuro. Eu parecia estar em uma floresta. Os troncos das árvores, eu podia ver, estavam cobertas por tentáculos negros que pareciam gosma em alguns momentos, e teias de uma aranha gigante em outros. Essas árvores eram tão altas que eu não era capaz de ver seu final. Elas se perdiam em meio a escuridão antes.
No chão, havia uma cortina de fumaça que chegava a altura dos meus ombros. Essa névoa densa estava por todo o lugar, me impedindo de ver o chão onde pisava.
Um arrepio percorreu minha coluna debaixo pra cima. Sem opções, comecei a caminhar.
A medida que avançava, a névoa se tornava mais densa e branca de um jeito fantasmagórico. Um pouco a frente, vi sua origem. Era uma esfera branca e brilhante, como a pérola de uma ostra gigante. Ela produzia névoa sem parar, como uma máquina de fumaça movida a gelo seco. Tossi quando inspirei a névoa, que cheirava a mausoléu e gente velha.
Atraido pelo brilho, me aproximei, tocando a esfera. Ela era feita de plasma e ora era sólida, ora era líquida, deixando que algumas pequenas explosões de energia morna esquentassem minhas mãos, que estavam mais geladas que o normal. Era como um sol em tamanho miniatura,no entanto, em tons de branco e azul, ao invés de laranja e vermelho.
Senti uma mão em meu ombro e me virei rapidamente, segurando o pulso dessa pessoa. Relaxei quando vi que, a pessoa atrás de mim, não era ninguém menos que Thiamatt em sua forma humana.
Ela parecia ter acabado de voltar da guerra. Sua pele, outrora branca como porcelana, estava repleta de linhas negras, como rachaduras remendadas. Enquanto seu vestido estava amarrotado e parecia se fundir a névoa, como se ela fosse um mero fantasma.
Eu: Thiamatt, o que aconteceu?
Thiamatt: Devourer, ele aconteceu. Meus erros para com este mundo resultaram no que ele é hoje, um ser cheio de raiva pura e explosiva, que irá consumir tudo como fogo.
Eu: você é a única que pode dete-lo.
Infelizmente, ela balançou a cabeça para os lados, expressando negação.
Thiamatt: eu não posso mais. Ele destruiu minha esfera de energia, tudo o que restou de mim, está em você.
Eu: oi? Ele a tirou de mim
Thiamatt: ele tirou a parte bruta da minha essência, mas o principal, não é meu, é seu. — ela se aproxima, tocando meu rosto, sua mão quase me atravessa. — você é a solução, mas não sozinho. Você pode me encontrar, mas talvez não consiga me trazer de volta. Sinto muito, tu és muito jovem para lidar com tal situação.
Antes que eu pudesse responder, ela se afastou. Deixei de sentir seu toque, e, a medida que ela se afastava, sua imagem se tornava mais e mais fraca, enquanto as rachaduras aumentavam.
Sua imagem se partiu por completo, se dividindo em diversos fragmentos, que, em seguida, se misturaram a névoa.
Me virei, encarando a esfera. Ela estava fraca, perdia seu brilho, se tornando opaca até se tornar apenas uma esfera de pedra rachada. A névoa deixou de ser produzida, então, começou a vir para mim, juntamente com as teias negras das árvores, que começaram a se enrolar em mim.
Lutei por meus momentos, rosnando e conseguindo partir algumas teias, que se reconstituiam e voltavam a se enrolar, me mantendo no lugar. Senti um vento forte, que bagunçou mais ainda meu cabelo, e olhei para cima. Minha draconia brilhava, comecei a rosnar e, por um momento, se tornou algo similar a um rugido de dragão. Um enorme par de olhos negros apareceu, me encarando com ódio. Encarei de volta, franzindo as sombrancelhas.
Aquele focinho abriu a boca, seus dentes vindo em minha direção com velocidade para me engolir. Rugi, o desafiando.
Talia POV.
Agora, Matt está deitado em uma cama de um dos últimos andares da torre. Aqui em cima, o vento entra virado, balançando um pouco a estrutura e me fazendo sentir frio na barriga.
Não gosto daqui de cima.
Entretanto, o velho mago da torre nos ajudou, nos teleportando aqui para cima e cuidando do meu filho. Drago estava comendo ao meu lado, olhando o mago usar plantas e incensos para o trazer de volta. Sua draconia brilhava enquanto as rachaduras desapareciam.
Eu: qual o estado dele?
— Ele está bem, entretanto, está muito fraco. A perda de Thiamatt o afeta imensamente.
Suspirei. Quando ele disse que algo aconteceu a dragonesa de cinco cabeças, eu quase congelei. Sabia que a ligação dos dois era, de certa forma, grande, desde sua infância, quando ela sussurrava em sua mente em desenvolvimento.
Drago: tem como o acordar sem efeitos colaterais
— Sim, mas agora não. Ele ainda está fraco. Entretanto, o pirata eu posso acordar.
Eu e Drago: pirata?
O mago acenou para a janela com a mão. Olhei para lá. Do lado de fora, vi uma dúzia de dragões em miniatura como o que me mordeu. O grupinho voava em formação, carregando juntos nas patinhas um corpo inerte.
Logo reconheci o corpo, e corri para a janela, segurando o corpo e o puxando para dentro, aliviando o esforço dos dragõeszinhos.
Ver Wield naquele estado era de partir o coração. Ele, de moreninho, estava pálido, enquanto seus lábios estavam extremamente partidos e, sua pele, desidratada. Rapidamente, peguei um copo cheio de água gelada e o fiz beber o líquido transparente diversas vezes, até que sua pele voltasse ao normal. Um tritão não pode ficar sem água, mesmo se ele for um híbrido.
O mago se aproximou, tocou sua testa e recitou um encantamento. Todo o corpo de Wield foi restaurado e, abruptamente, ele abriu os olhos, se levantando e se afastando.
Wield: onde estou? — ele pergunta, olhando atordoado o andar. — Ataque, onda, tubarões, Devourer, Jack....
Drago; calma! Vocês encontraram Devourer?!
Wield: vocês... Me acharam. Que dia é hoje?
Eu: faz quase sete dias que partimos.
Wield: há seis dias, Devourer apareceu. O navio já era. A tripulação está na praia. E Jack foi transformado em pedra.
Eu: o que?!
Continua.
Notas da autora!
HEY OH!
FINALMENTE VOLTEI COM DRAGONJIN!
Gente, sinto muito pela demora. Eu tive um baita bloqueio criativo para a história, mas acho que desse mal, estou curada.
Provavelmente sairá outro capítulo esse final de semana, juntamente a Daechya.
Sinto muito pela demora! Espero que não tenham ficado bravos! Obrigada a quem ainda acompanha, e até o próximo capítulo.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top