Dia 12: Ânimos Afetados

Quarto do Síndico - 00:15.

— Agora é torcer para o melhor — comentou Olívia, segurando as mãos de Alan. — Você está confiante?

— Não sei como me sinto. Tô meio aéreo, confesso.

— Foi exatamente como a gente previu — disse Nathaniel, andando de um lado para o outro. — Sem tirar nem pôr.

— É que, de certo modo, a votação dos despejos está um pouco óbvia — disse Leonardo. — Sempre vai ter duas pessoas do grupo que não ganhou o síndico no despejo.

— Então cabe a nós continuar a ganhar as provas, porque só assim para irmos longe.

Quarto Roxo - 00:25

— Duas de nós nesse despejo... — ponderou Zarina. — Meu Deus.

— Pois é, Z... — respondeu Helena. — Será que a votação está entre eu e você?

— Quero nem pensar nisso agora, Lena — retrucou. — Eu só quero dormir. Dormir longas horas pra acordar com a pele hidratada.

Todos do quarto riram.

— Eu tenho uma teoria — pontuou Ezequiel. — Querem ouvir ou guardo para amanhã?

— Fala, fala — pediu Solene. — Já tá tudo na merda mesmo. Por que ter medo de se melar mais?

— Eu acho que corre o risco da Zarina ficar de coadjuvante nessa berlinda... — explicou ele. — O Alan e a Helena tiveram uma discussão recente, se isso for visto como algo grande pelo público, pode ser que a votação fique entre os dois, e a Zarina não receba nem 10% dos votos.

— Deus te ouça.

— Ei! — disse Helena, dando um tapinha no braço da aliada.

Zarina riu.

— Mas como funcionam as torcidas, hein? — questionou Solene. — Porque, matematicamente falando, estão indo duas contra um. Não é possível que a nossa torcida, se a gente tiver alguma, se junte e elimine ele?

— Ai, tomara — disse Viviana. — Quero muito que vocês duas fiquem.

— Ah, é? Agora você abre a boca, né — provocou Zarina. — Pensei que queria que o Alan ficasse.

Viviana as encarou com desdém.

— É claro que eu quero que vocês duas fiquem, né — respondeu. — Não é porque eu não votei no Alan junto com vocês que eu quero que ele fique.

A notícia chocou a todos do quarto roxo.

— Como assim você não votou no Alan? — indagou Helena com o rosto ficando vermelho. — E você votou em quem?

— Bom, pelos meus cálculos o Alan já iria para a votação com ou sem o meu voto, então eu decidi seguir meu coração e votei no Nathaniel.

— Jogar voto fora no Nathaniel, você quer dizer, né — rebateu Helena, furiosa.

— Foi muita mancada, Vivi — falou Solene.

— Eu entendi o seu raciocínio, mas você não pode ficar anulando voto assim, se a gente combinou uma coisa, então você tem que seguir o combinado, Vivi — explicou Ezequiel, contendo as palavras.

— Vocês estão sendo insuportáveis com essa perseguição — rebateu Viviana, mantendo seu posicionamento. — Eu estou, sim, tentando ampliar os meus horizontes aqui, me comunicar mais com o outro grupo, mas já deixei claro que voto com vocês!

— Mas nós não nos importamos com você falar com eles — falou Ezequiel.

— É claro que se importam, a Zarina faz cara feia toda vez que chego perto da Olívia — rebateu Viviana. — A Helena e você podem até não ligar, mas ela liga.

— Ué, mas é claro que eu ligo — meteu-se Zarina. — Ela é minha atual rival nesse momento do jogo. Como você acha que eu me sinto vendo você de risadinha com ela? Eu me sinto traída, por mais que eu saiba que você nunca levaria uma informação daqui pra lá, eu não controlo o que eu sinto. Desculpa.

Zarina saiu do quarto, deixando todos para trás.

— Deixa que eu vou falar com ela — voluntariou-se Solene.

Área Externa - 00:31.

Zarina estava sentada perto da piscina.

— Quer um cigarro, Z?

— Não — respondeu. — E também não quero conversar.

— Então você quer que eu vá embora?

— Eu não disse isso — respondeu. — Pode ficar. Deixa eu deitar no seu colo.

Zarina deitou com a cabeça no colo de Solene e se permitiu pensar no dia seguinte, nas possibilidades de sair e ficar, nas suas relações com a casa. Tudo isso admirando a fumaça do cigarro que se espalhava pelo ar.

— Ficar perto de você está me transformando em fumante passiva.

Solene gargalhou.

— Você se acostuma.

Dia Seguinte - Sala - 09:58.

Alan estava sentado na sala, imóvel. Pensativo. O cabelo estava molhado, provavelmente tinha acabado de sair do banho.

— Tá tudo bem, Alan? — perguntou Olívia.

— Preocupado com essa votação...

A síndica foi até o rapaz e o abraçou.

— Ai, que abraço gostoso — contemplou Alan. — Eu não tenho mesmo nenhuma chance?

— Alan, que chatice! — reclamou Olívia. — Você com essa insistência acabou de arruinar um momento fofo.

— Foi mal, pisei na bola.

— Não, agora eu não quero mais te abraçar — rebateu ela, levantando e indo embora.

A câmera focou na cara de decepção de Alan e flagrou uma lágrima escorrer de seus olhos.

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